Capítulo 51: Missão para Iniciantes
Diante da expressão contida de Sun Deyi, Song Ning não conteve o riso.
—Irmão Sun, todos nós somos novatos recém-selecionados pelo subdistrito, sem muita experiência nessa missão de apoio ao Rio Liao. Ficaremos um tempo aqui em Xiadu, então espero poder contar com sua orientação —disse ela, cumprimentando-o respeitosamente. Na opinião de Xiang Yuan, o temperamento franco de Sun Deyi era um ponto positivo, e permanecer temporariamente em Xiadu não era ruim.
—Fico muito feliz que os colegas queiram ficar em Xiadu. Quanto a orientar, não ouso tanto —respondeu Sun Deyi, satisfeito com a decisão de Xiang Yuan e Song Ning de permanecerem. —Só tenho um pouco mais de experiência por estar aqui há alguns anos.
Naquele momento, toda a administração do Rio Liao sofria com a falta de pessoal, e eles não eram exceção. Mal o dia amanhecera, Sun Deyi recebera a notícia de que, fora dos portões da cidade, na aldeia de Zhouzhai, havia sinais suspeitos de atividade fantasmagórica. Sem tempo a perder, correu até lá e encontrou mais de uma dúzia de ovelhas esfoladas vivas. Os rastros deixados no local evidenciavam que o crime havia sido cometido por algo não humano. Porém, em Xiadu, havia mais de cinco casos semelhantes a serem resolvidos; era impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Agora, com a chegada de Xiang Yuan e Song Ning, o problema da falta de pessoal talvez fosse parcialmente aliviado.
Após a visita a Sun Deyi, Xiang Yuan e Song Ning recusaram educadamente o convite do oficial para ficarem para a refeição. Claro, isso aconteceu depois que viram na cozinha o grande ensopado de repolho, batata e carne de boi e carneiro fervendo na panela.
Combinando de se apresentarem oficialmente no dia seguinte para prestar auxílio, os dois deixaram o prédio que em nada lembrava uma delegacia de administração e retornaram à hospedaria.
—Quem diria que a delegacia do Departamento dos Seres Anômalos seria assim… está muito além do que imaginei —desabafou Song Ning, jogando-se na cama assim que entrou no quarto, exausta de passar a tarde toda sentada no escritório, com as costas e a cintura doloridas.
Vendo-a deitar sem sequer tirar os sapatos, Xiang Yuan apenas balançou a cabeça e sentou-se à mesa de chá.
—Xiadu é a localidade mais periférica de todo o Rio Liao, mas mesmo aqui a delegacia já está sobrecarregada. Imagino como deve estar a situação em Wancheng e Pengchang, no núcleo do Rio Liao.
—Deixa de se preocupar à toa. Somos apenas iniciantes. O próprio lorde Tian nos disse, ao chegarmos, que devíamos agir conforme nossas capacidades —respondeu Song Ning, sentando-se à mesa e servindo-se de um copo de água.
—É verdade, mas a curiosidade é inevitável —replicou Xiang Yuan, molhando o dedo na água do copo e desenhando distraidamente na mesa. —Notou hoje na delegacia? O oficial Sun também parece ser um praticante habilidoso, mas seu jeito de andar é estranho.
Ao rememorar a cena, Xiang Yuan percebeu que Sun Deyi caminhava sempre apoiando-se nas pontas dos pés, diferente das pessoas comuns. Song Ning também se recordou:
—De fato, a voz dele é forte, mas não chega a ser estridente, sinal de que tem boa respiração, no mínimo um mestre intermediário. E o modo de andar, sempre com as pernas bem esticadas e na ponta dos pés... Se não prestar atenção, nem percebe. Mas, observando com cuidado, é mesmo estranho.
—Parece que entre os soldados secretos há muitos com técnicas peculiares. Precisamos aprender o máximo possível —sorriu Xiang Yuan, indo em direção à cama. —Hoje é a minha vez de dormir na cama.
—A esteira está no armário, prepare seu lugar no chão —acrescentou, já se ajeitando.
Nessa viagem, dispunham apenas de sessenta taéis de prata, dos quais quase vinte já haviam sido gastos com remédios para Song Ning, hospedagem, roupas e comida. Para economizar, Song Ning sugerira devolver um dos quartos e passarem a dividir o mesmo: um na cama, outro no chão. Ambos eram praticantes das artes marciais, não se importavam com tabus. Sendo Song Ning uma jovem e não se opondo, Xiang Yuan também não via problema, e assim passaram a dividir o quarto.
Espreguiçando-se, Xiang Yuan deitou-se e puxou o cobertor, adormecendo quase de imediato. Song Ning apenas suspirou, observando a total ausência de gentileza de Xiang Yuan, mas não disputou a cama com ele. Afinal, durante sua enfermidade, fora ele quem cuidara dela sem reclamar.
Naquela noite, ambos adormeceram cedo. Sabiam que, a partir do dia seguinte, dificilmente teriam novamente um ambiente tão tranquilo para descansar.
...
Fora das muralhas de Xiadu, na encosta do bosque da aldeia de Luguang, Fan Guchun, Xiang Yuan e Song Ning estavam deitados, aguardando em silêncio.
O céu estrelado se assemelhava a um manto azul-escuro salpicado de luz. A lua prateada derramava sua luz generosa sobre a terra. Deitados sobre a encosta, ouviam o sussurrar das árvores balançando sob o vento noturno.
Levantando levemente a cabeça, Xiang Yuan tentou enxergar o bosque escuro à frente, onde só conseguia distinguir o balançar das sombras das árvores. Sussurrou a Fan Guchun ao seu lado:
—Irmão Fan, quanto tempo mais vamos esperar?
—Mais um pouco. Aquela coisa tem vindo toda noite, há mais de quinze dias, por este caminho do bosque até a aldeia de Luguang. Só que o horário varia, geralmente depois da meia-noite —respondeu Fan Guchun em voz baixa, sem desviar o olhar do bosque.
A longa espera imóvel começava a sufocar Xiang Yuan, que era mais afeito ao combate direto do que à espreita. Mas parecia que o tédio dele fora ouvido pelo céu, pois logo uma figura graciosa, segurando uma sombrinha de papel encerado, surgiu ao fim da trilha.
—Ela veio! —sussurrou Fan Guchun, alertando Xiang Yuan e Song Ning, que logo ficaram atentos.
A figura caminhava devagar. Na noite silenciosa e fria, ela andava enquanto cantarolava uma melodia estranha, tornando o ambiente ainda mais sinistro. Sob o pesado manto preto, vestia uma saia vermelha translúcida; a cada passo, as pernas alvas e arredondadas apareciam à vista. Segurava a sombrinha baixa, ocultando totalmente o rosto, o que aguçava ainda mais a curiosidade de Xiang Yuan.
Observando a mulher atravessar a trilha do bosque e se aproximar da aldeia, Fan Guchun murmurou:
—Vamos.
Levantando-se com cuidado, os três avançaram, emitindo apenas um leve ruído ao afastar as roupas do chão.
—Irmão Fan, que tipo de fantasma é esse afinal? —perguntou Xiang Yuan, seguindo-o pela trilha da aldeia.
Pulando o muro de tijolos vermelhos, adentraram Luguang, e Fan Guchun explicou:
—Esse fantasma apareceu na aldeia há dois meses. Recebemos o pedido de ajuda do governo local há vinte dias e viemos então.
—Mas se já havia aparecido há dois meses, por que só avisaram a delegacia agora? —indagou Song Ning, estranhando a demora.
—Os camponeses são ignorantes. Esse fantasma tem aparência sedutora e, à meia-noite, vinha à aldeia em busca de homens, sugando-lhes a energia vital. No começo, as vítimas não percebiam nada de errado, até que, há um mês, vários morreram repentinamente em casa, exauridos. Só então a aldeia entrou em pânico, avisou o governo, que por sua vez nos comunicou —explicou Fan Guchun.
Diante desse relato, Song Ning resmungou com desdém:
—Dominados pelo desejo... bem feito!
Enquanto avaliava os arredores, Fan Guchun entregou a Xiang Yuan e Song Ning uma bexiga de peixe cheia de líquido, alertando:
—Esse fantasma não é forte, nem chega ao nível mais baixo. Aqui dentro está o óleo verde, cuja chama é suficiente para queimá-la até a morte. Quando ela aparecer, lancem o óleo sobre ela. Basta um fósforo e o fantasma será destruído.
Sentindo a superfície viscosa da bexiga, Xiang Yuan assentiu. Não combatiam de frente, mas usavam métodos para enfraquecer, prender e queimar o fantasma, completando a tarefa —este era o procedimento padrão dos soldados secretos, como Xiang Yuan só descobrira ao chegar a Xiadu.
Por que não usar logo a transformação demoníaca para derrotar a criatura? A resposta era simples: cada soldado secreto só podia requisitar uma unha de sangue demoníaco a cada três meses, salvo exceções. Ou seja, usar a transformação significava esperar outros três meses para obter uma nova. A razão de tal regra aparentemente absurda era impedir o uso indiscriminado desse poder, tanto para evitar sobrecarga na produção quanto para manter o sigilo da ordem —afinal, se todos usassem abertamente a transformação, logo perderiam o segredo, violando os princípios do próprio Departamento dos Seres Anômalos.
Por isso, salvo em situações extremas, os soldados preferiam ferramentas restritivas para cumprir suas missões, como estavam fazendo agora.
Colocando o óleo verde em um pequeno saco, os três seguiram agachados pela trilha da aldeia de Luguang.
...