Volume Um: Destruição e Renascimento Capítulo 40: Passeio pela Cidade e um Atentado
Durante a viagem rumo à superfície do planeta Nova Lóssia, Meivis finalmente compreendeu por que Izumi estava constantemente com ânsias de vômito, o que inexplicavelmente melhorou seu humor.
Ela conhecia razoavelmente Han Jianfei e sabia que aqueles enjoos não poderiam ser pelo motivo que os outros imaginavam.
De todo modo, ela estava de fato de bom humor.
Afinal, não é toda mulher que pode ouvir do homem que gosta: "Preparei um planeta para você".
Embora soubesse que ele não quis dizer isso literalmente, não deixava de se sentir feliz.
O elevador espacial finalmente estacionou vagarosamente em uma pequena ilha no equador do planeta, e Izumi pôde enfim pôr fim à sua jornada de vertigem torturante.
Sem se demorar na residência de Grant, a primeira coisa que Han Jianfei fez ao desembarcar foi pedir-lhe dinheiro emprestado.
Embora não soubesse o motivo, Grant ficou satisfeito em ajudá-lo.
Com o dinheiro em mãos, Han Jianfei rapidamente encontrou uma cafeteria na cidade de Musu, próxima ao porto estelar.
Nova Lóssia era famosa pela produção de café, especialmente o kopi luwak, conhecido em toda a Aliança. Assim, em qualquer cidade, toda cafeteria vendia esse tipo de café.
Pagou um preço considerável por uma lata, arrancou o rótulo em poucos movimentos e, após se certificar de que não havia nenhuma informação do produto, abriu a lata, escreveu um bilhete e o colocou dentro.
Depois, entregou a lata ao dono da loja junto com um endereço: "Envie para este local".
O proprietário olhou o endereço e comentou: "O frete é mais caro que o café".
Han Jianfei fez um gesto despreocupado: "Não importa, eu pago".
O dono da loja resmungou algo, mas ao ver o nome do destinatário, estremeceu.
Poucos sabiam o nome do presidente da Aliança, e aquele homem estava entre eles.
A paixão do velho presidente por café era famosa, e os profissionais do ramo se orgulhavam disso.
O lojista olhou para a lata e achou que aquele café não fazia jus ao presidente.
Assim, quando Han Jianfei se afastou, ele abriu a lata às escondidas, disposto a trocar o conteúdo pelo melhor café que possuía.
Foi então que viu o bilhete, escrito com letra torta: "Senhor Presidente, abri uma filial em Nova Lóssia, Meivis é a gerente, aguardo sua visita. Com respeito, Han Jianfei".
O dono sentiu um certo receio, mas, cauteloso, tirou uma foto holográfica do bilhete antes de colocar seus melhores grãos junto com o papel dentro da lata.
Depois de tudo pronto, a lata foi embalada especialmente e enviada no próximo voo espacial para o Castelo de Augusto. Salvo imprevistos, o velho presidente receberia aquela valiosa encomenda em pouco mais de vinte dias.
Contudo, o lojista não fazia ideia do que seu gesto significava, nem das consequências que teria para o cenário político da Aliança.
O que ele também não sabia era que, logo após fotografar o bilhete, a imagem já havia sido detectada por uma inteligência artificial em tempo real, filtrada e enviada por um caríssimo sistema de transmissão interplanetária a um servidor de uma agência secreta da Aliança.
O servidor rapidamente identificou a imagem, e após três confirmações, criptografou e enviou o arquivo a um computador particular.
Um minuto depois, um homem abriu a foto e a analisou demoradamente.
Desligou a imagem, arrastou o dedo e abriu o holograma de uma mulher de cabelos dourados: Meivis Sheddon.
Ele refletiu longamente, então arrastou o holograma para uma pasta nomeada "Executar imediatamente".
A imagem foi novamente empacotada em um e-mail criptografado, transmitido por caríssimo canal interplanetário até um satélite em órbita baixa de Nova Lóssia.
Após decodificar a mensagem, o satélite marcou uma posição próxima ao equador e imediatamente enviou uma ordem ao terminal de comunicações mais próximo.
Sem saber de nada disso, Han Jianfei saiu da famosa cafeteria após entregar a lata ao dono e avistou um homem de meia-idade de óculos grossos.
Ele reconheceu o homem; nos últimos dias, ele sempre estivera ao lado de Meivis, desempenhando discretamente o papel de assistente.
"Onde está Meivis?", perguntou casualmente.
"A senhorita Sheddon e aquela garota foram dar uma volta no centro comercial", respondeu humildemente o homem, fazendo uma reverência. "Quer que eu ligue para ela?"
"Não precisa", Han Jianfei olhou para o horizonte da cidade. "Vamos esperar que voltem."
Nenhuma garota dispensa um passeio no centro comercial, nem mesmo Izumi, recém-saída da tribo do Mar da Montanha — embora, no caso dela, o interesse pelas mercadorias coloridas era pura curiosidade pelo funcionamento do mundo.
Para Meivis, o interesse por Izumi era maior do que pelas compras em si.
Assim que Izumi apareceu na área mais movimentada do centro, imediatamente atraiu todos os olhares.
"Uau, que garota linda!"
"O que será que ela está vestindo?"
"Não sei, parece roupa de algum povo primitivo..."
"Será que estão gravando um filme? Ela está até com uma espada..."
"Deve ser filme, uma garota tão bonita só pode ser atriz..."
"Claro! Tenho certeza de que já a vi em algum papel!"
Curiosos começaram a levantar os pulsos, filmando Izumi, que se sentia desconcertada.
Esses vídeos logo invadiram a internet da Aliança, chamando atenção de milhares.
"Meivis...", murmurou Izumi, pouco acostumada a ser centro das atenções, apertando o punho da espada à cintura e procurando o rosto conhecido na multidão.
"Aqui estou", respondeu Meivis sorrindo, surgindo atrás dela. "Não se assuste, eles filmam porque gostam de você."
Izumi assentiu: "Eu... não gosto... vamos embora."
Meivis riu: "Musu é um paraíso de compras, ir embora agora seria um desperdício! Vou comprar algumas roupas para você, assim não chamará tanta atenção."
E assim, Meivis a levou pela mão até um grande centro comercial.
Na maioria dos planetas administrativos da Aliança, as compras virtuais já eram o hábito, mas passear em lojas físicas e experimentar roupas continuava sendo passatempo das garotas de famílias abastadas.
Como ainda era cedo, Meivis escolheu para Izumi algumas saias e sapatos no mesmo estilo, e em um salão de beleza famoso, desfez as tranças tribais da garota e ajeitou seu cabelo num penteado moderno.
Quando o cabeleireiro removeu o aparelho do cabelo de Izumi e anunciou que estava pronto, ela mal acreditou no reflexo do espelho: via ali, exceto pelos pés descalços, uma típica jovem local.
"Veja como está bonita!", exclamou Meivis, sorrindo. "Gostou?"
Izumi assentiu, pegando a espada encostada ao lado.
As roupas não tinham espaço para prender a arma, então ela a segurou na mão esquerda.
Nenhuma garota resiste a roupas bonitas, ainda mais quando os tecidos de alta tecnologia eram tão mais confortáveis que suas roupas rústicas.
"Vou escolher alguns sapatos para você", disse Meivis, olhando para os pés sempre descalços da amiga.
Izumi olhou para os próprios pés, depois para os saltos altos de Meivis.
Com aquele tipo de calçado, seria impossível lutar. As pessoas daquele mundo pareciam gostar de enfeites belos, mas pouco práticos.
Percebendo a hesitação no olhar da amiga, Meivis sorriu e a puxou: "Vamos, existem muitos tipos de sapatos, não só deste modelo".
Izumi deixou-se guiar, caminhando mecanicamente.
Ao passarem por um grande salão com claraboia, de repente seus olhos se arregalaram. Ela puxou Meivis com força para trás.
Pegue de surpresa, Meivis quase caiu, sentando-se no chão.
Izumi imediatamente se colocou à frente dela, empunhando a espada com a mão direita.
Um piano caiu do alto, e com um golpe relampejante dezenas de cordas vibraram agudamente; o instrumento partiu-se em duas metades perfeitas, espalhando-se ao redor delas.
Izumi levantou o rosto e avistou uma figura de capuz cinza no terceiro andar.
Os seguranças do Grupo Grant, que as seguiam discretamente, logo surgiram de todos os cantos, protegendo Meivis.
"Cuide-se", disse Izumi, recolhendo a espada. "Vou atrás dele."
E, de um salto descalço, pulou até o segundo piso e, dali, como uma andorinha, alcançou o terceiro.
Havia muitas pessoas, mas ela logo identificou o fugitivo e começou a persegui-lo.
O homem percebeu que era seguido e acelerou o passo.
Izumi avançou por todo o centro comercial, subiu as escadas de incêndio e, já no terraço, interceptou o homem no último lance.
Ele, vendo que só Izumi o seguia, parou.
"Quem é você? Por que quer me matar?", ela perguntou.
O assassino não a conhecia, sabia que era um engano, mas como a missão falhara e ela estava em seu caminho, nada mais o detinha.
Retirou o capuz e sacou da cintura uma adaga de vibração de alta frequência.
Girando o pulso, a lâmina emitiu um zumbido.
Izumi segurou sua espada na bainha, agachando-se levemente.
Nunca vira uma adaga daquelas, mas sabia que não ficava atrás da sua própria arma.
O assassino trocou a adaga para a esquerda, fitou a bela garota descalça e começou a mover-se lateralmente, procurando uma brecha.
Izumi acompanhou seus passos, sempre de frente, a mão direita no cabo da espada, mas sem sacar.
Quanto mais demorasse, pior para o assassino, que já podia ouvir os guardas subindo.
Ele então trocou a adaga para a mão direita e atacou a pequena adversária.