Um encontro tão intenso quanto uma tempestade furiosa!
Depois de tomar banho, deitou-se em seu quarto e logo percebeu que seu celular estava quase explodindo de tantas mensagens de Hou Xuan.
"Entre online."
"Entre online!"
"Vai entrar online?"
"Por que diabos você não entra online?!"
"......"
Havia mandado umas dez ou mais mensagens.
"..." Imo ficou sem palavras.
Ele tirou da mochila o saquinho onde estava o VRI, ajeitou o aparelho, pediu desculpas mentalmente a Tong Junwen e ligou o dispositivo.
O VRI emitiu uma luz suave; o LED de inicialização piscava sem parar e, depois, ficou constante. Imo colocou o VRI na cabeça, ajustou bem e, já deitado debaixo do cobertor numa posição confortável, puxou a tela para si.
"Biip!" O VRI detectou o sinal, iniciando a varredura.
"O novo mundo será criado por você!" O enorme logo da Companhia dos Escolhidos flutuava na tela, acompanhado do slogan da empresa.
Depois apareceu a tela de abertura e o logo de "Armas do Mundo Ilusório".
"Boa noite, querido jogador."
"A noite é profunda, mas a vida no novo mundo está só começando. Para um sono melhor para você e sua família, por favor, ative o modo de inserção para jogar. Divirta-se!"
A tela escureceu e, em seguida, uma animação em CG de tirar o fôlego surgiu. Embora já tivesse visto em uma tela comum, era a primeira vez que via com o VRI. Vivenciar aqueles cenários grandiosos em primeira pessoa era realmente empolgante. Mesmo Imo, que não era muito fã de jogos, já estava tomado pela expectativa.
No fim, a imagem congelou na tela inicial: o corpo de Imo, formado por seus membros ilusórios, estava no centro, com alguns painéis flutuando ao redor para ajustar a aparência. O sistema informava que, na primeira entrada no jogo, era possível personalizar a aparência, mas depois não haveria mais como mudar. Em teoria, alguém podia até criar uma personagem feminina e virar uma garota fofa, mas Imo não tinha esse tipo de interesse.
Apenas fez alguns ajustes, deixou o penteado mais adequado ao jogo — ou seja, mais extravagante — e decidiu sua imagem.
"Por favor, insira seu nome de batalha."
A explicação abaixo dizia que o nome de batalha seria o equivalente ao ID do jogo, mas, ao contrário dos IDs tradicionais onde se podia escolher nomes estranhos à vontade, "Armas do Mundo Ilusório" era um MMO de realidade virtual, onde toda a interação, seja com pessoas ou NPCs, era feita por voz. Portanto, nomes bizarros como "Garotinha de 15 anos obrigada por sete professores a fazer lição de casa" não existiriam. No conceito dos NPCs, os jogadores eram seres chamados "Guerreiros de Outro Mundo", então o nome precisava ser normal e reconhecido por voz. A IA cuidava para evitar nomes esquisitos, embora houvesse brechas: não dava para usar "Tiozão de cueca na cabeça", mas dava para usar "Homem da Cueca" ou simplesmente "Cueca", se a vergonha permitisse.
Imo não hesitou e escreveu "Fogo Ardente", nome que costumava usar.
"Por favor, diga em voz alta seu nome de batalha para criar seu personagem!"
"...", Imo hesitou um pouco, sentindo-se levemente envergonhado. "Fo... Fogo Ardente..." — sussurrou, quase como um mosquito.
Mas a IA não se comoveu.
"Por favor, diga em voz alta seu nome de batalha para criar seu personagem!" — piscou de novo.
Imo cerrou os dentes, fechou os olhos e gritou: "Fogo Ardente!"
"Parabéns, personagem criado. Agora, entre no novo mundo!"
Com o grito, as duas palavras "Fogo Ardente" apareceram acima da cabeça de seu personagem, indicando que já podia ser usado. Ele clicou novamente no personagem e a visão aos poucos mergulhou na escuridão.
"Deseja usar o modo de inserção?"
Imo confirmou, e, no instante seguinte, o VRI brilhou suavemente; seu corpo estremeceu e, sem som algum, como se adormecesse. A noite era longa.
...
O modo de inserção permite operar o jogo completamente com os membros ilusórios. Eles proporcionam os cinco sentidos e a sensação de corpo físico, quase indistinguíveis do real. Esse modo garante uma experiência completamente imersiva e permite que o corpo adormeça, perfeito para jogar durante a noite. — Manual de Instruções do VRI
...
Sentindo-se como se tivesse acabado de acordar, Imo recobrou a consciência. Abriu os olhos e viu-se em um salão majestoso, banhado por uma luz estranha, clara, mas não ofuscante.
Olhou para o próprio corpo. Era uma sensação curiosa, pois, embora já tivesse experimentado os membros ilusórios na inicialização, agora o corpo era recém-criado por ele mesmo. Sentiu-se como se uma estatueta tivesse ganhado vida. Passou a mão pelo cabelo extravagante, satisfeito: continuava estiloso!
Enquanto explorava o próprio corpo, uma jovem atravessou o salão em sua direção. Ela usava o uniforme da Companhia dos Escolhidos, era alta, o uniforme justo destacava o busto avantajado, ostentava um corte de cabelo prateado na altura dos ouvidos, lábios finos num sorriso suave, saia curta, meias brancas e sapatos envernizados. Caminhava com leveza, iluminada pela luz.
Imo, ainda desorientado, pensou que fosse outra jogadora. Sabendo que estava num jogo, sentiu-se mais à vontade e até se aproximou: "Oi, tudo bem? Também é nova por aqui? Onde estamos?"
A jovem nada respondeu. Parou diante dele, mantendo o sorriso perfeito, e disse: "Boa noite, senhor. Sou a elfa-guia do Salão da Reencarnação. Deseja escolher agora a cidade de sua primeira reencarnação?"
"Ah," Imo percebeu o engano, coçou o nariz envergonhado, mas ainda bem que ninguém viu. "Então é um NPC... Que susto. Por que fazem tão realista assim?"
Embora já tivesse se acostumado com os membros ilusórios, ainda não tinha visto ninguém no modo de inserção. A elfa-guia era incrivelmente parecida com uma pessoa real; na verdade, era até mais perfeita. A primeira impressão foi tão impressionante que Imo não parava de encará-la. Observou de todos os ângulos, até circulando em volta dela, murmurando, admirado.
"Deseja escolher agora a cidade de chegada?" A expressão da elfa estremeceu levemente, mas manteve a postura impecável e repetiu a pergunta.
"Vendo de perto, não dá pra dizer que não é uma pessoa de verdade..." Imo ignorava a pergunta, analisando de todos os lados, "Será que o toque é tão real? Ah, isso já é meio impróprio..." ficou sem jeito, coçou a cabeça.
O sorriso da elfa ficou cada vez mais tenso, mas ela continuou repetindo, mecânica: "Deseja escolher agora a cidade de chegada?"
"Mas, afinal, ninguém sabe, né?" Imo olhou a pele quase luminosa da elfa, sentindo-se tentado. "E se... eu tocasse só pra ver?"
O corpo da elfa pareceu estremecer; as pernas firmes e volumosas quase chutaram, "Por favor, escolha logo a cidade de chegada e inicie sua experiência no novo mundo."
"Certo!" Imo respondeu de repente. A elfa demonstrou surpresa e ia falar, mas percebeu que a mão dele já pousava em seu ombro.
"Só um apertinho..." Imo murmurou, apertando de leve o ombro dela, admirado: "O VRI é mesmo incrível, igualzinho à realidade!" E, dizendo isso, subiu a mão e beliscou o rosto suave da elfa, os olhos brilhando, boca em formato de O.
"Isto... a sensação é fantástica!!!" Imo ficou tão entusiasmado quanto um macaco em época de acasalamento, sem perceber o sorriso forçado e raivoso da elfa, prestes a perder o controle.
"Por favor! Jogador! Escolha logo! Para! Começar! Sua experiência no novo mundo!" A elfa segurava a expressão de explosão com um autocontrole monumental.
Mas Imo, completamente absorto na estreia do VRI, ignorava os avisos e o esforço da elfa para se conter. Só queria descobrir até onde ia o realismo do VRI.
Passou a mão pelo queixo, observando o busto avantajado: "Isso aqui está exagerado... Será que a Companhia dos Escolhidos não é meio pervertida? Mal começamos o jogo e já mostram isso, é um mau exemplo para os jovens."
"Que tal... tentar mais uma vez?" Imo, achando que era só um jogo, finalmente compreendia o fascínio daqueles jogadores que, ao experimentar VR pela primeira vez, tentavam levantar a saia das personagens femininas. A tentação de explorar gestos atrevidos, impossíveis na vida real, vinha à tona diante de uma simulação tão realista.
"Tentar!" Imo levantou a mão em direção ao peito da elfa, observando a aproximação da própria mão. Engoliu em seco.
"Glup!" O som ecoou pelo salão silencioso.
A elfa não suportou mais; o esforço para manter a compostura se rompeu num estalo.
"Você..." A prancheta da elfa bateu na cabeça de Imo, que ficou perplexo.
"Tarado..." E ela desferiu um chute no abdômen dele. Embora a dor dos membros ilusórios fosse metade da real, o impacto foi suficiente para Imo sentir os olhos saltarem.
"Sem vergonha..." Outro chute no traseiro, e ele caiu de cara no chão, espalhado no piso reluzente.
"... seu canalha!" A elfa pisoteou sua cintura, uma palavra por vez, "Morra! Morra! Pervertido! Canalha! Lixo! Escória!"
Imo estendeu a mão, como se quisesse dizer algo, mas, debaixo da fúria da elfa, desmaiou com os olhos virados.
...
Embora "desmaiar em sonho" soe estranho, essa era exatamente a situação de Imo.
Acordou com um incessante som de estalos. Ainda meio atordoado da surra, massageou o abdômen e a lombar doloridos, percebendo que talvez a elfa não fosse um NPC, mas uma pessoa real, possivelmente uma GM. Tinha arranjado confusão com a GM do jogo e não fazia ideia de qual punição receberia.
Abriu os olhos inchados, e a visão turva foi se aclarando. Logo percebeu qual fora sua punição.
"Fantasma... fantasma... fantasmaaaa!!!" Imo gritou, correndo desesperado. "Socorro! Tem fantasma aqui!!!"
Ao redor, só havia um cemitério arruinado. A terra revirada em diversos pontos, de onde saíam cadáveres enegrecidos e esqueletos. O som dos ossos batendo era um coro sinistro.
"Clac clac, clac clac." O número de mortos-vivos e esqueletos só aumentava; por todo lado, rostos aterradores e caveiras com carne podre pendurada. Para Imo, que experimentava o VRI pela primeira vez e vinha sofrendo com fenômenos sobrenaturais, aquilo era estímulo demais!
"Ah!!! Ali também!!! Socorro, tem fantasma!!!" Imo estava à beira do colapso. Esqueceu que estava num jogo, fugia dos mortos-vivos em pânico total, sem saída.
"Não, não venham! Socorro, tem fantasma!" Imo pegou uma cruz de madeira podre e começou a brandi-la contra os mortos-vivos, encurralado num canto. Eram tantos, que já não havia como escapar.
"Não venham!!!" Imo arremessou a cruz no morto-vivo mais próximo e, para sua surpresa, desmontou a criatura! Ficou surpreso, percebendo que até fantasmas podiam ser derrotados e, afinal, ele era um gênio das artes marciais!
Sem alternativa, decidiu lutar. Olhou para si, vestia apenas as roupas simples iniciais e uma camiseta. Rasgou a túnica em duas faixas, enrolou nos punhos e assumiu a postura de combate. Ainda com medo, criou coragem, testou alguns socos, confirmou que o corpo respondia, e aproveitou uma brecha para avançar, gritando para se animar.
"Não importa que tipo de monstros ou mortos-vivos vocês sejam!" Desviando das garras de alguns mortos, "Este é um mundo materialista! Mortos e fantasmas devem voltar ao pó!" — deu um chute que despedaçou um esqueleto tentando agarrar seu tornozelo. "Mesmo que sejam demônios, vão provar do meu..." Baixou a cabeça, escapou de mais alguns mortos-vivos, e desferiu um soco poderoso num monstro de focinho pontudo e cauda longa que bloqueava o caminho.
"Punho de ferro do materialismo!" O monstro girou pelos ares com o golpe. "Voltem todos para debaixo da terra!"
Sob o luar pálido e sinistro, entre árvores secas, castelos antigos e cemitérios, os punhos encontraram ossos e pó.
Naquele ermo, só se ouviam os uivos dos fantasmas e o lamento dos cães famintos.
Assim se deu o encontro tempestuoso e irresistível entre Imo e ela.