Vinte mil moedas de ouro para Aiko! (2) Por favor, adicionem aos favoritos.
— Muito bem, Hector! — Martin também sentia os ouvidos zumbirem e precisou gritar para ser ouvido. — Preparem o próximo presente!
— Fique de olho, chefe! — Hector repetiu a estratégia anterior. Assim que montou, Alain, agora mais experiente, apertou o cavalo com as pernas e partiu ainda mais rápido do que antes.
— Bum! Bum, bum! Bum, bum, bum! — A segunda explosão foi ainda mais assustadora que a primeira. O estrondo foi tão intenso que matou lobos mais distantes, e as pedras lançadas varreram o centro da matilha! O eco ressoou pelo cânion, e pedras e galhos secos começaram a despencar das alturas, como se todo o desfiladeiro fosse desabar.
Os lobos que entravam no cânion ficaram atônitos, vários deram meia-volta e colidiram com os companheiros que vinham atrás, formando um caos.
Os jogadores, suportando o zumbido e a tontura, aplaudiram a cena entusiasmados.
— Muito bom, Hector! — Excelente! — Genial, Hector, o mestre das explosões!
Até Chama Rúbia ergueu o polegar e perguntou a Menta:
— Por que não usamos uma arma tão poderosa antes?
— No castelo antigo? Por favor! Se soltássemos uma dessa por lá, todas as gárgulas do castelo viriam atrás de nós. E se o castelo desabasse, aí sim estaríamos perdidos! — Menta revirou os olhos.
Chama Rúbia assentiu, finalmente compreendendo.
— Obrigado! Obrigado! — Hector saudou os colegas, triunfante. — Calma, ainda falta o maior de todos!
Ao saber que havia mais uma explosão, os jogadores perderam o interesse nas provocações e se apressaram a voltar para as carruagens, implorando aos cocheiros que acelerassem. Num instante, a caravana ganhou ainda mais velocidade.
— Espere, deixe-me dar uma poção ao meu filho! — Alain, responsável pelo último ponto de detonação, impediu Hector de acionar o explosivo imediatamente. Sacou uma poção amarela brilhante com luz branca e a deu ao cavalo. Estendeu a mão: — Por favor, faça seu espetáculo!
Hector deu de ombros, acionou o último dispositivo e subiu rapidamente ao cavalo. Não precisou pedir: Alain já partia a galope.
— Avante, meu filho! — bradou Alain. O cavalo, como se tomado por uma fúria selvagem, disparou à frente, levando os dois homens e ainda conseguindo alcançar a caravana que já ia longe.
Logo, todos sentiram o solo estremecer. Antes que pudessem reagir, uma onda de choque brutal avançou!
— BUM! BUM! BUM! BUM! BUM! BUM! — Os jogadores mais atrás pensaram ter sido arremessados pelos ares; cambalearam com o impacto, e até alguns cavalos caíram, relinchando de dor. Por mais longe que estavam, ninguém escapou das consequências.
E quanto aos lobos? Só restava desejar que encontrassem um céu sem explosões!
Os que estavam mais próximos ao epicentro foram completamente aniquilados, nem ossos restaram. Um pouco mais afastados, lobos tombaram sangrando pelos orifícios, formando tapetes de cadáveres. Outros, atordoados, uivavam e giravam em círculos, evidentemente incapacitados. O estrondo e o trovão ecoavam sem trégua, e mesmo os lobos que não haviam sido atingidos já não ousavam avançar.
Após essa explosão, mais pedras despencaram do alto, até blocos inteiros desabaram do ápice do cânion.
— Olhem! — alguém na caravana apontou para o topo da falésia acima dos lobos, e todos se voltaram.
A explosão havia desmoronado as paredes do cânion dos dois lados. Inúmeras pedras rolavam morro abaixo, até que metade do paredão superior deslizou de vez!
— Maldição! — Martin ficou atemorizado com o próprio feito, praguejando e gritando, atrapalhado: — Droga! O cânion vai desabar! Mais rápido! Corram, corram!
Nem precisava dizer: os cocheiros, ao perceberem o perigo, chicotearam os cavalos com desespero, implorando por mais velocidade.
Chama Rúbia nada pôde fazer. Recolheu-se à carruagem e, junto aos outros jogadores, arrancou placas de armadura supérfluas e pesadas. As demais carruagens seguiram o exemplo, e o comboio acelerou ainda mais.
O destino dos lobos foi selado. O desmoronamento atingiu o centro da matilha, gerando uma torrente de lama e pedras que soterraram os mais fortes. Os outros, já apavorados, fugiram sem mais se preocupar com os jogadores.
A caravana correu muito até enfim sair da nuvem de poeira, todos em estado lamentável. Duas carruagens, menos afortunadas, foram alcançadas pela enxurrada de lama; cavalos mortos, viaturas destruídas e, num clarão, todos os jogadores nelas pereceram.
Assim que se viram a salvo, os jogadores passaram a xingar furiosamente, esquecendo completamente os elogios anteriores a Hector.
— Maldito, Hector! Seu imbecil! O que foi aquilo no final?! — Martin, coberto de lama, gritou furioso.
— Argh! — Hector e Alain não estavam em melhor estado, ambos enlameados; o cavalo de Alain, seu precioso companheiro, parecia uma estátua de barro, deixando-o desesperado de preocupação, a ponto de querer chutar Hector dali.
Hector cuspiu a lama da boca e, ofendido, reclamou:
— Eu nunca usei um item tão poderoso assim! Era um magocristal do demônio do abismo! Nem o sindicato dos inventores jamais viu um desses, quanto mais testar!
— O quê?! — Martin explodiu. — Repete! De quem você usou o magocristal?!
— Hein? — Hector ficou atordoado. — Ora, era de um grande demônio. Você disse para usar o mais forte no final, e esse era o mais potente que tínhamos na carruagem!
— Eu… eu… — Martin tremia de raiva, o sangue fervia, seu rosto ruborizado, a respiração quente. — Alain! Jogue esse idiota na minha carruagem!
— Sim, senhor! — Alain já queria fazer isso fazia tempo. Aproximou-se, agarrou Hector e o atirou dentro do carro de Martin.
Martin saltou sobre ele, socando repetidas vezes sua cabeça e gritando:
— Eu mandei você usar? Eu mandei?! Imbecil! Você faz ideia… faz ideia de quanto vale aquele magocristal?!
Segurou Hector pelo pescoço e cuspiu em seu rosto:
— Dezessete mil! Dezessete mil moedas de ouro de Eiko! Dava para aquele visconde azarado vender o filho para você fazer o que quisesse!
Arremessou-o ao chão e continuou a surra.
— Idiota! Se eu, Martin, não te arrebentar, não hei de me chamar Martin! — E cada golpe era mais forte que o anterior.
Ao ouvir o número dezessete mil, todos os jogadores ao redor se agitaram, levantando-se para cercar e chutar Hector.
— Dezessete mil! — E ainda tem o carro onze e o vinte e dois! — Nessas carruagens também tinha muito material! — Mais de vinte mil! — Desperdiçador! — Vai morrer!
Até jogadores de outras carruagens correram para dar seus pontapés.
— Isso não é demais? Afinal, foi o Hector que salvou a caravana… — murmurou Chama Rúbia para Menta, a voz sumindo. — Deixa pra lá, esquece o que eu disse.
Menta o encarou com olhos fulminantes, como se ele também fosse cúmplice de Hector.
— Mais de vinte mil moedas de ouro de Eiko, explodidas assim, num puff! — Menta arregaçou as mangas, também ansioso para participar — Esse idiota! Dá vontade de estrangular!
Diante disso, Chama Rúbia apenas calou-se, lamentando em silêncio a sorte do azarado espancado.