Volume II: A Sombra do Deus da Morte Capítulo 22: A Operação de Resgate
Fora do Laboratório Wangji, na órbita sincronizada da estrela Zeta, sala de comando da nave-mãe Amariel, da frota de expedição de Novarossan.
A Amariel estava em estado de alerta máximo, operando além de sua capacidade, mas caso alguém entrasse na sala de comando, presenciaria uma cena estranha: o espaço estava completamente vazio, porém todos os dados e ordens eram transmitidos incessantemente a cada nave da frota, chegando até cada tripulante.
A cada segundo, inúmeras ordens eram emitidas e executadas, em uma eficiência quase assustadora.
— Algo está errado — ecoou uma voz no vazio da sala de comando, sintética, mas cheia de emoção. — Já passou tempo demais, por que ainda não saíram?
Em um piscar de olhos, dezenas de milhares de simulações possíveis cintilaram na tela principal.
— Objetivo do experimento fora de controle, probabilidade de 45,57%.
— Conflito entre três partes, probabilidade de 12,27%.
— Han Jianfei e Chen Mingyuan em combate direto, probabilidade de 11,48%.
— ...
Durante a análise rápida dos possíveis incidentes, o sistema detectou subitamente a dobra do equipamento Fênix, localizado no arsenal de âncoras de ferro e gelo.
— Revisando as possibilidades: objetivo do experimento fora de controle, probabilidade de 61,21%. Toda a nave em estado de alerta nível dois, notificar a frota da Aliança sobre possível engajamento hostil...
Depois dessa mensagem, todas as informações na tela desapareceram.
Poucos segundos depois, o capitão da Brofast recebeu um pedido de comunicação da nave-mãe de Novarossan.
Como comandante experiente, o vice-almirante Bierde sabia que em uma situação tensa como aquela, qualquer erro de avaliação poderia trazer consequências graves, especialmente com as frotas posicionadas lado a lado em uma área de menos de trezentos mil quilômetros; um deslize poderia ser irreversível.
Sem hesitar, ele aceitou a comunicação.
Na tela principal surgiu a imagem de um jovem, ostentando patente de coronel, mas Bierde sabia muito bem: o comandante máximo da frota de Novarossan era justamente um coronel.
— Saudações, vice-almirante — cumprimentou o interlocutor — sou Carter, comandante da frota de expedição de Novarossan.
A imagem holográfica não era Carter em pessoa, mas uma projeção criada pelo sistema, que evitava revelar sua identidade de inteligência artificial avançada — algo difícil de acreditar e de aceitar.
Bierde conferiu as informações ao lado da tela: imagem e voz correspondiam ao coronel Carter, então era seguro assumir que era ele mesmo.
— Sou Bierde — respondeu, acenando educadamente para o comandante, três patentes abaixo.
Por tradição da Aliança, comandantes de frota geralmente ostentavam a patente de vice-almirante; como as grandes guerras tornaram-se raras, poucos haviam recebido promoções acima dessa patente. Até o atual chefe das forças da Aliança, Chen Mingyuan, era vice-almirante.
Mas vice-almirantes não eram todos iguais; um comandante de frota local, incompleto, jamais poderia ser comparado a Bierde, comandante de uma frota de elite.
De qualquer modo, um coronel não teria normalmente o direito de dialogar em pé de igualdade com um vice-almirante.
Devido ao acordo do Café, Novarossan ainda era território nominalmente pertencente à Aliança, por isso os oficiais não receberam novas patentes.
— Vice-almirante, nossos analistas acreditam que possam surgir incidentes imprevistos no laboratório. Estamos preparando a elevação do nível de alerta. Para evitar equívocos, comunicamos diretamente e pedimos que sua frota sincronize o estado de alerta conosco.
Bierde ponderou as palavras do interlocutor.
O primeiro ponto era claro: eles elevariam o alerta, mas não tinham a frota de Bierde como alvo; esperavam evitar mal-entendidos.
O segundo: incidentes imprevistos no laboratório sugeriam que as pessoas lá dentro poderiam estar em perigo? Chen Mingyuan deixara ordens claras: se sua vida fosse ameaçada, era para abrir fogo imediatamente.
— Pode esclarecer a situação lá dentro? — perguntou Bierde, olhando para o sinal de comunicação direta com Chen Mingyuan. Desde que a nave de transporte entrou no laboratório, a comunicação fora cortada, mas o sistema vital de Chen Mingyuan ainda recebia impulsos regulares; ao menos, ele parecia estar vivo.
— Também não sabemos exatamente o que ocorre lá dentro — respondeu a projeção de Carter. — Podemos afirmar que, até o momento, não há risco imediato à vida deles, mas o tempo de permanência já superou o previsto.
Bierde refletiu por alguns instantes, assentiu:
— Podemos elevar o nível de alerta, mas precisamos enviar um grupo ODST para buscar no laboratório.
A expressão de Carter pareceu hesitar.
— Está bem — respondeu por fim. — Mas, conforme as normas de segurança do laboratório, qualquer pessoa ou equipamento que saia deverá ser submetido a três sessões de radiação EMP.
— Estaremos preparados — garantiu Bierde. — Em dez minutos, nosso grupo ODST fará o desembarque.
— Perfeito — disse Carter. — Uma hora após o desembarque dos seus soldados, dispararemos fogo concentrado sobre o laboratório para eliminar qualquer risco. Fique ciente disso.
Os olhos de Bierde se estreitaram, aprofundando ainda mais sua impressão sobre aquele jovem oficial.
Aquele laboratório abrigava não só o líder de Novarossan, mas também o comandante máximo da frota da Aliança, e Carter, sem confirmar o destino dos dois, já estipulava um prazo final para o laboratório. Sua determinação era tal que Bierde sentiu-se inferiorizado.
Após encerrar a comunicação, Bierde ordenou à sua frota a elevação do nível de alerta e comandou a unidade ODST, de prontidão 24 horas, a enviar um grupo de doze soldados ao laboratório.
Tudo seguia conforme as recomendações do comandante de Novarossan, mas Bierde também instruiu secretamente sua frota: caso o laboratório fosse destruído, toda a artilharia deveria se voltar imediatamente contra Novarossan.
Pois, se chegasse a esse ponto, Chen Mingyuan estaria certamente morto, e isso significaria o início de uma guerra civil total na Aliança.
O sistema rapidamente percebeu a intenção estratégica de Bierde, mas não reagiu; apenas usou o aumento de alerta para ajustar propositalmente a posição de algumas naves.
De fato, dez minutos depois, um esquadrão de armaduras móveis explodiu a porta hermética do laboratório, entrando no compartimento de carga.
No antigo presídio da Aliança, prisão Moses, Han Jianfei já havia cogitado operações de salto entre naves usando armaduras móveis, mas a ODST da Aliança foi a primeira a realizar tal operação.
— Frota, aqui é o Cão de Caça — comunicou o líder do esquadrão. — Entramos na área-alvo, vemos a nave de transporte, está vazia, ninguém dentro.
Sem intenção de ocultar a missão, o esquadrão transmitiu em voz aberta, e o sistema interceptou facilmente todas as comunicações.
— Cão de Caça, continue avançando na busca! — veio a resposta da Aliança, comandada pessoalmente pelo vice-almirante Bierde.
As armaduras avançaram e pararam diante de uma porta de isolamento.
— ...Encontramos uma porta de isolamento gravitacional no único corredor, precisaremos de tempo para abrir — relatou o líder.
— Acelerem — ordenou Bierde. — Vocês têm apenas cinquenta e quatro minutos e trinta e nove segundos, agilizem!
Após responder, um dos soldados ergueu o cortador a laser do braço esquerdo e começou a abrir a pesada porta de liga metálica.
No meio do corte, ouviram disparos dentro da porta.
— Frota, aqui é o Cão de Caça. O corte continua, mas ouvimos tiros lá dentro. Solicito instruções.
— Cão de Caça, abram a porta o mais rápido possível e preparem-se para resgatar quem está dentro.
— Entendido.
O líder retirou o soldado com o cortador a laser:
— Assim é muito lento, afastem-se!
Ergueu o lançador de granadas de calibre pequeno, apontou para a marca do corte e disparou várias vezes.
Após uma dúzia de tiros, a porta finalmente abriu um buraco suficientemente grande para uma armadura passar.
Assim que entrou no corredor isolado, ouviu um grito ao fundo: um homem de óculos, de meia-idade, corria desesperado, rolando e tropeçando, ao ver as armaduras correu ainda mais, em busca de socorro.
— Matem eles! Matem os monstros! — gritava, histérico. — Socorro...!
Era Zhou Rong.
Após separar-se dos outros, Zhou Rong seguiu pela rota inversa, atravessando portas de isolamento na escuridão, até chegar ali.
Na última etapa, ele e seus dois robôs finalmente encontraram uma horda de infectados.
No desespero, Zhou Rong ordenou aos robôs que bloqueassem o caminho, enquanto ele fugia para o corredor.
Correndo desesperado, atrás dele, na parede, criaturas deformadas, tão rápidas quanto ele, se penduravam.
— Meu Deus, o que é aquilo! — gritou o líder do Cão de Caça, esquecendo-se da comunicação com a frota.
Na tela transmitida ao vivo, Bierde também viu os "monstros".
Sem esperar ordens, o esquadrão abriu fogo sobre os alvos.
Zhou Rong correu por entre eles, sendo lançado por uma das armaduras para fora do buraco aberto.
— Você está ferido! — alertou o médico do grupo ao notar o braço esquerdo dele.
— Não... não é nada... — Zhou Rong cobriu a manga, tentando esconder o ferimento superficial.
— Frota, estamos em combate com uma espécie desconhecida, encontramos um sobrevivente, vamos enviá-lo, preparem-se para recebê-lo.
— Não precisa — interrompeu Zhou Rong, ao ouvir o líder. — Levem-me à nave Hewibak, preciso retornar à Fortaleza Augustus e reportar tudo ao Primeiro-Ministro.
— Entendido, senhor — respondeu o líder. — Conforme o protocolo, o senhor deve passar por três exposições de EMP antes de sair.
— Então acelerem! — Zhou Rong mostrava ansiedade.
— E os outros? — perguntou o líder, barrando Zhou Rong, que já se preparava para embarcar na nave.
— Quem sabe! — Zhou Rong respondeu sem olhar para trás. — Procurem abaixo, fomos separados pelas portas, eles estão no quinto nível!