Capítulo 1: Inventário de Equipamentos

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 3943 palavras 2026-02-07 13:18:58

A luz da lua era fria e cortante, o silêncio límpido como o outono. Encostada a uma grade de madeira de sândalo vermelho, uma pequena criança de olhar sombrio contemplava a lua cheia refletida no pequeno lago do jardim dos fundos.

A criança chamava-se Xang Yuan, um jovem recém-formado na universidade, cheio de ambições. Durante uma pesquisa de campo em um canteiro de obras, foi atingido fatalmente por uma laje de concreto que despencou do alto. O que sentiu foi apenas uma dor, e, ao reabrir os olhos, já se encontrava em um mundo estranho.

Ao chegar ali, seu corpo tornou-se o de uma criança de três anos; por instinto de autopreservação e cautela diante do novo ambiente, escondeu sua verdadeira origem e passou a agir como uma criança comum, vivendo entre os membros da família Xang, que partilhava do mesmo sobrenome.

— Terceiro Jovem Mestre, já está tarde, é hora de descansar.

Ouvindo a voz suave e clara da criada, Xang Yuan anuiu e levantou-se devagar.

A família Xang era uma das mais notórias de Guangling; apesar de ter apenas seis anos, Yuan já contava com duas criadas pessoais. Quem vinha chamá-lo para ir descansar era a principal delas, Lan Yu.

Desde pequena, Lan Yu fora instruída em todas as formas e conceitos de servir ao seu senhor, como convinha a uma criada pessoal do herdeiro legítimo.

Naquela noite, o frio era sutil; Lan Yu trazia consigo um manto de pele de raposa prateada e cuidadosamente o colocou sobre os ombros de Xang Yuan.

— Hum — murmurou ele, desviando o olhar. — Meu pai já voltou?

No caminho de volta ao quarto, perguntou casualmente.

— Ainda não. O patriarca convocou todos os senhores para uma reunião, provavelmente ainda não terminou — respondeu Lan Yu, seguindo seus passos em silêncio.

Ainda não voltou... parece que o ocorrido desta vez é realmente grave...

O mundo em que Xang Yuan se encontrava assemelhava-se ao antigo Império da China, mas não era exatamente como ele imaginara, sem os cultivadores que voavam pelos céus e moviam montanhas, como nos romances de sua vida anterior.

Havia, sim, mestres marciais capazes de partir pedras; Wang Chong, chefe dos guardas da família Xang, era um deles.

Xang Yuan pensava que viveria ali uma vida comum, mas um incidente há dois anos lhe mostrou que o mundo era muito mais complexo do que aparentava.

Guangling ficava ao sul da região de Bazhong, entre montanhas e águas, vizinha das planícies. Dois anos atrás, numa pequena aldeia próxima ao Monte Jiugou, ao sul da cidade, deu-se um massacre: em uma só noite, uma família inteira de seis pessoas foi brutalmente aberta ao meio, com o coração e o fígado arrancados. O cenário era tão sangrento que vários oficiais desmaiaram ou vomitaram ao investigar.

Um crime tão horrendo espalhou-se rapidamente por Guangling, uma cidade que há muito vivia em paz. Embora o magistrado tenha tentado suprimir a notícia, o pânico e os rumores se espalharam.

E, no mês seguinte, sem nenhum avanço nas investigações, ocorreu outro assassinato — desta vez, o número de mortos duplicou.

Numa estalagem, doze pessoas, entre funcionários e proprietário, foram assassinadas da mesma forma bárbara.

O aumento dos crimes e das vítimas colocou o magistrado sob extrema pressão: de um lado, pelo medo generalizado; de outro, pelo receio de não resolver o caso a tempo e o assassino voltar a atacar.

Contudo, dessa vez, parecia que o criminoso, ciente de sua notoriedade, desapareceu sem deixar rastros.

Sem métodos de investigação avançados como os do mundo anterior de Xang Yuan, tudo dependia da experiência dos oficiais e das entrevistas com o povo. Por isso, a apuração caminhava lentamente e, mesmo após dois anos, não houve qualquer progresso.

Com o tempo, muitos escolheram esquecer o pesadelo que abalara Guangling. Mas, há quinze dias, o chefe de polícia Zhao e toda sua família, que viviam fora da cidade, foram mortos de modo idêntico ao caso de dois anos atrás.

O pesadelo esquecido retornara, desta vez causando ainda mais terror.

Por ter morrido um funcionário público, o magistrado foi obrigado a reportar o caso ao governo central e decretar toque de recolher em Guangling. Mais patrulhas passaram a circular à noite, tentando intimidar o assassino.

Como o número de guardas era insuficiente para cobrir toda a cidade, a família Xang contratou ainda mais seguranças para vigiar a mansão dia e noite.

Naquela noite, o avô de Xang Yuan, patriarca da família, convocara os filhos para uma reunião de urgência. Para Yuan, certamente algo grave acontecera em Guangling.

...

De volta ao quarto, com a ajuda de Lan Yu, Xang Yuan tirou as roupas de sobrecasaca e deitou-se na cama, olhando para o dossel claro bordado com flores e plantas do rio. De repente, sua visão ficou turva, e seis espaços translúcidos surgiram diante de seus olhos — uma barra de equipamentos, como nos jogos!

Em um dos espaços, um anel amarelo e branco estava equipado.

...

Cerca de um ano antes, enquanto esculpia um boneco de madeira no jardim, Xang Yuan cortou sem querer o dedo anelar da mão direita com a lâmina afiada; o sangue escorreu, e ele instintivamente levou o dedo à boca.

O gosto metálico se espalhou, e, num instante, sentiu um tremor na mente. Diante dos olhos, apareceu a barra de seis espaços.

A princípio, ficou perplexo, sem entender a utilidade daqueles espaços virtuais. Só mais tarde, ao ganhar de seu pai um anel de bronze branco, gravado com linhas amareladas, percebeu algo estranho no objeto — uma sensação difícil de descrever, como se algo desconhecido o atraísse.

Sem saber o que havia de especial no anel, lembrou-se de como ativara a barra de equipamentos ao lamber o próprio sangue. Então, pegou a lâmina, fez um pequeno corte no dedo e deixou cair uma gota de sangue sobre o anel.

O sangue evaporou lentamente, e, sob um impulso inexplicável, Xang Yuan apanhou o anel, e logo uma informação surgiu diante de seus olhos:

[Anel da Recuperação]: Restaura lentamente a vitalidade.

Surpreso diante do anel como se fosse um item de jogo, pensou em equipá-lo, e o anel desapareceu de sua mão, surgindo na barra de equipamentos.

No instante em que equipou o Anel da Recuperação, sentiu um fluxo morno e suave percorrendo seu corpo. Graças a esse fluxo, o pequeno corte em seu dedo anelar cicatrizou completamente em poucos segundos, sem deixar vestígios.

Sentiu-se eufórico com o efeito milagroso do anel, quase explodindo de alegria. Contudo, para manter sua identidade secreta, conteve a empolgação e guardou seu grande segredo.

...

Um ano depois, Xang Yuan jazia na cama, fitando o Anel da Recuperação na barra de equipamentos. No canto inferior direito, um pequeno número — vinte e sete por cento — incomodava-lhe como um espinho na garganta.

Não sabia ao certo o que aquele número significava. Seria uma evolução? Ou o tempo de uso restante?

Se realmente fosse tempo de uso, certas coisas que imaginava precisariam ser preparadas com antecedência.

...

Na manhã seguinte, Wang Chong, chefe dos guardas da família Xang, supervisionava a construção de torres nos quatro cantos da mansão para facilitar a patrulha noturna.

Após o café da manhã, Xang Yuan cumprimentou os pais e foi até Wang Chong no pátio.

— Tio Wang — chamou baixinho, puxando-o pela barra da roupa.

Ao ver Xang Yuan, Wang Chong, de semblante austero e corajoso, sorriu levemente:

— Terceiro Jovem Mestre, deseja algo de mim?

Acenando para que o acompanhasse, Yuan subiu no corrimão para ficar à altura do chefe dos guardas:

— Tio Wang, quero aprender artes marciais com você.

— Aprender artes marciais? — Wang Chong ficou surpreso. Não esperava que o jovem, criado com tanto zelo, surgisse com tal ideia. — O senhor já falou com o segundo mestre e a segunda senhora? Sendo o herdeiro legítimo, seria melhor dedicar-se aos estudos ou ao comércio. Por que querer aprender uma arte tão dura?

Na família Xang, os herdeiros eram destinados aos estudos e à carreira pública ou mercantil. Aprender artes marciais era coisa de gente rude, não de jovens nobres como Yuan.

— Estudar e treinar não são incompatíveis. Além disso, com um corpo saudável, poderei estudar com mais vigor — argumentou Xang Yuan, sem esmorecer.

— Bem... — Wang Chong refletiu. Ele próprio viajara muito quando jovem, mas, por ser justo e leal, fez inimigos e só escapou da morte graças ao patriarca Xang, a quem passou a servir em gratidão. Tinha por Yuan grande carinho, pois o menino, além de obediente e inteligente, nunca causava problemas e passava os dias entre livros e bonecos de madeira.

Diante do pedido, Wang Chong hesitou.

— Então faça assim: peça permissão ao segundo mestre e à segunda senhora. Se eles concordarem, eu o ensino, que tal? — sugeriu, após pensar um pouco.

— Combinado! Espere só um pouco, vou pedir ao meu pai e à minha mãe.

Vendo Wang Chong consentir, Yuan saltou animado do corrimão e saiu correndo.

— Esse menino... — Wang Chong sorriu, balançando a cabeça, e voltou ao trabalho.

...

— Quer aprender artes marciais? — No salão principal, Xang Leshan, com uma xícara de chá nas mãos, olhava para o filho de seis anos, intrigado com tal ideia.

— Sim, pai. Acredito que as artes marciais fortalecem o corpo e revigoram o espírito. Além disso, se for estudar fora de Guangling, saber me defender deixará o senhor e a senhora mais tranquilos — respondeu Yuan, sério, diante do pai.

— Faz sentido, mas você ainda é muito novo, e treinar é penoso. Tenho receio que se machuque — disse Leshan. Yuan era filho único e, ao nascer, sua mãe, Luo Mushuang, quase morreu de hemorragia, sobrevivendo por pouco, mas ficando com sequelas.

Por isso, Leshan e a esposa cuidavam de Yuan com extremo zelo, temendo que qualquer esforço fosse prejudicial.

— Não se preocupe, pai. Só treinarei em casa, com o tio Wang Chong. Não há perigo.

O tom decidido e o olhar firme do filho fizeram Leshan hesitar, mas acabou cedendo:

— Está bem, pode treinar, mas sem descuidar dos estudos e sempre com cuidado, entendeu?

Radiante com a permissão, Yuan assentiu repetidas vezes:

— Entendi!

...