Capítulo 79: Os Membros da Família Pei

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 2684 palavras 2026-02-07 13:20:27

O nevoeiro denso envolvia tudo, e os mortos-vivos perambulavam! Seguindo a percepção de Ye Shuang, os dois chegaram diante de um vasto descampado. Por toda essa clareira, via-se ruínas caóticas e paredes destruídas. Era evidente que, dentro da própria cidade de Wan, um espaço tão amplo só poderia ter sido nivelado à força por alguém.

O solo estava repleto de pedras quebradas e tábuas partidas, e Xiang Yuan e Ye Shuang avançavam cautelosamente nesse lugar que era visivelmente mais frio e sombrio.

— Falta muito? — perguntou Xiang Yuan, segurando a vara de bambu, olhando ao redor.

Desde que entraram naquela clareira, ele ouvia, de tempos em tempos, o ruído de algo sendo arrastado, o que lhe causava uma inquietação profunda.

— Estamos muito perto, deve ser por aqui — respondeu Ye Shuang, bem mais tenso do que Xiang Yuan, que era forte e destemido. Sem suas armas e seu artefato secreto, Ye Shuang até mesmo evitava ao máximo fazer barulho ao caminhar, temendo despertar alguma coisa.

Aos poucos, depois de atravessarem a parte mais desordenada da periferia, chegaram ao centro mais plano e vazio do terreno.

— O que é isso...? — Assim que entraram no centro, o olhar de Xiang Yuan mudou.

Diante deles, um caixão estava colocado em pé, erguendo-se reto como uma coluna. Sobre o caixão, uma vela de chama amarela e trêmula ardia silenciosa. A cera derretida escorria pelas fendas do caixão, infiltrando-se pouco a pouco...

— Este deve ser o ritual de sacrifício humano preparado pelo senhor do Submundo. Se não tivéssemos escapado, seríamos nós de pé dentro desse caixão — murmurou Ye Shuang, aproximando-se e examinando-o com atenção.

De fato, atrás do caixão, ele encontrou um símbolo estranho e distorcido, desenhado com sangue fresco.

Em seguida, Xiang Yuan e Ye Shuang encontraram mais cinco caixões, cada um deles com uma vela queimando de maneira inquietante. As chamas bruxuleantes destacavam-se no nevoeiro, como olhos solitários que os observavam em silêncio.

— Está quase lá — disse Ye Shuang, sentindo-se cada vez mais próximo de seu artefato secreto, e um sorriso começou a despontar em seu rosto. Como discípulo de uma seita, sem seu artefato e armas, ele não passava de uma pessoa comum.

Finalmente, ao lado do sétimo caixão, Ye Shuang encontrou seu artefato secreto e sua arma demoníaca, como se tivessem sido jogados ali ao acaso.

— Este é o artefato secreto — disse Xiang Yuan, observando curioso o objeto nas mãos de Ye Shuang, semelhante a uma gema amarela, com três longos filamentos que pareciam feitos de pura luz.

Segurando o artefato entre dois dedos, Ye Shuang parecia bem mais aliviado:

— Sim, o artefato secreto é tudo para os discípulos da seita. Sem ele, não conseguimos ativar as armas e instrumentos demoníacos. Além disso, ele está intimamente ligado ao nosso corpo; se separado por muito tempo, começa a murchar e nosso corpo entra em decadência, podendo até adoecer.

Abaixando a gola da roupa, Ye Shuang encostou o artefato ao peito. Ao se aproximar, os filamentos luminosos do artefato penetraram em sua carne.

Observando o artefato se fundir ao corpo de Ye Shuang, Xiang Yuan sentiu uma ponta de inveja. Comparados à transformação feroz e descontrolada dos demoníacos, os métodos dos discípulos da seita eram muito mais impressionantes e, pelo menos, não rasgavam as roupas de uma vez.

Tum, tum, tum, tum—

No momento em que Ye Shuang fundia o artefato ao corpo, do caixão ao lado deles veio uma série de pancadas apressadas.

— Tem alguém aí? Pode abrir o tampo deste caixão? Quem me ajudar terá uma grande recompensa! — veio um pedido de socorro de dentro do caixão, surpreendendo Xiang Yuan.

Olhando para o caixão de onde vinham os sons, Xiang Yuan pensou por um instante e, sem hesitar, afastou-se um pouco dali. "Ora, afinal, eu já assisti a mais de uma centena de filmes de terror. Com esse ambiente, com esse clima, abrir um caixão? Só se for o ioiô da sua avó!"

Percebendo que ninguém do lado de fora pretendia ajudá-lo, o ocupante do caixão insistiu:

— Irmãos, aqui perto há um espírito maligno de nível elevado. Ele é a mão direita do senhor do Submundo, responsável por capturar pessoas para o ritual de sacrifício. Se me soltarem, juntos teremos uma chance de escapar. Juro que só juntos podemos sair daqui com vida!

A voz dentro do caixão já estava quase rouca de tanto esforço, mas Xiang Yuan continuou ignorando.

Só quando Ye Shuang, já refeito graças ao artefato, interveio:

— Ele está dizendo a verdade. Meu Sino de Detecção de Espíritos sentiu a presença de um espírito maligno muito forte nas proximidades. E, de fato, quem está no caixão é uma pessoa.

De algum lugar, Ye Shuang tirou um pequeno sino do tamanho de um polegar e, ao tocá-lo com os dedos, uma onda pálida espalhou-se como círculos na água.

— Se o sino tocar um espírito maligno, a onda torna-se negra. Quem está no caixão é humano.

Com essa confirmação, Xiang Yuan, junto de Ye Shuang, finalmente abriu o caixão.

Assim que a tampa se abriu, um homem de rosto pálido caiu para fora, ofegando pesadamente no chão.

— Graças aos céus, estou salvo! — exclamou, deitando-se de braços abertos e cobrindo o rosto, esvaziando as emoções com um grito.

Depois de um momento, saltou de pé como uma carpa:

— Deixem-me ver quem foram os heróis que salvaram a minha vida!

Porém, ao ver o Sino de Detecção nas mãos de Ye Shuang, seu sorriso congelou no mesmo instante.

— Um discípulo da seita? — perguntou, surpreso.

— Um bárbaro de família nobre? — murmurou Ye Shuang, franzindo a testa e bufando. — Fui ajudar logo um bárbaro...

As seitas usavam o termo "oficina" em seus nomes, como Oficina do Uivo Celeste, Oficina da Montanha Gelada... Havia rivalidade entre famílias nobres e seitas, e os membros das famílias chamavam os discípulos de "oficineiros", em tom de escárnio. Em contrapartida, os discípulos das seitas os chamavam de bárbaros.

Assim que o homem exclamou "oficineiro", Ye Shuang percebeu que ele e Xiang Yuan haviam libertado um membro de uma família nobre.

— Xiang, vamos embora — disse Ye Shuang, sem a menor intenção de permanecer com o homem salvo. Agora que recuperara seu artefato e podia sentir a localização de seus anciãos, o importante era sair dali o quanto antes, levando Xiang Yuan.

— Ir embora? Vocês, que são oferendas do meu senhor, aqui é o vosso lugar de descanso.

De repente, um vento forte soprou. O rosto de Ye Shuang mudou, mas antes que pudesse reagir, um enorme punho atravessou o nevoeiro e o acertou em cheio.

Um jorro de sangue saiu da boca de Ye Shuang, enquanto uma luz dourada envolveu seu corpo inconsciente, depositando-o suavemente no chão.

— Que fraqueza... — murmurou o homem salvo, revirando os olhos ao ver Ye Shuang cair com um só golpe.

— Irmão, diante de um inimigo desses, deixemos as desavenças de lado e cuidemos disso primeiro, que tal? — aproximou-se de Xiang Yuan, alongando o corpo.

— De acordo — aceitou Xiang Yuan sem hesitar.

— Ótimo! — O homem sorriu com selvageria, respirou fundo e seu corpo começou a crescer rapidamente diante dos olhos de Xiang Yuan.

Em poucos segundos, uma criatura lupina de mais de cinco metros de altura estava completamente transformada. Usando suas garras afiadas, alisou os tufos de pelo branco na cabeça, virou-se para Xiang Yuan e, com voz gélida, falou:

— Agora é a sua vez.

Olhando para cima, ao lado daquele lobisomem gigantesco, os olhos de Xiang Yuan se estreitaram.

Transformação lupina... Ele é da família Pei!