Capítulo 37: Sinistro!

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 3686 palavras 2026-02-07 13:19:32

— Por que você veio? — Após um breve silêncio, Xang Yuan quebrou o clima que começava a ficar constrangedor.

— Por mim mesmo.

Ele ergueu a manga esquerda, revelando uma parte da pele coberta por um emplastro. Ao remover o curativo, um cheiro estranho invadiu imediatamente o nariz de Xang Yuan.

Olhando para a carne enegrecida e avermelhada no braço de Zhao Jihong, Xang Yuan franziu as sobrancelhas.

— Isso é...

— Veneno demoníaco.

— Por ter enfrentado um membro de uma família poderosa, fui envenenado dessa forma. Durante seis anos, a cada três dias, esse veneno se espalha por todo o meu corpo, me fazendo sentir como se milhares de formigas me devorassem, uma dor indescritível. Zhao Xian me prometeu que, ao final de tudo, me libertaria desse tormento, por isso estou aqui.

Xang Yuan jamais imaginou que Zhao Jihong também tivesse vindo colaborar com os irmãos Zhao devido ao veneno demoníaco, para concluir aquela prova sinistra e perigosa.

Ele fez um leve aceno com a cabeça.

— Então, no fim, somos companheiros de sofrimento.

— Ah, você também carrega veneno demoníaco? — O olhar de Zhao Jihong suavizou, conhecendo bem o martírio causado pelo veneno.

— Tive mais sorte que você. No meu caso, não dói tanto — respondeu Xang Yuan, indo até a janela do corredor e olhando para a rua deserta lá embaixo, com a voz grave: — Mas, pelo que sei, é mortal.

— No fim, a culpa é sempre daqueles nobres arrogantes — murmurou Zhao Jihong, com os olhos estreitos cheios de ódio. Seis anos de dor haviam transformado sua alma em um poço profundo e repleto de rancor.

Mas os descendentes das famílias poderosas estavam acima de todos, detinham forças que o povo só podia invejar. Por mais que odiasse, Zhao Jihong só podia suportar, sem meios de se vingar.

— Sim, são todos uns malditos — murmurou Xang Yuan, com os olhos semicerrados ao lembrar de sua infância, quando quase foi devorado por um tigre demoníaco, usado como isca por dois irmãos de uma família dessas.

Suas mãos cerraram-se tanto que, sem perceber, esmigalhou o parapeito da janela.

— O que estão fazendo vocês dois?

De repente, Zhao Gui surgiu no topo da escada, segurando um pedaço de pão seco amarelado. Seu olhar, afundado, passeava entre Xang Yuan e Zhao Jihong, como se os vigiasse.

— Nada, só conversando — disse Xang Yuan, caminhando até Zhao Gui.

Com seu porte imponente, Xang Yuan fazia Zhao Gui, mesmo sendo gordo, parecer pequeno diante de seu físico robusto.

Olhando de cima para Zhao Gui, Xang Yuan não demonstrou subserviência, apesar do antídoto contra o veneno demoníaco que os irmãos Zhao prometiam.

Primeiro, porque ele nem sabia se os irmãos realmente tinham o antídoto. Segundo, Xang Yuan sabia que, se mostrasse fraqueza, os irmãos iriam explorá-lo sem piedade. Demonstrando força, ainda podia manter alguma vantagem.

Zhao Gui ergueu levemente o queixo, encarou Xang Yuan por um instante, bufou e desceu as escadas sem dizer mais nada.

Não se sabia se era por evitar um confronto naquele momento ou por outro motivo qualquer.

Com a saída de Zhao Gui, Xang Yuan e Zhao Jihong trocaram um sorriso.

Bastaram algumas palavras para que, unidos pelo sofrimento causado pelos nobres, se tornassem mais próximos.

Na espera angustiante, o tempo passou lentamente.

O sol já estava quase se pondo. A outrora deserta e silenciosa Cidade de Linquan, com a retirada da luz, foi tomada por uma escuridão que invadia as ruas, trazendo um ar ainda mais sombrio a cada esquina.

Ao cair da noite, o grupo, já impaciente, saiu da estalagem em que descansavam e seguiu em direção à mansão visitada durante o dia.

Pelas ruas vazias, sem sequer um lampião aceso, só se ouvia o farfalhar dos passos. Nenhum miado de gato, nenhum latido de cão, o silêncio era tão absoluto que chegava a gelar os ossos.

Do bolso interno, Xang Yuan tirou uma tira de couro de boi e a enrolou na mão, sem saber o que enfrentaria a seguir. Esforçou-se para manter-se focado, esperando que não surgisse perigo impossível de enfrentar.

O trajeto, de menos de seiscentos metros, foi percorrido em poucos minutos.

Diante deles, a mansão parecia ainda mais sombria que de dia; cada sombra nas esquinas parecia esconder terrores profundos.

Os irmãos Zhao Xian e Zhao Gui se entreolharam, arrancaram o cadeado de bronze da porta e, em meio a um rangido aterrador, empurraram o portão.

Assim que o portão se abriu, uma lufada de vento gélido soprou direto sobre o grupo!

O vento era cortante, fazendo até mesmo Xang Yuan estremecer.

Quanto mais o jovem estudioso de rosto redondo, franzino, que ficou ainda mais pálido com o frio, o rosto perdendo toda a cor.

— Vamos entrar.

Zhao Xian respirou fundo, mordeu a ponta do adereço de jade na boca e tomou a dianteira, adentrando a mansão estranha e sinistra.

No pátio e nos fundos, encontravam-se mais de uma centena de pequenos pátios comuns.

Talvez pelo longo tempo sem moradores, os cantos e recantos estavam tomados por ervas daninhas de meio metro de altura.

O tanque no canto sudoeste estava coberto de musgo esverdeado.

Zhao Xian ergueu os olhos para a lua enevoada, murmurou algo indecifrável.

O pátio, vazio, permitia um olhar completo do ambiente.

Após uma breve averiguação, todos se voltaram para a casa de portas fechadas no centro.

A mansão não era grande. Além do pátio, havia duas alas laterais, uma em cada lado, e a casa principal parecia ter um segundo andar.

— Zhao Jihong, vá com Liu Ming conferir a ala oeste. Se virem algo estranho, avisem imediatamente.

— Xang Yuan, suba ao segundo andar.

A expressão de Xang Yuan se fechou ao perceber que teria que subir sozinho. Em ambiente tão estranho, agir sozinho nunca era bom sinal.

Mas Zhao Xian não demonstrava preocupação com sua segurança. Depois de dar as ordens, seguiu com Zhao Gui para a ala leste.

Zhao Xian e Zhao Gui foram para o lado leste; Zhao Jihong e o estudioso Liu Ming, para o oeste.

Restou a Xang Yuan encarar sozinho a casa principal à sua frente.

— Cuidado.

Ao passar por ele, Zhao Jihong murmurou. Entre os irmãos Zhao, que detestava, e o frágil Liu Ming, Zhao Jihong já via Xang Yuan como um amigo.

— Você também — respondeu Xang Yuan, olhando de relance para Liu Ming, dando a entender que, embora Zhao Jihong fosse acompanhado, o companheiro era pouca ajuda, talvez servisse como escudo humano em caso de necessidade.

Feitas as advertências, Xang Yuan recolheu o sorriso e foi em direção à casa principal.

— Trancada por dentro? — Empurrou a porta, que não cedeu devido ao ferrolho travado por dentro.

Aumentou a força, vigilante.

Com o aumento da pressão, ouviu-se um estalo. O ferrolho caiu, partido, e a porta se abriu devagar.

Diante do salão escuro, Xang Yuan tateou o casaco até encontrar uma pederneira. À luz trêmula, adentrou o salão.

O cheiro de mofo era intenso. As cadeiras, que deveriam estar organizadas, estavam tombadas pelo chão.

Por dentro, a casa parecia ter sido varrida por um vendaval — tudo em desordem, destruído.

Cauteloso, mesmo sendo habilidoso e protegido, Xang Yuan não baixou a guarda nem por um instante diante de tamanho ambiente sinistro.

Depois de vasculhar o salão e não encontrar nada de anormal, dirigiu-se aos fundos, onde encontrou a escada para o segundo andar.

A cada passo, o rangido dos degraus fazia arrepiar os cabelos de sua nuca. À fraca luz, mantinha-se atento ao topo da escada.

De repente!

No clarão amarelado, uma face grotescamente distorcida pela boca escancarada surgiu diante dele.

O coração disparou, o couro cabeludo formigou; por pouco não ativou de imediato sua arte secreta de zumbi verde.

Morto?

Olhando de perto, percebeu que o rosto aterrador era de um cadáver sem vida. O suor escorreu pela testa de Xang Yuan, e a inquietação só cresceu.

No segundo andar, havia outros corpos como aquele, de rostos contorcidos de terror.

Vasculhou o andar com a pederneira, mas, além desses corpos, nada de diferente encontrou.

Melhor descer.

O ar gélido parecia envolvê-lo. Xang Yuan estremeceu, pronto para descer.

De repente,

Uma gota de líquido frio caiu sobre a chama da pederneira em sua mão.

Sibilou.

A fumaça subiu — o fogo se apagou.

No exato instante em que a luz se foi, um rosto rígido, de olhos azulados e veias saltando na pele, surgiu diante de Xang Yuan.

...

Um estrondo!

Das alas leste e oeste ouviram-se o mesmo barulho.

Zhao Xian, Zhao Gui e Zhao Jihong correram para o pátio central.

Quando chegaram, uma sombra negra já rompia a porta do salão, caindo e rolando pelo chão do pátio.

Coberto de poeira, Xang Yuan ergueu-se do chão, ainda abalado.

No instante em que a chama se apagou e o rosto demoníaco surgiu, ele ativou sem hesitar a técnica do zumbi verde, destruiu o piso do segundo andar, caiu para o térreo, desfez a técnica e escapou da casa.

— O que aconteceu? Está bem? — perguntou Zhao Jihong, correndo até Xang Yuan, aflito com seu semblante assustado.

— Estou bem — respondeu ele, limpando a poeira da cabeça, olhando sério para o salão.

Em seu campo de visão, uma silhueta encurvada saía lentamente do breu.

— Peguem, tentem cravar na espinha dele! — exclamaram Zhao Xian e Zhao Gui, não assustados, mas animados, jogando para Xang Yuan e Zhao Jihong pregos de ferro manchados de verde e preto, de origem desconhecida.

Enquanto falava, Zhao Xian tirou o adereço de jade da boca e se preparou para o combate.

...