Capítulo 75: O Sopro das Chamas Sombrias

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 2580 palavras 2026-02-07 13:20:19

Este lugar não é seguro para permanecer por muito tempo!

Observando diante de si a imponente e silenciosa Cidade de Wan, semelhante a um gigante em repouso, Xang Yuan virou-se abruptamente para retornar pelo caminho por onde viera, decidido a abandonar aquele local que até mesmo Wang Yuanyao temia.

Erguendo o corpo de Zhou Ming, Xang Yuan apressou o passo, desaparecendo velozmente na neblina densa, afastando-se na direção oposta à da cidade.

A névoa era espessa, o frio penetrante.

O nevoeiro intenso transformava o mundo em tons de cinza e branco, limitando a visão a menos de três metros. Imerso nesse ambiente, Xang Yuan não conseguia distinguir os caminhos, confiando apenas em sua intuição para avançar.

Como uma mosca sem rumo, caminhou assim por mais de dez minutos, até parar para observar ao redor, na esperança de encontrar algum ponto notório que lhe servisse de referência.

Porém, ao semicerrar os olhos e lançar o olhar em volta, a silhueta de uma cidade começou a se agigantar rapidamente diante dele.

Parecia que a própria cidade vinha ao seu encontro, movendo-se por vontade própria...

— Maldição! — exclamou Xang Yuan, boquiaberto, ao ver a Cidade de Wan erguendo-se novamente em seu caminho, incapaz de conter a irritação nas palavras.

Sem hesitar, girou nos calcanhares e partiu outra vez na direção oposta, pois o terror daquela cidade havia sido confirmado pessoalmente por Wang Yuanyao.

A menos que não houvesse outra alternativa, jamais ele pisaria dentro de seus muros.

Nos momentos seguintes, não importava a direção que escolhesse ou os métodos que usasse para marcar o caminho, a Cidade de Wan parecia tê-lo escolhido como alvo, surgindo pontualmente diante dele a cada dez minutos.

Acabou forçado a parar diante dos portões da cidade, praguejando e vociferando.

Descarregando toda sua fúria reprimida, Xang Yuan sentiu-se um pouco aliviado.

“Quer que eu entre? Pois não entrarei! Quero ver o que fará!”

Já que não conseguia escapar, Xang Yuan decidiu simplesmente parar de tentar. Sentou-se no chão, encarando fixamente a cidade diante de si.

O tempo passava, segundo após segundo, e a névoa não dava sinais de se dissipar.

Erguendo levemente o rosto para a cidade imóvel, Xang Yuan não compreendia por que alguma força insistia em fazê-lo atravessar aqueles portões.

Com sua experiência e identidade, não deveria ser alvo de tal perseguição.

...

— Que sujeito cauteloso... Nunca imaginei que ele seria o escolhido.

No meio da neblina, a Matriarca Prateada, abraçando um gato negro, permanecia imóvel a menos de trinta metros atrás de Xang Yuan. Sob o véu carmesim, entre lábios rubros e dentes alvos, um traço de curiosidade se insinuava.

— Miau — o gato preto, erguendo a pata para coçar a orelha, lançou um olhar de âmbar para Xang Yuan, que permanecia sentado, e miou suavemente.

— Aquele velho fantasma é mesmo presunçoso. Causou um tumulto tão grande que atraiu três facções para cercá-lo.

E agora ainda tenta usar sacrifícios humanos para invocar seu Reino das Sombras.

Será que ele acha mesmo que as famílias e as seitas são feitas de tolos?

Falando diante da Cidade de Wan, cada palavra da Matriarca Prateada trazia consigo revelações profundas.

O senhor do Reino das Sombras, que lançou toda a região do Rio Liao ao caos, para ela não passava de um velho fantasma.

Por isso, era evidente que a posição daquela mulher se igualava, pelo menos, à do próprio senhor do Reino das Sombras.

— Miau, miau — respondeu o gato preto, erguendo o rabo elegante e apontando para Xang Yuan, sentado diante da cidade.

— Um jovem comum, nada de extraordinário. Não possui sangue de nenhuma família importante, tampouco carrega uma linhagem secreta de qualquer seita. Agora que o velho fantasma o escolheu, mesmo que ele resista, acabará sendo arrastado para dentro — sussurrou a Matriarca.

Durante a conversa entre humana e felino, a Cidade de Wan que perseguia Xang Yuan como se fosse um ser vivo apresentou novas mudanças.

Da névoa, surgiram espectros rastejantes, privados das pernas, avançando velozmente apenas com as mãos.

Eram cadáveres pútridos, exalando um fedor sufocante, cada rosto marcado por uma enorme boca repleta de presas e um único olho injetado de sangue.

Os espectros avançaram, apertando o cerco em torno de Xang Yuan.

No entanto, ao passarem ao lado da Matriarca Prateada, que estava atrás de Xang Yuan, pareciam incapazes de enxergá-la, seguindo adiante sem notá-la.

Com a multidão de espectros se aproximando, Xang Yuan ergueu-se de um salto.

— Querem obrigá-lo a entrar na cidade? — murmurou a Matriarca, ao perceber o semblante tenso de Xang Yuan. Sabia que era o velho fantasma pressionando o rapaz a atravessar os portões. Diante de tantos espectros, talvez ele não tivesse escolha senão se render...

Mas, quando ela já se preparava para ver Xang Yuan ceder, chamas irromperam em direção ao céu, destruindo todas as suas expectativas.

Com movimentos ágeis e instinto aguçado, Xang Yuan esquivava-se dos ataques dos espectros, ao mesmo tempo em que contra-atacava furiosamente, cuspindo fogo sombrio!

Inspirando profundamente, seu peito se inflou, e uma temperatura assustadora concentrou-se em seus lábios.

Soprou!

Línguas de fogo rubro-negras espalharam-se em leque à frente, incendiando vários espectros de uma só vez.

As labaredas crepitavam, e gritos lancinantes ecoavam.

O fogo sombrio devorava os espectros sem piedade.

Cuspindo fogo como um deus das chamas reencarnado, Xang Yuan iluminava a neblina com um clarão ofuscante.

Alguns minutos depois, a fúria das chamas começou a ceder.

Poucos espectros ainda se contorciam e gemiam entre as chamas, enquanto os demais haviam sido reduzidos a carvão sob o fogo implacável.

Ofegante, Xang Yuan sorriu ao contemplar a pilha de cadáveres calcinados à sua frente.

Sem seu sopro de fogo sombrio, teria sido difícil enfrentar aquela legião, mesmo com o sangue de inocente correndo em suas veias.

O Pulmão de Fogo Sombrio não só lhe concedera o poder de cuspir tais chamas como também ampliara enormemente sua capacidade pulmonar.

Estimava que, ao inspirar com toda força, poderia manter o sopro por mais de vinte segundos.

E quanto maior a intensidade, mais altas seriam as temperaturas alcançadas pelas chamas.

No geral, sentia que ainda não havia explorado todo o potencial do Pulmão de Fogo Sombrio; havia muito a desenvolver.

...

— Este rapaz... é intrigante...

Testemunhando o espetáculo das chamas, a Matriarca esboçou um leve sorriso sob o véu carmesim.

— Não tem sangue demoníaco, nem linhagem secreta de seita, tampouco apresenta vestígios dos rituais da minha ordem. De onde, afinal, vem seu poder?

— Anu, consegue discernir como ele faz isso? — perguntou ao gato em seu colo.

O animal ergueu a cabeça, e em seus olhos âmbar surgiu um padrão insólito.

Uma luz estranha brilhou em suas pupilas; após observar Xang Yuan por um tempo, baixou a cabeça e balançou suavemente.

— Interessante... Que tal levarmos ele para nossa ordem, Anu?

A mão alva da Matriarca estendeu-se devagar, a pele luminosa envolta por um leve brilho azul.

Com a palma voltada para Xang Yuan, um intricado símbolo em forma de olho surgiu no dorso de sua mão.

A névoa se agitou, como se tocada por forças imensas.

Ao mesmo tempo, marcas idênticas às do dorso da Matriarca começaram a aparecer sob os pés de Xang Yuan.

Seus dedos começaram a se fechar lentamente, preparando-se para trazê-lo até si, quando de repente a névoa ao lado de Xang Yuan se agitou violentamente, condensando-se numa mão colossal que o agarrou e arrastou para dentro da Cidade de Wan.

O símbolo da mão da Matriarca desapareceu, e ela baixou a mão, fitando a cidade à frente.

— Velho fantasma... você ousa disputar comigo?

...