Capítulo 80: Eu ordeno que você leve o nome Pei!

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 8583 palavras 2026-02-07 13:20:28

Sentia-se uma vaga sensação de frio inexplicável, como se algo sombrio pairasse no ar. Pei Shuo, desconfortável, encolheu os ombros duas vezes e, voltando-se para Xiang Yuan, que permanecia imóvel como uma estátua, instigou com impaciência:

— Está esperando o quê?

O olhar frio e cortante de Xiang Yuan se dissipou, ele balançou a cabeça. No instante seguinte, ativou sua forma de cadáver azul.

A figura robusta e aterradora do cadáver surgiu, deixando o discípulo da família Pei surpreso, seus olhos percorrendo atentamente aquela transformação.

— Que linhagem peculiar.

— Seu sobrenome é Pei, não é? — Após ativar sua forma, a voz de Xiang Yuan tornou-se grave e rouca, reverberando com um timbre metálico.

— Exato, sou Pei Shuo — respondeu ele com um aceno, um tanto intrigado pela pergunta repentina.

— Não é nada. Vamos acabar logo com isso — confirmou Xiang Yuan, certo de que o oponente era mesmo um membro da família Pei, ocultando um escárnio em seu âmago.

Trovões ecoaram.

No solo, abriram-se duas crateras, uma maior e outra menor. Lobo e cadáver, rompendo a névoa com fúria avassaladora, dispersaram o nevoeiro ao redor com sua violência.

Um estrondo ressoou. Xiang Yuan, de olhar penetrante, abaixou-se, esquivando-se de um punho que irrompeu da névoa como um aríete de cerco.

Foi esse mesmo golpe que havia lançado Ye Shuang para fora da batalha momentos antes, eliminando-o.

Com a transformação, Xiang Yuan ficou menos ágil, mas sua força e defesa se multiplicaram. Esquivando-se do punho, agarrou o braço estendido do adversário, rugindo baixinho. Energia brotou de seu corpo, seus pés afundaram no chão, estilhaçando terra e pedra!

Com um movimento de sobrecarga, lançou o dono do braço com força brutal ao solo.

O rugido de dor reverberou ao redor.

Jogada ao chão por Xiang Yuan, a criatura de rosto costurado se reergueu agilmente, movendo-se como um vendaval, seus passos pesados faziam o solo tremer.

Uma sombra ainda mais veloz saltou, apoiando-se nos quatro membros, levantando um vento fétido — Pei Shuo, com a bocarra aberta em forma lupina, surgiu de um canto!

As garras, afiadas como lâminas, desceram cortando, espalhando sangue por toda parte; Pei Shuo urrava, seus braços transformados em sombras negras, dilacerando a face costurada com dezenas de cortes aterradores.

Um braço grosso varreu o ar, o vento soou pesado e cortante, atingindo em cheio a cabeça lupina.

— Vento Gelado!

O bíceps direito, inchado como serpente, protegeu sua cabeça; Pei Shuo inflou o peito e, da boca, expeliu um fluxo denso de ar gélido, como um dragão saído das profundezas do inverno.

O gelo atingiu o rosto costurado, baixando drasticamente a temperatura ao redor, fragmentos de gelo flutuavam até no ar.

Um gemido escapou.

Em um instante, o rosto ficou completamente congelado, a criatura sacudia a cabeça em desespero, tentando escapar daquele frio aterrador.

Mas Pei Shuo, disposto a suportar um golpe para não deixar o inimigo escapar, não cedeu.

Outro estrondo. O braço da criatura, pesado como martelo, golpeou a cabeça de Pei Shuo.

Um zumbido preencheu sua mente, sangue jorrou dos olhos e nariz, a corrente de gelo que soprava se enfraqueceu e sumiu.

Por trás, Xiang Yuan aproximou-se, cerrou o punho e, com músculos ondulando de força explosiva, desferiu um golpe devastador na cabeça congelada da criatura.

O gelo estalou e estourou em fragmentos.

A cabeça, já congelada e então atingida por força brutal, se despedaçou em mais da metade, restando apenas tiras de carne e pele presas ao crânio, como se uma fera tivesse devorado parte do rosto.

A criatura cambaleou para trás, urrando.

Gravemente ferida, arrancou a armadura de ferro do corpo, revelando uma carcaça coberta de correntes com ganchos.

Um vento frio.

Centenas de correntes brilhando ameaçadoramente irromperam do corpo da criatura costurada! Cada uma com a espessura do antebraço de um adulto, repleta de ganchos e farpas — ser fisgado por uma dessas seria pura tortura.

As correntes avançaram; Xiang Yuan, de olhos atentos, ativou ao extremo sua percepção sobre-humana.

A trajetória de cada corrente, sua distância máxima, possíveis desvios causados pelo vento… Todos esses dados intricados afluíram à sua mente como uma enxurrada.

Por meio dos nervos motores, tais informações foram transmitidas com precisão a cada músculo e tendão.

No meio daquela chuva de correntes, Xiang Yuan movia-se com precisão, desviando como se estivesse dançando, evitava cada ataque com destreza extraordinária.

— Caramba!

Também sob ataque, Pei Shuo arregalou os olhos lupinos ao ver a habilidade de Xiang Yuan.

Sem a percepção sobre-humana do outro, Pei Shuo, enquanto praguejava, foi atingido pelas correntes de ganchos reluzentes.

Sangue e carne voaram, a cena era grotesca.

Gritando de dor, Pei Shuo sofria, e quanto mais se debatia, mais as farpas das correntes dilaceravam seus ferimentos, tingindo seu pelo de vermelho.

Ao ouvir os gritos, Xiang Yuan esboçou satisfação.

No fundo, ver Pei Shuo tão miserável lhe dava prazer.

Mas ele não podia deixar o lobo morrer ali; sozinho jamais venceria o fantasma sombrio.

Com um suspiro profundo, seus olhos brilharam vermelho-escuros como um vulcão em erupção.

Sopro de Fogo Sombrio!

Diante daquele fantasma de grau avançado, Xiang Yuan lançou seu sopro com força máxima.

Diferente de antes, a labareda não se abriu em leque, mas formou uma língua de fogo concentrada e reta.

A cor das chamas passou do vermelho-escuro ao preto puro.

A chama intensamente quente cortou o ar, chiando, incendiando o ar e estilhaçando o solo sob seus pés.

No instante em que o fogo atingiu a criatura costurada, uma explosão de luz e calor irrompeu, as chamas subiram metros acima, o calor fez o ar estalar.

Envolto totalmente em fogo, o espectro gritava e agitava os membros em agonia.

Comparado ao gelo, o fogo era ainda mais letal aos fantasmas.

Rasgando as correntes ensanguentadas, Pei Shuo lançou-se sobre o inimigo, ignorando as chamas, golpeando cada parte do corpo da criatura com suas garras de lobo.

Seu pelo e carne queimavam e estalavam, transformando-se em carvão; Pei Shuo ergueu-se, uniu as mãos em forma de martelo e desferiu um golpe esmagador sobre o crânio do espectro.

Um estalo soou.

Fragmentos do crânio voaram, e uma impressão digital apareceu tenuemente.

— Achei!

Ao ver a marca, Pei Shuo sorriu de alegria.

Enfiou as garras afiadas no próprio peito, deixando escorrer sangue de demônio fervente sobre a impressão.

Um chiado soou.

O sangue lavou a marca, que se desfez lentamente até sumir.

— Ufa, vencemos!

Desabando do corpo da criatura, Pei Shuo rolou no chão, apagando as chamas que o queimavam e desfez a transformação demoníaca.

Retomando a forma humana, arfava, saboreando um breve alívio.

Lembrou-se: o outro rapaz ainda está desacordado. Depois, mataria-o e roubaria seu segredo para presentear a prima no aniversário!

Mal se livrara do perigo, Pei Shuo já tramava contra Ye Shuang.

Não se sabia se era de natureza perversa ou se as relações entre famílias e seitas eram assim mesmo, mas enquanto o jovem Pei tramava, uma figura carregada de intenção assassina avançava em sua direção.

Com um impulso, Xiang Yuan voou como um projétil sobre Pei Shuo, seus olhos ardendo em ódio.

— Que diabos você pensa que está fazendo?!

Sentindo o golpe iminente, Pei Shuo rolou para o lado, escapando de ser esmagado.

— O que acho? Acabar com você!

Após a falha na emboscada, Xiang Yuan desfez a forma de cadáver azul, perdendo força mas ganhando agilidade.

Alcançou Pei Shuo, os braços transformados em uma tempestade de socos e cotoveladas, chuva de golpes caindo sobre o herdeiro da família Pei.

— Seu… eu… maldito…

Exausto após a batalha, Pei Shuo só podia apanhar diante do ataque furioso de Xiang Yuan.

Sons de golpes e carne socando carne se sucediam.

Em pouco tempo, o rosto antes bonito de Pei Shuo tornou-se uma cabeça de porco inchada e ensanguentada.

Com expressão enlouquecida, Xiang Yuan espancava Pei Shuo, sentindo um prazer intenso.

— Vocês, nobres, não prestam! Isso é por me usarem de isca! Por me darem de comida a monstros! Por me jogarem como carne de abate! Por serem todos Pei!

Desabafando, ria e enumerava os pecados de Pei Shuo, mesmo que a maioria não tivesse relação direta com ele.

Mas não havia escolha; era culpa de seu sobrenome.

Como quando, ainda criança, fora escolhido como isca pelos irmãos Pei.

— Quando foi que eu… te usei de isca?! — Pei Shuo, no meio da surra, ergueu o braço para bloquear o golpe, berrando, o rosto coberto de sangue.

Ao ouvir a defesa, Xiang Yuan socou-lhe a boca, fazendo voar alguns dentes.

— Se eu digo que foi, então foi! Não tente se justificar! Maldito, você me irrita!

A mágoa e ódio acumulados durante anos explodiram, Xiang Yuan rugia, seus golpes cada vez mais pesados.

— Maluco!

Sem entender porque Xiang Yuan enlouquecera, Pei Shuo, para não ser morto ali mesmo, reuniu as forças restantes e ativou a transformação demoníaca.

Um uivo ensurdecedor ressoou, o lobisomem lançou Xiang Yuan para longe com um coice.

— Vou te matar!

A fúria de ter sido espancado o deixou cego de raiva, Pei Shuo lançou uma rajada gélida de sua garganta.

— Venha! Vamos ver quem mata quem hoje!

O jato de gelo cortante avançou; Xiang Yuan rugiu, seus olhos brilharam vermelho-escuro, inflou o peito e cuspiu uma torrente de chamas.

O quê?!

Ver Xiang Yuan, ainda humano, cuspindo fogo, deixou Pei Shuo atônito.

Impossível!

Ele não era um nobre!

Seria… um homem do bairro? Não, não tem o cheiro de segredo.

Que criatura é ele afinal?!

O fogo sombrio e o gelo colidiram; forças opostas se anularam numa explosão, desaparecendo.

Com o pó levantado pela explosão, a silhueta de Pei Shuo sumiu.

Mesmo os nobres não podiam manter a forma demoníaca para sempre; diante de um inimigo tão perigoso, ele precisava dosar cada grama de força.

— Apareça, vai fugir? No fim, todos esses nobres são covardes como ratos. Apanhou tanto, deve estar furioso, não? Venha, apareça. Estou parado aqui, pode me atacar. Venha!

— Foi você quem pediu! — Das costas de Xiang Yuan, Pei Shuo irrompeu com olhar assassino, os dedos em garra, cortando o ar como lâminas.

Xiang Yuan virou levemente a cabeça, captando Pei Shuo com o canto do olho, um sorriso despontou em seus lábios.

— Hehe, te peguei!

Usando a perna esquerda como pivô, esquivou da garra de Pei Shuo e, com mão poderosa, agarrou-lhe o braço.

Com força brutal, Xiang Yuan arremessou Pei Shuo ao chão.

Um estalo.

O solo rachou, pedras voaram, Xiang Yuan nem piscou.

O rosto de Pei Shuo foi arrastado no chão áspero, deixando carne e sangue; ele rosnava, olhos inflamados de ódio.

Um baque profundo irrompeu do peito de Pei Shuo, como o tambor de um gigante, pesado e surdo.

Sua pele ficou vermelha, o sangue rugia nas veias como um rio caudaloso.

Sentindo a força emergir no braço de Pei Shuo, Xiang Yuan olhou para baixo.

— Vai apostar tudo, então?

Outro baque.

Sorrindo, Xiang Yuan sentiu seu próprio peito vibrar no mesmo ritmo.

— Golpe das Três Barreiras: Ferida!

Gritando, ambos liberaram uma onda de sangue e energia.

A pele de Xiang Yuan e Pei Shuo ficou vermelha como ferro em brasa, o calor dissipou toda a névoa ao redor.

Veias e artérias saltavam, bombeando sangue, ativando o potencial oculto dos corpos.

Os músculos incharam, ambos cresceram diante do outro, Pei Shuo com olhos vermelhos, exalando ferocidade.

— Como você conhece o segredo das Três Barreiras da minha família Pei?!

A energia vital era tão intensa que uma luz vermelha brilhava na pele; Pei Shuo, boquiaberto, encarava Xiang Yuan no mesmo estado.

Naquele modo, Xiang Yuan era ainda mais aterrador que Pei Shuo!

Seus músculos estavam cheios de sangue, veias saltando, um verdadeiro motor de guerra despertando dentro de si; de seus poros, emanava uma névoa rubra.

De longe, parecia um demônio banhado em névoa de sangue.

Golpe das Três Barreiras — técnica secreta da família Pei.

Ao custo de sobrecarregar a vida, elevava-se o corpo a um patamar monstruoso, com três níveis: Ferida, Mutilação, Morte.

O poder de cada nível aumentava exponencialmente, assim como os efeitos colaterais.

Tanto potencial exaurido equivalia a um lento suicídio para qualquer criatura comum.

Por isso, na família Pei, era reservado a servos e, em parte, aos discípulos como último recurso.

No passado, Pei Yong viu Xiang Yuan como um jovem lutador promissor e o recompensou com o método.

Mas após sentir os efeitos nocivos, Xiang Yuan só ousara usar meia vez, nunca mais recorrendo.

Anos depois, diante de um membro da família Pei, ao vê-lo lançar mão da técnica, Xiang Yuan também a ativou, apesar dos riscos.

A névoa foi varrida pelo calor do sangue, desaparecendo.

No campo aberto, dois loucos envoltos em energia vital arfavam pesadamente.

Ambos avançaram ao mesmo tempo.

O solo explodiu, fissuras como teias de aranha se espalharam, e os dois colidiram como projéteis de canhão, engajados numa luta brutal.

Desviando do cotovelo esmagador de Pei Shuo, Xiang Yuan lançou a mão com força, mirando o flanco vulnerável do oponente.

Ao ser atingido, Pei Shuo rugiu de dor, tentando com as duas mãos esmagar o braço de Xiang Yuan.

Mas antes que pudesse agir, Xiang Yuan pressionou-lhe o peito com a outra mão.

Flor de Ameixeira Quebrada!

Com um giro do pulso, Xiang Yuan liberou uma energia oculta, parecendo um toque leve, mas com a frieza implacável da flor de inverno.

Pei Shuo cambaleou para trás, vomitou sangue, mas o calor ao redor evaporou o líquido antes que tocasse o chão.

— Você não pode me vencer!

De braços caídos, imponente, Xiang Yuan olhava friamente para baixo, com sua força e técnica superando Pei Shuo sob condições iguais.

Como um lobo ferido, Pei Shuo arfava, lançando a Xiang Yuan um olhar venenoso.

— Mentira!

Enfurecido, avançou já sem qualquer técnica, guiado só pela força bruta, disposto a lutar até a morte.

Idiota!

Com olhos gélidos, Xiang Yuan esquivava-se dos golpes, cada movimento preciso, como se traçado com régua.

Ele estava claramente brincando com Pei Shuo, deixando-o quase acertar, apenas para humilhá-lo.

Os socos de Pei Shuo perdiam força, seu rugido tornava-se rouco e desesperado.

De repente, Xiang Yuan segurou-lhe o punho.

— Cansei, hora de acabar.

Com um estalo, esmagou a mão de Pei Shuo.

Aterrorizante em sua forma de cadáver azul, Xiang Yuan sorriu, exibindo dois dentes afiados e um sorriso "gentil":

— Não se preocupe, não vai doer muito…

— Aaaaaah!

...

No canto sudeste da Cidade de Wan.

Uma figura arremessou-se contra um pequeno edifício, que desmoronou com um estrondo ensurdecedor.

No epicentro dos escombros, um ancião de pele escura e seca como um esqueleto tossia convulsivamente.

Seus olhos vermelhos fitavam o céu, cheios de ódio.

Do lado de onde o velho viera, dois jovens de roupas estranhas estavam em pé sobre os ombros de um minotauro de vinte metros.

O minotauro trajava armadura parcial e empunhava um martelo gigante cravejado de runas, cada passo deixava uma marca profunda no chão.

— Velho fantasma, pare de resistir. Acha mesmo que pode realizar o ritual humano diante de nós?

O jovem no ombro direito saltou do minotauro com leveza graciosa, pousando suavemente.

— Ora, se não fossem vocês me atacando em bando, não seriam páreos para mim! — respondeu o velho, com voz fraca, à beira do colapso.

— Aos vencedores, a coroa; aos derrotados, o opróbrio. Isso não importa mais agora.

Com um aceno, uma luz amarela brilhou em sua palma, e um talismã retangular apareceu entre seus dedos.

Com desenhos complexos deslizando pela superfície, o jovem caminhou em direção ao velho:

— Por sua culpa, dezenas de milhares morreram nesta calamidade no Rio Liao. Agora, vou levá-lo ao bairro, transformá-lo em servo morto-vivo, para nos servir eternamente!

Refletido em suas pupilas, o velho esqueleto viu a sombra do jovem se aproximar, e então riu alto:

— Moleque, acha mesmo que me pegou? Hoje, ainda que eu morra, levo vocês comigo!

Com expressão decidida, de repente estalos sinistros ecoaram de dentro do velho.

— Cuidado, ele vai se autodestruir! — gritou o rapaz do ombro esquerdo do minotauro, abrindo uma muralha luminosa à frente.

Um estrondo.

O corpo explodiu, um fedor insuportável tomou o perímetro de quilômetros, fazendo arder os olhos.

Enquanto os dois tapavam o nariz, um coração verde-jade translúcido voou aos céus, trazendo consigo a gargalhada do velho:

— Crianças, vovô vai embora por enquanto. Quando eu voltar, farei do condado de Bazhong um rio de sangue e corpos!

A voz se perdeu, o jovem do ombro esquerdo quis perseguir, mas foi impedido pelo companheiro.

Este, virando-se para o som de passos pesados que se aproximava, sussurrou:

— Esqueça, os da família Pei chegaram.

Logo, dois lobisomens colossais, um negro e um branco, chegaram.

— Para onde foi? — perguntou o lobo branco, olhos vermelhos cravados nos jovens.

— Fugiu — respondeu o jovem, dando de ombros.

— Fugiu? Para onde?

A imensa figura desapareceu, e um homem de barba curta e rosto sombrio se aproximou.

Erguendo o olhar para os olhos de Pei Dinghai, Ye Qingwen sorriu levemente:

— Não, sei, não.

O chão rachou sob seus pés, Pei Dinghai inclinou-se, aproximando o rosto ao de Ye Qingwen.

— Incapazes de capturar sequer um fantasma moribundo… para que vieram, afinal? Terceiro irmão, persiga!

Com a terra tremendo ao longe, Ye Qingwen suspirou aliviado:

— Se não fosse ordem do mestre, eu teria rasgado aquela boca.

— Deixe pra lá, os nobres sempre foram assim. A família Pei lutou vinte anos para capturar o velho fantasma e, no fim, falhou. Todo esse esforço em vão, devem estar rangendo os dentes.

O companheiro deu-lhe um tapinha no ombro, rindo.

Ao ouvir isso, Ye Qingwen sentiu-se melhor.

— É verdade, quem mais perdeu foi a família Pei. Nós só estamos aqui para observar, se ganharmos algo, ótimo; se não, nada perdemos.

Pulando de volta ao ombro do minotauro, Ye Qingwen disse:

— Agora que o velho fugiu, se a família Pei não conseguir recapturá-lo, devemos informar o mestre. Afinal, Bazhong tem milhões de inocentes; se aquele fantasma voltar, será uma catástrofe!

— Entendido, vamos embora.

O minotauro retomou o passo pesado, fazendo as construções tremerem com cada passada.

...

No ar, o coração de jade voava em alta velocidade, descrevendo um arco no céu.

— Aqueles marcadores deixados em mim foram quebrados; preciso sair daqui rápido e encontrar um lugar seguro para me recuperar.

Voava rumo aos arredores de Wan, mas ao passar sobre um terreno limpo, o dono do coração exclamou surpreso:

— O quê? Um cadáver aqui? Ótimo, se eu tomar esse corpo, poderei fugir com segurança usando as artes sombrias.

Decidido, o coração de jade ajustou a rota, descendo em linha reta ao "parente" abaixo.

...

Arrancando dois caninos do pescoço de Pei Shuo, Xiang Yuan cuspiu uma névoa de sangue.

O sangue dos nobres era como licor puro; ao beber, Xiang Yuan não só recuperou todo o sangue perdido, como sentiu um efeito embriagante.

De súbito, ouviu um objeto voando por trás; sem pensar, agarrou-o.

— O quê! É um artefato!

Atônito, viu o coração de jade em sua mão, emanando uma aura poderosa.

Um artefato caiu do céu, sozinho, direto para ele.

A energia exalada era assustadora.

Com os olhos semicerrados, extasiado, Xiang Yuan contemplou o coração.

Uma fortuna caída do céu!

Sem entender o motivo daquele presente, não hesitou: desfez a forma de cadáver azul.

Furando o dedo, preparou-se para gotejar sangue sobre o coração.

— Não! Não! Eu não suporto esse sangue puro! Não me mate, por favor, não me mate...

Atordoado, Xiang Yuan pensou ter ouvido um pedido de clemência.

Olhou ao redor, viu tudo vazio, e sacudiu a cabeça.

— Deve ser coisa da minha cabeça.

Gota a gota, o sangue caiu sobre o coração de jade, e o artefato brilhou intensamente à medida que a esperança do velho se extinguia.

Nesse instante, Pei Dinghai, que chegara pouco atrás, sentiu a última energia do velho!

Seu olhar cravou-se em Xiang Yuan, a mais de mil metros de distância; com o rosto distorcido, alargou os caninos e rugiu:

— Maldito, pare agora!

...