58 A Jovem com Faca (1) – Por Favor, Curta e Recomende
A direção era fácil de identificar; muitas pessoas se amontoavam ao redor para assistir ao espetáculo, incitando-se mutuamente, embora nenhuma ousasse se aproximar. O Lielo abriu caminho entre a multidão e avistou a jogadora que havia publicado a missão.
Era uma jovem do Leste Asiático.
Com cabelos pretos, médios e bem cuidados, entremeados por uma faixa vermelha, seus traços delicados eram raros mesmo entre os povos daquela região. O que mais chamava atenção era o leve sorriso que seus lábios carnudos e rubros esboçavam, levemente curvados para cima, transmitindo uma ponta de impaciência. Seus olhos amendoados, belos como pinturas, lançavam olhares distantes e frios para os jogadores ao redor.
A jovem vestia uma blusa preta justa que realçava seu pescoço esguio, coberta por uma túnica cerimonial vermelho e preta de corte singular que delineava seu corpo gracioso. Suas pernas firmes estavam envoltas em meias pretas, complementadas por sapatos de salto alto igualmente escuros.
Ao seu lado repousava sua arma: uma espada reta branca, de lâmina fina e adornada com desenhos intricados.
Os jogadores comentavam entre si, respeitosos diante daquela arma. A jovem havia derrotado com facilidade vários jogadores de elite de nível 9 MAX, mesmo parecendo que sua espada servia mais para enfeite do que para combate.
— Em toda essa vasta Aelonxio, não há alguém mais formidável? — suas palavras saíram com um tom doce, semelhante ao canto de um sabiá.
Seu olhar desdenhoso varreu os presentes; nenhum ousou responder, todos abaixaram a cabeça. Embora irritados, nada podiam fazer, já que todos que haviam enfrentado ela foram facilmente derrotados.
— Eu esperava que Aelonxio estivesse mais forte atualmente... que decepção... — um sorriso enigmático surgiu nos cantos de seus lábios.
Lielo direcionou o olhar para o quadro de missões atrás dela.
“Missão Especial: Procurar o Companheiro Mais Forte”
“Se tem confiança, desafie-me sozinho; quem não resistir três segundos, caia fora! Preciso de um mestre que possa passar pela Torre dos Escolhidos em dupla, não de fracos!”
“Requisitos: Guerreiro de nível 9 que ainda não tenha ultrapassado a Torre dos Escolhidos.”
“Recompensa: Nenhuma! Venha se quiser!”
Lielo contraiu os lábios, sem saber quão poderosa ela era realmente, mas aquela personalidade audaciosa e desafiadora era impressionante.
Ele também lembrava que missões sem recompensa não eram permitidas no quadro; como aquela jovem havia conseguido registrar a sua?
Um leve interesse despertou em Lielo — não pelo charme da garota, mas pela possibilidade de que, se ela fosse realmente tão forte e precisasse passar pela Torre, poderiam unir forças e juntar-se ao time que ele estava formando.
Pensando nisso, Lielo deu alguns passos à frente, aproximando-se da jovem.
A chegada de um novo desafiante animou os jogadores; embora duvidassem da habilidade de Lielo, franzino e magro, era bom ver alguém se levantando para desafiar, o que aliviava a tensão da plateia.
A jovem notou a aproximação dele, observando-o com um olhar divertido.
— Olá, sou do Bando Tulipa Negra e estou recrutando guerreiros fortes que possam passar rápido pela Torre dos Escolhidos. Talvez possamos unir forças e lutar pelo mesmo objetivo — disse Lielo, tentando convencê-la a juntar-se ao seu time — Eu também preciso passar rápido para conseguir a Medalha do Destino!
Ela lançou um olhar avaliador, bufou, segurou sua espada reta, levantou-a lentamente e bateu com o cabo no quadro de missões.
Lielo coçou a cabeça, confuso; estaria ela rejeitando sua proposta?
— Já tenho cinco membros fortes no meu time, se quiser entrar... — começou ele, mas foi interrompido pela jovem que estreitou seus belos olhos amendoados.
— Vai lutar ou não? — perguntou ela.
Lielo estava prestes a responder quando percebeu algo surpreendente: aquela frase não foi dita em francês, nem passou por um tradutor automático. Ele entendeu perfeitamente.
Era mandarim.
Surpreso, Lielo perguntou timidamente:
— Você é chinesa?
— Chega de conversa fiada! Vai lutar ou não? Se não, saia daqui! — respondeu ela, com uma atitude fria, sem sequer demonstrar alegria por encontrar uma conterrânea.
Lielo ficou sem palavras, quase engasgando, então decidiu não prolongar o embaraço e respondeu:
— Vou lutar! Mas se eu ganhar, você deve entrar no meu time!
Um sorriso zombeteiro surgiu no rosto dela. Empunhando a espada, ela levantou-se sozinha e dirigiu-se ao campo de treinamento.
— Ganhar? Você sonha demais, novato! — disse ela.
Lielo ficou surpreso por ela ter identificado sua classe, mas mais do que isso, sentiu um fogo interior. Afinal, sua força de combate era respeitada entre os iniciantes; ser desprezado por uma suposta compatriota só aumentava sua determinação. Ele pensou consigo mesmo: “Vamos ver quem é melhor!”
A multidão de espectadores, ansiosa por entretenimento, seguiu os dois até o campo de treinamento.
A guilda dos mercenários tinha uma área destinada a duelos. Os dois posicionaram-se e, ao ativarem o círculo mágico embutido no local, foram envoltos por uma aura protetora.
Lielo não quis subestimar a adversária, sacou sua espada milenar, o semblante sério encarando-a. Afinal, ela já havia derrotado vários jogadores poderosos; prudência era essencial.
A jovem inclinou-se levemente, assumindo a postura para desembainhar a espada. O vento agitava seus cabelos ao redor do rosto, sua expressão séria denunciava que não pretendia facilitar só por serem compatriotas.
Lielo sentiu uma pressão sutil na postura dela. Era estranho: apesar das sandálias de salto alto pouco adequadas para combate e da espada ainda embainhada, ele sentia a lâmina afiada direcionada a ele.
Era muito forte! Pensou ele, apertando firme o cabo da espada.
Sem hesitar, no instante em que o cronômetro zerou, ela desembainhou a espada com um movimento rápido. A lâmina reluziu com um brilho frio, e uma estranha onda de energia foi disparada!
Lielo, atônito ao ver a jovem atacando a cerca de dez metros, perdeu-se por um instante, mas seu instinto de batalha o fez reagir rapidamente, erguendo sua espada horizontalmente para bloquear o ataque.
— Clang!
Embora nada visível estivesse ali, o som metálico de lâminas colidindo ecoou!
Magia? Lâmina de energia? Não! Aquela sensação não podia ser uma lâmina de energia!
Sem tempo para pensar, a jovem avançou cortando o ar repetidamente, a lâmina cintilava enquanto ondas de energia pareciam surgir do vazio, atacando Lielo por todos os lados, inclusive por trás!
Lielo brandia sua espada, defendendo-se das investidas invisíveis, passando por um momento difícil, mas conseguindo resistir aos ataques surpresa.
— Uau! Ele conseguiu bloquear! — os espectadores ficaram maravilhados.
— Até o rápido espadachim Eduardo só aguentou até o terceiro golpe; quem é esse cara? Como consegue resistir tanto? — comentavam, boquiabertos enquanto Lielo se movimentava, o tilintar metálico persistindo no ar.
— Parece que ele é o novo capitão do Bando Tulipa Negra, e é chinês! — alguém que havia visto as missões de Mint e Lielo comentou.
— Ambos são chineses? Desde quando os chineses ficaram tão poderosos? — duvidavam alguns jogadores, impressionados com a técnica de combate dos dois jogadores de nível 9 oriundos da China.
— Clang! — mais uma defesa contra um ataque invisível, desta vez vindo por baixo das costelas. Finalmente, a aura assassina cessou. Lielo suspirou aliviado e apontou a espada para a jovem, que estava a mais de dez metros.
Ela já recolhera a lâmina à bainha, arqueou uma sobrancelha e bufou:
— Você até que é melhor que aqueles que só falam e não fazem nada!
— Muito melhor! — Lielo piscou, sorrindo com orgulho para a jovem.