Volume II: A Sombra do Deus da Morte Capítulo 26: O Último Sobrevivente
Após o colapso da cúpula, Bai He viu aquelas pessoas de comportamento estranho começarem a atacar todos os vivos ao seu redor.
Ainda havia muitos habitantes na cidade, e aqueles monstros, por ora, não tinham tempo para se preocupar com o lado deles.
Ambos, sem combinar, pensaram nas cenas clássicas dos filmes de zumbis, jamais imaginando que testemunhariam isso em um planeta tão remoto e inóspito.
No entanto, aqueles monstros pareciam muito mais ágeis do que os zumbis dos filmes.
Com o choque ainda pairando no ar, Bai He foi o primeiro a se recuperar. Ele puxou a camisa de Da Xiong:
—Irmão Xiong, vamos correr!
Da Xiong despertou de súbito, ficou em silêncio por um momento e então se voltou para Bai He:
—Você já sabia disso, não é?
Bai He balançou a cabeça:
—Eu sabia que as coisas estavam ruins, mas não imaginei que seria tão grave.
—De qualquer forma, desta vez você salvou minha vida — Da Xiong reagiu rapidamente. Os monstros ainda estavam atacando os habitantes da cidade; quando todos estivessem mortos, os próximos seriam eles, por estarem mais próximos.
Os dois veículos partiram em fila, rumando para as vastas planícies ao sul.
—Para onde você pretende ir? — perguntou Da Xiong, após uma breve parada para descanso.
—Minha ideia era ir até a cidade de Loma ao sul para reabastecer e seguir viagem cada vez mais para o sul — hesitou Bai He, mas acabou respondendo.
—Venha conversar no meu carro — Da Xiong apontou para seu veículo.
Bai He hesitou por um instante, mas acabou o acompanhando.
—Pelo que vimos, é questão de tempo até as cidades ao sul terem o mesmo destino — disse Da Xiong, fechando a porta hermética e acendendo um cigarro, oferecendo um a Bai He depois de dar uma tragada profunda.
No planeta 47 da ACPM, era quase impossível cultivar qualquer coisa; tirando as estufas controladas pelos grandes chefes, não havia tabaco legítimo, e Bai He só experimentava cigarros artesanais misturados a todo tipo de coisa, junto aos catadores. Aquela era a primeira vez que via um cigarro de verdade em sua vida.
Ele tragou com avidez, suportando a forte irritação, e só depois de muito tempo soltou a fumaça, enchendo o interior do carro de névoa.
—Irmão Xiong, para ser sincero, realmente recebi algumas informações antecipadas — disse Bai He, relutante, ao devolver o cigarro.
—Fique com ele — Da Xiong recusou com um gesto.
Bai He deu outra tragada antes de continuar:
—Meu último empregador é alguém de grande influência.
Enquanto falava, apontou com o dedo indicador para cima.
Da Xiong ficou surpreso e logo entendeu:
—Quer dizer que o seu patrão é… alguém de fora?
Bai He sorriu enigmaticamente, sem responder.
O planeta 47 da ACPM era extremamente remoto e, devido à proibição constante da Aliança, praticamente ninguém ia até lá, exceto pela frota da Aliança que, vez ou outra, vinha trocar peças das naves desmontadas.
Desde que fora exilado no planeta 47, Da Xiong jamais pensou em sair de lá. Mas agora, ao saber que havia gente de fora, reacendeu-se a esperança de partir.
Talvez fosse a única chance de sua vida.
—Me leve até seu empregador, que tal? — pela primeira vez, Da Xiong falou em tom humilde, pedindo ajuda ao pequeno malandro por quem nunca teve grande consideração.
—Isso é complicado — Bai He esboçou sua habitual hesitação.
Mesmo percebendo a encenação, Da Xiong insistiu:
—E para onde você pretende ir para encontrar essas pessoas importantes?
Bai He respondeu com um risinho.
Da Xiong percebeu que estava se precipitando e mudou de abordagem:
—Não importa para onde, precisamos evitar as plataformas de defesa planetária, certo? Você tem recursos suficientes para isso?
Bai He franziu a testa, desta vez sem disfarce.
—Você não se importa consigo mesmo, mas e ela? — Da Xiong fez um gesto indicando a garota adormecida no carro ao lado.
Segundo o plano original, ele abasteceria em Loma, compraria comida e seguiria para o local combinado com o empregador. Mas agora, com o fim de Hebeiwan, provavelmente Loma já tinha recebido notícias, e quando chegassem lá, nada mais haveria para comprar.
—Que tal me levar junto? Tenho bastante combustível e comida, o suficiente para você chegar ao hemisfério sul — Da Xiong apontou para o carro cheio de suprimentos.
Bai He olhou alternadamente entre o próprio carro e o de Da Xiong, depois fixou o olhar na irmã ainda dormindo e, mordendo os lábios, aceitou:
—Está bem, combinado! Mas que fique claro, eu só garanto te levar até lá; de resto, não respondo por nada. Se o empregador só puder levar uma pessoa, será ela.
Da Xiong sorriu levemente:
—Fechado.
Depois de receber uma caixa de alimentos sintéticos como garantia, Bai He finalmente parou de enrolar e partiu com Da Xiong rumo ao sul, para o local combinado com o empregador, próximo ao equador. Ainda havia uma longa jornada pela frente.
Ao passarem por Loma, os tais “refugiados” chegaram quase ao mesmo tempo. Parecia que os monstros não atacavam Hebeiwan em massa, mas se dividiam em grupos para atacar cidades vizinhas.
Bai He sentiu um calafrio, aliviado por não ter seguido o plano original de parar em Loma; do contrário, teria tido o mesmo destino dos habitantes de lá.
Eles filmaram à distância um vídeo curto e, feito coelhos assustados, continuaram fugindo para o sul.
O desolado planeta 47 da ACPM era apenas um cemitério de naves da Aliança. Após a guerra, as finanças oficiais sempre estiveram no limite, e não havia disposição para investir em infraestrutura naquela colônia penal. Tirando as trilhas improvisadas pelos próprios habitantes entre as cidades, não existia nenhuma estrada decente.
Os dois veículos evitavam as cidades, seguindo pelas planícies em direção ao sul. Por onde passavam, viam sempre aquelas criaturas aterrorizantes. Não ousavam parar. Por fim, abandonaram o carro velho de Bai He, seguiram juntos em um veículo, revezando ao volante, viajando dia e noite rumo ao equador.
Cinco dias depois, chegaram enfim nas proximidades do equador.
Após cinco dias e noites de solavancos, o carro — já improvisado desde o início — não aguentou mais e quebrou em um desfiladeiro.
Após duas tentativas de religar, o motor explodiu com um estampido, soltando uma fumaça azulada.
—Droga! — Da Xiong socou o volante, e a buzina soou alto na escuridão. — Rápido! Saiam do carro!
Ele saltou do carro com uma agilidade surpreendente para sua idade, correu até a caçamba e abriu-a.
—Vamos, ajudem a descarregar! — Bai He também saltou do carro, gritando para as três garotas do banco de trás.
Mal acabou de falar, o motor da caminhonete soltou uma labareda.
O fogo se alastrou rapidamente com o vento, atingindo a cabine. Felizmente as três garotas desceram a tempo e não se feriram.
A bagagem não teve a mesma sorte.
Por conta da atmosfera rarefeita e da quase ausência de oxigênio, o combustível no planeta 47 vinha misturado a oxidantes, fazendo o fogo arder violentamente. Quando o veículo foi totalmente engolido pelas chamas, Da Xiong e Bai He só conseguiram salvar três caixas de comida e uma de cilindros de oxigênio.
Os cinco observaram, impotentes, seu único meio de transporte se transformar em uma bola de fogo no desfiladeiro, extinguindo-se rapidamente no ar rarefeito após consumir todo o combustível.
Sem tempo para lamentar, Bai He consultou o velho terminal pessoal em seu pulso. O ponto de encontro combinado com o empregador ficava na outra extremidade do desfiladeiro; só poderiam chegar até lá a pé.
—Falta muito? — após um longo silêncio, Da Xiong perguntou.
—Depois do desfiladeiro já estaremos lá, uns dez quilômetros, acho.
—Comida não falta, mas o oxigênio talvez não seja suficiente — avaliou Da Xiong, olhando para as caixas no chão.
De repente, Bai He levantou a mão, sinalizando para Da Xiong se calar. Este se abaixou imediatamente.
Bai Li, ao lado, já parecia acostumada àquela cumplicidade, deitando-se quase ao mesmo tempo que Da Xiong.
No escuro, ouviu-se um farfalhar, como se alguém caminhasse pelo terreno árido.
As duas acompanhantes de Da Xiong instintivamente se viraram para a origem do som.
Duas figuras humanoides emergiram da escuridão, completamente nuas, a pele negra como breu. Antes pareciam fundidas ao próprio escuro; agora, só então era possível distinguir suas formas.
As duas acompanhantes só tiveram tempo de soltar um grito agudo antes de serem lançadas ao chão pelas criaturas, que lhes cravaram os dentes no pescoço como predadores devorando suas presas.
—Corram! — Bai He empurrou a irmã e disparou dois tiros contra uma das criaturas.
As balas recarregadas por ele mesmo não pareceram causar dano algum, mas pelo menos atraíram a atenção do monstro, que largou o corpo sem vida e se voltou para Bai He.
Da Xiong levantou-se e começou a correr para o outro lado do desfiladeiro.
—Irmão Xiong! — Bai He, empunhando a pistola e recuando devagar, gritou — Leve minha irmã! Se o empregador tiver dois lugares, um é seu! Caso contrário, cada um por si, ninguém vai sair!
Da Xiong parou de correr, virou-se e pegou Bai Li nos ombros:
—Combinado!
Mesmo sem olhar para trás, Bai He sabia que Da Xiong já estava longe com sua irmã. Então disparou de novo contra o monstro que se aproximava.
A bala acertou em cheio a testa da criatura, mas ela apenas parou por um instante, balançou a cabeça e continuou avançando.
—Que diabos! — praguejou, virando-se para correr. Ao passar pelas caixas, pegou dois cilindros de oxigênio.
Correr consumiria uma quantidade enorme de oxigênio; era bem provável que o estoque de seu respirador não durasse até o fim do desfiladeiro.
Bai He correu com todas as forças, sem ousar olhar para trás, mas sentia claramente que as duas criaturas indestrutíveis estavam em seu encalço.
Não sabia por quanto tempo correu, mas aquela sensação de ser caçado, o arrepio constante na espinha, parecia não deixá-lo em nenhum momento.
—Droga! — praguejou, virando-se de repente para atirar novamente no monstro atrás de si.
A criatura desviou agilmente, evitando o projétil.
Elas pareciam não se cansar nunca, mas Bai He já não aguentava muito mais.
Para ganhar tempo para Da Xiong e sua irmã, ele havia dado voltas e mais voltas, mas com sua resistência, não suportaria mais do que dez minutos.
Os monstros não tinham pressa, apenas aguardavam que ele sucumbisse por si mesmo.
Encurralado em uma reentrância, Bai He finalmente parou, ofegante, com a pistola — restando apenas cinco balas — apontada para as criaturas à sua frente.
Não eram mais dois, mas quatro monstros!
As acompanhantes mortas também haviam se tornado aquelas criaturas de rosto lívido, traços ainda vagamente reconhecíveis.
—Vou me transformar em um desses monstros também? — pensou, desesperançado, ao ver as criaturas se aproximando.
—Será que Lili conseguiu escapar…?
—Deuses, seja quem for, até mesmo o dogma da Igreja, por favor, protejam a Lili…
—Eu não vou virar uma coisa dessas…
Murmurando, Bai He girou a arma e colocou-a na boca.
Bang!
Após o disparo, Bai He abriu os olhos.
Ele não puxara o gatilho. O tiro viera do topo da escarpa atrás de si.
Com um baque surdo, uma das criaturas à sua frente caiu, a cabeça destruída, tombando pesadamente no breu da noite.