03 Início da Conquista (2)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 3012 palavras 2026-02-08 16:54:23

No mundo real, Imor jamais teria essa velocidade e força, mas ali era “Armadura Fantasma”! Após uma noite inteira de batalhas intensas, Imor já dominava completamente o controle do membro ilusório. No exato instante em que o monstro surgiu, ele reagiu de imediato: sacou a espada, avançou e posicionou a lâmina na vertical — tudo para evitar que o sangue negro nojento espirrasse por toda parte —, desferindo um golpe violento na direção da criatura!

O impacto soou cristalino, pois o monstro era minúsculo e colidiu contra o aço, mas... não havia terminado! Com um grito, Imor concentrou toda sua força e, como se arremessasse uma bola de tênis, acertou a criatura no chão com violência. Ela quicou vários metros para o alto e, ao final, rodopiou e se espatifou contra a parede, escorregando até o solo.

A agilidade e o furor de Imor deixaram boquiabertos os membros da Companhia Tulipa Negra. Mint, assustada, foi a primeira a reagir, arrancando o arco e disparando três flechas em sequência. Para surpresa de todos, porém, o monstro não pareceu minimamente afetado pelo ataque de Imor. Em uma velocidade surpreendente, fugiu pelo leito seco do córrego e sumiu de vista em um piscar de olhos.

“Para o leste! Está correndo para o leste! Interceptem-no!” Lucas, que observava de um ponto elevado, viu para onde o monstro foi e gritou, causando um alvoroço entre os companheiros.

“Acabem com ele, agora!” Mint ainda trêmula, berrava furiosa, revelando todo seu espírito combativo.

“Que tipo de criatura é essa? Nem sentiu o golpe? Devia ter decapitado logo com a lâmina...” Imor resmungou, incomodado ao perceber que o monstro continuava praticamente ileso.

“Obrigada, Fogo Ardente!” Mint agradeceu a Imor, ainda um pouco assustada.

“Uma pena que não morreu.” Imor deu de ombros.

Curien, ao lado, permanecia em silêncio, puxando o pequeno bigode e franzindo as sobrancelhas, pensativo.

“Fogo Ardente, você já encontrou esse tipo de monstro antes?” indagou Curien.

“Não, é minha primeira vez,” Imor balançou a cabeça, “Se eu tivesse encontrado dessas criaturas antes, provavelmente não teria escapado tão facilmente.”

Curien assentiu. “Se eu não estiver enganado, teremos problemas daqui para frente.”

Imor e Mint trocaram olhares preocupados.

“Esse monstro se chama Pequeno Demônio Rancoroso. É extremamente veloz, agressivo e, devido à sua constituição, é totalmente imune a ataques contundentes — por isso o seu golpe, Fogo Ardente, não surtiu efeito. Em si, não é difícil de lidar: bastando limitar seus movimentos, um punhal comum basta para decapitá-lo.” Curien buscou a imagem no seu PDA e mostrou aos dois. “O problema não é o Pequeno Demônio Rancoroso em si, mas o que ele pode representar.”

“Essas criaturas têm uma audição aguçada e, nas profundezas, costumam servir como batedores. Se for selvagem, não há muito com o que se preocupar, mas se estiver sob o controle de um Grande Demônio Rancoroso…” Curien virou a página, mostrando a ilustração de um demônio semelhante, mas muito mais alto e magro. “Grandes Demônios Rancorosos normalmente são criados por demônios de alto escalão ou por magos do abismo, e usados como olhos e ouvidos. Se for o caso, esta fortaleza está além de nossas capacidades.”

Curien fechou o PDA, visivelmente preocupado.

“Bem… pode não ser tão ruim assim, talvez fosse só um selvagem!” Mint tentou consolar.

“Difícil dizer…” Curien ponderou. “Se Fogo Ardente tivesse enfrentado esses monstros antes e, até agora, não vimos grandes demônios, provavelmente era selvagem. Mas, se nunca os encontrou até agora, significa que chegaram aqui recentemente. Selvagem ou domesticado, as chances são as mesmas.”

As palavras de Curien lançaram uma sombra sobre o coração de Imor.

...

A boa notícia é que o Pequeno Demônio Rancoroso acabou caindo numa armadilha improvisada e foi eliminado. Não apareceram novos demônios, o que permitiu a Imor respirar aliviado.

Depois de lidar com a criatura, os mortos-vivos do vilarejo logo foram eliminados. O ar, porém, ficou saturado de um odor fétido e intenso de fezes — resultado das secreções deixadas pelos cadáveres ao se enterrarem em busca de nutrientes.

Os jogadores da Companhia Tulipa Negra taparam nariz e boca. Imor, sentindo o cheiro pela primeira vez, quase vomitou, precisando segurar o fôlego e sair correndo do local, sem ousar demorar nem um instante.

Mint, prevendo o que aconteceria, já esperava do lado de fora. Só Imor, curioso demais, quis testemunhar tudo de perto — quase foi ao chão de tanto enjoo. Será que, se vomitasse no jogo, seu corpo real também reagiria? Imor, inquieto, abriu o monitor corporal para conferir.

Sentada descontraidamente no topo de uma árvore, Mint viu Imor sair cambaleando das ruínas e caiu na gargalhada, sem a menor cerimônia. O rosto de Imor se fechou: ela não podia ter avisado?

“Ei! Isso é muita ingratidão!” ele protestou em alto e bom som.

Mint ria tanto que chegou a se contorcer, seu peito arfando de tanto rir. Olhou para Imor e piscou com malícia: “Desculpa, desculpa! Você parecia tão curioso que achei melhor não estragar a surpresa. Tem coisas que a gente só aprende na prática~”

Imor nunca tinha conhecido uma estrangeira como aquela: provocadora e espirituosa sem o menor constrangimento. Acabou ficando sem jeito. “Você não tem jeito…”

O sol já despontava forte, mas os jogadores não sentiam grandes oscilações de temperatura, um conforto daquele mundo virtual: sempre entre dezoito e vinte e oito graus.

Sob essa luz, a limpeza dos mortos-vivos foi rápida. Bastava abrir as covas para que a luz solar os matasse. Logo, tanto o vilarejo quanto o cemitério estavam livres dos mortos, e, sob ordem do vice-líder Eude, todos fugiram aliviados daquela latrina a céu aberto.

“Curien, o caminho está limpo.” Eude comunicou.

Curien assentiu. “Bom trabalho, pessoal. Hora de descansar. Zorro, chame Fernand para trazer a cerveja que reservamos.”

Zorro chamou alguns companheiros e correu ao acampamento.

Curien então reuniu os capitães, com Mint e Imor como ouvintes, e todos sentaram para discutir a estratégia.

“Pronto, todos aqui? Então vamos começar.” Enquanto falava, Curien desenhava o mapa do castelo.

“Estamos aqui, fora das muralhas. Lá dentro, não sabemos o que nos espera, então não baixem a guarda.” Ele circulou uma área. “Este é o pátio externo, amplo; fiquem atentos ao subsolo, confiram se há fossos e tratem logo dos monstros que encontrarem.”

“Aqui está o pátio central, mas não vamos passar por ele. Há muitos monstros e o Rei Gárgula costuma ficar no telhado, não vale a pena enfrentá-lo.” Marcou um X no centro.

“Aqui é a porta dos fundos, nosso alvo.” Ele destacou a posição. “Aqui fica a Torre da Capela, próxima ao pátio central. Precisaremos ser rápidos para eliminar os monstros e gárgulas dali; eu mesmo vou liderar essa parte, acompanhando a equipe dos Doninhas. Os demais entrarão pela porta dos fundos; nosso objetivo é a igreja. Atenção! Sejam rápidos, fechem as portas da igreja, não deixem escapar nenhum monstro! Caso encontrem resistência e não consigam avançar rapidamente, Fogo Ardente...” Curien olhou para Imor.

Imor assentiu. “Pode deixar, a missão de assalto é comigo.”

“Ótimo. Eude e Zorro estarão contigo, Mint dará apoio à distância. Se encontrarem gárgulas tentando fugir, não hesite — use o Canhão de Gelo nelas!” Curien virou-se para Mint. Nessas horas, as Flechas de Cristal Gélido eram a carta na manga da Companhia Tulipa Negra. Contra gárgulas voadoras e astutas, só arqueiros de elite podiam detê-las antes que buscassem reforços. Caso contrário, em breve teriam uma horda vingativa no encalço.

“Pode contar comigo, sempre pronta.” Mint mostrava ser muito confiável em batalha.

“Assim que tomarem a igreja, bloqueiem as portas. A equipe de Eléus fica para reforçar a entrada, enquanto os demais avançam para o forno de pão.” Curien apontou no mapa, ao lado da igreja. “Sejam rápidos! Não deixem que as criaturas da torre e do forno se juntem, ou toda a operação fracassará. Entendido?”

“Entendido!” responderam os capitães em uníssono.

Curien sorriu satisfeito. “Nosso objetivo hoje é conquistar por completo a torre da prisão e estabelecê-la como base para as próximas investidas!”

Levantou-se, ajeitou o chapéu e declarou: “Companheiros! Que comece a conquista!”