Capítulo 40: Maldição dos Demônios e Magia Profana

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 3512 palavras 2026-02-07 13:19:34

Uma pessoa lutando com todas as forças, nem dez conseguem detê-la!

Neste momento, Xang Yuan compreendia profundamente o significado desse ditado.

Enquanto Zhao Xian o agarrava desesperadamente pela cintura, Xang Yuan ergueu o braço e desceu o cotovelo, esmagando com força as costas de Zhao Xian.

A cada ruído surdo, sangue escorria pelo canto da boca de Zhao Xian, cujo rosto assumia uma cor escura e doentia, como um fígado de porco!

— Quero ver até quando você vai me segurar!

A dor lancinante na lombar fez Xang Yuan sentir um fio de perigo. Curvando os dedos como garras, como se domasse um dragão, segurou firmemente a espinha de Zhao Xian!

Sentindo a coluna presa, Zhao Xian mudou a expressão, pois mesmo transformado em demônio, se tivesse a coluna partida, perderia toda a força, como qualquer mortal.

— Raaah!

Quando percebeu que Xang Yuan estava prestes a quebrar-lhe a espinha, Zhao Xian soltou um urro selvagem de pura fúria!

A marca em sua testa, em forma de rei, tornou-se nitidamente distinta.

O rugido explodiu como um trovão ao lado dos ouvidos de Xang Yuan. Até o chão sob os pés dos dois tremeu com uma onda de energia!

A mente de Xang Yuan ficou em branco. Cambaleando, caiu sentado no solo, os ouvidos zunindo, a visão turva.

Após o rugido do tigre, Zhao Xian cuspiu uma golfada de sangue, misturada com fragmentos de órgãos internos. O terrível rugido, ao que parecia, também lhe causara danos.

Com esse rugido de força inacreditável, Zhao Xian derrubou Xang Yuan e não ousou hesitar nem por um instante.

Aproveitando que o adversário ainda estava atordoado, lançou-se sobre ele, dedos afiados mirando diretamente os olhos de Xang Yuan.

— Morra!

Gritando em sua mente, Zhao Xian fez a veia do braço esquerdo saltar.

Ele não pretendia apenas cegar Xang Yuan, mas arrancar-lhe o crânio, matando-o por completo!

Mas quando Zhao Xian se aproximou, com o rosto tomado pelo prazer da matança, Xang Yuan, que antes tinha um olhar vazio, recuperou a lucidez de repente, já livre do efeito atordoante do rugido!

— Como pode ter-se recuperado tão depressa?!

Zhao Xian arregalou os olhos, incrédulo de que Xang Yuan tivesse escapado da magia demoníaca tão rapidamente.

E quando seus dedos foram brutalmente torcidos e quebrados pelo recém-desperto Xang Yuan, Zhao Xian permaneceu boquiaberto de espanto.

Massageando os ouvidos, Xang Yuan ainda sentia medo ao recordar. Não fossem os poderes de regeneração do anel e o escudo sombrio, aquele rugido sinistro do tigre teria provavelmente desmaiado-o ali mesmo.

O poder das famílias influentes era, sem dúvida, traiçoeiro e difícil de prever!

O temor e a vigilância em relação a essas casas cresceram ainda mais em seu coração. Agachando-se, Xang Yuan agarrou o pescoço de Zhao Xian.

— Pergunto mais uma vez: onde está o antídoto do veneno demoníaco?

Com as duas mãos quebradas por Xang Yuan, Zhao Xian sabia que não tinha mais volta.

Permitiu ser erguido do chão como um rato morto nas mãos de Xang Yuan.

— O antídoto? Claro que existe, mas receio que você não viva para buscá-lo.

Com sangue nos lábios, Zhao Xian estava pálido, o rosto tingido de cinza, pois o poder demoníaco começava a se dissipar e a vida se esvaía.

Ciente de que seus minutos estavam contados, Zhao Xian não temia mais ameaças. Sem o antídoto, ele não sobreviveria de qualquer forma.

Nos momentos seguintes, Xang Yuan usou todos os métodos para torturá-lo, mas até o último suspiro, Zhao Xian não revelou o paradeiro do antídoto.

Com o rosto sombrio, desfazendo-se da forma zumbi, Xang Yuan sentiu um cansaço extremo tornar a respiração pesada.

Ignorando o desconforto, começou a vasculhar Zhao Xian. Os dois irmãos certamente tinham vindo para cumprir algum objetivo; talvez houvesse pistas em seus pertences.

Logo, Xang Yuan encontrou uma carta de pele de carneiro no embrulho nas costas de Zhao Gui. Parou no pátio silencioso e murmurou:

— Mansão dos Demônios... recrutamento...

...

Na manhã seguinte, fora dos portões de Linquan, Xang Yuan caminhava segurando as rédeas do cavalo ao lado de Zhao Jihong, por trilhas entre bosques. O vento farfalhava as folhas nas árvores.

A luz do sol filtrava-se por entre os ramos, desenhando manchas douradas no chão.

— E agora, o que pretende fazer? — indagou Xang Yuan.

— Só posso voltar para casa — respondeu Zhao Jihong, abatida, o rosto doentio após ter várias costelas quebradas por um soco de Zhao Xian.

Na noite anterior, após ser nocauteada por Zhao Xian, acordou e viu apenas Xang Yuan. O vil Zhao Xian parecia já ter partido.

— E você? — perguntou.

— Pretendo ir até Runan. Lá talvez encontre outro modo de curar o veneno — disse Xang Yuan, cuja situação era diferente da de Zhao Jihong.

O veneno em Zhao Jihong causava dor diária, mas não ameaçava sua vida. Em Xang Yuan, porém, era fatal em um ou dois meses.

— Então... aqui nos separamos. Que tenha boa viagem.

Zhao Jihong até desejava acompanhá-lo, mas seu corpo não permitia.

— Boa sorte.

Xang Yuan olhou para trás, lançou o chicote e, entre nuvens de poeira, desapareceu pela trilha na mata.

Vendo o homem de costas eretas afastar-se, Zhao Jihong tinha um olhar complexo.

Virando-se para as montanhas verdejantes à distância, tapetes de vegetação sob o sol já ofuscante daquela hora, ficou parada, pensativa...

...

Runan, Vila do Pequeno Rio.

Depois de dias de trilhas por montanhas e vales, Xang Yuan, acompanhado do cavalo, enxugou o suor do pescoço diante do marco de Runan gravado em pedra rubra à beira da estrada. Soltou um longo suspiro.

A carta encontrada com Zhao Xian revelava que a missão dos irmãos era reunir Xang Yuan e outros para caçar um fantasma em Linquan.

Na verdade, o objetivo era ingressar numa organização chamada Mansão dos Demônios.

Eliminar o Fantasma de Linquan e trazer seus olhos como prova!

Esse era o trabalho aceito pelos irmãos Zhao. Só cumprindo-o poderiam inscrever-se na Mansão dos Demônios.

Envenenado e com a vida em risco, Xang Yuan vasculhou Zhao Xian inteiro, mas não encontrou o antídoto.

Para sobreviver, restava-lhe apostar tudo e ir até essa misteriosa organização, procurada até pelos irmãos Zhao.

Talvez ali encontrasse uma chance de salvação!

Arrancando um pedaço de tecido já em frangalhos da calça, após mais de uma semana de marcha e noites ao relento, Xang Yuan não se tornara um selvagem, mas suas roupas já eram dignas de um mendigo.

Conduzindo o cavalo, adentrou o pequeno vilarejo nos arredores de Runan.

Apesar do traje esfarrapado, a postura de guerreiro feroz de Xang Yuan chamava a atenção dos moradores, todos curiosos com aquele estranho visitante.

— Bom senhor, sou apenas um viajante faminto. Poderia vender-me um pouco do arroz que sobrou e um balde de água para matar a fome?

Sem comer havia dois dias, o estômago de Xang Yuan roncava alto. Como praticante de artes marciais, sua fome era maior que a dos demais.

O velho sentado ao sol na porta de casa olhou para o corpo de Xang Yuan, forte como um urso ou tigre, e recuou assustado.

Mas, vendo a educação do rapaz, percebeu que não era alguém perigoso. Hesitou, depois acenou com a cabeça.

— Espere aqui, vou buscar.

Xang Yuan se alegrou e agradeceu.

Prendeu o cavalo a uma árvore próxima. Logo, o velho voltou com uma grande tigela de arroz branco e um balde de água fresca.

— A casa é humilde, só há esse arroz, sem acompanhamento. Tenho uns picles caseiros, sirva-se.

Já passava da hora da refeição, mas o velho ainda esquentara o arroz especialmente para Xang Yuan.

— O senhor é muito gentil. Só de comer já me sinto abençoado.

Ao ver o arroz, os olhos de Xang Yuan quase brilharam. Pegou a tigela e devorou tudo em poucos minutos.

O velho, surpreso com o apetite, exclamou:

— Santo Deus, que fome!

Com o arroz saciando o estômago, Xang Yuan largou a tigela, tomou o balde e bebeu a água de um só gole.

— Ahh! Que alívio!

Limpando a boca, arrotou satisfeito e, após procurar nos bolsos, tirou uma nota amassada de prata.

— Pegue, senhor.

Olhando em volta, para não chamar atenção, Xang Yuan enfiou a nota na mão do velho, pegou o cavalo e saiu apressado.

O velho ficou parado, atônito, depois de um tempo guardou a nota e sorriu, mostrando dois dentes resistentes e vivos.

...

Seguindo pela trilha da vila em direção ao norte, após mais de trinta léguas e atravessar a última montanha, surgiu diante de Xang Yuan uma cidade encaixada entre duas grandes elevações, com construções subindo pelas encostas, fumaça de lareiras e murmúrio de multidão.

A cidade parecia um tigre deitado entre montanhas majestosas, dominando meia encosta, revelando sua vastidão.

— Enfim, cheguei.

Sentou-se no chão e abriu um largo sorriso.

Runan era a segunda maior cidade de todo o condado de Bazhong, atrás apenas da capital, Jianye.

Se comparada ao sistema de cidades da vida anterior de Xang Yuan, sua terra natal Guangling equivalia a uma vila, Zhuyang seria uma cidade média, e Runan, logo abaixo da capital do condado, era uma metrópole de fato.

Uma verdadeira grande cidade!