Volume Um: Destruição e Renascimento Capítulo 52: Uma Reunião Militar Misteriosa

Portador da Morte Normas 3459 palavras 2026-02-09 16:57:34

A sala de descanso mergulhou no silêncio.

— Quem está do outro lado? — Chen Mingyuan rompeu o silêncio.

— Deve ser Zhao Xiaonan, aquela chamada de Mamba Negra — respondeu Zhai Liu. — A garota que tínhamos reservado como último recurso para o assassinato.

Chen Mingyuan assentiu:

— Entendi. Manda teus homens recuarem.

Zhai Liu apertou um botão na caixa ao seu lado:

— Retirada. Não precisamos mais cuidar daquela área.

Na tela, os mercenários que disparavam contra um robô quadrúpede pararam imediatamente, recolheram as armas e gritaram para os companheiros:

— Recuar!

Cobrindo-se mutuamente, os mercenários abandonaram a base Fantasma em menos de meio minuto, deixando para trás o bunker subterrâneo.

Após assistir à cena, Zhai Liu fechou a caixa equipada com o visor holográfico.

A porta da sala de descanso se abriu com um leve estalo, e uma funcionária civil entrou carregando algumas folhas eletrônicas:

— Senhores, a reunião começará em instantes.

A sala de reuniões destinada aos encontros de mais alto nível do governo da Aliança ficava no décimo primeiro andar do Ministério da Defesa, um aposento pequeno, sem janelas, onde mal cabiam uma mesa e uma dúzia de cadeiras. Era difícil imaginar que as decisões militares mais importantes partiam dali.

Guiados pela funcionária, Chen Mingyuan e os outros entraram na sala, onde Han Jianfei já se encontrava sentado à mesa.

Com um leve sorriso, Han Jianfei, o maior comandante privado das forças militares da Aliança, cumprimentou-os. O tenente-coronel Gladstone sentou-se ao seu lado.

Zhai Liu olhou ao redor, contornou a mesa e acomodou-se ao lado de Han Jianfei.

Havia ainda três cadeiras vazias. Se nada fugisse do previsto, uma seria do Primeiro-Ministro Hanwei, outra do Ministro da Defesa Lu Jie, mas a quem pertenceria a terceira, ninguém sabia.

— O café do Ministério da Defesa melhorou nesses anos em que estive ausente — disse Han Jianfei, erguendo a xícara ao ver Zhai Liu sentar-se ao seu lado. — Se soubesse, teria vindo antes.

Desde o incidente em Huangyang, dedicava-se a fazer o que considerava correto, delegando todo contato com o governo da Aliança ao seu amigo e assistente de maior confiança, Zhai Liu. Era, portanto, sua primeira visita ao prédio do Ministério da Defesa nos últimos seis anos.

— É verdade — respondeu Zhai Liu em voz baixa. — Nos últimos anos, o sistema de compras do ministério mudou. O dinheiro está sendo melhor aplicado, inclusive na escolha do fornecedor de café.

Han Jianfei sorriu:

— Também foi iniciativa de Baishan?

Zhai Liu entendeu a insinuação, mas permaneceu em silêncio.

Ele sabia que Han Jianfei se referia ao bilhete colocado na lata de café enviada ao antigo Presidente. Zhai Liu apenas monitorara a rede civil de Xinluosong, sem estabelecer ali qualquer espião, mas não desmentiu a suposição de Han Jianfei.

Já que o grande conflito era inevitável, deixaria que o adversário continuasse especulando.

A porta abriu-se mais uma vez. Diante dos dois recém-chegados, todos se puseram de pé.

Não era necessário adivinhar: o homem de feições tipicamente políticas à frente era o Primeiro-Ministro Hanwei, líder do Partido Conservador; o homem que o acompanhava, de terno e um pouco acima do peso, era o Ministro da Defesa, Lu Jie.

Com passos firmes, o Senhor Primeiro-Ministro sentou-se com naturalidade na cadeira reservada para si; o Ministro da Defesa acomodou-se em frente.

— Senhores, onde estávamos? — Hanwei lançou uma saudação típica dos políticos ao sentar-se.

— Ainda não começamos — respondeu Chen Mingyuan. — Estávamos à sua espera.

Hanwei levantou a cabeça, franzindo o cenho enquanto percorria com o olhar cada pessoa na sala, começando por Chen Mingyuan, à sua direita, até pousar o olhar em Han Jianfei.

— Este é... Han Jianfei?

Chamado nominalmente, Han Jianfei inclinou-se levemente, confirmando.

— Muito bem, senhores. Creio que hoje podemos resolver dois problemas de uma vez.

Hanwei, chefe dos conservadores, oriundo de uma tradicional família aristocrata da Fortaleza de Augusto, crescera imerso em ideias de moderação, equilíbrio e preservação. Desde que entrou para a política aos trinta e cinco anos, seguiu fielmente os valores clássicos da Aliança.

Por isso, deveria ser um inimigo declarado de Chen Mingyuan e sua ala progressista.

Mas, como se diz, não há inimigos eternos, apenas interesses permanentes. Na eleição de poucos meses atrás, os conservadores e a coligação de esquerda, rivais históricos, uniram-se para derrubar o antigo Primeiro-Ministro Higashi Ya e sua Frente Panestelar, permitindo que George Hanwei, com quarenta anos de filiação conservadora e trinta de experiência política, ascendesse ao mais alto cargo da Aliança.

Han Jianfei pouco sabia sobre o novo Primeiro-Ministro, mas Chen Mingyuan conhecia-o profundamente: por trás do verniz popular e reformista, Hanwei era um conservador puro, que protegia os interesses das velhas corporações de Augusto enquanto conquistava os “caipiras” com políticas de alto bem-estar social. Assim, atingira o auge de sua carreira.

Ninguém, porém, se importava — nem o próprio Hanwei — que tais políticas de bem-estar eram sustentadas pela exploração das demais regiões e colônias, fora o cinturão da capital.

Um típico representante dos magnatas de Augusto, ele conseguia, com certo talento, o raro feito de obter votos até dos mineradores mais distantes.

Se fosse para descrevê-lo em uma frase, Chen Mingyuan diria: “Discursa como radical, age como conservador”.

Por isso, fiel ao seu estilo, Hanwei tentou controlar o ritmo da reunião desde o início.

Já que o Primeiro-Ministro dirigia-se diretamente a Han Jianfei, Chen Mingyuan preferiu assistir ao duelo, assumindo uma expressão impassível, como quem diz: “Briguem à vontade, não tenho nada com isso”.

— É mesmo? — sorriu Han Jianfei. — E a que duas questões se refere, senhor Primeiro-Ministro?

Hanwei pigarreou, pronto para falar, quando a porta se abriu mais uma vez.

Desta vez, quem entrou foi o velho Presidente Feng Pinghai, que deveria estar aposentado e descansando no distrito de Beiwuo.

Todos se levantaram.

— Continuem, não se preocupem comigo — disse o velho Presidente, tossindo e acenando para que se sentassem, enquanto se dirigia ao assento entre Hanwei e Han Jianfei.

— Muito bem, onde estávamos? — retomou Hanwei. — Ah, sim, duas questões: a primeira trata de como lidar com Xinluosong; a segunda, do senhor Han em pessoa.

— Senhor Primeiro-Ministro, — Chen Mingyuan viu que Hanwei se preparava para um longo e insosso discurso e não pôde deixar de interrompê-lo — esta é uma reunião militar, cujo tema é como desencadear uma ofensiva contra os rebeldes de Xinluosong.

Hanwei pareceu irritado por ser interrompido. Pegou uma caneta de entre os papéis eletrônicos à sua frente e bateu com ela na mesa, emitindo um som seco.

— General Chen, sou o comandante supremo das forças militares da Aliança. Decidir sobre a guerra cabe a mim. O que você deve considerar é como vencê-la.

— Sendo assim... — com Chen Mingyuan em silêncio, Hanwei prosseguiu — por que não passamos ao próximo ponto? Se este for resolvido, o primeiro deixa de ser um problema.

Sua fala era ambígua, mas todos entenderam.

O que ele sugeria era: já que o principal responsável pela crise em Xinluosong estava ali, a reunião militar podia se tornar uma negociação política. Han Jianfei apresentaria suas condições, e a Aliança avaliaria se poderia aceitá-las. Se um acordo fosse possível, a guerra seria evitada.

O ambiente tornou-se estranho.

Curiosamente, todos sabiam que o consultor convidado para debater o combate aos rebeldes era, na verdade, o maior apoiador deles. Mas, sem provas, não podiam — ao menos oficialmente — prendê-lo.

Mais curioso ainda: o líder rebelde participava abertamente da reunião, disposto a dar conselhos ao comando militar da Aliança.

E, ainda mais inusitado: todos sabiam disso, mas ninguém queria ser o primeiro a escancarar a verdade.

No fundo, Hanwei não desejava guerra alguma com Xinluosong. O governo que herdara já lidava com um déficit de 6,7%. Precisava de mais fundos para garantir o apoio dos “caipiras” — ou, ao menos, dos da capital — e não havia orçamento para bancar uma guerra a quatrocentos anos-luz dali.

Queria negociar com Han Jianfei. Se as exigências não fossem excessivas, aceitaria. Trocar um mundo periférico e insubmisso por popularidade e prestígio durante o mandato parecia um bom negócio.

— Analisei cuidadosamente as reivindicações dos rebeldes de Xinluosong — Han Jianfei fingiu pigarrear — e acredito que o que querem é apenas menor carga tributária e autonomia. Elegeram uma mulher como líder, chamada Mavis Sheton. Creio que, se atendermos a essas condições, não precisaremos enviar uma frota tão longe para combater uma guerra inútil.

Hanwei lançou um olhar inquisitivo e Han Jianfei confirmou com um sorriso.

— Então, são essas todas as condições dos rebeldes? — Hanwei, que temia que Xinluosong pedisse independência, aliviou-se ao ouvir que só queriam autonomia. Era uma exigência bastante moderada.

— Não acho que devamos negociar com nenhum separatista — declarou Chen Mingyuan friamente. — Uma vez cedido, haverá nova exigência. Eles testarão os limites da Aliança até pedirem algo intolerável. Quando isso acontecer, a guerra será inevitável. Melhor sufocar toda rebelião no nascedouro.

Hanwei olhou para o velho Presidente, que, de olhos fechados, parecia dormir.

— Tem razão — disse finalmente o Ministro da Defesa Lu Jie, que estava em silêncio desde que entrara — mas, em qualquer situação, a guerra deve ser sempre nossa última alternativa.

— Então, senhor Primeiro-Ministro, quer nos dizer que não pretende travar essa guerra e que aceitará qualquer exigência dos rebeldes, não é isso?