Volume Dois: A Sombra da Morte Capítulo 37: Descobrindo o Problema
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Forte Augusto, Grande Ilha Leste, Base de Alerta Estratégico de Segurança Nacional da Aliança.
Na estrutura militar da Aliança, o nome desta base é imponente. Subordinada diretamente ao Ministério da Defesa, é uma das poucas unidades de segundo escalão da frota. O comandante-geral da base detém a patente de tenente-general, desfrutando do mesmo status que os comandantes de frotas de supressão planetária.
Contudo, sob todo esse brilho, esconde-se um fato embaraçoso.
O local não passa de uma pequena ilha de quatro quilômetros quadrados, isolada no oceano a leste do continente, a mais de cem quilômetros de distância da costa, guarnecida normalmente por apenas um pelotão.
Naturalmente, o comandante da base não perde tempo nesse lugar miserável. Por isso, nas cidades da costa leste, existe um prédio de escritórios que, nominalmente, pertence a esta base.
No entanto, os equipamentos de monitoramento em tempo real, que deveriam exercer a função de "alerta estratégico de segurança nacional", estão instalados justamente na Grande Ilha Leste, um pedaço de terra que encolhe pela metade sempre que a maré sobe.
Com a assinatura do tratado de paz oficial entre a Aliança e o Culto, esta base, que outrora foi vital para monitorar os movimentos do grupo, tornou-se um departamento fantasma, ignorado por todos. Apenas generais que desejam subir um último degrau antes da aposentadoria aceitam passar três anos aqui, aproveitando para conquistar a insígnia de duas estrelas douradas.
Mas esses generais mimados são diferentes dos fuzileiros navais que realmente guardaram a ilha; apenas eles sabem o quanto a vida aqui é dura e o quão pouco confiáveis são aqueles equipamentos de alerta estratégico, que quase nunca param de apitar por um segundo sequer.
O cabo Nell é um soldado comum que guarnece a ilha. Quando saiu do campo de treinamento de recrutas e soube que fora designado para a Base de Alerta Estratégico de Segurança Nacional, sentiu um orgulho imenso. Foi apenas ao desembarcar na ilha e ver a aeronave que o trouxera partir, sob o olhar zombeteiro dos veteranos maltrapilhos, que começou a sentir um leve arrependimento.
Naquela época, a rotina dos veteranos era viver de uma refeição para a outra. Quando não estavam comendo ou dormindo, reuniam-se para jogar. Apenas ele mantinha seu posto diante dos equipamentos de monitoramento, meticuloso e diligente.
Porém, logo descobriu que os equipamentos de monitoramento de ultra-longo alcance, espalhados pelas vastas fronteiras da Aliança, não paravam de disparar um único instante. Se, por um milagre, aqueles sinais de "altíssimo risco" parassem por um minuto, isso seria, de fato, algo extraordinário.
No primeiro mês, ele ainda insistia em revisar manualmente cada informação de alerta. Mas, ao perceber que a maioria eram disparates, a partir do segundo mês, acostumou-se a cochilar entre as luzes vermelhas que piscavam incessantemente e o zumbido estridente dos alarmes.
Afinal, se fosse necessário enviar um navio para verificar cada vez que um animal selvagem cruzasse o perímetro eletrônico, ou quando um prisioneiro de uma colônia penal tivesse a mínima intenção de fugir e fosse vaporizado no ar, o custo seria proibitivo e apenas atrairia as maldições dos soldados da linha de frente.
Todos ali eram apenas peões vestindo o uniforme da frota e recebendo um salário; para que complicar a vida uns dos outros?
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Dois anos depois, hoje, os veteranos ou se aposentaram ou usaram suas conexões para serem transferidos. Nell tornou-se o militar de maior patente na ilha e acabou assumindo a mesma postura negligente que tanto estranhara no início.
Entretanto, neste dia, os alarmes pareciam soar com frequência excessiva.
O cabo Nell, naturalmente, não tinha tempo para se preocupar com isso. Ele estava deitado na areia quente, calculando como poderia se queixar aos superiores na próxima avaliação para conseguir mais subsídios, ou como extrair algum adicional de linha de frente dos burocratas do Ministério da Defesa após sua aposentadoria.
Sim, a Grande Ilha Leste é tratada como uma unidade de linha de frente na hierarquia de combate, recebendo os adicionais correspondentes. Provavelmente, essa é a única vantagem do local.
Na avaliação do mês passado, ele causou uma boa impressão em um figurão do Estado-Maior e deixou... uma gratificação. A ordem de transferência estava quase saindo; seu tempo na ilha não deveria durar muito mais.
Ao pensar nisso, os lábios do cabo Nell curvaram-se levemente e seu humor melhorou.
Mas seu bom humor foi logo destruído por uma figura que se aproximava apressadamente.
Era um soldado de primeira classe chamado Yaris. Assim como ele quando recém-chegado, era o único no pelotão que ainda levava a sério o monitoramento de cada alerta vindo das fronteiras.
Foi justamente por ver nele um reflexo de si mesmo que Nell o deixava ficar no centro de monitoramento, lendo, uma a uma, todas as mensagens de alerta.
— Cabo, por favor, veja esta informação. — O soldado de primeira classe correu até ele, segurando uma folha eletrônica.
— Eu já disse, soldado Yaris — Nell acenou com a mão, impaciente. — Insira os dados no analisador. Exceto por invasões em larga escala do Culto, não precisa se preocupar com mais nada.
— Cabo — o jovem soldado não se moveu, insistindo com obstinação —, sinto que o resultado do analisador está errado.
— Se acha que seu cérebro é mais rápido que as superinteligências do analisador, pode largar esse trabalho entediante e ir revisar seus estudos. Eu ajudo a solicitar sua qualificação para o exame da Academia de Tecnologia Militar da Frota. — Observando o jovem, que era a imagem exata de si mesmo anos atrás, Nell respondeu calmamente enquanto pegava a folha eletrônica.
Na tela, via-se a análise do sistema: uma tentativa de fuga em massa no planeta ACPM47. Comportamentos de prisioneiros tentando deixar a superfície foram detectados 179 vezes pela rede de monitoramento terrestre, resultando em 36 disparos de advertência e ataques letais.
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— Isso não é apenas uma tentativa de fuga? 179 detecções, 36 ataques... Naquele lugar, provavelmente não sobrou nem o pó desses caras.
— Mas, senhor, veja a informação de um dia depois, ou seja, a de agora.
O soldado de primeira classe tocou na tela, e o conteúdo mudou para outro relatório.
— ALTO RISCO! Plataforma de defesa orbital do planeta ACPM47 apresenta sucessivas perdas de contato não padronizadas.
Esses alertas e relatórios de análise estavam escondidos no meio de uma montanha de dados inúteis, despejados na base da Grande Ilha Leste. Se não houvesse alguém como o soldado Yaris revisando item por item, a questão seria facilmente esquecida em meio ao volume massivo de dados que crescia diariamente.
— A fuga foi bem-sucedida? Esses sujeitos conseguiram romper a rede de defesa orbital? — O cabo Nell ainda não parecia muito tenso. Ele estalou a língua e, ainda assim, conectou-se via telefone de ultra-longo alcance ao oficial de segurança da guarnição de Osmay.
— O que foi? — parecia ser madrugada no local. Um oficial de estado-maior, com os olhos inchados de sono, apareceu no visor holográfico. — Não me diga que houve outro meteoro destruindo sensores ou contrabandistas atravessando a fronteira.
— É um problema — ao ver que se tratava de um conhecido, Nell relaxou um pouco. — Peça para seu pessoal dar uma olhada perto do planeta ACPM47. Suspeito que houve uma fuga em massa por lá.
O oficial olhou para a xícara de café vazia na mesa e a jogou de lado: — Planeta 47? Certo, entendi. Amanhã de manhã, organizarei o envio de duas naves de reconhecimento. Mais alguma coisa?
Ao desligar o telefone, Nell lançou um olhar incerto ao soldado Yaris.
— Não pode ser — murmurou para si mesmo, como se falasse com Yaris. — Preciso falar com o comandante.