Capítulo 98: O Rei das Ervas, Yama!

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 2430 palavras 2026-02-07 13:21:18

Antiga Estalagem dos Cervos Selvagens

Aqui outrora existiu uma propriedade dedicada à criação de cervos, mas, com o tempo, devido ao aumento vertiginoso do preço dos chifres, os cervos passaram a ser constantemente alvo de caçadores furtivos. A propriedade acabou não conseguindo mais cobrir seus custos, e os moradores foram aos poucos se mudando, até que, eventualmente, o lugar se tornou completamente desabitado.

Hoje, entretanto, a já abandonada Estalagem dos Cervos Selvagens tornou-se, de maneira discreta, palco para a chegada de uma dúzia de visitantes raros.

Envoltos em mantos negros que cobriam todo o corpo e com capuzes ocultando seus rostos, estes visitantes vagavam silenciosamente pela antiga estalagem. Suas vestes eram idênticas às dos fiéis da Igreja da Prata, que outrora tentaram sacrificar a cidade de Xiaduto. Os encapuzados caminhavam pelo lugar em total escuridão, mas pareciam dotados de visão noturna, pois seus passos eram leves, quase imperceptíveis, e moviam-se com destreza, desviando habilmente de todos os obstáculos à frente.

Cruzando o terreno abandonado, chegaram ao antigo pátio onde, no passado, eram abatidos os cervos. Ali, os visitantes trajados de negro postaram-se em silêncio, imóveis como estátuas, aguardando.

Após longa espera silenciosa, surgiu a Matriarca dos Remédios, trazendo nos braços um gato preto.

“Saudações, venerável Matriarca!”

Assim que ela apareceu, todos os encapuzados pousaram a mão sobre a testa e inclinaram-se em respeitosa reverência.

Debaixo do véu rubro, um olhar penetrante varreu os presentes. A Matriarca perguntou suavemente:

“Onde está Sepulturador?”

“Venerável Matriarca, o Bispo Sepulturador teve um imprevisto urgente a resolver. Deve chegar com algum atraso”, respondeu baixinho um dos encapuzados.

“Em um momento como este, que urgência poderia ser mais importante do que reconquistar o Santo Relicário? Ou será que Sepulturador espera que o Sumo-Sacerdote venha pessoalmente buscá-lo?” Enquanto acariciava o gato preto, a Matriarca deixou transparecer seu desdém pelo Bispo Sepulturador.

Antes mesmo que concluísse suas palavras, surgiu de repente sobre o beiral à esquerda um homem de figura esguia.

Com um leve impulso, saltou do telhado ao solo, brincando com um formão de cabo de jade que girava ágil entre os dedos. Seu rosto era comum, mas os olhos brilhavam com uma intensidade ameaçadora.

“Fumacento, só porque me atrasei um pouco, não precisa demonstrar tanto desagrado”, zombou o Bispo Sepulturador, fazendo o formão rodopiar nas mãos enquanto encarava friamente a Matriarca.

O gato preto emitiu um rosnado ameaçador para Sepulturador. A Matriarca, acariciando o animal, alertou friamente: “Esta missão de recuperar o Santo Relicário foi dada pessoalmente pelo Chefe da Igreja. Se algo der errado, você sabe as consequências.”

“Poupe-me de ameaças, Fumacento. Você não é mais Sumo-Sacerdote, então deixe de agir como tal. Agora quem comanda é o Velho Vazio. Até você precisa obedecê-lo. Se ele não se manifestou, não vejo motivo para seu alarde”, retrucou Sepulturador, revelando, com suas palavras, que a Matriarca já fora Sumo-Sacerdote.

Acariciando o gato, a Matriarca interrompeu o gesto por um instante. Uma energia sutil emanou de seu corpo, fazendo ondular o vestido nupcial vermelho, enquanto estranhos vapores coloridos começaram a se elevar ao redor.

“Quer lutar? Pois bem, deixe-me ver se a antiga Rainha dos Remédios ainda tem algum poder!” O olhar de Sepulturador recaiu sobre as brumas coloridas, e ele riu, retirando as luvas pretas e expondo o dorso da mão, marcado por um símbolo de uma caveira de cabelos longos cobrindo o rosto.

Vendo que os dois estavam prestes a se enfrentar, os demais fiéis, apavorados, tentaram afastar-se, mas estavam cercados pelas brumas venenosas.

“Ritual Sombrio – Caixão Gélido!”

Três dedos de Sepulturador brilharam com símbolos ritualísticos. Ele retirou de algum lugar um pequeno pedaço de madeira grossa. O formão em sua mão virou um borrão, e, num piscar de olhos, um caixão miniatura e primorosamente talhado repousava em sua palma.

“Bons sonhos…” lançou um sorriso pérfido à Matriarca e arremessou o caixão ao solo.

Um estrondo ecoou.

Do chão, irrompeu um caixão real, exalando um frio intenso, as tábuas se fechando de todos os lados para enterrar viva a Matriarca.

Ela, impassível, quando a tampa quase se fechava completamente, fez brotar uma gota de sangue da ponta dos dedos, prestes a alimentar o gato preto.

De súbito, um estrondo ensurdecedor: uma sombra gigantesca rompeu o muro do pátio, invadindo o local. Com um só golpe, despedaçou o caixão gélido e, com mão poderosa, arrancou o formão das mãos de Sepulturador, tomando-o à força.

“Arma controlada. Confiscada!”

“Você… eu…” Sepulturador olhou incrédulo para a mão direita. O símbolo da caveira parecia ganhar vida, contorcendo-se lentamente.

Uma força brutal o tomou; seu corpo começou a crescer até atingir mais de cinco metros de altura.

Mas, ao erguer os olhos, viu que aquele que lhe tomara o formão era ainda maior do que ele!

Com um sorriso amistoso, exibindo presas alvas, Xiang Yuan disse: “Não se preocupe, continue. Eu espero.”

“Você…” O semblante de Sepulturador tornou-se sombrio, e o símbolo da caveira já estava em sua testa.

“Chega!” No instante em que a batalha estava prestes a explodir, uma voz anciã cortou o ambiente e fez Sepulturador recobrar o controle.

Usando o mesmo manto de palha e chapéu cônico de sempre, com uma cesta de pesca à cintura, o velho, o rosto oculto pela sombra do chapéu, surgiu do canto.

“Fumacento, foi este o auxílio que você conseguiu?”

“Sim”, respondeu a Matriarca.

“Recuperar o Santo Relicário é nossa prioridade máxima. As desavenças entre vocês serão resolvidas depois. Se por culpa de vocês algo der errado, não esperem minha indulgência”, advertiu o ancião, fitando fixamente Xiang Yuan e Sepulturador.

Um trovão rasgou os céus. Num lampejo branco, uma máscara demoníaca colossal cobriu meio firmamento e fitou, ameaçadora, todos do pátio.

Um frio percorreu a espinha de todos, e o silêncio caiu.

Com a partida do velho, a tensão diminuiu um pouco.

Com os olhos semicerrados, Sepulturador exigiu: “Devolva-me meu formão!”

“Claro”, respondeu Xiang Yuan prontamente, estendendo o formão de volta.

Sepulturador estendeu a mão, mas ao erguer o olhar cruzou-se com os olhos de Xiang Yuan, onde ardia uma luz vermelha e negra.

“Pegue”, instigou Xiang Yuan, segurando o formão com força. Uma energia invisível o envolvia, seus músculos cresciam e uma força transparente se enroscava pelo seu corpo.

Olhando para Xiang Yuan, cujo rosto se tornara sinistro, Sepulturador cerrou o semblante, e, de súbito, saltou para o telhado: “Em respeito ao Sumo-Sacerdote, não disputarei hoje com você. O formão permanecerá contigo. Quando tudo terminar, virei buscá-lo pessoalmente!” E desapareceu sobre os telhados.

“Foi você quem desistiu”, murmurou Xiang Yuan, examinando o formão com atenção. Era uma peça primorosa, lâmina coberta por uma bruma esbranquiçada, cabo de jade polido.

Antes de dedicar-se às artes marciais, Xiang Yuan estudou escultura por algum tempo, mas, com o tempo, abandonou o hobby. Agora, com esse formão, poderia talvez retomar o antigo interesse.

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