Volume Um: Destruição e Renascimento Capítulo 45: Eu sou Han Jianfei
— Você pretende atacar Nova Rossong? — O velho presidente sentou-se ereto. — Como pretende fazer isso? Se eles se mantiverem firmes na porta estelar, mesmo com o dobro de tropas, consegue transportar todos ao mesmo tempo?
A imagem de Chen Mingyuan no comunicador permaneceu em silêncio, claramente pouco disposto a discutir o assunto.
— Mesmo que sua frota conquiste a porta estelar, como ocupará o planeta? Quantos soldados de infantaria podem duas frotas transportar? Nova Rossong tem bilhões de habitantes, acha que duas frotas serão suficientes para controlar tudo? — O velho presidente balançou a cabeça. — É difícil demais.
— A chamada rebelião de Nova Rossong é, em grande parte, obra de Han Jianfei sozinho — Chen Mingyuan ficou em silêncio por muito tempo antes de responder. — Pretendo executar um ataque de precisão.
— Repito: nem o canhão principal de um destróier foi capaz de matá-lo. Antes de saber que cartas ele ainda tem nas mãos, tem tanta certeza de que pode eliminá-lo? — insistiu o velho presidente.
— Enquanto for humano, sempre haverá um jeito de matá-lo. Se um destróier não basta, tentarei com uma frota. Se até a cidade de Huangyang foi arrasada, por que não conseguiria matá-lo? — respondeu Chen Mingyuan.
O velho presidente ergueu a xícara de café já reaquecida, tomou um gole sem sabor. — Agora acredito que não foi você quem disparou aquele ataque.
— Não foi — disse Chen Mingyuan. — Se fosse eu, provavelmente seriam três destróieres.
— Há algo que nunca entendi — o velho presidente pousou a xícara. — Você é chefe do Estado-Maior da frota da Aliança, detém o maior poder militar da Aliança. Por que insiste tanto na morte dele?
Chen Mingyuan evitou o assunto. — Senhor Feng, é uma questão complexa. Quem não está diretamente envolvido dificilmente compreenderia. Só quero lhe dizer que a frota fará tudo ao seu alcance para proteger o funcionamento da Aliança e da sociedade humana, não importa quem desafie esse mecanismo.
— O primeiro-ministro Hanwei acaba de me informar que pretende negociar com Nova Rossong. Seu governo não tem força para sustentar uma guerra intergaláctica, com linhas de suprimento tão extensas — disse o velho presidente.
— O senhor conhece melhor o senhor Hanwei que eu — Chen Mingyuan refletiu antes de responder. — Sabe que ele é um político até o último fio de cabelo: para proteger seus interesses, tudo vira moeda de troca — inclusive o senhor.
— Por isso — sem esperar resposta, continuou — vou obrigá-lo a embarcar em minha nave, do meu modo.
— Por que me conta tudo isso? — perguntou o velho presidente, intrigado. — É um assunto de vocês.
— Senhor Feng — disse Chen Mingyuan —, a Mamba Negra é muito valiosa para mim. Se um mês atrás meus homens tivessem conseguido capturá-la, talvez vinte mil soldados da frota tivessem sobrevivido.
— Mamba Negra? Ela ainda está no Forte Augusto? — o velho presidente fingiu ignorância.
— Se não estivesse, eu não teria ligado — Chen Mingyuan parecia preparado. — Sob a vigilância da frota, são poucos os lugares onde alguém assim pode se esconder.
O velho presidente esvaziou de uma vez a xícara de café, já fria, e só depois de um tempo comentou: — Não brinque com fogo — é um conselho para ambos.
Encerrada a comunicação, o velho presidente ficou absorto ao lado do fogão, enquanto do lado de fora a neve começava a cair. As montanhas Horus, no distrito norte de Ottawa, finalmente recebiam a primeira nevada do inverno.
Ele já decidira entregar Nova Rossong a Han Jianfei — coincidindo com o desejo do primeiro-ministro Hanwei. Os dois líderes conservadores, apesar de motivos diferentes, haviam tomado a mesma decisão.
Mas se, como Chen Mingyuan dizia, realmente houvesse um modo de forçar George Hanwei a declarar guerra a Nova Rossong, seria preciso preparar um plano alternativo.
Após breve ponderação, ligou para Cotovia.
O ex-atirador de Baishan e agente duplo do velho presidente estava em seu quarto, rezando diante de uma estátua de Buda de meia altura. Quando atendeu ao comunicador, acabara de concluir um sutra.
— Leve Zhao Xiaonan até a vila — disse o velho presidente. — Preciso usar aquela casa para outros fins.
Cotovia, pela primeira vez, não respondeu de imediato. Após breve silêncio, perguntou: — A casa não é problema, mas vai entregá-la a Chen Mingyuan? Eles vão matá-la.
— Não vão. — Ao perceber que até seu mais fiel subordinado começava a questionar suas ordens, o velho presidente sentiu-se cansado. — Para Chen Mingyuan, a vida dela vale quase tanto quanto metade de uma frota.
Cotovia ficou em silêncio mais um pouco. — Eu a levarei.
O velho presidente suspirou. — Tenha cuidado.
Cotovia sorriu radiante.
Ao chegar à pequena cabana onde Zhao Xiaonan morava, ele a encontrou arrumando suas coisas.
— Vai partir? — perguntou.
— O velho presidente Feng pediu que eu fosse hoje, não é óbvio? Não sou ingênua — respondeu Zhao Xiaonan.
Cotovia assentiu. — O velho presidente está sob muita pressão.
— Sei disso — disse Zhao Xiaonan. — Onde está minha arma?
Cotovia lhe entregou duas submetralhadoras compactas.
Zhao Xiaonan guardou o último objeto pessoal e, sorrindo, perguntou: — Você veio me expulsar?
— O velho presidente disse que precisa da casa para outros fins. Pediu-me para alugar um quarto para você na vila abaixo.
— Não precisa — Zhao Xiaonan colocou a mochila nas costas. — Vou embora direto.
— Eu a acompanho — disse Cotovia.
Zhao Xiaonan sempre sentiu simpatia por aquele ex-assassino de Baishan que lhe salvara a vida, mesmo sabendo que fora um agente infiltrado por ordem do presidente entre os homens de Han Jianfei.
— Vai me acompanhar até onde? — perguntou.
Cotovia refletiu antes de responder, com seriedade: — Para onde quiser ir.
— Queria voltar à base Fantasma, mas imagino que agora esteja cheia de homens de Zhai Liu. Ir para lá é como dar um tiro na própria cabeça — disse Zhao Xiaonan.
Cotovia não respondeu. Ela pensou por mais um instante e perguntou: — Já estão me esperando na vila?
Cotovia balançou a cabeça. — O velho presidente só pediu que eu a levasse até lá.
— Certo. — Zhao Xiaonan afastou-o. — Agradeça ao velho presidente por mim, eu conheço o caminho.
Zhao Xiaonan saiu da cabana onde passara apenas um mês, provavelmente o período mais tranquilo desde que chegou ao Forte Augusto.
Olhou para a casa, como se quisesse eternizá-la na memória.
Cotovia a seguiu, dizendo pelas costas: — Se quiser voltar à base Fantasma, posso ajudar.
Zhao Xiaonan parou. — O presidente pediu que me ajudasse?
Cotovia balançou a cabeça. — Posso decidir sozinho, não preciso obedecer sempre.
Zhao Xiaonan hesitou.
Cotovia continuou: — O presidente não pediu que lhe desse armas. Na verdade, agora eles não vão matá-la. Encontrando-os, é mais seguro ficar desarmada.
Zhao Xiaonan, decidida, perguntou: — Você disse que posso voltar à base Fantasma?
Se tudo corresse como esperado, Dobby ainda estaria lá, provavelmente considerado apenas uma peça mecânica da base.
Ela pretendia deixar o Forte Augusto. Com Han Jianfei em Nova Rossong, como sua assistente, era seu dever encontrá-lo.
Se Dobby estivesse lá, tudo seria mais fácil.
Cotovia olhou para seus olhos castanhos e assentiu. — Mas não será fácil.
Os homens de Baishan haviam tomado a base Fantasma. Como ex-assassino de elite, ele sabia lidar com antigos colegas.
— Então vamos!
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Vinte e cinco dias antes, Nova Rossong, antes do golpe.
A filial da Companhia Baishan em Nova Rossong era um prédio discreto, de três andares e área total inferior a três mil metros quadrados.
Embora Han Jianfei vivesse ali há anos, raramente interferia nas operações da companhia. Por isso, era a primeira vez em muito tempo que aparecia oficialmente naquele escritório.
Ao chegar com o caminhão flutuante emprestado do senhor Grant, transportando os corpos de dois mercenários de Baishan, foi recebido apenas por bocas de armas negras e rostos frios.
Han Jianfei estacionou devagar no pátio, abriu a porta e acendeu um cigarro.
Yuan Zhizi também desceu, observando ao redor.
No pátio, dezenas de armas estavam apontadas para os dois e para o caminhão flutuante.
Ela já aprendera que, naquele mundo, as pessoas lutavam principalmente com armas de grande poder.
— Onde estamos? — perguntou baixinho a Han Jianfei, que fumava silenciosamente.
— Este é o quartel-general dos assassinos neste mundo — respondeu ele. — Viemos entregar corpos e conversar.
Quando terminou o cigarro, Han Jianfei esmagou a ponta no chão.
Só então um homem de meia-idade, de terno elegante e acompanhado por dois seguranças, saiu do prédio.
— Quem é você? — perguntou direto, sem gentileza aos que ousavam chegar com cadáveres à porta.
— E você, quem é? Onde está o velho Liu? — retrucou Han Jianfei.
O velho Liu era o chefe da Baishan em Nova Rossong. Não se chamava Liu de verdade, apenas os companheiros de batalha conheciam o apelido.
— Ele foi chamado de volta ao quartel-general — ao ouvir o nome, o homem hesitou. — Agora sou o responsável aqui.
— Sou Han Jianfei — disse Han Jianfei. — Já ouviu falar de mim?
Embora fosse discreto fora dali, quase ninguém da Baishan ignorava o nome do chefe.
Desde o atentado na órbita da capital, ambos evitavam expor publicamente sua identidade. Portanto, a maioria dos funcionários não sabia que o "porta-voz", classificado como alvo mais perigoso e de nível máximo, era justamente o lendário mercenário da história da Aliança, o Rei sem Coroa, Han Jianfei.
Ao ouvir sua apresentação, o homem ficou momentaneamente paralisado.
Han Jianfei lhe entregou um cheque. — Estes dois camaradas foram induzidos por terceiros e morreram numa missão de assassinato contra mim. A indenização será dez vezes maior, eu cubro o restante. Além disso, houve traição no quartel-general. A partir de agora, rejeitem todas as ordens vindas de lá — exceto as assinadas por mim.
O homem hesitou, mas pegou o cheque.
— Como… como posso confirmar… — não era um militar, mas manteve a cautela. — Que o senhor é Han?
Han Jianfei franziu a testa. — A Baishan degenerou a ponto de não saber checar identidades?
Logo uma jovem secretária apareceu com um documento eletrônico.
O homem verificou rapidamente e, curvando-se, disse: — Perdão, senhor Han, acabamos de confirmar.
Han Jianfei acenou. — Vamos ao seu escritório. Prepare tudo, preciso ir ao quartel-general no Forte Augusto imediatamente.