Será que é realmente uma armadilha? (Parte II)
— Mu Qingge, seu desgraçado, o que fez com a minha Chê’er? Maldito! —
Os fatos estavam diante de seus olhos, mas Mu Ruoxue não sabia por que ainda insistia em se debater contra eles.
— Ora, a Rainha Xue continua tão teimosa, voluntariosa, intratável e descortês! — Mu Qingge abriu seu leque e abanou-se com indiferença.
— E o Rei Mu segue sendo tão arrogante, presunçoso, mesquinho e pouco digno de ser chamado de homem! —
O olhar fulminante de Mu Ruoxue cravou-se em Mu Qingge, sem que ela cedesse um passo sequer.
Se olhares pudessem matar, Mu Qingge já teria morrido milhares de vezes.
— Não precisa se apressar em vencer pela língua, Rainha Xue! Permita-me contar: Chê’er sempre foi minha aliada. E, veja só, ela alguma vez lhe contou que é uma exímia guerreira? —
Mu Qingge deleitou-se ao notar o rosto de Mu Ruoxue tornando-se cada vez mais pálido.
Não era ela conhecida por sua força? Não era capaz de ler nas almas das pessoas?
Ele sentia curiosidade: se ela descobrisse que havia caído numa armadilha cuidadosamente preparada, que expressão faria?
Apenas um rosto lívido? Isso estava longe de ser suficiente.
— E daí? —
No peito de Mu Ruoxue pulsava uma dor que a sufocava, mas, ao erguer os olhos, avistou do outro lado o semblante pálido de Chê’er.
Seria culpa o que sentia?
Mu Ruoxue desejava, com todas as forças, que sua suspeita estivesse errada.
Mas a verdade desmoronava seu coração.
Será que ele a havia “convidado” apenas para expô-la a tudo aquilo?
— Sim, e daí! — fechando o leque diante do rosto, Mu Qingge sorriu de leve. — Além disso, Rainha Xue, eu também conheço seu segredo. —
Aquele olhar astuto parecia desnudá-la por completo.
O clima no salão tornou-se sufocante.
Três rostos, três expressões absolutamente distintas.
Com os nervos à flor da pele, uma veia latejava dolorosamente na têmpora de Mu Ruoxue.
— Que segredo? — ela fingiu calma, mas por dentro uma tempestade se formava.
Será que Chê’er havia contado tudo?
Chê’er, por que você baixou os olhos?
Por que não ousa me encarar?
Por quê?
— No retorno de Beiqing para Dongqing, foram enviados assassinos de Xili. A rainha Xueyao acabou sendo vítima de um ataque e só restou entregar um corpo frio ao soberano de Dongqing, Nalan Shuyu. Shuyu, pensando tratar-se de uma armação de Zhang Hao, se uniria a Beiqing para atacar Xili. Então, Beiqing fingiria fraqueza e enviaria apenas uma pequena tropa para se unir a Shuyu, enquanto o restante das forças atacaria o indefeso Dongqing. E sua volta a Beiqing foi justamente para discutir esse plano perfeito. Estou errado? — Mu Qingge falava com tranquilidade, como se contasse algo trivial.
— Se já sabe de tudo, Rei Mu, por que insiste em perguntar? — arqueando as sobrancelhas e esboçando um sorriso irônico nos lábios, Mu Ruoxue fingia desdém, mas por dentro tentava adivinhar: até onde ia o conhecimento dele?
— Mas, Rainha Xue, como pode ter tanta certeza de que Shuyu partiria para a guerra? Ou de que eu não iria ajudá-lo? Em seu plano, não houve sequer um pensamento para Shuyu. Jamais lhe passou pela cabeça que poderia fracassar? — A expressão de Mu Qingge endureceu.
A mulher que antes o repreendia com tanta retidão, agora parecia não passar de uma vilã.