Capítulo 78: Lápide! Zumbi!

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 2453 palavras 2026-02-07 13:20:26

A outrora mais próspera Rua das Flores do Leste, em Cidade de Wan.

Um lobisomem de tamanho colossal, tão alto quanto um prédio de três andares, avançava com passos trovejantes pela rua, agora devastada e em ruínas. Seu corpo era coberto por uma pelagem alva como a neve, os olhos brilhavam num azul gélido, e da boca entreaberta escapava uma névoa branca como a geada.

— Velho espectro, saia de onde está.
Sua derrota é certa. Se vier comigo agora, poderá ao menos preservar um fiapo de consciência.
Se for capturado antes por aqueles do Pavilhão do Uivo Celeste ou da Fortaleza da Montanha de Gelo, sabe perfeitamente o destino que o aguarda.

A voz do lobo nevado ecoava lenta e pesada na névoa espessa, sumindo aos poucos até se dissipar por completo.

Que ossos duros de roer!

Diante do silêncio absoluto que persistia na bruma, o olhar do lobo nevado tornou-se feroz. Agora, tanto os homens da seita quanto os agentes do Departamento dos Demônios já haviam adentrado a cidade. Se não capturasse o velho espectro antes deles, então as quase duas décadas de esforços do clã Pei teriam sido em vão.

Irritado, o lobo nevado desferiu um golpe aleatório, derrubando uma fileira de casas, levantando uma nuvem de poeira que se espalhou por todo lado. Após extravasar sua fúria, apressou os passos, prosseguindo em sua busca pela sombria e aterrorizante cidade.

Seus passos pesados se distanciavam, ressoando cada vez mais longe.

Entre os escombros das casas destruídas pelo lobo nevado, a névoa rarefeita condensou-se, revelando a figura magra e frágil de um homem.

— Já encontraram os sacrifícios que fugiram? — indagou o vulto esguio, sem tirar os olhos do lobo nevado que se afastava, falando à névoa densa que o cercava.

— Dois já foram recapturados, ainda restam três à solta — respondeu uma criatura de rosto costurado e braços longos, saindo da névoa para se dirigir ao vulto.

— Tragam-nos de volta imediatamente! Cof, cof... — a voz rouca, quase sem vida, acompanhou-se de uma crise de tosse violenta.

— Às suas ordens, meu senhor. — Inclinando-se, o rosto costurado retrocedeu e sumiu na neblina.

Quando ficou sozinho, o vulto magro sentou-se devagar e pousou uma das mãos no chão.

Poucos segundos depois, o solo começou a tremer, como se algo colossal tentasse emergir das profundezas.

— Cof, cof, cof... — cobrindo a boca e tentando conter a tosse, o vulto magro cerrou o punho e golpeou o chão com força.

Estrondo!

Pedras e terra voaram, a superfície rachou.

No meio do violento tremor, uma pedra descomunal de tom escuro, coberta de musgo e lama, semelhante a uma lápide colossal, irrompeu do solo e ergueu-se com imponência.

O Rei Imortal dos Zumbis!

Na lápide, erguida reta e sólida a mais de dez metros do chão, quatro caracteres sinistros exalavam um odor gélido de podridão, difundindo ao redor um aterrador aroma de morte.

Erguendo o olhar para a lápide, o vulto magro esforçou-se para se pôr de pé, tremendo e cobrindo a boca.

— Desperte...

Recuando lentamente, desapareceu nas profundezas da névoa.

Crrrak...

O solo liso de repente se abriu, formando uma fina fenda.

Crrrak...

Crrrak...

Uma sequência de estalos, como fogos de artifício, soou por toda Cidade de Wan, milhares de rachaduras irrompendo simultaneamente no chão.

As fissuras se alargaram, transformando-se em bocas negras e ameaçadoras, de onde emanava uma aura sombria e arrepiante.

De súbito!

Uma mão apodrecida, faltando três dedos, esticou-se para fora de uma das fendas.

Logo em seguida, ao som de rangidos agudos, cadáveres decompostos, exalando um fedor pútrido e venenoso, começaram a sair do subsolo, um após o outro.

Bastaram poucos minutos para que todas as ruas e becos de Cidade de Wan fossem tomados por essas criaturas imundas.

...

Na névoa espessa, duas figuras corriam apressadas, sem saber ao certo para onde, tomadas pelo desespero.

Empunhando um grosso bastão de madeira, de origem incerta, Xiang Yuan mantinha todos os sentidos aguçados, explorando o ambiente ao máximo.

Um rugido abafado surgiu à frente, uma sombra negra saltou, e Xiang Yuan, com um movimento rápido, segurou Ye Shuang — que ainda tentava correr — e, erguendo o bastão, desferiu um golpe certeiro na cabeça da criatura.

O bastão desceu com força, cortando o ar com um assobio.

Estalo!

O crânio do zumbi explodiu, espalhando um líquido espesso e esverdeado por toda parte. Xiang Yuan desviou habilmente das borrifadas, mas Ye Shuang, menos ágil, acabou coberto pelo fluido fétido, que quase lhe entrou na boca.

— Ugh... — tomado de náuseas pelo odor, Ye Shuang empalideceu.

— Já é o oitavo. — O bastão nas mãos de Xiang Yuan começava a rachar; ele olhou para o cadáver decapitado no chão e jogou fora a arma inutilizada.

Desde que o chão começara a tremer e a se abrir em rachaduras negras, aquele era já o oitavo zumbi que encontravam.

O aparecimento dessas criaturas não só retardava a fuga dos dois como também, às vezes, os forçava a seguir por caminhos que não pretendiam trilhar.

— Corremos tanto e não encontramos ninguém, será que estamos indo...

— Espere, acho que... estou sentindo meu segredo. — Ye Shuang, ainda nauseado, interrompeu Xiang Yuan com um gesto.

Após se concentrar por um instante, o rosto do discípulo da seita ficou sombrio.

— Meu segredo foi levado pelo Senhor do Submundo, mas agora consigo senti-lo...
Talvez estejamos indo na direção errada, talvez tenhamos entrado direto no covil do Senhor do Submundo.

Seu rosto ficou tenso; Ye Shuang não esperava que, após tanto tempo andando, ele e Xiang Yuan estivessem indo justamente ao encontro do inimigo.

Caminhar para a armadilha?

A situação tornou-se delicada e constrangedora. Xiang Yuan massageou as têmporas.

— Xiang Yuan, ousa arriscar comigo? — Após breve hesitação, Ye Shuang animou-se e sugeriu uma nova ideia.

— Como assim? — surpreendeu-se Xiang Yuan, ao vê-lo subitamente entusiasmado.

— Se eu recuperar meu segredo, poderei localizar imediatamente os anciãos do nosso pavilhão.
Mas... — Ye Shuang não terminou, mas o sentido era claro.

Ninguém sabia se o Senhor do Submundo estava ou não em seu covil. Entrar ali agora significava arriscar-se a um encontro direto, cara a cara, com o próprio.

Por outro lado, com tantos zumbis na cidade, encontrar um salvador nesse caos, em tempo hábil, seria igualmente árduo.

— E então, arriscamos ou... — Ye Shuang olhou para Xiang Yuan, deixando a decisão em suas mãos.

Olhando para a névoa atrás de si e para o vazio à frente, Xiang Yuan encarou Ye Shuang com seriedade:

— Tem certeza de que, recuperando seu segredo, poderá encontrar seus anciãos?

Ao ouvir isso, Ye Shuang soube que Xiang Yuan havia tomado sua decisão.

Assentiu com firmeza.

— Tenho certeza!

Respirando fundo, Xiang Yuan voltou-se para uma loja próxima, arrancou uma vara de bambu, segurou-a nas mãos e disse:

— Então vamos.
Arriscar é melhor do que morrer exaustos nessa névoa!

...