Capítulo 5: Será que eles já provaram?

Equipamento Divino de Seis Slots Senhor do Sol 3853 palavras 2026-02-07 13:19:01

Quando a noite chegou ao seu auge, os olhos de Xiang Yuan já ardiam de tanto forçar a visão, e o sono se tornava um inimigo impossível de conter. Na porta do casebre em ruínas, uma silhueta magra e esquálida aproximava-se lentamente...

Os olhos arregalados, fundos e negros, o rosto pálido com um leve tom azulado davam ao homem que ali surgira um aspecto extremamente sinistro. Xiang Yuan, que lutava contra o sono e mal conseguia manter a cabeça erguida, notou, de relance, a presença daquela sombra adicional à entrada.

Num instante, o sono se dissipou por completo. Xiang Yuan saltou em pé, o olhar tomado de nervosismo, fixando o estranho à porta, e perguntou com voz trêmula:

— Quem está aí?!

Os olhos vazios e sem brilho do homem pareciam dois sinos de bronze. Alto e magro, ele deu um passo largo para dentro da cabana e, estendendo o braço, tentou agarrar Xiang Yuan!

O que estava acontecendo?

Já chegou atacando de imediato?

Não era para tentar enganar primeiro?

Aparentemente, julgando Xiang Yuan apenas uma criança indefesa, o estranho, tão fantasmagórico quanto um espectro, avançou sem dizer uma só palavra. Assustado a ponto dos cabelos se ouriçarem, Xiang Yuan se abaixou rapidamente, refugiando-se debaixo da mesa.

Vendo o pequeno se esconder ali, o homem também se curvou para apanhá-lo.

— Toma essa! — gritou Xiang Yuan, e, sem hesitar, desferiu um soco no rosto do estranho.

Com um baque seco, o homem tombou para trás, levando a mão ao rosto! Xiang Yuan, com o punho dolorido e os dentes cerrados pela dor, saiu debaixo da mesa. O golpe que acertara no rosto do estranho lhe parecera como bater numa enorme pedra de gelo: duro e gelado, a ponto de causar formigamento!

Ao ver o homem caído, Xiang Yuan disparou para fora da cabana! Naquele momento, nada era mais importante do que salvar sua própria vida. Só pensava em fugir!

Porém, quando já tinha uma perna para fora da porta, duas mãos grandes, frias e vigorosas agarraram seu tornozelo esquerdo, puxando-o de volta com brutalidade!

Bum!

A força do homem era descomunal; segurando o tornozelo de Xiang Yuan, arremessou-o ao chão com violência!

O rosto se encontrou dolorosamente com o solo, e uma ardência intensa tomou conta de Xiang Yuan, enquanto duas linhas quentes de sangue escorriam de seu nariz.

Depois de derrubá-lo, o estranho o virou de barriga para cima e apertou-lhe o pescoço com mãos gélidas!

— Urgh! — Sem conseguir respirar, Xiang Yuan sentiu a vista escurecer, as mãos debatendo-se no ar em desespero.

Apesar do treinamento recente, que lhe dera força e resistência muito além dos meninos de sua idade, Xiang Yuan era incapaz de se igualar àquele homem sinistro.

O ar em seus pulmões se esgotava e seu rosto assumia um tom roxo-escuro. No limiar do sufocamento, Xiang Yuan pôde ouvir seu próprio coração batendo cada vez mais devagar.

À beira da morte, uma gota de sangue que escorria de seu nariz deslizou pela face e caiu sobre a mão do agressor!

Um grito lancinante soou, abrupto e doloroso. O homem soltou Xiang Yuan, rolando pelo chão como um peixe fora d’água, contorcendo-se em sofrimento extremo!

O que era aquilo?

Xiang Yuan, em pânico, arrastou-se para longe, observando atônito o estranho se debater e gritar. Notou que das mãos do homem subia uma fumaça branca. Teve um estalo e tocou o sangue em seu próprio pescoço.

Agora entendi, é o sangue!

Sangue de criança, sangue puro!

Na sua terra natal, corria a lenda de que urina de menino afugentava espíritos, e sangue de criança destruía fantasmas!

Os olhos de Xiang Yuan brilharam. Para testar sua hipótese, ele lambeu o sangue que ainda restava no nariz, misturou com saliva e cuspiu no rosto do agressor.

Chiiii!

Como suspeitava, o sangue puro agiu como ácido forte. O rosto do homem queimou e se desfez, os globos oculares pendendo até a boca, numa cena horrenda!

Vendo que o sangue funcionava, Xiang Yuan lambeu rapidamente mais algumas gotas e preparou-se para atacar novamente.

Mas, nesse instante, o estranho, ainda contorcendo-se, reuniu forças e, aos tropeços, fugiu da cabana, desaparecendo na noite escura.

O estranho fugiu, e o menino de seis anos, sem coragem de perseguir, desabou no chão. O consumo extremo de energia e o terror vivido faziam seus ouvidos zumbirem e a visão turvar.

O nariz machucado já começava a se curar, graças ao anel milagroso, mas o medo só aumentava.

Aquele homem... seria um fantasma?

A imagem do rosto corroído pelo sangue puro ainda pairava em sua mente. Se fosse humano, com ferimentos tão graves, não conseguiria nem se levantar, quanto mais fugir.

Primeiro fantasmas, depois monstros.

Achava que estava num mundo normal, mas assim que percebeu algo estranho, os terrores surgiram um após o outro.

Reclamando da própria má sorte, Xiang Yuan levantou-se e bateu o pó das roupas, temendo que mais criaturas pudessem aparecer.

Não ousou fechar os olhos por um instante durante toda a noite, mantendo o olhar fixo na porta, receoso de que outro ser assustador surgisse.

Felizmente, desta vez, seu medo foi em vão.

Com a chegada do sol e o desaparecimento da noite, todo o ar sombrio e aterrador se dissipou.

Só então o menino pôde respirar aliviado, comeu um pedaço de pão duro com um pouco de água fria e, enfim, repousou os olhos por um breve momento.

...

Salão dos fundos da administração do condado de Guangling

Meng Hongjun recebeu dois homens de túnicas simples com um largo sorriso.

— Senhores, por favor, acomodem-se.

Zhenjie retribuiu o gesto com um leve sorriso:

— Agradeço, senhor Meng.

Com todos sentados, Meng Hongjun mandou servir chá e, inclinando-se ligeiramente, perguntou:

— O que traz vossas senhorias a Guangling?

— Ouvi dizer que ocorreram vários assassinatos brutais por aqui. Vim oferecer minha ajuda para capturar o criminoso responsável — respondeu Zhenjie em tom baixo.

— Vieram também atrás do assassino?

Meng Hongjun se mostrou surpreso, não esperando que os monges Zhenjie e Zhenfa tivessem o mesmo objetivo.

— Também? Então há outros... — Um calafrio lhe percorreu o peito, e Zhenjie logo indagou:

— Sim, há poucos dias chegaram os irmãos Pei, também em busca do criminoso, munidos de um decreto imperial — revelou Meng Hongjun.

Os dois monges trocaram olhares, sentindo o peso de estarem atrás dos irmãos Pei:

— Senhor Meng, os irmãos Pei já agiram em Guangling?

— Sim, reuniram todas as crianças da cidade. No início, não fizeram nada. Mas depois levaram o terceiro filho da família Xiang...

Meng Hongjun, que tinha boa relação com Xiang Munan, já ouvira rumores do que os irmãos Pei pretendiam. No entanto, por possuírem mandato imperial, nada pôde fazer para impedi-los.

Os irmãos Pei lhe explicaram anteriormente que crianças de cinco a doze anos tinham coração e fígado especialmente saborosos.

Mas como eles sabiam disso?

Será que já haviam provado?

...

Após algumas perguntas cruciais, Zhenfa e Zhenjie despediram-se e saíram rapidamente da administração.

— Aqueles irmãos são cruéis demais, usando crianças como isca! Não são humanos! — Zhenfa não escondeu o desprezo, cuspindo no chão.

— Os irmãos Pei já estão fora da cidade há dois dias com o menino. Precisamos encontrá-los rápido, talvez ainda haja esperança para a criança — ponderou Zhenjie, mais calmo e racional.

Decididos, partiram apressados, iniciando uma busca pelos arredores de Guangling em busca dos irmãos Pei e de Xiang Yuan.

...

A noite caiu devagar.

Uma nuvem passageira cobriu a lua, tornando sua luz difusa e enevoada.

Apoiado numa das colunas do casebre, Xiang Yuan reagia a qualquer pequeno ruído lá fora com extrema tensão.

Durante o dia, pensou inúmeras vezes em fugir, mas sempre que se arriscava a sair, sentia um olhar tão intenso e ameaçador que suava frio e sentia o couro cabeludo arrepiar.

Era como se, ao dar mais um passo, a morte se abatesse imediatamente sobre ele.

Não precisava nem adivinhar: era culpa daqueles dois malditos irmãos.

Sem chance de escapar, Xiang Yuan resignou-se a ficar na cabana, vendo a luz do dia desaparecer e a noite cair, pouco a pouco...

O tempo arrastava-se devagar. A espera angustiante e o medo constante deixavam sua boca seca.

De repente!

Ao perceber algo estranho, Xiang Yuan arregalou os olhos e olhou para a porta.

Naquele instante, o canto incessante dos insetos do lado de fora cessou abruptamente.

O mundo mergulhou num silêncio aterrador.

...

Passos suaves soavam cada vez mais próximos, pisando na relva do lado de fora.

Engolindo em seco, Xiang Yuan fitava a escuridão, nervoso.

Um cheiro forte e metálico invadiu o ar, e, sob a luz pálida da lua, uma sombra gigantesca aproximou-se da cabana.

Boom!

Um estrondo ensurdecedor ecoou!

A parede podre do casebre foi derrubada por uma pata de tigre grossa e afiada!

Diante de Xiang Yuan surgiu um tigre colossal, com mais de quatro metros de comprimento, pelagem branca listrada de negro, olhos azuis faiscantes e presas proeminentes — uma fera monstruosa saindo da poeira.

O olhar selvagem do animal fixou-se na pequena cabana.

Acabou-se...

Ao ver o corpo gigantesco do tigre demoníaco, o coração de Xiang Yuan disparou. Diante de tamanho adversário, não via a menor chance de resistir. Se o sangue de criança afugentava fantasmas, contra aquele tigre vivo, não passava de ketchup!

A saliva viscosa escorria dos cantos da boca do tigre, pingando no chão. Uma presa tão viva e saborosa fazia a fera salivar de desejo, pronta para devorá-lo num só bote.

Ainda assim, o instinto do animal lhe inspirava cautela. Olhando ao redor, o tigre avançava lentamente em direção a Xiang Yuan!

Quanto mais se aproximava, mais opressiva era a sensação de sufoco. As pernas do menino tremiam descontroladamente; diante de tal monstro, não ter urinado nas calças já era uma proeza de coragem.

A criatura passou a língua vermelha e áspera pelos lábios, encarando Xiang Yuan a poucos passos de distância. Incapaz de conter o desejo pela carne tenra, o tigre lançou-se em um salto, rugindo ferozmente.

A sombra colossal cobriu o menino, e suas pernas pareciam presas ao chão, incapazes de mover-se.

Sentindo o vento animalesco, Xiang Yuan fechou os olhos com força e agachou-se, protegendo a cabeça.

Mas naquele instante, uma voz estrondosa o arrancou da apatia e do terror:

— Monstro vil, atreva-se a agir com insolência!