Capítulo 44: Hehe, Constituição de Dois Pontos!
Primeiro, adicionou um pouco de água para hidratar Xiang Yuan, depois o homem de roupas simples retirou um pedaço de madeira para morder e colocou na boca de Xiang Yuan.
“A injeção anterior foi apenas um prelúdio, para preparar seu corpo para a verdadeira provação que está por vir.”
Pelo tom cauteloso do homem e pela presença da madeira, destinada a impedir que alguém, diante de tamanha dor, mordesse a própria língua, Xiang Yuan já podia sentir o quão severo e assustador seria o teste seguinte.
Mas agora, não havia mais volta. A flecha já estava na corda, e era chegada a hora de ser disparada.
Inspirando profundamente, Xiang Yuan assentiu com a cabeça, indicando que o homem podia começar.
Virando-se, o homem trouxe as seringas necessárias e as dispôs ao lado.
Diferentemente da primeira etapa, desta vez seriam necessárias cinco injeções!
“Esta aplicação é direcionada aos seus cinco órgãos internos. Vou injetar o soro, um a um, em cada órgão. A cada aplicação, a dor dobrará. Normalmente, seis ou sete entre dez pessoas conseguem passar pela primeira camada. Mas, entre cada cinquenta que superam a primeira etapa, apenas um resiste à segunda.”
Pegando a primeira seringa, o homem mirou na parte superior do abdômen de Xiang Yuan e, com precisão, cravou a agulha no baço.
Assim que o líquido foi injetado, uma dor dilacerante explodiu de seu baço, como se fosse rasgado por dentro.
Ofegante, Xiang Yuan tentou controlar a dor com a respiração, mas era inútil. A dor no baço só aumentava, fazendo o suor escorrer por todo o seu corpo.
“A segunda!”
Nem três batidas do coração após a primeira, o homem já preparava a segunda seringa, desta vez destinada aos pulmões de Xiang Yuan.
Um gemido abafado escapou de sua garganta. Assim que a agulha penetrou, seu corpo enrijeceu como uma tábua.
Agora, seus pulmões pareciam infestados de vermes minúsculos e dentados, devorando sua carne por dentro.
Pior ainda, a dor no baço não diminuía; ao contrário, intensificava-se. Duas dores distintas varriam seu corpo como um maremoto, um suplício digno dos infernos!
Eram apenas duas aplicações...
A respiração já se tornava exausta. Duas injeções haviam quase levado Xiang Yuan ao colapso. Se não fosse a madeira entre seus dentes, provavelmente teria mordido a própria língua na segunda injeção.
Terceira injeção: rins.
Uma dor ácida e entorpecente! Seu rosto se retorceu de maneira quase monstruosa, como se uma mão gigante torcesse e esmagasse seus rins frágeis.
Era uma dor indescritível, que misturava sofrimento puro e uma sensação paralisante.
Quarta injeção: fígado.
Uma dor aguda, como agulhas finíssimas perfurando seu fígado sem cessar. Não era uma dor explosiva, mas acumulava-se, como vermes corroendo ossos, ameaçando transbordar a qualquer momento.
Com quatro injeções, o suor de Xiang Yuan já formava poças sob a cama de ferro.
Com a última seringa na mão, o homem esperou. Segundo o protocolo, o corpo precisava permanecer consciente por quinze minutos após a quarta injeção antes da quinta.
Aqueles quinze minutos eram, por si só, um tormento indescritível.
O peito de Xiang Yuan arfava vigorosamente, ele cravava os dentes na madeira.
A ânsia pela vida o fez resistir ao sofrimento que parecia devorá-lo de dentro para fora, mantendo-se lúcido a todo custo.
Mas, à medida que o tempo passava, a dor também desgastava seu ânimo. Bastava sua vontade fraquejar para que desabasse no esquecimento.
Os lábios tremiam. Prestes a desmaiar, uma face despedaçada, tantas vezes esmagada em seus pesadelos, surgiu nitidamente em sua mente.
Pei Qing.
Com seis anos, ele sentiu a fúria e o rancor de ser vítima, a impotência diante do monstro-tigre, o medo, a revolta.
Essas lembranças, evocadas de propósito, explodiram em seu peito como dinamite.
Alimentado pelo ódio e pela obstinação, Xiang Yuan suportou, com dificuldade, os quinze minutos exigidos.
Então, a última seringa foi aplicada.
Quinta injeção: coração.
No instante em que a agulha penetrou o coração de Xiang Yuan, era como se um vulcão entrasse em erupção; todos os órgãos e vasos sanguíneos pareciam inundados por metal em brasa.
A substância misteriosa do soro começou a reagir, gerando uma força estranha e turva que se infiltrava nas profundezas de seu corpo.
Essa força era bizarra: provocou uma reação nos itens equipados por Xiang Yuan.
Primeiro, o anel de regeneração brilhou suavemente, mas logo se apagou. Depois, o colar de dentes de zumbi também reagiu, mas cessou.
Porém, quando o escudo Xuanming brilhou, aquela energia foi imediatamente atraída e, por um canal especial, absorvida pelo escudo.
“Ahhh!”
Incapaz de suportar a dor, nem mesmo a madeira pôde impedir Xiang Yuan de gritar em agonia.
Debateu-se violentamente; as correias que o prendiam à cama de ferro cravaram-se em sua carne.
Com os movimentos, as tiras dilaceraram sua pele e músculos, tornando a cena impossível de ser encarada.
Espumando pela boca, os olhos revirados, Xiang Yuan parecia tomado por um ataque epiléptico.
A dor ultrapassava sua capacidade cerebral; o excesso de estímulos neuronais fazia seu cérebro entrar em colapso.
A ruína total poderia acontecer no próximo segundo.
Já havia atingido o limite...
Vendo Xiang Yuan espumando e convulsionando, o homem de roupa simples sabia: o corpo humano chegara ao auge da tolerância à dor; se ela não cessasse, o cérebro entraria em pane irreversível.
Segundo seu conhecimento, o efeito do medicamento duraria cerca de três minutos.
Mas, com menos de vinte segundos, Xiang Yuan já apresentava sinais extremos. Não suportaria os dois minutos e quarenta restantes.
Observando Xiang Yuan se debater, ele calculou que, em cinco segundos, aquele homem perderia a vida.
Contou mentalmente: cinco, quatro, três, dois, um...
Estranhamente, ao final da contagem, Xiang Yuan não morreu. Seu corpo continuava convulsionando, espumando, em estado epiléptico.
Dez segundos... um minuto...
Após dois minutos, o queixo do homem já pendia de espanto.
Diante dele, Xiang Yuan permanecia num estado entre a vida e a morte.
Não morria, nem melhorava.
Na fronteira entre a existência e o fim, a resistência de Xiang Yuan era inimaginável.
O homem já presenciara outros superarem a segunda camada, mas apenas por extrema tolerância à dor, suportando o tempo necessário.
Xiang Yuan, porém, não possuía essa resistência. Era pura obstinação, pendurado no abismo mortal por pura teimosia.
Talvez, no instante seguinte, ele escorregasse e caísse no abismo.
Mas, por ora, ele ainda respirava.
Nesse estado inédito, Xiang Yuan resistiu heroicamente aos três minutos finais.
Gradualmente, as convulsões e vômitos cessaram.
O homem limpou-lhe o suor e os resíduos com uma toalha, levantou suas pálpebras para conferir.
Ainda estava vivo.
Só depois de mais de dez minutos, Xiang Yuan recobrou a consciência, meio atordoado. Primeiro, olhou em volta, depois soltou uma risada rouca.
“Porra, consegui de novo.”
Quase sem acreditar no que havia passado, Xiang Yuan virou o rosto para o homem ainda absorto em pensamentos e sorriu largo.
No segundo seguinte, ao soltar o ar, Xiang Yuan percebeu duas linhas de texto flutuando diante de seus olhos:
Constituição +1!
Constituição +1!
Dois pontos de constituição?!
Os olhos arregalaram-se diante da surpresa. Toda a frustração e insatisfação pela seleção sumiram como fumaça.
“Sua resistência me fez testemunhar um milagre impossível”, disse o homem, olhando sério para Xiang Yuan, ainda fraco, mas sorrindo.
Vontade inabalável, vitalidade indômita.
Em todos os anos na Mansão dos Demônios, era a primeira vez que o homem admirava tanto a perseverança de alguém.
Após organizar a bancada, afastou a cortina e saiu do quarto.
No salão externo, outros homens de roupa simples também iam saindo de seus aposentos.
“Como foi?”, perguntou o gerente Tian, sentado numa cadeira de madeira entalhada, dedilhando um sapo de ouro, em voz baixa.
Um a um, os homens relataram o resultado dos candidatos.
Após duas rodadas de injeção, dos nove selecionados, apenas três resistiram a ambas.
Dos outros seis, dois tornaram-se vegetais já na primeira etapa. Os quatro restantes, na segunda rodada, morreram de encefalopatia causada pela dor extrema.
“Três, hein?”, comentou o gerente, com um brilho nos olhos, acenando com a cabeça.
Já ouvira que o novo medicamento era muito instável.
Calculava que, se um ou dois passassem, já seria bom. O resultado o surpreendeu.
...