06 O Anjo da Morte (3)
A criatura diante deles, o Anjo da Morte, retomou a postura de braços cruzados sobre o peito, alheia ao sofrimento do companheiro caído, imóvel e serena como um verdadeiro anjo. O anjo ferido voou de volta aos poucos, mas sua aparência já não era a mesma: o corpo permanecia idêntico, mas os pés começaram a se inflar, perdendo toda a elegância; as linhas de sua boca se multiplicaram, saliva repugnante escorria entre elas, e a boca se abria e fechava produzindo um som inquietante, como se procurasse algo para morder.
— Deixem comigo o que está intacto. Vocês lidem com o ferido — disse Chama, percebendo que o anjo ferido já não era mais abençoado pela luz sagrada, tornando-se cada vez mais semelhante a um demônio abissal. Se os dois conseguissem derrotá-lo rapidamente, os três juntos teriam chance contra o anjo completo.
— Só temos uma poção de extermínio de demônios, não podemos repetir o ataque de antes — Mint retomou seu tom habitual, brincando. — Segure firme, hein!
— Ah, não se preocupem. Ele não pode me derrotar — respondeu Chama, embora soubesse que também não poderia feri-lo.
— Vamos! Ataquem! — Curien foi o primeiro a avançar contra o anjo ferido.
— Boa sorte! — Mint piscou para Chama, seguindo Curien e preparando seu arco.
Chama soltou um longo suspiro, girou sua espada e encarou seu adversário. — Round tow!
O Anjo da Morte abriu os braços e, empunhando sua espada em cruz, atacou violentamente. Chama manteve-se firme, defendendo o golpe. Os ataques do anjo eram velozes e poderosos, e Chama só conseguia contra-atacar ocasionalmente, sem sucesso; a espada, sem o poder da luz sagrada, era apenas ferro comum, incapaz de causar danos, e o anjo aproveitou para ferir repetidamente o ombro esquerdo de Chama.
Agora, Chama não ousava arriscar mais ataques, focando-se totalmente na defesa. Embora sua espada estivesse cada vez mais desgastada e prestes a quebrar, ainda podia resistir por um tempo.
Enquanto Chama mantinha o impasse, do outro lado, Curien e Mint enfrentavam a fúria do anjo ferido, que rugia com uma raiva abafada, ensurdecedora. Chama olhou rapidamente e viu que as linhas da boca do anjo haviam se rompido completamente, revelando uma boca monstruosa que berrava para o céu, exalando um ar cada vez mais sombrio e denso.
Curien não se intimidou, pelo contrário, parecia animado. — Chama! As linhas da boca! Rasgue-as!
Chama reagiu instintivamente, sem tempo para perguntar mais. Com um movimento amplo, afastou a espada do anjo da morte e, girando com sua espada, atingiu o centro da boca, cortando todas as linhas de uma vez!
Reflexivamente, os dentes do anjo morderam com força, e a espada de Chama, já danificada, soltou um lamento triste antes de partir-se em dois, tornando-se inútil.
Chama não se preocupou com a arma; rolou para o lado e ficou estupefato.
Após destruir a espada, o Anjo da Morte não o atacou. Sua boca, agora livre, abriu-se cada vez mais, revelando dentes aterradores, como agulhas de aço, erguendo-se uma a uma. Então, o anjo estendeu o pescoço, ignorando tudo ao redor, e mordeu sua própria asa!
Sangue dourado jorrou, penas caíram. O anjo devorava suas asas sagradas, mastigando e engolindo-as. Uma após a outra, arrancadas desde a raiz, e suas mãos musculosas rasgavam com fúria. Sua aura mudava: a luz sagrada e o abismo se dissipavam, até desaparecerem completamente; a luz sagrada já não o amparava, e o abismo se tornava cada vez mais intenso, como se sua força aumentasse a cada momento.
Chama, atônito diante daquele horror, não se assustou; sentiu-se animado! Sim, qual era o maior trunfo do Anjo da Morte? Não era a força, mas a fusão entre luz sagrada e abismo, impedindo os jogadores de usarem a luz contra eles — um demônio imune à luz sagrada!
Agora, sem a luz, por mais profundo que fosse o abismo, bastava água sagrada para derrotá-lo!
Ambos os anjos passaram pela mesma metamorfose, assumindo formas completamente diferentes: suas bocas monstruosas se escancaravam, exibindo dentes de aço, saliva escorria sem controle, os braços musculosos cresceram, pendendo como gorilas, as pernas perderam a forma angelical e se tornaram enormes, em posturas grotescas. Não eram mais anjos da morte, mas sim outra espécie de demônio abissal — Devoradores da Morte (fase de crescimento)!
Aproveitando o momento, Chama sacou sua adaga de mithril, que sempre hesitou em usar, e a abençoou com água sagrada. Contra demônios abissais puros, armas de mithril eram a melhor escolha.
Mesmo com a mudança de forma, os Devoradores da Morte não esqueceram seus adversários. Avançaram, braços poderosos atacando. As mãos angelicais cruzadas já haviam murchado, incapazes de empunhar a espada cruzada, retornando ao método de combate mais primitivo.
— Round... three! — Chama sorriu, tomado de espírito combativo, empunhando a adaga.
O ataque do Devorador da Morte era baseado nas mãos e na boca aterradora, transformando-se de espadachim em guerreiro pesado, mas para Chama isso não fazia diferença; com a luz sagrada recuperando seu efeito, bastava usar sua agilidade para enfrentar o demônio até derrotá-lo!
Chama foi aumentando os ferimentos do adversário, até inutilizar uma das pernas. O Devorador da Morte, tomado de fúria, era impotente contra Chama; mesmo sacudindo o chão para dificultar seus movimentos, para um mestre das artes marciais como Chama, era algo facilmente superável.
Por fim, Chama aproveitou uma abertura após um golpe pesado, agarrou a mão esquerda do demônio e pressionou para trás.
Usando as técnicas do mundo real, girou o Devorador da Morte, derrubando-o ao chão, e ergueu a adaga de mithril abençoada para cravar no pescoço.
O demônio percebeu o perigo, rugiu caído. Seu companheiro ouviu o chamado, afastou Curien com força, saltou alto, e desapareceu na frente dele, deixando Curien atônito.
Mint, porém, já estava preparada. Sem hesitar, sacou sua flecha de cristal de gelo, armou o arco e mirou acima de Chama. No instante seguinte, o Devorador da Morte caiu do alto sobre Chama! Um verdadeiro guerreiro não permite o mesmo truque duas vezes! Mint pensou, satisfeita, soltou a flecha. A curta distância foi vencida num piscar de olhos, atingindo as costas do demônio, cuja metade do corpo foi instantaneamente congelada pela explosão de gelo.
Chama nem percebeu o outro demônio sumindo; concentrou-se em cravar a adaga no crânio do Devorador diante dele, extinguindo toda sua vida. O demônio congelado caiu pesadamente ao chão, assustando-o. Ao ver a flecha nas costas do demônio quase morto, Chama virou-se para Mint e mostrou um polegar, recebendo um sorriso doce em resposta.
Chama retirou a adaga, pulou do corpo, e deu um golpe final no outro demônio, eliminando totalmente ambas as criaturas abissais.
Os jogadores da Guilda Tulipa Negra, que só ousavam assistir de longe, finalmente saltaram à frente, celebrando em voz alta. Não era medo, mas sabia que contra demônios de alto nível, a força numérica era inútil e só aumentava as baixas.
Curien não se vangloriou; puxou Chama e Mint, levando-os até os membros da guilda, erguendo suas mãos e bradando: — Venham! Aplaudam! Eles são os heróis que salvaram nossa guilda! Chama! E Menthe!
Os membros aplaudiram, bateram escudos, pisaram forte, homenageando os dois. Se houvesse cerveja, certamente começariam a brindar.
Chama abraçou Curien, sorriu para Mint, prestes a dizer algo, quando de repente olhou ferozmente para a escuridão do castelo.
— Clac, clac, clac... — Era o som de cascos; mesmo com os jogadores tão barulhentos, o som penetrava entre eles, fazendo-os silenciar, olhando para a escuridão, sem saber o que esperar.
A figura de um cavaleiro surgiu das sombras, vestindo uma armadura negra imponente, muito mais ameaçadora que a do Cavaleiro Sem Cabeça, decorada com padrões sinistros que inspiravam terror. No interior do capacete, olhos vermelhos brilhavam com frieza, petrificando todos de medo. Sob seu comando, um cavalo de guerra monstruoso com dentes afiados e garras ameaçadoras fitava os jogadores com olhar sanguinário. O animal carregava lanças, espadas, escudos, todos com aparência feroz, mostrando o quanto seu dono era perigoso.
Imerso na mais profunda escuridão, o cavaleiro parou diante da Guilda Tulipa Negra. Olhou para os demônios derrotados, seu olhar percorreu o Anjo da Morte, o Grande Demônio, o Minotauro, e finalmente observou Chama e os outros três. Com uma voz vinda do inferno, falou:
— Foram vocês que destruíram meus brinquedos? — O olhar gélido do cavaleiro encarava os jogadores como cadáveres.
— Então, estão prontos para aceitar a morte? — Ele puxou as rédeas, e o cavalo de guerra soltou um hálito ardente.
— Eu sou Palavá, senhor de Insenjard, líder dos Cavaleiros Negros, seu terror final!
A ameaça de extinção pairava novamente sobre todos. Desta vez... não havia como escapar!