03 Início da Conquista (1)
Imor vestiu a armadura leve fornecida pela Companhia da Tulipa Negra, uma experiência totalmente nova para ele; até então, só tinha visto soldados armados assim na televisão, e agora finalmente podia experimentar algo real. Escolheu duas armas: uma adaga presa à cintura, essencial para se mover nas áreas estreitas do castelo, e uma Claymore, geralmente traduzida como espadão ou espada larga.
Com o tamanho colossal de uma espada capaz de cortar cavalos, a Claymore mostrava seu valor ao enfrentar múltiplos inimigos ao mesmo tempo. Normalmente, apenas jogadores de estatura avantajada conseguiam empunhar tal arma com destreza. Por isso, os membros da Tulipa Negra ficaram boquiabertos ao ver Imor manejando-a com facilidade.
“Embora eu soubesse que você era forte, jamais imaginei que escolheria essa arma”, comentou Curien, surpreso ao observar Imor brandindo a Claymore de um jeito totalmente diferente dos europeus. Em geral, quem usava essa espada dependia da própria altura para controlar o metal de um metro e meio, alternando golpes largos e potentes. Imor, no entanto, mal chegava a um metro e oitenta, mas manejava a longa lâmina, quase ao nível do ombro, aproveitando a força centrífuga com saltos e movimentos ágeis, parecendo um macaco, alternando cortes de cima para baixo, de lado a lado, e surpreendentemente, sua espada parecia ainda mais rápida do que as espadas longas dos outros.
“Eu não quero jamais me aproximar daqueles zumbis e esqueletos de novo. Quanto maior o alcance da arma, melhor”, disse Imor satisfeito com sua escolha. Se tivesse tido uma arma assim antes, não teria ficado preso naquele cerco interminável.
“Se está pronto, vamos partir!”, exclamou Curien. Na verdade, a Tulipa Negra já estava preparada para invadir o castelo; só faltava mesmo esperar por esse elemento inesperado chamado Imor.
Com a ordem dada, os jogadores seguiram em direção ao castelo.
“O objetivo de hoje é limpar a vila e o cemitério, restringindo o movimento dos monstros e garantindo uma rota de retirada segura!” O subcomandante Eude transmitia o plano da operação enquanto marchavam. Os membros responderam em uníssono, dividindo-se em pequenos grupos de combate e dispersando-se pela vila.
No jogo “Armas do Mundo Ilusório”, os monstros não ficam parados esperando para serem mortos; eles sempre atacam de locais e em momentos inesperados. Por isso, para conquistar o covil dos monstros, era necessário enfrentá-los de frente e eliminar todos, pois, mesmo que cumprissem o objetivo, poderiam acabar cercados e massacrados se deixassem alguma ameaça para trás.
A primeira regra do “Manual de Sobrevivência da IAO” era clara: garantir sempre uma rota de fuga segura e evitar ser cercado sem perceber!
Ao voltar àquela vila, Imor logo notou a diferença em relação à última vez. A noite era quando os zumbis se tornavam mais ativos, emergindo do solo como cães raivosos para atacar qualquer um. Mas durante o dia, se escondiam debaixo da terra, desaparecendo sem deixar rastros. O trabalho dos membros era encontrar indícios dos zumbis, desenterrá-los e garantir que morressem mais uma vez.
Imor sabia que aqueles zumbis comuns não eram ameaça para ele, mas ainda assim sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha. Em cada montículo à beira do caminho ou entre as ruínas, havia corpos animados escondidos, e agora teriam que desenterrá-los um a um, correndo o risco de receber uma mordida inesperada. Ainda não acostumado a batalhas tão brutais, Imor recusou-se a participar dessa tarefa; já estava suficientemente abalado pelos terrores recentes.
Mas para enfrentar esses zumbis comuns, não precisavam de Imor. Ele prendeu a Claymore às costas, cruzou os braços e seguiu tranquilamente ao lado de Curien e Menthe.
“Pensando bem, avaliamos errado a dificuldade desta missão”, comentou Curien, revelando detalhes internos da tarefa. “O Visconde Elios jamais mencionou a hostilidade do Marquês de Sayeh.”
“Mas… O Marquês de Sayeh não gostava do Visconde Elios? Ouvi dizer que queria até casar a filha com ele. Do contrário, Elios não viveria em Colônia, não é?”, questionou Menthe, confusa.
“Coisas de nobres… Quem pode dizer? O fato é que o Marquês de Sayeh emboscou e exterminou o grupo de mercenários reunido por Elios. Apesar de termos aceitado a missão secretamente, o Marquês pode já estar ciente e talvez esteja esperando para nos atacar na volta”, Curien esboçou um sorriso frio.
“Espera… Quanto mais escuto, menos entendo…” Imor sentia que aquele jogo era bem diferente do que imaginava. “O que vocês estão dizendo não é só o pano de fundo da missão, mas… fatos reais? O Visconde Elios era uma ameaça para o Marquês de Sayeh, que fingia amizade enquanto aniquilava seus mercenários? Eles chegam ao ponto de armar emboscadas para jogadores? E podem nos matar?”
Curien sorriu e assentiu. “É exatamente isso. Entendo sua surpresa; muitos jogadores pensam o mesmo. No início, tudo parece só história de fundo, mas quem se aventura de verdade percebe que esses eventos são reais e mudam o tempo todo. A superfície esconde verdades muito diferentes. Quem trata os NPCs apenas como figurantes programados acaba sendo enganado e perdendo tudo.”
“Isso… Vai além do que eu imaginava. Achei que os NPCs só tinham inteligência artificial avançada, mas pelo jeito formam uma sociedade verdadeira”, murmurou Imor, admirado.
“Chamamos de NPCs, mas, honestamente, parecem pessoas reais. Aposto que passariam no teste de Turing!” disse Curien, abrindo os braços.
O teste de Turing avalia se uma IA possui inteligência humana; se os NPCs da Companhia dos Escolhidos já alcançaram esse patamar, o mistério por trás dessa empresa é profundo.
“Quem sabe este jogo não seja mesmo um mundo real?”, brincou Menthe, piscando enquanto andava de costas ao lado de Imor. “Afinal, eu sou…”
“Ei, Menthe! Cuidado!” interrompeu o grito urgente de Lucas. “Monstro à vista!”
Um monstro veloz foi encurralado contra um muro de pedra na beira do caminho e, ao avistar Menthe de costas, arreganhou os dentes afiados e lançou-se, como um raio, em direção ao pescoço dela!
No instante seguinte, quando todos pensavam que Menthe seria atingida, uma enorme espada surgiu à sua frente. O impacto foi tão forte que uma presa do monstro se quebrou.