Imposto da Espada (1) Por favor, adicione aos favoritos

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2434 palavras 2026-02-08 16:57:40

No meio da vastidão árida, uma longa caravana avançava lentamente em direção à região de Colônia, o território protegendo a cidade de Colônia. Após mais de cem quilômetros de jornada, a Companhia da Tulipa Negra finalmente cruzou o ermo e retornou ao mundo humano.

As carruagens estavam em estado deplorável, alguns cavalos exibiam feridas evidentes, e o cenário era de pura desolação, bem diferente da imponência do momento da partida. Os jogadores estavam largados, exaustos, sem ânimo sequer para se mover. Até mesmo Chama Ardente e Hortelã, outrora cheios de energia, agora descansavam encostados um ao outro no topo da primeira carroça, as armas largadas de lado, desejando apenas um pouco de paz.

Depois de deixarem o desfiladeiro, ainda enfrentaram vários ataques de monstros ao longo do caminho, mas nada comparado ao que haviam passado antes. O momento mais crítico foi o encontro com um bando de corvos pútridos, criaturas não-mortas vindas do céu que quase causaram o caos entre os jogadores. Contudo, mesmo com algumas perdas, conseguiram eliminá-los por completo.

Foram horas de batalhas consecutivas, esgotando qualquer um. Agora, próximos das fronteiras de Colônia, sabendo que o perigo de novos ataques havia diminuído bastante, os jogadores finalmente podiam relaxar por completo.

Exceto, é claro, pelo azarado amarrado no topo de uma das carroças – o infame “Duzentos Mil Héctor” seria conhecido assim por muito tempo ainda.

Hortelã moveu as orelhas, atenta, e de repente se pôs de pé. “Chama Ardente, estamos sendo seguidos!”

Chama Ardente reagiu imediatamente, levantando-se e agarrando sua espada larga.

Atrás de uma pedra não muito distante, surgiram duas figuras suspeitas montadas a cavalo, completamente armadas, mas sem qualquer insígnia de família nobre que as identificasse.

“Quem são eles?” perguntou Chama Ardente.

Hortelã balançou a cabeça. “Não sei ao certo, mas devem ser de alguma família nobre. Só não entendo por que estão nos seguindo.”

Chama Ardente olhou para Martin, que também estava atento, e fez um gesto cortando o pescoço. “Quer que eu cuide disso?”

Martin observou por alguns instantes e negou com a cabeça. “Evitemos conflitos por enquanto. Podem ser soldados privados de algum nobre. Melhor não arranjar problemas desnecessários.”

Chama Ardente assentiu e sentou-se de novo, sem baixar a guarda, mantendo os olhos fixos nos dois cavaleiros.

Os dois, cientes de que haviam sido descobertos, não se importaram, mantendo-se a uma distância segura e seguindo a caravana até a entrada do território de Colônia.

“Lembrei-me de uma lenda...” O rosto de Hortelã ficou sério de repente.

“Sobre esses dois?” indagou Chama Ardente.

Hortelã assentiu. “A lendária... Taxa da Espada!”

Martin, na carruagem ao lado, claramente pensava o mesmo. Com expressão carregada, enviava mensagens a Curien, provavelmente discutindo como proceder.

“Taxa da Espada? O que é isso?” perguntou Chama Ardente, curioso.

“Dizem que, quando uma boa presa aparece, o Marquês Sayé envia sua ordem privada de cavaleiros para cobrar um imposto exorbitante. Assim, evitam a vigilância do general de Colônia e impõem uma taxa muito acima do que determina a Capitã Javia. Aproveitam também para investigar qualquer pessoa ou situação que possa ameaçar o marquês,” explicou Hortelã.

“Taxa da Espada... Que abuso de poder!” Chama Ardente franziu o cenho. Agora sabia o quanto as mercadorias da Companhia da Tulipa Negra valiam. Se fossem muito taxados, os prejuízos seriam enormes.

“O líder já mobilizou uma patrulha para nos encontrar. Vamos tentar ganhar tempo!” disse Martin. “Chama Ardente, vamos precisar de você de novo!”

Chama Ardente assentiu, puxando sua espada Mil Cortes para polir a lâmina.

Os dois cavaleiros seguiam conversando e, quando perceberam que a caravana já adentrara bem o território de Colônia, finalmente ostentaram o brasão do Marquês Sayé. Esporearam os cavalos, ultrapassaram a caravana, viraram os animais para bloquear a estrada e, com expressão fria, ergueram a mão, ordenando que todos parassem. Os cavalos de guerra relinchavam e pisoteavam o chão, impacientes.

Os jogadores mudaram de expressão, sacando as armas e se pondo de pé.

Martin, tenso, ordenou rapidamente que todos baixassem as armas e evitassem qualquer atitude hostil. Como líder da companhia, precisava pensar em tudo: eliminar os dois cavaleiros seria fácil, mas quem garantiria que outros não viriam? Se ofendessem o Marquês Sayé, como a Companhia da Tulipa Negra, vinda de fora, poderia se firmar naquele ermo repleto de oportunidades?

Os cocheiros puxaram as rédeas, detendo as carruagens diante dos cavaleiros do Marquês Sayé. Uma a uma, as carruagens pararam, instaurando um silêncio absoluto, quebrado apenas pelo resfolegar dos cavalos. Ninguém ousava dizer palavra.

Chama Ardente olhava curioso para os dois cavaleiros. Cavaleiros oficiais da Casa Sayé, de nível desconhecido, mas certamente superiores aos aprendizes da Tulipa Negra. Era notável como apenas dois deles bastavam para calar todo o grupo. No fundo, Chama Ardente lamentou: como é possível que, neste jogo, os jogadores dependam tanto da vontade dos NPCs?

Era a primeira vez que Chama Ardente encontrava NPCs inteligentes da sociedade humana. E essa primeira impressão foi marcante.

Os cavaleiros, satisfeitos ao verem a caravana parada, desceram. Um deles puxou uma longa espada do alforje e, com um estrondo metálico, fincou-a no chão. Observou os jogadores imóveis, riu com desdém e puxou outra espada longa.

Ao som de cinco espadas cravando o solo, o cavaleiro posicionou-se à frente das lâminas, sacou sua espada de cinto e a fincou também no chão, cruzando as mãos sobre o punho, encarando os jogadores friamente, como se aguardasse algo.

Chama Ardente percebeu o quanto Hortelã e Martin estavam pálidos. “O que significa isso?” perguntou ele.

“A chamada Taxa da Espada é simbolizada por cada espada cravada no chão. Cada uma representa dez por cento de imposto. Se houver cinco, cobram cinquenta por cento. Um representante pode desafiar o cavaleiro e, para cada espada que conseguir quebrar durante o combate, o imposto diminui em dez por cento. Se não quebrar nenhuma, paga-se o valor integral,” explicou Hortelã, entre dentes.

“Quer dizer que vão cobrar metade?” espantou-se Chama Ardente.

“Não, são sessenta por cento. Ele ainda tem outra espada na mão,” corrigiu Martin, o rosto ainda mais sombrio.

“Isso...” Chama Ardente ficou sem palavras. Apenas dois homens barrando a caravana e exigindo sessenta por cento de imposto? Isso é mesmo coisa de NPC?

“São cavaleiros oficiais, provavelmente de nível dezesseis ou superior. Muito difíceis de enfrentar!” murmurou Martin, irritado. “Maldição, saímos em segredo e mesmo assim caímos numa armadilha! Deve ter sido aquele visconde maldito que nos delatou!”

“Deixe comigo. Ainda não lutei contra humanos!” Chama Ardente levantou-se, embainhou a Mil Cortes e sorriu. “Vou quebrar todas as espadas dele. Taxa da Espada? Não vão levar um cobre sequer!”

“Tome cuidado! Cavaleiros oficiais são diferentes de monstros ou demônios: possuem técnicas e habilidades específicas para combates entre pessoas. Talvez não sejam tão fortes quanto um demônio, mas, em duelo, são especialistas!” advertiu Hortelã.

“Entendido! Pode deixar!” Chama Ardente acenou, saltou da carroça e caminhou até o cavaleiro, parando diante dele.

Pronto para a batalha!