Os Três Desafios do Mentor (1)
No Campo de Treinamento Dezessete, Fogo Ardente retirou os pesos que carregava e, vestindo apenas o uniforme de aprendiz, brandia sua espada. Enquanto praticava, escutava as orientações do mestre Lorin, corrigindo um a um seus pequenos hábitos automáticos. Afinal, no mundo real, Fogo Ardente aprendera por conta própria, e um especialista formado como Lorin conseguia apontar seus erros com facilidade.
Por exemplo, a falta de coordenação ao girar o pulso, o uso desigual da força no tronco, ou a instabilidade ao girar as pernas; tudo isso diferia muito das artes marciais do mundo real, exigindo de Fogo Ardente uma atenção especial para perceber e compreender essas distinções.
Após algumas horas, o mestre Lorin já estava bastante satisfeito.
— Você já dominou o básico da esgrima, mas um verdadeiro mestre repete diariamente essas técnicas fundamentais. Não pode relaxar, deve reservar tempo para praticar todos os dias — disse o mestre Lorin, sinalizando para que Fogo Ardente recolhesse a espada de treino. — Volte amanhã de manhã, e eu lhe darei o certificado de aprovação.
— Sim, mestre Lorin! — respondeu Fogo Ardente, plenamente convencido após horas de instrução. Lorin era de fato um mestre das armas; cada conselho era preciso, trazendo-lhe benefícios imensos. — Mas só aprendi técnicas da espada longa. Com isso já passo no teste?
O mestre Lorin sorriu:
— O domínio de armas, no final das contas, serve para que o guerreiro adquira as técnicas básicas de combate. Você já tinha a base, faltava apenas o refinamento. Mas passar não significa que o caminho termina aqui. Se quiser aprender técnicas de outras armas, minha porta estará sempre aberta.
Fogo Ardente fez uma reverência, arrumou seus pertences, vestiu-se adequadamente e deixou a Guilda dos Espadachins.
— E agora...? — murmurou, tirando do bolso o bilhete de Trelleck. — Guilda dos Batedores... Será que terei chance de aprender Olhos de Águia?
A excelente visão de Minteca impressionara-o profundamente.
Não foi difícil encontrar a Guilda dos Batedores, construída na encosta da montanha. Muitos jogadores saltavam de um lado para outro, e provavelmente eram aprendizes da guilda.
Mas Fogo Ardente viera apenas para aprender uma habilidade, não precisava se tornar aprendiz como na Guilda dos Espadachins.
Diante de um balcão semelhante, entregou sua carta estelar ao atendente, explicou o que buscava e logo foi levado até o mestre dos Batedores.
— Você, sendo nível 1, quer aprender Técnica de Agilidade? — o mestre perguntou surpreso. — Tem certeza que não prefere Aprimoramento de Corrida?
— Sim. Meu mestre recomendou que eu aprendesse Técnica de Agilidade — confirmou Fogo Ardente com um aceno.
O mestre dos Batedores balançou a cabeça, sem questionar mais, e lhe entregou um cristal de gravação.
— Vejo que não é sua primeira vez aprendendo, então serei breve. Grave-a numa estrela espectral de reação.
Enquanto Fogo Ardente segurava o cristal e iniciava a gravação, o mestre explicou:
— Técnica de Agilidade é uma habilidade de estado, que faz seu corpo acompanhar melhor o ritmo de suas reações.
— Muitos guerreiros enfrentam o mesmo problema: a mente reage, mas o corpo não acompanha. Técnica de Agilidade resolve isso, melhorando também a coordenação corporal. É uma ótima habilidade básica.
Havia ainda uma observação que o mestre não mencionou: normalmente, só quem já tem poder de combate elevado, mas percebe que as reações não acompanham, procura essa habilidade. Para um nível 1, ela quase não faz diferença prática, e seu impacto é bem menor do que o de Aprimoramento de Corrida.
Com a gravação concluída, Fogo Ardente iniciou os treinos sob supervisão do mestre.
A Técnica de Agilidade, estritamente falando, não era magia, mas um método de ajustar o corpo, conduzindo ao máximo seu potencial e tornando as respostas mais rápidas — similar, de certa forma, às artes marciais. Por isso, Fogo Ardente até se perguntava se aquele método poderia ser replicado no mundo real.
Porém, como dissera Lorin, sem a centelha do poder sobrenatural, mesmo compreendendo o método, não se podia dominá-lo. Pela primeira vez, Fogo Ardente pensou em acender a chama do extraordinário no mundo real.
Claro, ainda era cedo para isso. Dedicou-se a aprender a Técnica de Agilidade, corrigiu seus erros e, em pouco tempo, dominou-a por completo.
O mestre dos Batedores ficou satisfeito:
— Você realmente tem talento para o combate. Raros aprendem algo assim tão rápido.
E lhe entregou prontamente o certificado de aprovação. Fogo Ardente olhou para a carta estelar, onde uma única estrela espectral havia mudado de forma, e não pôde conter a emoção: finalmente aprendera sua primeira habilidade! Não foi fácil... Vendo as habilidades esplêndidas e práticas de Minteca e Julien, ele se sentia diminuído por só saber brandir a espada. Nem em poder, nem em prestígio, conseguia competir.
A partir de agora, Fogo Ardente começava, enfim, a integrar-se nesse mundo extraordinário. No futuro, aprenderia cada vez mais habilidades e se acostumaria com um estilo de combate sobrenatural. Mas isso não significava que as artes marciais do mundo real fossem inúteis; talvez, ao combinar as novas forças e técnicas, ainda pudesse criar golpes de poder inédito.
Com o aprendizado da Técnica de Agilidade concluído, restava apenas a última tarefa.
“Pegue e complete a missão de provação de nível A na Guilda dos Mercenários: O Desafio do Lobo de Prata.”
— Guilda dos Mercenários... — murmurou Fogo Ardente, consultando o bilhete, e seguiu em busca do local.
A Guilda dos Mercenários erguia-se ao nível do solo, a única a não estar localizada no distrito da Catedral. Isso se devia à sua função: atendia não só jogadores, mas também os nativos, que ali eram igualmente ativos, publicando missões e formando numerosos grupos mercenários compostos por nativos.
Os grupos mercenários e as caravanas não pertenciam ao mesmo sistema. As caravanas eram registradas pelos jogadores na Guilda dos Escolhidos, reconhecidas oficialmente, e serviam como base para missões em equipe — geralmente designadas para jogadores.
Por sua vez, grupos mercenários eram registrados na Guilda dos Mercenários, focados em missões de grande escala. Para aceitar tarefas lá, era necessário ter um grupo de mercenários de nível adequado, e por isso as caravanas costumavam se registrar também na Guilda dos Mercenários. As missões não eram exclusivas a combatentes; nativos também podiam aceitá-las.
Havia ainda mercenários solitários, como os patrulheiros, que normalmente não pertenciam a grupos e atuavam individualmente na guilda. Na verdade, a Guilda dos Mercenários era uma organização subordinada à Guilda dos Patrulheiros.
Assim, ao apresentar seu emblema do Falcão Vermelho, tudo transcorreu sem problemas para Fogo Ardente. A Guilda dos Mercenários não questionou se ele era apenas um jogador de nível 1; bastava ver sua qualificação oficial de patrulheiro.
— Por favor, aguarde. Os dados das missões de provação dos patrulheiros não ficam na recepção, logo o responsável trará até você — disse a atendente, sorrindo.
Fogo Ardente assentiu e, apoiado ao balcão, observou ao redor.
O salão de missões da Guilda dos Mercenários era ainda maior que o da Guilda dos Espadachins, abrigando uma variedade de raças: não apenas jogadores, mas também nativos. Ali, mercenários pareciam não dividir-se entre jogadores e nativos, todos misturados, conversando animadamente, bebendo, rindo, comendo, ou debatendo com seriedade.
Era comum jogadores e nativos aceitarem juntos uma missão; alguns jogadores integravam grupos de mercenários nativos, e vice-versa, sem que isso causasse estranheza.
Fogo Ardente avistou outros jogadores patrulheiros, mas não estava disposto a fazer amizade, e eles também, isolados, aguardavam para tratar de suas próprias missões.