44 O Compromisso de Leila (1) Por favor, adicionem aos favoritos e votem
No dia seguinte, ao entrar no jogo, Minter já não estava mais na base; diziam que ela não aparecera o dia todo, provavelmente estava se divertindo com Amélia. No entanto, agora Fogo Ardente já estava bastante familiarizado com aquela área, então não se importou de sair sozinho.
Após comer alguma coisa, Fogo Ardente dirigiu-se sozinho à Guilda dos Escolhidos. No balcão, registrou seu cartão estelar e o certificado de qualificação, garantindo assim o direito de subir de nível. Então, como já conhecia o caminho, foi diretamente à sala de orações. Prestes a empurrar a porta para entrar, lembrou-se de algo, e trocou o gesto por uma batida.
— Senhorita Sacerdotisa, está aí?
— Pode entrar — respondeu de dentro uma voz suave e gentil.
No instante em que abriu a porta, Fogo Ardente quase acreditou estar diante da própria encarnação da Luz Sagrada. A sacerdotisa sentava-se serenamente numa cadeira, as mãos postas em oração, os olhos fechados, envolta por uma aura de santidade e elegância.
— Senhorita Sacerdotisa, vim subir de nível novamente.
— Ah, é você... — ao ver que era Fogo Ardente, a sacerdotisa esboçou uma expressão ligeiramente cansada e sua postura já não parecia tão impecável. — Você está evoluindo rápido demais...
Fogo Ardente sorriu.
— Meu poder estelar já era alto desde o início!
— É verdade... — a sacerdotisa ergueu-se e foi até o altar de pedra, enquanto Fogo Ardente, acostumado, deitou-se sobre ele.
Um brilho estranho cintilou e Fogo Ardente alcançou o nível seis.
Nome de batalha: Fogo Ardente
VRIN: CN0409d3f25b0053
Nível: 6
Guilda registrada: Guilda dos Guardiães Errantes
Atributos estelares: Força 14, Resistência 14, Explosão 14, Reflexo 14, Tenacidade 14, Agilidade 14, Raciocínio 14, Controle 14, Magia 14, ??? 6.
— Senhorita Sacerdotisa, minha magia não está maior do que quando era nível zero? — Fogo Ardente olhou para seu cartão estelar, sentindo-se intrigado.
A sacerdotisa lançou um olhar rápido e respondeu, sem dar muita importância:
— Não é estranho. A cada nível básico que você sobe, todos os atributos recebem meio ponto de compensação, e as habilidades também ganham recompensas de estrelas. Mas sua magia já era baixa, logo atingirá o limite. Na próxima evolução não estará mais no máximo.
Fogo Ardente acenou, compreendendo, e guardou o cartão, sentando-se.
A sacerdotisa aproximou-se da janela e chamou:
— Senhor Fogo Ardente, venha aqui um instante.
Fogo Ardente, um pouco confuso, obedeceu.
— Por favor, coloque esta mesa bem aqui — ela apontou para o chão.
O suor brotou na testa de Fogo Ardente. Aquela mesa era pesada, a maior da sala de orações, raramente movida. Mas, com sua força atual, ele conseguiria lidar com aquilo.
— Agora coloque aquela em cima desta — continuou ela, dirigindo-o como se fosse natural.
Fogo Ardente já havia entendido o que ela queria. Ela mesma jamais conseguiria mover aquelas mesas, e, resignada, decidiu aproveitar a força dele.
Já que era para ajudar, que fosse!
Com cada mesa e cadeira empilhada, formou-se um degrau ainda mais robusto que o do dia anterior, cuja parte mais alta alcançava diretamente a janela no teto. Era muito mais firme que o improvisado pela sacerdotisa sozinha; ao menos não balançaria tanto ao subir.
Devido à estrutura da igreja, a sala de orações não tinha janelas convencionais; nas paredes, apenas vitrais coloridos, que, sob a luz sagrada, reluziam intensamente. O único acesso ao exterior era uma claraboia no teto, que, vista de fora, parecia a janela de um sótão, mas por dentro era apenas uma breve abertura, permitindo a entrada de luz do dia.
O objetivo da sacerdotisa era claramente aquela claraboia. No entanto, o degrau que ela conseguia montar sozinha nunca era suficiente para alcançar a entrada; sempre faltava um pouco.
— Senhorita Sacerdotisa, está pronto! — Fogo Ardente, orgulhoso, enxugou o suor e bateu as mãos para tirar a poeira.
— Certo, certo... — a sacerdotisa, entretida com algo à parte, respondeu distraidamente.
Sentindo-se intrigado, Fogo Ardente virou-se e não pôde evitar um sorriso nervoso.
A sacerdotisa havia rasgado parte da própria túnica, amarrando-a à cintura e exibindo pernas longas e brancas. Usava pequenas botas brancas, que faziam suas pernas parecerem ainda mais esguias. Na cintura, como uma ladina, trazia duas rolos de linhas de pesca e cordas trançadas de metal — de onde ela conseguiu aquilo?
Ao perceber o olhar de Fogo Ardente, a sacerdotisa deu um tapinha na cintura e declarou, orgulhosa:
— Roubei de uma patrulheira!
Do que é que você está se gabando? E por que teve que roubar? Fogo Ardente reclamou mentalmente.
Ele pensou em subir primeiro para verificar a segurança, mas a sacerdotisa foi mais rápida e começou a escalar animada.
Apesar de seu ar recluso, as longas pernas eram surpreendentemente ágeis e firmes. Sob a túnica enrolada, a luz sagrada cintilava mais clara do que no dia anterior — sim, era mesmo renda branca...
Fogo Ardente concentrou-se, prendeu bem as cordas e, diferente do dia anterior, conseguiu ajudá-la a entrar na claraboia sem dificuldades.
Após vê-la desaparecer pelo buraco, Fogo Ardente também subiu e logo se enfiou pelo vão.
O espaço não era sujo; o vidro já estava aberto, sinal de que a sacerdotisa havia saído para o telhado. Fogo Ardente a seguiu e, ao sair, viu uma cena que jamais esqueceria.
A sacerdotisa erguia os braços ao alto, olhos semicerrados, enquanto um raio de luz parecia descer das nuvens, envolvendo-a. Pequenos anjos de luz giravam ao seu redor, entoando cânticos sagrados. Fios de luz sagrada dançavam em espiral sobre ela, e, por um instante, Fogo Ardente jurou ver asas de luz se abrindo em suas costas, como se estivesse prestes a alçar voo.
Não se sabe quanto tempo passou até que ela abaixasse os braços e as visões de luz desaparecessem. Ela soltou a túnica da cintura e sentou-se no telhado, indicando que Fogo Ardente se sentasse ao seu lado.
Aliviado, ele foi até lá e sentou-se ao lado dela.
— Senhorita Sacerdotisa, então ontem você queria mesmo era subir aqui para sentar? — perguntou curioso.
— Sim, era só por isso... — respondeu ela, com um leve suspiro, já sem a compostura da sala de orações nem o ar sagrado de antes. Agora parecia apenas uma garota comum.
Qual seria a verdadeira face dela? Fogo Ardente não pôde deixar de se perguntar.
— Ora, você me ajudou tanto, não precisa me chamar de senhorita com tanta formalidade. Pode me chamar pelo nome — sorriu ela. — Eu me chamo Leila.
— Senhorita Leila — Fogo Ardente sorriu e assentiu.
— Faz tempo que quero subir aqui, mas o sumo-sacerdote e o bispo não deixam — reclamou Leila, fazendo um beicinho.
Nenhum adulto em sã consciência deixaria uma garota subir ao telhado assim! Fogo Ardente prendeu um sorriso, pensando consigo mesmo.
— Não é só por subir no telhado! — Leila lançou-lhe um olhar atravessado. — Desde que cheguei à igreja, nunca me deixaram sair! Dizem que há demônios lá fora querendo me levar! Acham que sou uma criança para acreditar nisso!
Fogo Ardente ficou espantado: não havia dito nada, como ela sabia o que ele pensava?
Leila resmungou:
— Pelo seu olhar, já dá para saber o que pensa!
— Ah... — Fogo Ardente ficou sem graça, sentindo-se pego falando mal de alguém pelas costas. — Senhorita Leila, você é realmente incrível.
— Claro que sou! — ela ergueu o queixo, orgulhosa. — Inclusive, eu sabia que você estava olhando para o meu traseiro!
— Pff! Cof, cof, cof... — Fogo Ardente se engasgou, juntando as mãos em súplica. — Desculpe, desculpe, senhorita Leila! Eu estava errado!
— Ha, ha, ha! — Leila bateu com força no ombro dele. — Espiar o meu traseiro tem preço! Prepare-se!
Fogo Ardente, dezessete anos, flagrado pela segunda vez assediando uma personagem do jogo!