51 A Última Aula (4) Por favor, adicionem aos favoritos e recomendem
Se formos rigorosos, a “Lança Celeste” pode ser considerada uma espécie de magia de invocação. Como habilidade exclusiva dos Patrulheiros Celestes ao longo das gerações, ela exige lanças de altíssima qualidade—lanças comuns simplesmente não suportam esse poder; apenas as lendárias são compatíveis. A Lança Sagrada Brionac, felizmente, atende a esse requisito.
O processo de gravar a habilidade não foi muito difícil. Afinal, a parte mais complexa é encontrar uma lança adequada, e Fogo Ardente teve a sorte de já possuir uma. Assim que um brilho azul-celeste passou, a gravação foi concluída.
“Agora tente fundir a Lança Sagrada com a habilidade, tornando-a parte de você,” instruiu o Mestre Trellec.
Fogo Ardente assentiu, levantou novamente a Lança Sagrada Brionac. No modelo da habilidade, sentiu um desejo intenso, como se quisesse absorver a arma em suas mãos, e ele respondeu a esse chamado.
“Lança Celeste: Transmutação!”
A luz azul-celeste envolveu Fogo Ardente mais uma vez, descendo por seu braço até penetrar na Lança Sagrada. Aos poucos, eles se fundiram em um só.
Foi uma sensação estranha; Fogo Ardente podia sentir a Lança Sagrada dentro de si, mas ela não impactava seus movimentos—não havia qualquer sensação de estranhamento!
Com um pensamento, a Lança Sagrada Brionac reapareceu em sua mão. Ele a manuseou com leveza—não sentia mais o peso de antes. Não era apenas uma arma, era como uma extensão de seu próprio corpo.
A Lança Sagrada surgia e desaparecia ao seu comando, ainda mais conveniente que uma bolsa de couro de dragão!
“Existe algum feitiço... que transforme todas as armas em itens de invocação?” Fogo Ardente perguntou.
“...Claro que não! Saiba que a ‘Lança Celeste’ só pode ser invocada graças ao apoio de poderes divinos! Não é qualquer arma que serve!”
Fogo Ardente suspirou, resignado.
“O poder e os efeitos da ‘Lança Celeste’ dependem muito da arma utilizada. O poder da Lança Sagrada Brionac é indiscutível; mesmo selada, já é mais do que suficiente para você. Agora, experimente!” Com essas palavras, Mestre Trellec fez um autômato aparecer no campo de treinamento.
Fogo Ardente firmou-se, respirou fundo, e a Lança Sagrada surgiu instantaneamente em sua mão. Quando ativou a habilidade, a lança brilhou intensamente, reunindo energia na ponta em forma de redemoinho.
O ar ao redor começou a girar, envolvendo a Lança Sagrada.
“Lança Celeste: Brionac!”
Um arco-íris cortante atravessou o espaço, lançado da mão de Fogo Ardente, perfurando o autômato quase no mesmo instante em que foi arremessado!
Um estrondo retumbou, e o autômato foi lançado longe, explodindo no ar, espalhando peças pelo chão.
Esse era o poder da “Lança Celeste”!
Fogo Ardente fez um gesto, e a Lança Sagrada retornou à sua mão, com o rosto iluminado de alegria.
O Mestre Trellec também estava entusiasmado, batendo em seu ombro: “Excelente! Você superou minhas expectativas!”
“Não, todo esse poder vem da própria Lança Sagrada,” respondeu Fogo Ardente, sem falsa modéstia. Com uma lança comum, seria impossível obter o mesmo resultado.
“Ser capaz de manejar a Lança Sagrada Brionac já é uma prova do seu talento!”
A partir daí, era imprudente continuar usando a Lança Sagrada para testes—esse tipo de poder só podia ser utilizado uma vez ao dia; mesmo com círculos mágicos de recarga, era difícil repetir o feito. O campo de treino dispunha de lanças comuns, e o Mestre Trellec passou a orientá-lo no manuseio das armas, ocupando o restante do tempo com prática.
Depois de longa prática, Mestre Trellec bateu palmas. “Chega por hoje.”
Fogo Ardente largou a lança e enxugou o suor da testa.
“A partir de hoje, você concluiu os cursos básicos. Para ser sincero, não achei que terminaria tão rápido,” disse Mestre Trellec, emocionado. “Você já dominou as três habilidades essenciais do Patrulheiro Celeste. Agora, nada mais impede sua ascensão. Alcance o nível 10! Quando voltar como um nível 10, começará sua jornada como Patrulheiro Celeste!”
Fogo Ardente agradeceu sinceramente ao Mestre Trellec. Independente do motivo, sua dedicação ao ensino foi notável.
Deixando a Guilda dos Patrulheiros, encontrou-se com Mynth, e juntos dirigiram-se à Guilda dos Escolhidos.
“Uau! Terminou os cursos do nível 9!” Mynth estava radiante. “Eu sabia que você conseguiria; foram só cinco dias! Você completou o básico!”
Fogo Ardente sorriu, constrangido: “Foi graças à ajuda de vocês.”
“Hmph! Preciso contar isso para Amélia!” Mynth começou a enviar mensagens animadamente. “Não se esqueça da nossa promessa!”
“Bem... Sinceramente, acho que Amélia já é incrível. O que eu poderia ensinar para ela?” Fogo Ardente respondeu, resignado.
“Combate, é claro! Por mais talentosa que seja, Amélia é teórica. Depois daquele incidente, nunca mais lutou de verdade!” Mynth terminou de enviar as mensagens e voltou-se para Fogo Ardente. “Ela tem medo de batalhas. Só alguém como você, outro gênio, pode fazê-la ouvir e ajudá-la a recuperar a coragem—nem o capitão consegue convencê-la!”
Só de falar nisso, Mynth se irritava. “Veja bem, qualquer um que entra na Companhia Tulipa Negra já é considerado um prodígio, ao menos parte de uma elite, mas Amélia não se interessa por ninguém. Não se deixe enganar pela aparência frágil—por dentro, é mais teimosa que todos. Concorda por fora, mas nunca aceita conselhos, sempre fazendo tudo do seu jeito.”
“Tem certeza de que ela vai me ouvir?” Fogo Ardente riu.
“Você ouviu da última vez! Se você atingir o nível 10 em uma semana, concluindo os cursos básicos, ela vai te escutar!” Mynth garantiu. “Ela pode fazer birra, mas não tem problema. Leve-a para lutar algumas vezes, ajude-a a superar o medo, e pronto!”
Fogo Ardente apenas deu de ombros, prometendo fazer o possível.
Na Guilda dos Escolhidos, após o registro, seguiram para a sala de orações de Layla.
“Senhorita Layla, terminei os cursos básicos!” Fogo Ardente anunciou, radiante.
“Oh!” Os olhos de Layla brilharam. “Quer dizer que agora tem tempo para fugir comigo?!”
“Puf!” “Puf!” Fogo Ardente e Mynth quase engasgaram de surpresa.
“E-espera! Fugir? Como assim?” Fogo Ardente tentou interrompê-la.
“Ué? Não é isso? Mas está escrito nos livros!” Layla levantou o livro que lia, mostrando a capa.
“Romeu e Julieta”
“...”
“Pfft!” Mynth não se aguentou e caiu na risada.
“Perguntei a um guerreiro se havia livros sobre jovens mulheres fugindo de casa, e ele me recomendou este!” Layla retrucou, indignada.
A sacerdotisa reclusa Layla, com dezoito anos, ainda não sabia o que realmente era um romance.