23 Reverência (2)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2451 palavras 2026-02-08 16:58:00

— Não... Eu aconselho que não mantenha esse tipo de pensamento — Curien balançou a cabeça. — Todo jogador começa com dúvidas como as suas, mas aqueles que agem impulsivamente mal conseguem dar um passo. Sabe por quê?

— Porque... os habitantes também têm suas preferências? — Fogo Ardente sentiu que começava a compreender.

— Exatamente! Eles têm emoções diversas, e se julgarem que um jogador não é digno de confiança ou respeito, não hesitarão em pisotear toda a sua dignidade. Em casos graves, podem até persegui-lo, impedindo-o de avançar! — Curien deu de ombros.

— Portanto, para sobreviver neste mundo, é fundamental construir boas relações com os habitantes, participar de sua vida social, respeitar seus costumes e, se necessário, envolver-se em suas atividades políticas. Só assim é possível viver melhor. Se tratarmos os habitantes como alvos a serem exterminados, como em outros jogos, quem acabará morto será o próprio jogador.

— Entendi... — Fogo Ardente assentiu, pensativo. Após um momento, perguntou: — E qual é a relação disso com o respeito pela força?

Curien sorriu: — Isso nos leva aos valores dos habitantes... Ah, é melhor mesmo chamá-los de nativos!

— A história dos nativos é complexa, mas, resumindo, ela existe graças ao respeito pela força. Veja, neste mundo há Luz Sagrada, Abismo, e diversas forças sobrenaturais. Então, como os humanos puderam se tornar os dominadores da superfície?

— Porque respeitam a força, e, mesmo possuindo poder, não o utilizam de forma irresponsável. Os jogadores adquirem poder facilmente, o que os faz parecer gananciosos aos olhos de muitos nativos — é por isso que alguns deles detestam os combatentes.

— Ser um verdadeiro guerreiro não é apenas ter força; é necessário passar tanto pelo aprimoramento físico quanto, principalmente, pelo aperfeiçoamento do espírito. — Curien fitou Fogo Ardente. — Não seja escravo do poder, mas aprenda a dominá-lo e a respeitá-lo.

Fogo Ardente ficou absorto por um instante, depois sorriu: — Na verdade, eu compreendo isso, sempre me exigi desse modo. Mas, por estar dentro do jogo, acabei me perdendo. Os resultados contra o exército do Abismo me tornaram arrogante, e comecei a menosprezar os nativos... No fim, fui duramente punido.

— Isso porque ainda não aprendeu a ser um guerreiro. Lutar é simples: basta ter coragem de empunhar a arma. Mas tornar-se um guerreiro é complicado, pois exige respeito pela arma — explicou Curien.

— Não compreendi muito bem...

— Vou explicar usando o duelo de hoje com o cavaleiro de Eroquen — Curien ajustou a postura e prosseguiu: — O imposto da espada surge do respeito entre guerreiros — é um símbolo de respeito pela força do adversário. Cravar a espada no chão não significa que basta cortá-la; é um gesto simbólico. Antigamente, os duelos representavam riqueza e aposta através da espada, e, embora o significado tenha mudado, o simbolismo permanece. Basta derrotar a espada do oponente; as demais naturalmente serão suas.

Fogo Ardente cobriu o rosto, constrangido: — Ou seja, fui lá e quebrei a espada direto, sem necessidade alguma, parecendo um tolo...

— Não é bem assim — Curien riu alto. — Não pode se culpar por não saber. Além disso, sua participação foi para ganhar tempo. Esse imposto ilegal sob o pretexto de duelo já é injusto; não havia motivo para respeitar as regras do duelo. Sinceramente, sua atitude foi a melhor possível. Nem outros nobres e cavaleiros o criticariam; pelo contrário, ridicularizariam o adversário.

Ao ouvir isso, Fogo Ardente sentiu-se mais aliviado.

Após um silêncio, Fogo Ardente falou de repente: — Capitão Julien, tenho um pedido.

Curien ergueu as sobrancelhas: — Diga.

— Quero ver sua força... desafiar você para um duelo! — Fogo Ardente encarou Curien com determinação, seus olhos brilhavam com um novo ardor.

— Não creio que precise provar nada dessa forma.

— Não é questão de provar coisa alguma. Compreendi algo importante — Fogo Ardente, mestre das artes marciais, sentia sua alma inquieta. — Até agora, consegui fazer certas coisas porque minha base no mundo real era mais forte que a das pessoas comuns, mas esse tipo de força só vale no mundo real. Lá, estive preso por muito tempo; agora, neste mundo, percebo que posso superar minhas limitações, ultrapassar a mim mesmo. Quero aprender a ser um guerreiro deste mundo, e aprimorar-me do modo que este mundo exige!

O raciocínio era simples: igual ao de Tong Junwen, cuja capacidade já não podia ser limitada por resultados de provas; para ela, alcançar o topo era natural, sem obstáculos. Por isso, precisava explorar além, abandonar as provas e se lançar à vanguarda acadêmica, onde o único examinador seria ela própria.

Fogo Ardente queria o mesmo: livrar-se das amarras do mundo real e integrar-se a um universo que não limita sua ascensão. Esse era seu objetivo!

— Então você quer aprender comigo o modo de lutar deste mundo? — Curien já entendia.

— Você é o jogador mais forte que conheço. Só com você posso encontrar as respostas que procuro!

Curien e Fogo Ardente se encararam. Curien viu nos olhos do outro a chama de um verdadeiro guerreiro, suspirou e assentiu.

— Muito bem! Como deseja, mostrarei tudo o que aprendi!

Os dois apertaram as mãos firmemente e sorriram um para o outro.

— Ei, capitão! — Mint apareceu de repente, separando as mãos e abraçando Fogo Ardente, afastando-o. — Você tem mulher e filhos! Não pode atacar Fogo Ardente!

Curien revirou os olhos, irritado: — Imbecil! O que está dizendo?!

Mint ignorou-o, puxou Fogo Ardente para junto do grupo, e logo todos começaram a lhe oferecer bebida.

...

O comboio logo adentrou o Castelo de Colônia. Era a primeira vez que Fogo Ardente via uma cidade do jogo, e ficou maravilhado com o estilo medieval.

O Castelo de Colônia fora construído junto às montanhas e ao rio. A cidade externa pertencia aos camponeses, repleta de fazendas, matadouros, curtumes, oficinas de ferreiro e instalações hidráulicas, espalhando-se pelas colinas e margens do rio, sem fim à vista. A cidade interna, delimitada pelas muralhas, abrigava principalmente a população desvinculada do campo: guerreiros, servidores, comerciantes, artesãos e cidadãos de diversas atividades urbanas.

A cidade lembrava as urbes europeias da época da Revolução Industrial, mas, graças à presença dos extraordinários e suas forças, não era poluída e desorganizada como na Europa daquele tempo, e sua administração era bastante avançada, quase igual à das cidades reais.

As três construções mais marcantes da cidade interna eram o castelo principal do marquês, a fortaleza pontiaguda da Ordem Nacional de Cavaleiros e a Igreja da Luz Sagrada — também chamada de Templo da Reencarnação pelos jogadores. As instalações dos jogadores situavam-se todas ao redor do templo, que era o destino do comboio.