A Sedução da Estrela Fantasma e a Confissão (3)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2385 palavras 2026-02-08 17:01:35

A bicicleta avançava com um rangido constante, enquanto os dois mantinham um silêncio constrangedor. Imor, sentindo-se um pouco culpado, lançava olhares furtivos para Tong Junwen, que vinha logo atrás. Parecia que ela não estava particularmente furiosa.

— Hum hum! — Imor tossiu secamente. — Wenwen?

— O que é?

— Bem, aquele “Armas do Mundo Fantástico” é... — Imor, inseguro, não ousava perguntar abertamente, alimentando uma esperança de que tudo estivesse bem.

— Hmph! — Tong Junwen apertou com força o tecido da roupa dele, torcendo-o na sua cintura, e Imor soltou um grito de dor.

— Se perguntasse casualmente ao Hoxuan, logo ele entregava tudo! — disse Tong Junwen, rangendo os dentes.

Imor suportou a dor, mostrando os dentes, sentindo-se como se mil cães tivessem passado por seu coração. Hoxuan! Nunca pensei que você, com essa aparência honesta, fosse me trair! Onde está a nossa amizade revolucionária?! Imor queria encontrar esse sujeito para prestar contas.

— Eu... Eu não ia esconder isso de você! — Imor apressou-se em implorar.

— Então por que não me contou antes de eu perguntar? Só fala se eu perguntar?! — Tong Junwen mantinha a cabeça baixa e apertava ainda mais, torcendo.

— Não, não, não! Não foi de propósito, eu juro! — Imor protestou alto. — É uma situação complicada, para ser sincero, nunca imaginei que tomaria esse rumo! Quando eu te mostrar, você vai entender o que está acontecendo!

— Então aquele dia, a presença daquela mulher não estava errada? — Tong Junwen apertava sem cessar. — E era uma estrangeira?!

Imor já tinha se rendido por dentro, só lhe restava gritar, desolado:

— Era só um personagem do jogo! Tudo isso tem explicação! Me deixa explicar!

No meio das brincadeiras e discussões, Imor chegou ao destino: Monte Baofu.

— Templo Bao Yuan? — Tong Junwen olhou, confusa. — Não era sobre o jogo?

Imor estacionou a bicicleta, prendeu-a ao corrimão e puxou a mão dela para subir.

— Logo você vai entender. — Ao se aproximar do templo Bao Yuan, Imor sentiu o coração pesar. — Não se assuste com nada que veja, não importa o que aconteça, eu vou te proteger.

Tong Junwen pareceu afetada pelo tom dele; assentiu e apertou a mão dele, sem dizer nada.

O templo estava cheio de devotos, com fumaça de incenso pairando, como se toda a atmosfera estivesse envolta pela bênção dos deuses. Mas quem, entre todos esses visitantes, imaginaria os acontecimentos terríveis que já se passaram no pátio dos fundos?

Os ajudantes do templo já conheciam Imor; ao vê-lo, abriram com entusiasmo o portão que levava ao pátio traseiro. Imor agradeceu com um aceno e conduziu Tong Junwen para dentro.

O religioso Guizhen estava no pátio, tomando chá; parecia mais tranquilo nestes dias. Afinal, ele sempre pensou ter ido ao mundo dos mortos, mas agora suspeitava ter entrado em um mundo de jogo, o que abalava profundamente suas crenças e sua fé.

Eles cumprimentaram-se. Guizhen olhou para Tong Junwen e questionou Imor:

— Tem certeza de que quer que essa moça saiba de tudo isso?

Imor voltou-se para Tong Junwen. Ela não disse nada, apenas assentiu com firmeza.

— Tenho. Só nós dois não conseguimos enxergar tudo. Wenwen pode; acredito que ela tem forças para encarar a verdade — respondeu Imor.

Guizhen assentiu:

— De qualquer forma, já revirei todos os registros dos mestres antigos e não consigo confirmar se o lugar onde fui é o mesmo onde eles comunicavam-se. Deixar outros verem pode trazer novas ideias.

Para Guizhen, era evidente que nos tempos antigos existia o mundo dos mortos. Na sua tradição, os monges realmente tinham métodos de expulsar espíritos, e desde sempre, não se sabe quantos perigos eliminaram em Longcheng. Mestres de grande habilidade chegaram a entrar no inferno com seus próprios corpos, caçando monstros e demônios. Essas histórias, que parecem exageros ou mitos aos olhos dos outros, para Guizhen são absolutamente reais, pois ele mesmo foi salvo pelo mestre Guangyang das mãos de um espírito maligno!

Ao longo dos séculos, em inúmeros mitos e lendas, quantos são verdadeiros e quantos são inventados? Guizhen não sabia; apenas seguia os registros dos mestres: desde algumas centenas de anos atrás, os monstros tornaram-se cada vez mais raros no mundo, e na sociedade moderna quase desapareceram por completo.

Uns dizem que se trata do advento da era sem leis, outros afirmam que o céu fechou os caminhos para o mundo dos homens, e há quem diga que a Terra perdeu os recursos necessários para o cultivo, levando deuses e monstros a abandonarem o planeta.

Graças aos registros preservados pela tradição, Guizhen não sabia se existia mesmo o céu, raramente alguém via deuses, mas a existência de monstros, espíritos e do mundo dos mortos era indiscutível; o mestre Guangyang visitou muitos desses lugares, enquanto Guizhen não tinha permissão para acompanhá-lo.

Guangyang dedicou a vida a buscar vestígios do Caminho Celestial, mas nunca encontrou nada. Não havia caminho, não havia transcendência, não havia rastros de deuses ou do céu, muito menos aproximação com o Caminho Celestial. Apenas terras dominadas por monstros e espíritos. Parecia que este era um mundo cobiçado por criaturas malignas, e a proteção dos deuses, nada além de desejos ingênuos dos mortais.

Guizhen também quis acompanhar Guangyang, mas foi recusado — sua habilidade era insuficiente, os lugares que Guangyang explorava não eram acessíveis a Guizhen.

Naturalmente, Guangyang não viajava sozinho; os pais de Imor, Dongbo Yi e Minxi Yu, ocasionalmente viajavam com ele. Guizhen não comentava sobre isso com Imor — se Dongbo Yi e Minxi Yu quisessem que o filho soubesse, contariam; se não contassem, era porque o momento ainda não havia chegado.

Neste evento, Guizhen sentia medo, mas muito mais entusiasmo. Achava que finalmente tinha o direito de explorar outros mundos, mas Imor logo destruiu essa ilusão.

Era um jogo? Monstros vindos de um jogo? Ou Guizhen teria entrado em um mundo virtual? Ele estava confuso.

Após esses dias, Guizhen chegou a algumas conclusões: não importava a verdade; se o monstro era idêntico ao do jogo, por que não participar? Talvez ali encontrasse respostas. Era o mesmo pensamento de Imor, e Guizhen já havia comprado um VRI, pronto para entrar no mundo do jogo à noite.

Guizhen, mergulhado em pensamentos, conduziu os dois para dentro da casa, abriu a porta do porão, de onde pareciam vir gritos assustadores.

Guizhen ia à frente, Imor logo atrás, enquanto Tong Junwen hesitava.

Imor voltou para pegar a mão dela, sentindo-a fria. Ela parecia perceber algo, estava pálida e com medo.

Imor acariciou o dorso da mão dela, tentando acalmá-la, e lhe lançou um olhar tranquilizador. Tong Junwen respirou fundo duas vezes, sorriu para ele e balançou a cabeça, indicando que estava bem, seguindo-o escada abaixo.

O grupo avançou pelo corredor do porão, e a cena que mudaria para sempre a visão de mundo de Tong Junwen — aguardava ao final do caminho!