Volume Um: Destruição e Renascimento Capítulo Dois: Dormir na Mesma Cama?

Portador da Morte Normas 4944 palavras 2026-02-09 16:50:33

A garota pressionou levemente os lábios e abriu a mochila, que, ao contrário do esperado, não continha explosivos. Os fios dentro dela, portanto, não serviam para nada. O rosto de Han Jianfei mudou abruptamente. Apesar de toda a cautela, ainda assim caiu na armadilha!

O verdadeiro perigo não era a mochila, que ele supunha guardar uma bomba, mas sim o minúsculo controle remoto, ou transmissor, oculto na palma da garota. Ao pressionar o botão, em apenas seis milissegundos, o aparelho enviou sua localização precisa a algum ponto deste planeta. Uma plataforma aérea de ataque camuflada como um dirigível publicitário, a mais próxima, recebeu o sinal quase simultaneamente.

Em seguida, dois micro-mísseis com ogivas de combustível aéreo modificadas foram disparados em direção ao local. O dirigível estava tão perto do alvo que, do disparo ao impacto, não passariam trinta segundos. Os mísseis eram diminutos, a distância curta, e o sistema de defesa antiaérea da cidade de Fortaleza Augusto não teria tempo de reagir.

Han Jianfei não podia ver tudo isso, mas sabia que lhe restava pouco tempo. Só teve oportunidade de chutar com força um antigo vaso de porcelana ao seu lado, quebrando-o.

Um segmento do piso desabou de repente, e os dois caíram juntos em um túnel inclinado, com uma descida tão íngreme que a garota acabou deitada ambiguamente sobre ele, abraçando sua cintura instintivamente.

Deslizaram juntos pelo declive, com portas de segurança de concreto se fechando pesadamente atrás deles a cada trecho, até que, após alguns segundos, pararam em um corredor plano.

Vinte segundos após o lançamento, os dois mísseis atingiram com precisão o pátio onde Han Jianfei estava. Um entrou direto pela janela, outro atravessou o teto e chegou à porta de segurança externa.

A primeira explosão foi pequena, apenas pulverizando combustível liquefeito no pátio. Em seguida veio a segunda detonação, uma explosão violenta do combustível disperso no ar, nivelando o pátio inteiro.

A intensa pressão da explosão, somada ao vácuo provocado pelo consumo de oxigênio, destruiu quatro portas de segurança antes de finalmente se dissipar.

“Me enganei,” disse Han Jianfei, ouvindo as explosões acima de suas cabeças. Ele empurrou a garota, que ainda o abraçava nervosamente. “Achei que você era uma estagiária nessa área, mas agora vejo que deve ser uma novata recrutada de última hora.”

Ele afastou os dedos dela, brancos de tensão: “Seja quem for que te mandou, qualquer promessa que tenham feito, moça, para eles você não passa de uma bomba humana.”

Nem todos têm coragem de se suicidar; apertar aquele botão esgotou toda a bravura da garota. Agora, ela finalmente conseguiu controlar suas emoções à beira do colapso e olhou profundamente para Han Jianfei.

Em teoria, Han Jianfei já deveria ter cortado a garganta da assassina novata. Mas, talvez por ela ter hesitado alguns segundos diante da criança na praça, ou por causa daquela caixa de fósforos vinda do satélite Lago Líng, ele simplesmente não desejava matá-la.

“Deixe assim,” disse ele. “Sobre o Lago Líng, lamento. O que aconteceu hoje, consideremos como quitado.”

A garota finalmente pronunciou uma frase completa desde que se encontraram: “Por que massacrar todos os habitantes de Vila Buxo?”

“...Ainda bem que você não estava lá,” respondeu Han Jianfei com um sorriso, ignorando a pergunta dela.

Ele pressionou alguns botões na parede do corredor, abriu uma porta secreta e puxou uma moto flutuante.

“Vou ao Quarto Porto Estelar,” disse, batendo no assento traseiro. “Vai comigo?”

A garota hesitou, passou a mão pelos cabelos curtos e montou na moto.

“Segure firme.” Após dizer isso, Han Jianfei sorriu ironicamente. Era uma frase que deveria ser dita em outro tipo de situação.

Teimosa, a garota recusou o pedido, mantendo as mãos coladas às coxas.

“Como quiser.” Han Jianfei ligou a moto.

Logo ela entendeu o motivo do aviso: a moto era tão veloz que, ao arrancar, quase caiu para trás, obrigando-se a abraçar a cintura dele.

A moto flutuante tinha sistema de equilíbrio adaptativo; o braço ferido de Han Jianfei não prejudicava a condução, mas ele pilotava com incrível rapidez por aquela rede subterrânea estreita, claramente acostumado a ambientes assim.

Era uma rota de reserva da rede municipal de infraestrutura. Na construção de Fortaleza Augusto, foram planejadas linhas redundantes, sistemas de drenagem e de defesa civil. Esses sistemas complexos se espalhavam pelo mundo, e com o passar dos séculos, nem mesmo o governo da Aliança sabia quantas redes existiam, quais estavam ativas ou onde cada canal levava.

Mas Han Jianfei sabia.

Mais que isso: ele usou vários métodos para remover muitos desses túneis dos registros da Aliança, incluindo os projetos originais.

E, nos túneis desaparecidos, construiu secretamente um vasto sistema subterrâneo de transporte, conhecido apenas por ele.

Na estrela principal da Aliança, onde todo o planeta era uma gigantesca Fortaleza Augusto de aço e poeira, ele era, no sentido mais literal, o rei do submundo.

Esse era seu maior segredo, cultivado ao longo de anos em Fortaleza Augusto.

Talvez também fosse o motivo de alguns desejarem sua morte.

“Por que não me matou?” Após percorrer intermináveis corredores subterrâneos, a garota dos cabelos curtos finalmente voltou a falar.

“Porque quis,” respondeu Han Jianfei. “Se precisa de um motivo, talvez seja porque uma jornada tão longa, sozinho, seria entediante.”

Como ela permaneceu calada, Han Jianfei perguntou: “Qual seu nome?”

“...Xiao Nan,” ela respondeu após hesitar.

Antes de vir, estava decidida a morrer com aquele demônio, mas agora, de repente, não queria mais morrer.

Como tantos suicidas, depois de falhar, perde-se a coragem de tentar novamente.

O demônio diante dela parecia diferente do que imaginara.

“Garota tola, não permita que te usem como arma,” Han Jianfei disse. “Claramente, não pretendiam que você sobrevivesse. Não tem nem vinte anos, morrer assim, não se arrepende?”

Ela não respondeu, mas apertou a roupa na cintura dele de forma involuntária.

“Agora, só você sabe onde estou em toda Fortaleza Augusto,” continuou ele. “Se te deixar sair, será pior que a morte.”

Xiao Nan permaneceu calada.

Sobrevivente do massacre de Vila Buxo, fora trazida à estrela principal, submetida a duas semanas de treinamento. O objetivo era hipnotizá-la, amplificar seu ódio, ensiná-la a usar armas, transformando-a numa peça surpresa.

Mas era apenas uma jovem, nem vinte anos, que antes de sair do Lago Líng nunca sequer deixara o chão.

Se era uma armadilha contra Han Jianfei, o estrategista certamente conhecia sua psicologia. Sabia que ele não mataria a garota, por isso a enviou tão abertamente.

Han Jianfei percebeu isso, mas estava mais curioso sobre quem era o estrategista. Por isso queria manter Xiao Nan ao lado, para descobrir quais seriam os próximos passos do adversário.

Do contrário, a vida não seria muito sem graça?

Depois de um tempo, Han Jianfei parou a moto: “Desça, vamos descansar um pouco aqui.”

Como o terminal de subida do Elevador Celeste ficava na órbita síncrona, a maioria dos portos estelares estava no equador; ainda faltava muito, ele precisava descansar e tentar contato com outros.

Saltou da moto e, após alguma procura na parede, abriu uma porta secreta.

Xiao Nan, de cabelos curtos, o seguiu. Dentro havia um cômodo pequeno, parecido com um apartamento comum, bem equipado.

Han Jianfei pegou um conjunto de roupas esportivas limpas e uma lingerie feminina no guarda-roupa: “Tire tudo, tome um banho e vista isto — a lingerie é um pouco grande, mas dá para usar.”

A garota olhou-o com desconfiança.

“Não me interesso por esses ossos cobertos de pele,” ele disse, compreendendo o que passava em sua mente, balançando a cabeça. “Só não quero ser rastreado a qualquer momento.”

Ela pensou, pegou as roupas e entrou no banheiro.

Han Jianfei ligou o holomídia.

As notícias exibiam o atentado ocorrido à tarde na Praça do Monumento à Paz. Até o momento, o governo da Aliança atribuía o ataque a dois terroristas da resistência do Lago Líng, que detonaram bombas e destruíram um bairro de bares próximo à praça. Por sorte, não era horário de funcionamento, e os danos foram limitados.

Depois, ao fugir, detonaram outro explosivo, destruindo a casa onde se escondiam. O atentado resultou em dez mortos, mais de quarenta feridos, entre eles dois soldados de folga.

Um oficial de segurança reiterou que o governo da Aliança não toleraria ameaças à vida e propriedade dos cidadãos, e anunciou, junto ao exército, investigação rigorosa do caso.

A seguir, a tela exibiu as identidades e imagens holográficas dos supostos terroristas: Xiao Nan aparecia claramente, mas a de Han Jianfei seguia borrada.

Han Jianfei assistiu por um tempo, descobrindo que Xiao Nan se chamava Zhao.

O governo da Aliança declarou ambos “extremamente perigosos” e pediu que qualquer cidadão denunciasse imediatamente à polícia caso encontrasse os fugitivos.

Han Jianfei assistiu às notícias até notar que o comunicador ao lado da holomídia piscava com uma luz vermelha. Ele já havia bloqueado seu terminal pessoal, então só uma pessoa poderia contatá-lo por aquele aparelho.

Em teoria, essa pessoa já deveria ter aparecido.

Han Jianfei permaneceu sentado, o rosto anguloso iluminado intermitentemente pela luz do comunicador.

A luz piscou por alguns instantes e então cessou.

Zhao Xiao Nan saiu do banheiro secando os cabelos, viu a notícia na tela e ficou parada.

As reportagens já começavam a explorar a identidade dos dois protagonistas do atentado. Ela era descrita como a bela agente rebelde do Lago Líng que se infiltrara na estrela principal. O massacre de Vila Buxo do ano anterior, diziam, fora obra dessa jovem de coração venenoso.

O especialista em análise, comentando na mídia, já lhe dera o codinome “Mamba Negra”.

O outro terrorista, até então, era apenas conhecido pelo codinome “Porta-Voz”.

“Viu?” disse Han Jianfei. “O destino que te reservaram já está pronto.”

Zhao Xiao Nan ficou em silêncio por um longo tempo e finalmente assentiu.

“As roupas?” perguntou ela.

“Estão ali dentro.”

“Traga, eu cuido disso.”

Surpresa, Zhao Xiao Nan foi até o banheiro e trouxe algumas peças.

Han Jianfei, ao olhar de relance, percebeu remendos e rasgos na lingerie.

Sem demonstrar reação, abriu uma portinha na parede, inclinando a cabeça: “Jogue ali.”

Ela jogou as roupas, que logo foram incineradas pelo plasma.

“Durma cedo, amanhã teremos um longo caminho,” disse Han Jianfei, bocejando.

Zhao Xiao Nan olhou para a única cama de solteiro no quarto: “Como dormir?”

“Inexperiente mesmo,” bocejou ele, levantando um lado do cobertor. “Achei que, para alguém como você, essas coisas não fariam diferença.”

No fim, Zhao Xiao Nan não dividiu a cama com ele, não por pudor, mas porque via Han Jianfei como o responsável pelo massacre de Vila Buxo; abdicar do assassinato já era sua maior concessão.

Talvez fosse o alívio da tensão acumulada, mas ela se sentou no chão junto à cabeceira, encontrou uma posição confortável e adormeceu ali mesmo.

Apesar de compartilharem o quarto, conseguiu preservar sua dignidade, por mais ingênua ou tola que parecesse.

Ouvindo os suaves roncos de Zhao Xiao Nan, Han Jianfei abriu os olhos.

Calculando o tempo, sabia que a ligação estava prestes a acontecer.

Pegou um pequeno frasco de rapé, passou sob o nariz de Zhao Xiao Nan — apenas para que dormisse mais profundamente; ao acordar, sentiria-se revigorada.

Logo após, a luz do comunicador acendeu em verde.

Han Jianfei esperou alguns segundos, deixou a luz piscar três vezes e atendeu.

No visor holográfico apareceu um homem de meia-idade, de óculos e terno.

“O que aconteceu à tarde foi obra sua?” perguntou o homem diretamente.

“Não, foi obra contra mim,” respondeu Han Jianfei friamente. “Temos um acordo: enquanto estou em Fortaleza Augusto, a segurança é sua responsabilidade.”

“Fiz o possível!” exclamou o homem, visivelmente agitado. “Se não fosse por mim, a mídia já teria divulgado que você é o verdadeiro controlador da Companhia Montanha Branca. Usei todas as conexões, só assim aceitaram não expor isso.”

“Você é ingênuo?” Han Jianfei respondeu sério. “Acha mesmo que esse é o motivo? Se quisessem destruir a Montanha Branca, nada do que você dissesse impediria que tornassem tudo público!”

Percebeu que a raiva não ajudaria em nada e ajustou o tom: “Se não querem revelar minha identidade, só pode haver um motivo: querem assumir o controle da Montanha Branca. Acho que já compraram o ‘Velho Seis’. Assim que eu morrer, tomarão a empresa e a transformarão numa arma obediente.”

O homem do outro lado ficou em silêncio por um momento: “É possível.”

Han Jianfei perguntou: “E o que seu chefe diz?”

O homem balançou a cabeça: “Não me permite intervir. Com a eleição próxima, não pode se envolver. Mas se você virar o jogo, ele te dará um grande presente.”

Han Jianfei assentiu: “Pode ao menos revelar quem é o inimigo?”

O homem hesitou: “Chen Mingyuan.”

Chen Mingyuan era o chefe do Estado-Maior da Frota da Aliança.

De certa forma, a Companhia Montanha Branca frequentemente concorria com ele.

“Então é ele,” Han Jianfei sorriu. “Parece que é uma disputa de caminhos.”

“Por isso, meu chefe não pode aparecer,” disse o homem de óculos. “Cuide-se.”

“Espere,” Han Jianfei lembrou-se de algo. “Faça um arranjo discreto, deixe uma brecha no Quarto Porto Estelar.”

“Está louco?” retrucou o homem de óculos. “Isso é avisar diretamente que você vai fugir por lá!”

“Diga exatamente isso,” insistiu Han Jianfei. “Eles certamente vão reforçar o Sétimo Porto Estelar.”