Volume Dois: A Sombra da Morte Capítulo 32: Partida Silenciosa
Não apenas Yan Shixun, mas todos a bordo da nave "Pássaro-Pipa" estavam atônitos.
Para facilitar a operação, o Coronel Carter lhes preparara identidades suficientemente convincentes, e toda a missão de navegação era mantida sob o mais estrito sigilo. Exceto pelos capitães das cinco naves, quase ninguém conhecia seus verdadeiros objetivos.
Mesmo estando em Osmay, uma área sob controle militar da frota da Aliança, não era possível que tivessem sido descobertos com tanta facilidade!
Em um instante, inúmeras possibilidades surgiram na mente de Yan Shixun. Onde exatamente as coisas deram errado?
O Planeta 47?
Não deveria ter sido tão rápido. A Aliança não voltava seus olhos para aquele planeta abandonado há décadas. Ele havia destruído apenas quatro radares terrestres; isso não deveria ser o suficiente para atrair a atenção da frota.
Sua identidade foi revelada?
Também não parecia provável. Ele e a maior parte da tripulação não tinham vínculos óbvios com Xinluosong. Mesmo que estivessem caçando espiões, não seria a vez dele ser alvo.
Então, por que aquilo estava acontecendo?
Yan Shixun olhou ao redor. Embora não estivessem usando força bruta, os soldados que operavam a "Pássaro-Pipa" eram claramente veteranos experientes. Seus tripulantes estavam sob vigilância constante, consciente ou não, impossibilitados de qualquer movimento.
Após hesitar, ele levou a mão ao bolso da jaqueta.
— Tire a mão daí! — O oficial subtenente da Aliança foi rápido, agarrando seu pulso.
Na mão de Yan Shixun havia um maço de cigarros.
Cigarros "Machado de Guerra" do Forte Augusto; baratos e fortes, a marca favorita dos fuzileiros navais, independentemente de onde estivessem.
— Só... vou fumar um cigarro... — Yan Shixun sorriu sem jeito, usando a outra mão para abrir o maço flexível e retirar um cigarro.
A mão firme do subtenente relaxou lentamente, soltando-o.
— Avise antes da próxima vez — disse o oficial, com o rosto fechado ao pegar o cigarro. — Se houver um mal-entendido, quem morre não sou eu.
— Imagina só — Yan Shixun acendeu o cigarro para ele. — Senhor, poderia me dizer por que nos prenderam? Nós somos... pessoas honestas...
— Prender vocês? — O subtenente ficou surpreso. — Quem disse que estamos prendendo vocês?
— Mas você... isso... — Yan Shixun olhou para os soldados na cabine. — Isso não é...
— Eu só sou responsável por escoltá-los, não sei de mais nada — o subtenente deu uma tragada, mantendo uma expressão impassível de dever cumprido. — Vocês mesmos dirão o que precisam quando chegar a hora.
Yan Shixun pensou um pouco e, com seu sorriso característico, continuou:
— Senhor, poderia me dizer então, para quem nos levarão... ou melhor, para quem nos estão levando?
— Não sei.
Aqueles soldados não revistaram a nave; apenas assumiram o controle de forma cortês, sem restringir a movimentação da tripulação nem revelar o destino. Isso, de fato, não parecia um método para lidar com contrabandistas.
Com o passar do tempo, contudo, Yan Shixun começou a ficar inquieto novamente. Ele se aproximou do subtenente e perguntou:
— Senhor, quanto falta para chegarmos?
O subtenente balançou a cabeça:
— Quando chegarmos, você saberá.
Yan Shixun abriu a boca, mas não ousou insistir, voltando para o seu lugar.
Já se passara uma hora desde que haviam deixado a órbita da zona de espera do portal estelar. O resto era suportável, mas as pessoas nas cápsulas de fuga provavelmente não estavam bem.
As cápsulas onde se escondiam comportavam apenas uma pessoa, assemelhando-se a caixões. Para evitar detecção durante inspeções, não havia energia elétrica nelas. Ninguém permaneceria bem após mais de uma hora em um espaço tão escuro e apertado.
Essas cápsulas foram projetadas de modo que, uma vez dentro, a menos que fossem lançadas, não poderiam ser abertas por dentro da nave. Embora o ar circulasse normalmente nas cápsulas não lançadas, ninguém podia garantir que não haveria problemas de oxigenação.
Não podia esperar mais! Yan Shixun levantou-se e caminhou para fora da cabine.
— Onde vai? — o subtenente perguntou, lançando-lhe um olhar.
— Ao... banheiro — respondeu Yan Shixun.
— Não demore, estamos quase lá. — O subtenente não parecia disposto a dificultar as coisas.
Yan Shixun concordou prontamente e, quase correndo, saiu da cabine de controle, chegando rapidamente às cápsulas de fuga para libertar os três.
— Deu certo? — perguntou Urso, respirando fundo.
— Não. O pessoal da frota está controlando a nave, e não sei para onde estamos indo — disse ele, sendo breve. — Não parece uma prisão, vou ter que improvisar conforme as coisas acontecem.
— Esse seu grupo, tem problemas com a Aliança? — Urso percebeu a preocupação dele.
— Não posso falar agora. Vão para a popa, há uma pequena nave lá, de lançamento silencioso. Não sei qual será nosso destino, mas se conseguirem escapar, vão direto para Xinluosong. Digam ao comandante da frota de lá que o local anômalo foi encontrado — é esse seu Planeta 47.
— Entendido — Urso refletiu por um momento. — Cuide-se.
Yan Shixun deu um sorriso amargo:
— Que o destino decida.
Dito isso, ele caminhou de volta para a cabine de controle sem olhar para trás.
Minutos depois, uma mini nave, do tamanho de um iate, separou-se silenciosamente da "Pássaro-Pipa".
Este era um truque comum dos tempos de pirataria e um plano de contingência que Yan Shixun deixara para si mesmo. O radar da "Pássaro-Pipa" ignorou deliberadamente aquele alvo minúsculo, quase indistinguível de interferência, e os soldados da Aliança não notaram que algo havia partido.
Embora estivesse exilado há mais de trinta anos, para um pirata veterano como Urso, pilotar uma nave civil não era difícil.
Após afastar-se lentamente da trajetória da "Pássaro-Pipa" a uma velocidade muito baixa, até que a nave principal desaparecesse dos radares, Urso ligou os motores da pequena embarcação e mudou de direção em direção ao portal estelar de Khan.
A inspeção da Aliança no portal já havia terminado. A pequena nave, com seus registros em ordem, não enfrentou dificuldades. O administrador de tráfego, ansioso pelo fim do turno, não pensou duas vezes e emitiu o código de passagem.
Assim, a nave com Urso, Bai He e Bai Li atravessou o portal de Khan quase sem ser notada, saltando em direção a Xinluosong, a centenas de anos-luz de distância.
No exato momento em que os três saltaram, a "Pássaro-Pipa" finalmente começou a reduzir a velocidade.
Minutos depois, Yan Shixun viu pela janela de observação dois pontos brilhantes acima da "Pássaro-Pipa".
Tendo servido na frota, Yan Shixun logo reconheceu que aqueles pontos eram o brilho dos motores de propulsão convencional de uma grande nave estelar.
A "Pássaro-Pipa" rapidamente sincronizou sua velocidade com a da grande nave e aproximou-se lentamente.
Era uma enorme nave-mãe; os cento e sessenta metros da "Pássaro-Pipa" não representavam sequer um décimo do seu tamanho.
À medida que a "Pássaro-Pipa" se aproximava, um compartimento na parte inferior da nave-mãe se abriu lentamente e, como um peixe grande engolindo um pequeno, a "Pássaro-Pipa" foi absorvida.
As enormes portas do hangar se fecharam, e a grande nave-mãe tornou-se um conjunto único novamente.
— Vamos fazer o relatório. — Após a ancoragem, o subtenente dos fuzileiros ajeitou o capacete. — Permaneçam na nave, não saiam sem autorização e aguardem instruções. Caso contrário, as consequências serão por sua conta.
Após essas instruções vagas, o subtenente e seus soldados se retiraram, deixando Yan Shixun e sua tripulação atônitos.
— Tentem a comunicação ultra-distância novamente — disse Yan Shixun ao oficial de comunicações, assim que teve certeza de que os soldados da Aliança haviam partido.
A comunicação ultra-distância poderia ser bloqueada, mas não monitorada; era a única coisa que ele podia fazer agora.