Volume Um: Destruição e Renascimento Capítulo 49: Infiltração Subterrânea
Quando o avião em que Han Jianfei viajava sobrevoava o arquipélago da Grande Região Sul de Huoersi, Zhao Xiaonan e Zhegu estavam, por coincidência, tateando pelo interior dos túneis fantasmagóricos logo abaixo.
A rede de túneis que se espalhava por todo o planeta era de uma complexidade assustadora. Embora ela tivesse se esforçado para memorizar o maior número possível de rotas, sem o apoio do Bobo, era difícil encontrar o caminho certo como Han Jianfei fazia.
Mas, ao menos, a direção principal estava correta. Depois de incontáveis voltas em caminhos errados, a moto flutuante dos dois finalmente reencontrou o trajeto que Han Jianfei havia seguido com ela após a grande batalha na praia, junto à casa de Mavis.
Não havia dúvida, pois ela já reconhecia o primeiro salão subterrâneo por onde passaram ao entrarem na base fantasma.
“Pare um pouco”, Zhao Xiaonan bateu de leve no ombro de Zhegu, que dirigia a moto à frente. “Logo à frente está a entrada principal da base. Não podemos simplesmente avançar de peito aberto.”
Zhegu parou a moto e observou enquanto Zhao Xiaonan tateava a parede do túnel até encontrar uma porta secreta, onde estacionaram a moto.
Ao fazer isso, ela se lembrou de que, um ano antes, quando Han Jianfei a guiava fugindo por esses túneis, haviam feito exatamente o mesmo. Não pôde evitar um sorriso autodepreciativo.
“E como pretende seguir agora?”, a voz de Zhegu a arrancou das lembranças. Ela fechou a porta secreta, pensou um pouco e respondeu: “Eu sei que é um clichê, mas podemos usar o duto de ventilação.”
Na verdade, o que quase todos os filmes mostram sobre heróis solitários invadindo áreas fortemente protegidas por dutos de ar é, em geral, pura fantasia.
Para começar, a maioria dos dutos é estreitíssima, nem cabe uma pessoa. Mesmo que coubesse, as grades de proteção e os ventiladores são obstáculos consideráveis.
Mas Zhao Xiaonan não se referia aos dutos estreitos da base, e sim aos dutos de ventilação do pequeno reator nuclear sob a base.
Se os esquemas que Bobo lhe dera estivessem corretos, ali perto haveria um canal de transporte de suprimentos para o reator, paralelo a um grosso duto de ventilação — era esse o caminho ao qual Zhao Xiaonan se referia.
Após tentativas repetidas, finalmente localizou o duto de ar. O fluxo de vento indicava que o reator continuava funcionando normalmente.
O duto era longo, e os dois avançaram pelo escuro, guiados apenas pela corrente de ar, por cerca de um quilômetro, até avistarem uma luz tênue no fim.
“Andar por um túnel assim, sem ver o fim à frente ou atrás, deve mexer com a cabeça de qualquer um”, comentou Zhegu de repente.
“O quê?”, Zhao Xiaonan se sobressaltou.
“Estava pensando”, continuou ele, “Han não é exatamente uma pessoa comum, então compreendo. Mas e você? Mal tem vinte anos, viveu um ano neste lugar e não enlouqueceu. É um milagre.”
“Talvez porque eu tenha uma obsessão”, respondeu Zhao Xiaonan.
“Tudo o que é aparente é ilusão”, murmurou Zhegu, segurando o amuleto budista pendurado no pescoço e suspirando.
Logo diante deles surgiu a enorme turbina do reator nuclear, com pás maiores que uma pessoa girando a toda velocidade — impossível passar entre elas.
Felizmente, ao lado da turbina, havia uma pequena porta de acesso para manutenção. Eles a contornaram e pararam diante dela.
“Você tem a chave?”
“Não”, Zhao Xiaonan balançou a cabeça. “A pessoa que me ensinou disse que, em lugares com tanto barulho que não se ouve nem a própria voz, podemos simplificar as coisas.”
Em seguida, desferiu um chute na porta, que se abriu com um estrondo.
O ruído do pequeno reator de fusão era ensurdecedor e raramente havia alguém operando ali, por isso ninguém percebeu a invasão.
“E as câmeras?” Zhegu olhou para um dispositivo de vigilância holográfico com luz vermelha piscando, ao entrarem com naturalidade no corredor externo ao reator.
“O sistema de vigilância do reator não está integrado à segurança da base”, explicou Zhao Xiaonan, olhando para cima. “A sala de controle fica no fundo do reator. Quando eu estava na base, nunca me preocupei com isso.”
Ela refletiu um instante e completou: “Além disso, acho que alguém da base vai nos ajudar.”
“Quem?”
Ela apenas o olhou, sem responder. Na verdade, apostava que o Bobo ainda estava na base.
Se ele ainda estivesse lá, certamente tentaria acessar o sistema de segurança. Essas imagens, facilmente ignoradas pelos inimigos, não escapariam a alguém que monitorava constantemente a base. Talvez enviassem um sinal ao Bobo, adormecido ou oculto, para que colaborasse com o que ela pretendia fazer.
Caminharam pelo corredor ao redor do reator. Zhegu tentou perguntar algo, mas o barulho era tanto que Zhao Xiaonan só viu seus lábios se moverem — pelo movimento, deduziu que ele queria saber como sairiam dali.
O passadiço de aço onde estavam rodeava uma esfera gigante feita de material desconhecido. Zhao Xiaonan, formada na Universidade do Satélite Linghu, sabia que dentro daquela esfera havia um pequeno sol artificial.
Tecnicamente, um reator de fusão é mesmo um sol em miniatura, e agora eles estavam separados dele por apenas uma — talvez duas — camadas de material desconhecido. Aquela experiência evocava uma sensação quase religiosa.
Ela puxou Zhegu e gritou ao seu ouvido: “Espere.”
Nos documentos que Bobo lhe dera, lera que o abastecimento de deutério no reator era feito aos poucos, de modo controlado, e não de uma só vez.
Assim, periodicamente, um robô entrava na sala do reator para repor os cilindros de combustível.
Esse seria o momento para escaparem.
No meio do estrondo, Zhegu entendeu o recado e deu de ombros.
Afinal, não é todo mundo que tem sangue-frio para esperar tranquilo trancado num espaço minúsculo com um sol artificial.
De fato, não esperaram muito. A porta de chumbo, só acessível por fora, se abriu com estrondo, e um robô de manutenção entrou.
O robô logo percebeu os intrusos, mas ao identificar Zhao Xiaonan como a pessoa com maior nível de acesso na base, simplesmente os ignorou.
Os dois saíram calmamente da sala do reator e chegaram ao centro de monitoramento da usina.
Como Zhao Xiaonan previra, os mercenários de Baishan não haviam destacado guardas ali. Para eles, bastava que o reator funcionasse normalmente.
Afinal, quem acreditaria que alguém poderia invadir partindo de dentro do reator?
Assim, os dois atravessaram sem dificuldades até o centro de monitoramento.
Logo ao entrar, viram que um dos monitores, que exibia leituras operacionais, mostrava uma linha de texto: “Finalmente você veio.”
“É você, senhor Bobo?” sussurrou Zhao Xiaonan.
“Quem é?”, perguntou Zhegu.
“É quem eu disse que nos ajudaria”, respondeu ela.
O texto mudou: “Sim, estou no modo de operação mínima para não ser detectado.”
“Como posso saber se é mesmo você?”
O texto piscou: “Você ronca enquanto dorme e já teve sonhos picantes com um certo tio. Quer que eu mostre as gravações do que fala dormindo?”
“Não precisa.” O rosto de Zhao Xiaonan ficou vermelho como nunca. “Eu acredito. Onde você está?”
Zhegu observou, curioso, aquela garota determinada, mas ainda inocente.
O texto sumiu e surgiu um mapa esquemático da base fantasma, com a posição dos mercenários e as armas que haviam instalado.
No mapa, Bobo estava marcado com uma estrela de cinco pontas no arsenal onde ficava o traje motorizado de Han Jianfei.
Uma linha de texto apareceu abaixo: “Memorize rápido.”
Após poucos segundos, o mapa sumiu.
O texto voltou: “Só posso simular comunicações normais, não posso usar canais de alta capacidade.”
Mesmo exibido por poucos segundos, Zhao Xiaonan conhecia tão bem a base, depois de quase um ano vivendo ali, que bastou para entender a disposição dos inimigos.
Havia vinte e cinco mercenários de Baishan, divididos em quatro grupos — três em pontos fixos e um em patrulha.
“Se isso não for uma armadilha deles”, disse Zhegu olhando para onde o mapa desaparecera, “teremos de enfrentar vinte e cinco mercenários armados até os dentes. Sabe o que isso significa?”
Zhao Xiaonan sabia, mas para deixar o planeta precisava levar o Bobo com ela. Esse era o principal motivo de sua arriscada volta.
Ela assentiu: “Preciso ir a Xinluosong.”
“Se quer encontrar o Fei”, advertiu Zhegu, “os noticiários dizem que ele logo chegará à Estrela Capital. Por que não vai direto?”
Apesar de todos falarem que Han Jianfei logo chegaria à Estrela Capital vindo de Xinluosong, ela não acreditava em uma palavra — já haviam usado esse truque antes.
“Eu não acredito”, respondeu Zhao Xiaonan. “Vai saber se não é só para me atrair.”
Zhegu riu e balançou a cabeça.
Era um truque comum. Em Baishan, usavam esse tipo de isca para caçar alvos escondidos nas cidades.
A tela mostrou outro aviso: “Detectaram variação no volume de dados silenciosos, estão investigando. Preciso interromper...”
A mensagem desapareceu.
Zhao Xiaonan tirou duas submetralhadoras miniatura da mochila, conferiu a munição e as prendeu à cintura. Em seguida, encaixou uma faca vibratória de alta frequência no cinto atrás das costas.
Zhegu observou em silêncio. O equipamento dela era típico de quem aprendera a sobreviver ao lado de Han Jianfei, os traços de seu estilo eram evidentes.
Ele também conferiu sua arma: especialmente para aquela missão, trouxera uma besta sem corda e sem ruído, de curto alcance, ideal para infiltrações internas em mãos de um atirador como ele.
“Vamos”, disse ela ao terminar. “Temos algo para buscar.”
Então abriu a porta do centro de monitoramento e, pela passagem em espiral ascendente, dirigiu-se à base fantasma.