07 Rumo à Loja de Experiência C1

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 3323 palavras 2026-02-08 16:53:37

— Não se esqueça, hein! Hoje à noite tem que ir para a Cidade dos Oito Horizontes, não vá para outro lugar. Embora no Armamento do Mundo Ilusório se possa migrar livremente, se você for parar no lugar errado, vai perder um tempão só para chegar ao ponto certo. Assim, o período de iniciante vai durar ainda mais! — Xuanchuan repetiu inúmeras vezes, temendo que Imor acabasse se perdendo. Não havia outro jeito: depois de tanto tempo jogando, Xuanchuan sabia reconhecer um talento, e Imor tinha exatamente o perfil certo para se destacar num jogo de realidade virtual. Com um pouco de tempo, Imor certamente se tornaria um jogador extraordinário de IAO.

Imor, porém, não parecia muito atento, respondendo distraidamente a Xuanchuan, enquanto sua mente divagava sobre aquela criatura que vira, tentando descobrir como abordá-la.

Passou-se mais de meia hora até que finalmente chamaram Imor.

— Senhor Imor, número 174, por favor, dirija-se à área de desembalagem! Senhor Imor, número 174, à área de desembalagem! — ecoou a voz pelo alto-falante.

— É a sua vez — disse Xuanchuan, dando-lhe um leve empurrão. Imor assentiu e caminhou com sua senha em mãos.

O funcionário recolheu a senha e colocou a caixa do equipamento sobre a mesa, desembrulhando-a. Enquanto encaixava algumas pequenas peças, foi explicando o funcionamento a Imor, certificando-se de que ele entendia todos os detalhes importantes. Por fim, fez um gesto convidativo, indicando que ele entrasse na sala de vidro onde estavam quatro poltronas ovais e suspensas.

Imor pegou seu equipamento e se aproximou, sendo guiado por uma atendente até o assento.

— Por favor, sente-se na poltrona-ovo, certifique-se de estar bem acomodado e na posição mais confortável possível.

Imor entregou o VRI para a moça e, cauteloso, sentou-se no assento. Apesar da tecnologia de levitação já existir há alguns anos, era a primeira vez que ele usava algo assim; só tinha visto na TV, então estava um pouco nervoso, temendo que caísse de repente no chão. Mas, uma vez acomodado, percebeu que a sensação era muito melhor do que imaginara: deitado ali, podia ajustar a altura e o balanço da poltrona, simulando desde sofá a cama d’água, balanço ou superfície líquida, com vibrações realistas. Mesmo ao reclinar, não havia o menor risco de ser lançado para fora — era mais confortável do que qualquer cadeira tradicional. Chegou até a pensar em comprar uma para casa.

Depois de se ajeitar, ouviu a atendente recomendar:

— Por gentileza, prenda o cinto de segurança, por precaução.

Imor obedeceu, prendendo-se firmemente. A atendente apertou um botão, e a poltrona-ovo inclinou-se levemente para trás, passando Imor da posição sentada para deitada.

Ela então lhe colocou o VRI, pedindo que ele mesmo o ajustasse; Imor fixou o visor sem deixar qualquer fresta e prendeu bem os fones de ouvido. Ainda podia enxergar a atendente através das lentes, e, ao vê-la perguntar com o olhar, fez um gesto de “ok” com a mão.

Ela sorriu e disse:

— Atenção, senhor, estamos prestes a iniciar o VRI. Durante a inicialização, mantenha-se em silêncio e siga as instruções. Não grite nem movimente o corpo até o processo ser concluído. Muito obrigada pela colaboração! Pode haver algum desconforto, mas é passageiro e não traz nenhum risco à saúde. Aproveite a experiência e até daqui a pouco!

Despedindo-se com um aceno e um sorriso, ela saiu. A visão de Imor foi escurecendo gradativamente, até restar apenas trevas, sem distinguir mais nada. O som do mundo exterior se desvaneceu, mergulhando-o numa quietude absoluta, enquanto a poltrona-ovo entrava em ação.

De repente, faíscas de luz romperam o breu, formando os logotipos da C1 e do VRI. O sistema estava ativando.

“Prezado usuário, mantenha-se calmo e realize os movimentos conforme minha orientação.” As palavras surgiam no escuro, pairando fixas diante de Imor, nítidas como se estivessem escritas numa parede invisível.

“Primeiro, vamos registrar os sinais nervosos do seu braço e mão esquerdos.” Uma mão virtual apareceu no vazio; Imor pensou que fosse a sua, mas ao mexer os dedos percebeu que era apenas uma projeção.

Um esquema de movimentos surgiu.

“Siga as instruções do gráfico e movimente o braço e a mão esquerdos.”

Imor ergueu o braço e reproduziu cada movimento; à medida que completava cada um, os ícones ficavam verdes.

“Obrigado pela colaboração.”

“A partir de agora, você pode controlar o membro virtual com a mão esquerda.”

“Repita lentamente cada movimento até que o membro virtual também consiga executá-los.”

Imor, hesitante, ergueu a mão esquerda e logo percebeu a mão virtual tremendo levemente, o que o assustou.

“Mantenha a calma, repita os movimentos com paciência.”

Recobrando o foco, ele repetiu cada gesto com tranquilidade. O membro virtual, a princípio, só tremia, mas aos poucos seus movimentos tornaram-se maiores e mais fluentes, até que em pouco tempo Imor já o controlava perfeitamente. Curioso, levou o braço virtual diante do rosto para observar. Ainda que os detalhes fossem simples, não havia dúvida: era ele quem guiava cada ação.

“Parabéns, você concluiu o primeiro exercício.”

“Os próximos passos exigem ainda mais paciência. Mantenha-se calmo.”

“Agora, sem mover o braço real, tente movimentar o membro virtual apenas pelo sinal nervoso.”

“É hora de usar sua imaginação!”

Imor ficou um instante sem reação, mas entendeu o objetivo: era como mover objetos com o pensamento! Algo impossível no mundo real, mas que o VRI permitia na realidade virtual.

Esse estágio levou mais tempo: cinco minutos inteiros até conseguir mover o membro virtual apenas com o pensamento. Ao ver o braço voando sob seu comando mental, Imor ficou maravilhado — a tecnologia já tinha chegado a esse ponto?

O que ele não sabia era que, normalmente, as pessoas levavam de dez a quinze minutos para completar essa fase. Ele fizera em cinco — um desempenho que nem “impressionante” descrevia.

O próprio sistema demonstrou surpresa:

“Muito bem! Você é um gênio! Sincronização perfeita, digna de um prodígio!”

“Agora, repita o processo com a mão direita.”

Imor então fez os mesmos exercícios com o braço direito, a perna esquerda e a perna direita.

“Parabéns, você já domina as operações básicas do VRI.”

“Agora utilize seus membros virtuais para concluir as tarefas a seguir.”

“Tarefa um: teste de corrida cruzada. Com a mão esquerda, segure o tornozelo direito; com a mão direita, o tornozelo esquerdo. Corra cinquenta metros no cenário virtual.”

Era uma tarefa estranha: cruzar as mãos facilmente gerava comandos confusos. Mas Imor logo se adaptou, completando os cinquenta metros rapidamente.

“Excelente, você já domina o uso dos membros virtuais!”

“Tarefa dois: teste de captura de bolas coloridas. Agora, seus membros virtuais mudarão de cor aleatoriamente. Não pegue bolas da mesma cor do membro. Se errar, ficará paralisado por três segundos. Capture mais de quatrocentas bolas em sessenta segundos.”

Imor quase entrou em desespero. Para uma pessoa comum, sem a mudança de cor, já seria difícil pegar trezentas bolas. Agora pediam quatrocentas, com a proibição de capturar bolas da mesma cor? Que tipo de jogadores esse jogo atraía afinal? Além disso, o desafio mental era maior do que parecia: evitar uma cor exige mais tempo do que escolher uma.

Imor rangeu os dentes e começou.

Primeira tentativa: paralisado aos dez segundos, depois aos vinte e três — fracasso total!

Segunda: paralisado aos dezenove segundos, no fim conseguiu trezentos e setenta — falhou de novo.

Terceira: prendeu a respiração, concentrou-se totalmente e, finalmente, capturou quatrocentos e trinta e quatro bolas! Sucesso.

Se até o teste era assim tão difícil, será que tanta gente realmente ansiava em jogar esse jogo? Imor se questionou.

“Você foi incrível! Parabéns!”

“Tarefa três: teste de escalada e salto. Agora, seu corpo ignora as leis da física. O espaço à sua volta logo será preenchido; agarre-se nos objetos que surgirem dos lados e escale até a plataforma a seiscentos metros de altura, em sessenta segundos.”

Na primeira rodada, Imor ficou preso entre duas placas a duzentos metros de altura. Mas, graças ao “hack” de ignorar Newton, na segunda tentativa conseguiu chegar ao topo por pouco.

“Tarefa quatro: este é um labirinto tridimensional. Use seus membros virtuais para girá-lo e movê-lo, e desenhe sua rota de fuga.”

Imor pensou que não era à toa que se tratava de um produto de alta tecnologia — só para conseguir a permissão de uso já era complicado.

O labirinto era difícil: ainda que fosse apenas a versão tridimensional de um comum, sua complexidade era dez vezes maior. Imor levou quase dez minutos tentando até conseguir.

“Tarefas concluídas, ótimo desempenho!”

“Fase encerrada.”

“Relaxe. A seguir, exibiremos imagens para acalmar seus nervos.”

O espaço escuro desapareceu, dando lugar a um jogo de luzes cintilantes. No início, era impossível distinguir profundidade; aos poucos, tudo foi ficando mais nítido, e Imor sentiu-se avançando lentamente.

Incontáveis pontos de luz começaram a brilhar, formando padrões extraordinários ao longo de trajetórias misteriosas: poliedros que mudavam de tamanho conforme o ângulo, garrafas de Klein giratórias, e outros formatos que Imor jamais vira. Ele apenas seguia com o olhar, vendo as estruturas girarem à sua volta e sumirem ao fundo.

As luzes se multiplicaram, até formar diante dele uma galáxia imensa. A grandiosidade e beleza da cena eram tão impressionantes que Imor até se esqueceu de respirar.

Pouco a pouco, os pontos de luz se dispersaram, compondo um espaço branco sem fim à vista.