Volume Um: Destruição e Renascimento Capítulo 54: O Grande Presente do Velho Presidente

Portador da Morte Normas 3549 palavras 2026-02-09 16:57:48

Os dois permaneceram em silêncio, enquanto o carro preto subia suavemente e seguia em silêncio na direção do aeroporto.

— Meu médico particular disse que tenho cerca de seis meses de vida — o velho presidente quebrou o silêncio novamente. — Espero morrer antes que aquela coisa apareça.

— O senhor é mais sortudo — Han Jianfei assentiu. — Pelo que parece, não deve aparecer em menos de um ano.

— Como pode ter certeza?

— Talvez seja uma intuição — respondeu Han Jianfei. — Desde que aquelas visões começaram a surgir, minhas intuições têm ficado cada vez mais frequentes e precisas.

O velho presidente suspirou:

— Boa sorte para vocês. Boa sorte para a humanidade!

O carro preto pousou suavemente no pátio do aeroporto reservado. Funcionários do gabinete presidencial já aguardavam ali. Han Jianfei e Yuan Zhizi acompanharam o velho presidente até o avião. Na porta da aeronave, o ancião de quase oitenta e oito anos olhou para trás:

— Já lhe disse antes: se você conseguisse reverter o jogo, lhe daria um grande presente.

Han Jianfei acenou:

— Xinluosong já é um presente e tanto.

— Não — o velho presidente, de sobrenome Feng, balançou a cabeça — não me referia àquilo.

Dizendo isso, retirou do colarinho um cordão preto, no qual pendia uma chave que parecia apenas um adorno.

Era a chave secreta de uma nave estelar — o dispositivo central para abrir as portas e o sistema de propulsão da nave.

Com gestos calmos, o velho tirou a chave do pescoço e a jogou para Han Jianfei, que estava ao pé da escada de embarque:

— Não sei se você ou Chen Mingyuan estão certos, mas ambos são ótimos jovens. Não quero que acabem se destruindo mutuamente.

— Achei — disse Han Jianfei — que hoje o senhor viria ajudar Chen Mingyuan.

— Era o plano — os cabelos prateados do ancião esvoaçavam levemente ao vento. — Pensei até em dar-lhe aquela Mamba Negra, mas depois percebi: ninguém pode ser sempre conservador, nem viver eternamente em finais previsíveis.

Ao abrir a porta da aeronave, completou:

— Passei a vida em cima do muro, sempre buscando o equilíbrio. Desta vez, quero apostar. Portanto, esta nave agora é sua.

Só então Han Jianfei abaixou os olhos para observar a chave secreta da nave estelar. Ao pressionar suavemente o botão sensível ao toque no cabo, um holograma flutuou sobre a chave.

Era a projeção de uma enorme nave em forma de disco, um modelo que Han Jianfei conhecia bem.

Tratava-se da maior nave já construída pela Aliança, e a mais poderosa e temida força de combate de sua frota — uma Nave de Controle Regional classe “Senhor do Espaço Profundo”.

Com diâmetro de dezenas de quilômetros e mais de dois quilômetros de altura, cada uma dessas fortalezas de aço era uma verdadeira cidade espacial. Apesar do nome modesto, possuíam sistemas completos de combate, vida e suporte, podendo até servir como um estaleiro móvel para toda a frota. As “regiões” que controlavam podiam abranger sistemas planetários inteiros.

Han Jianfei ergueu o olhar e fitou profundamente o velho presidente.

Que presente colossal!

O presidente acenou para ele da porta da cabine:

— Não se espante. Não esqueça que meu sobrenome é Feng. Por trás de mim está justamente o tipo de grande magnata sobre o qual Chen Mingyuan falou. Essas coisas não passam de grãos de areia caídos entre os dedos deles.

Acompanhou com os olhos o avião que taxiava e decolava, desaparecendo nas nuvens. Só então Han Jianfei e Yuan Zhizi voltaram ao carro preto.

— O que é isso? — Zhizi apontou para a chave secreta nas mãos de Han Jianfei.

— Um... adorno — ele sorriu. — Gosta?

— Sim.

— Então fique com ela — disse Han Jianfei, pendurando casualmente aquela chave de valor inestimável no pescoço da jovem. — Guarde bem. Quem sabe, um dia, vamos precisar dela.

Yuan Zhizi acariciou suavemente a chave:

— É valiosa?

— Acho que sim — respondeu Han Jianfei. — O velho presidente foi claro. Uma coisa dessas não é feita por qualquer um.

Olhando pela janela para a paisagem que recuava, resmungou:

— Até hoje não consigo entender de que lado o velho presidente realmente está.

Meia hora depois, o carro preto desceu diante de um edifício em forma de pirâmide branca.

Han Jianfei saiu do carro. Do veículo que vinha atrás deles, saltaram rapidamente seis agentes da Agência Especial, formando um círculo protetor como antes.

— Se houver briga — Han Jianfei ajudou Zhizi a sair do carro —, proteja-se.

— Mas aqui não é a sua empresa? Por que haveria confusão? — perguntou Zhizi, intrigada.

O mercador de armas, em sua primeira visita à própria empresa, balançou a cabeça:

— Talvez nem haja. Vamos improvisar.

E, decidido, caminhou para o prédio que, apesar de ser seu patrimônio, jamais havia visitado.

Em frente à pirâmide, havia uma vasta praça cercada por um muro sólido. Era possível ver soldados treinando do lado de dentro — provavelmente recrutas formados pela Baishan para os Fuzileiros da Aliança.

Junto ao único portão principal, dois seguranças fortemente armados o barraram.

— Aqui é a Baishan Segurança Interestelar Integrada. Pessoas não autorizadas não entram — disse um dos seguranças, rosto impassível sob os óculos escuros.

— Sou Han Jianfei — decidiu-se por usar a tática de Xinluosong, revelando sua identidade.

— Não conheço — o segurança manteve o tom frio. — Mesmo que seja o Primeiro-Ministro da Aliança, sem agendar, não entra.

Meio constrangido, Han Jianfei olhou para Zhizi e coçou a cabeça.

— Sou Han Jianfei, presidente do conselho da Baishan, maior acionista. Isto aqui é tudo meu — abriu as mãos, tentando soar o mais calmo possível. — Será que agora você entende?

O segurança assentiu:

— Entendi. Mas sem agendamento, não pode entrar.

Se antes era apenas constrangimento, agora Han Jianfei começava a se irritar.

Principalmente porque um simples segurança, sabendo quem ele era, ainda assim o tratava assim. Não era apenas falta de respeito, mas um verdadeiro tapa na cara.

— Pelo visto, esses anos longe da empresa fizeram os novatos esquecerem quem eu realmente sou — Han Jianfei sorriu, girando os ombros como se se aquecesse.

Antes que terminasse a frase, girou a mão direita e desferiu um tapa certeiro no rosto do segurança que tentava barrá-lo.

Com velocidade surpreendente e o vigor adquirido nos “treinos infernais” de Haishan, o segurança — um mercenário totalmente equipado — foi lançado metros adiante, caindo pesadamente no chão.

O outro segurança reagiu rápido, levantando a arma para disparar contra o invasor audacioso.

Mas, ao puxar o gatilho, nada aconteceu.

Antes que pudesse atirar, a própria arma foi limpa e cortada ao meio.

Um agente da Agência Especial avançou, desarmou o segurança e apontou-lhe a pistola à cabeça.

Só então o mercenário percebeu que, ao erguer a arma, a jovem ao lado de Han Jianfei sacou uma lâmina curta e, com um golpe lateral, cortou a arma.

— Da próxima vez, não será só a arma — advertiu a garota.

— Essa frase soa familiar — comentou Han Jianfei, voltando-se para ela.

— Vi na internet.

O tumulto na entrada logo atraiu a atenção dos recrutas em treinamento. Instrutores vieram correndo com eles. Aqueles jovens impetuosos, exalando energia de encrenqueiros, animaram-se ao ouvir que havia confusão, como se estivessem à porta de um bordel pela primeira vez.

Logo, centenas de mercenários da Baishan e recrutas dos Fuzileiros da Aliança cercaram Han Jianfei e Zhizi, protegidos pelos agentes armados. Só não partiram para cima porque os agentes estavam armados.

— Ai — Han Jianfei suspirou ao ver o segurança caído. — Estou ficando velho e mole. Cinco anos atrás, um desses insolentes teria levado um tiro.

O burburinho foi geral. Todo mês alguém tentava invadir a Baishan, mas ninguém com tanta arrogância. Ver aquilo era inédito.

A empresa Baishan, contratada oficial das Forças Armadas da Aliança, tinha quase o mesmo status do Exército. Tinha autorização para abater invasores à força.

Todos olhavam para Han Jianfei como se fosse um morto ambulante. Apenas lamentavam o destino da jovem estrangeira ao seu lado, que provavelmente acabaria nas mãos de algum figurão.

Finalmente, um recruta corajoso avançou, socando Han Jianfei, que desviou de lado e o derrubou com um golpe de joelho no abdome.

Veio outro logo em seguida, mas foi lançado longe por Zhizi com um golpe de bainha.

Han Jianfei fez sinal para que os agentes não atirassem e recomendou à garota descalça:

— Não mate ninguém.

Então, avançou contra os recrutas.

Briga entre fuzileiros é trivial. Qual jovem militar nunca trocou socos com colegas? Ele até sentiu nostalgia dos tempos em que entrou na tropa, quando saía de bares com o rosto inchado por conta de disputas por olhares de garotas. Aquilo, sim, era juventude!

Animado, Han Jianfei, com o apoio de Zhizi, logo derrubou uma dúzia de recrutas. Ele próprio levou alguns socos no rosto.

Mas, ao ver os companheiros caídos, ninguém mais ousou avançar.

Sorrindo, Han Jianfei estalou o pescoço e cuspiu saliva com sangue:

— A Baishan de hoje está tão fraca? Nem numa briga vocês têm coragem?

O tumulto logo atraiu a atenção do sistema de defesa da empresa. Dois drones armados deslizaram silenciosamente, apontando as armas para Han Jianfei e Zhizi.

Os agentes da Agência Especial, antes meros espectadores, se agruparam em alerta ao lado deles.

Han Jianfei observou os drones.

Certamente, alguém interferira nos sistemas autônomos. Ele sabia que mais de um par de olhos os observava naquele momento.

— Será que só tem idiota por aqui? — uma voz rouca ressoou. Um instrutor de pele escura e rosto marcado por cicatrizes se aproximou, abrindo caminho entre os recrutas. — Quero ver quem é o maluco que ousa causar confusão na casa da Baishan!