11 Sair e a Inveja

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 3382 palavras 2026-02-08 16:56:17

O céu mal começava a clarear quando, como de costume, o despertador de Imar tocou pontualmente em seu quarto. Com um movimento rápido, Imar silenciou o aparelho, interrompendo o ruído abruptamente.

Deitado na cama, Imar usava o VRI na cabeça, que emitia uma tênue luz azul. “Obrigado por utilizar os produtos da nossa empresa, até a próxima!” “Um novo mundo criado por você!” Com um breve sinal sonoro, a tela se fechou, as lentes completamente vedadas se abriram, e o VRI afrouxou, revelando os olhos de Imar.

Por um instante, Imar ficou confuso, sem perceber onde estava; era como se tivesse saltado do castelo antigo para seu quarto, causando-lhe uma estranha sensação de deslocamento temporal. Apoiou-se com as mãos e sentou-se; seu corpo, imóvel a noite inteira, estava rígido. Ele se alongou, retirou o VRI e o depositou ao lado, esfregou o rosto e finalmente compreendeu que não estava mais naquele outro mundo.

Pegou novamente o VRI e, ao contemplar a lente e o símbolo C1 da Companhia dos Eleitos, perdeu-se em pensamentos, acariciando o aparelho até sorrir inesperadamente.

“Olá, novo mundo!”

Eram 6:03 da manhã. Como sempre, Imar ligou a música e, ao som suave do violão, começou a se lavar e trocar de roupa. Organizou-se, desceu até o jardim do condomínio, correu duas voltas e praticou boxe, repetindo a rotina habitual. Mas, em seu íntimo, sentia que aquele mundo já não era o mesmo, ele próprio havia mudado. Imar não era apenas Imar; era também Chama Ardente, o principiante recém-chegado ao jogo, o ranger das terras ermas.

Talvez não devesse chamar aquilo de jogo, talvez fosse realmente um novo mundo.

No universo de “Armadura Fantástica”, Imar finalmente encontrou um novo caminho. Sua arte marcial, apoiada pelo vigoroso corpo do membro fantasma, parecia tocar os limites de um nível superior; as amarras que o prendiam na realidade não existiam ali, e Imar desejava passar todos os seus dias naquele mundo. Contudo, ainda não podia se dedicar integralmente àquele universo; como candidato ao vestibular, Imar mantinha seu profissionalismo, cumprindo com seriedade todas as tarefas até o fim — seu lema de vida.

Voltou para casa, tomou um banho rápido, secou-se, vestiu o uniforme do ensino médio e se preparou para encontrar Tong Junwen e irem juntos à escola.

...

“Imar está especialmente feliz hoje”, comentou Tong Junwen, sentada na garupa da bicicleta, balançando os pés.

“Ah, é mesmo?” Imar, um pouco constrangido, tocou o nariz.

“Está sim!” afirmou Tong Junwen, sem hesitar.

“Deve ser porque dormi profundamente esta noite! Um sono até o amanhecer!” Imar riu.

A garota encostou o rosto em suas costas e, após um tempo, disse suavemente: “Se sentir que a pressão está demais, Imar, você pode desistir.”

“Boba, aquilo que prometemos, claro que vou me esforçar para realizar.” Imar acariciou a mão de Tong Junwen. “Seja como for, é o último ano do ensino médio.”

O cronograma do Colégio Nuvem Suave começava às sete e meia com a leitura matinal, seguida de dez minutos de descanso e, às oito, as aulas. Como secretária do grêmio estudantil, Tong Junwen precisava estar no escritório às sete, obrigando Imar a chegar cedo também.

Imar, inicialmente, pensava que Tong Junwen jamais aceitaria o cargo no grêmio estudantil, dadas suas características, mas ela surpreendeu ao assumir a secretaria e lidar diariamente com tarefas administrativas. Tong Junwen nunca explicou a razão, mas Imar acreditava que ela realmente queria viver intensamente o ensino médio.

Naquele dia, ao entrar na sala, Imar percebeu que Hou Xuan ainda não havia chegado. Geralmente, Hou Xuan era dos primeiros, pois vinha de carro com o pai, um verdadeiro workaholic. Hou Xuan era acordado pelas empregadas às cinco e meia, lavava-se, vestia-se e tomava café com a família, chegando à escola antes das sete; o pai começava a inspecionar a empresa pouco depois das sete, como um rei examinando seu domínio.

Imar, ao ouvir Hou Xuan contar sobre a rotina, sentia pena mas também admirava a disciplina do pai — ser rico não era fácil.

Sentado em seu lugar, Imar, entediado, pegou o celular e começou a pesquisar informações sobre o jogo, sobretudo sobre os monstros do Subterrâneo de Fengdu. Depois de uma noite de sustos, já se habituara àquelas criaturas, talvez pela força do membro fantasma; sentia menos medo de eventos sobrenaturais na vida real. Afinal, fantasmas também podem morrer, e Imar estava estranhamente confiante.

“Imar, falta um mês para a prova final. Como está o estudo? Sente pressão?” Uma voz masculina, gentil, soou ao lado.

Imar olhou: era Pang Xiuqing, o representante de classe. Sempre cortês, admirado pelas garotas, mas constantemente lançando comentários irônicos a Imar, que não tinha muita paciência com ele.

“Obrigado pela preocupação, grande representante. Como sempre, estou comendo e dormindo bem; passar na prova não será problema.” Imar falou sem tirar os olhos do celular.

“Pois é, somos uma turma de excelência, reconhecida na cidade. ‘Passar’ é quase uma ofensa para nós.” Pang Xiuqing ajustou os óculos, sorrindo falsamente. “Se você só consegue passar, quer que eu te ajude? Tenho muita experiência com alunos atrasados.”

“Dispenso, obrigado! Wenwen me ajuda diariamente, não preciso incomodar ninguém.” Imar respondeu com impaciência.

“Bem, Tong Junwen é o orgulho do Colégio Nuvem Suave, a esperança da geração, destinada a entrar na Universidade Imperial como a melhor aluna. Se você a distrai, prejudica a revisão dela.” Pang Xiuqing fez um ar sincero. “Não sou tão bom quanto ela, mas sempre passo de cento e quarenta pontos, sem pressão para ser o primeiro. Posso ajudar você, não recuse!”

“Você tira cento e quarenta porque não consegue mais. Wenwen tira cento e cinquenta porque essa é a nota máxima. E quanto a Wenwen querer ou não ser a melhor do estado, isso não é da sua conta. Se eu quero só passar, também não te interessa.” Imar respondeu, mexendo nos ouvidos.

“Você… hum.” O rosto de Pang Xiuqing se contorceu, contendo a raiva; de soslaio, olhou a tela do celular de Imar. “Falta um mês para a prova e você está vendo o quê? Ah! É jogo!”

Pang Xiuqing resmungou: “Como representante, aviso: não é permitido esse tipo de comportamento na turma de excelência! Jogando antes da prova final, prejudica a reputação da turma! Se continuar assim, saia da sala! Em nome dos colegas estudiosos, expulso você!”

Imar sorriu, inicialmente ignorando, mas o outro insistia. Com um olhar de lado e um tom mais ríspido, retrucou: “Quem você pensa que é? Representa quem? Você decide quem fica? Eu conquistei minha vaga, não deve nada a você. Realmente acredita que é alguém importante? Vai fazer o quê, morder?”

“Ei, seu quatro olhos inútil, acha que manda aqui? E quanto à relação dele com Tong Junwen? Você, com esses óculos, não percebe nada, ficou burro de tanto estudar?” Hou Xuan, recém-chegado, falou com arrogância. “Vá para longe, não atrapalhe!”

“Vocês... hum!” Pang Xiuqing, sem coragem de enfrentar Hou Xuan, o filho do empresário, saiu frustrado. “Façam como quiserem!”

“Esse inútil, não vale nada.” Hou Xuan sentou, olhou com desprezo para Pang Xiuqing e, de repente, agarrou o pescoço de Imar, indignado. “Você, você... onde estava ontem? Me deixou esperando! Nem consegui adicionar como amigo! Passei vergonha diante do grupo!”

“Calma, não precisa pegar pesado, está me sufocando! Tenho um motivo!” Imar protestou, sendo quase engolido.

Após a confusão, Imar explicou o que aconteceu, omitindo algumas partes, dizendo que foi jogado na área dos jogadores franceses por provocar o Mestre do Jogo, e passou a noite procurando como voltar para a China. Mesmo assim, Hou Xuan ficou boquiaberto.

“Incrível... foi parar na França de repente...” Hou Xuan estava perplexo. “Para voltar do continente Sennia para o continente Shenzhou, isso vai levar meses! Que situação... Quer reclamar?”

“Será que adianta? Afinal, eu comecei...” Imar estava frustrado.

“Mas vale tentar. Não seguiram a vontade do jogador, forçaram a transferência; devem dar alguma explicação.”

“Tudo bem…”

“Cara, são quarenta mil quilômetros!” Hou Xuan ficou sem palavras. “Não tem avião, nem motor. Tem que andar, pegar carroça, cavalo e, por fim, barco à vela para atravessar o oceano! Já viu ‘A Volta ao Mundo em 80 Dias’? Vai ser parecido!”

“Foi burrice minha, provocando o Mestre do Jogo.” Imar lamentou. “Mas, sinceramente, aposto que vocês também tentaram quando entraram no jogo!”

“Bem, todos somos homens, né…” Hou Xuan ficou vermelho, mas logo percebeu algo. “Espera aí, o altar de reencarnação era operado por uma IA, como poderia ser o Mestre do Jogo? Mesmo tocando, a IA não reage! O que aconteceu?”

“Pois é!” Imar bateu na palma. “Quem não sentiria curiosidade? O Mestre do Jogo fingiu ser uma estátua, de repente me bateu, claramente há algo errado!”

“Não, temos que reclamar! Por quê? Eu toquei uma estátua, você tocou o Mestre do Jogo de verdade!” Hou Xuan protestou.

“Ei, você está confundindo o foco!”

“Droga! Que inveja! Só você tem sorte!” Hou Xuan apertou o pescoço de Imar, sacudindo-o.

“Vamos conversar! Solta! Solta!”