Alma do Abismo (3)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2449 palavras 2026-02-08 16:56:44

Neste jogo, a penalidade pela morte é extremamente severa.

Primeiramente, a carcaça construída desmorona completamente, e todos os atributos acumulados nela desaparecem como fumaça ao vento. O jogador sofre então uma punição de redução de atributos, cujo grau varia conforme a forma da morte.

Se for morto por outro jogador em uma ação de combate entre jogadores, o penalizado ficará enfraquecido por apenas um dia e, no dia seguinte, retornará ao normal. É por isso que Hortelã pôde agir sem hesitar contra o americano Gatilho, mandando-o de volta à base para refletir sobre seus atos.

Se for morto por uma fera ou por um NPC de uma nação neutra, além de uma penalidade de debilidade de um a três dias, o jogador ainda sofrerá uma pequena a moderada punição de atributos, equivalente a mais ou menos um terço a metade de um nível.

Mas o mais terrível é ser morto por um fantasma ou demônio com atributo abissal. Nesse caso, o jogador sofre de três a sete dias de debilidade, além de uma redução de atributos que pode equivaler de metade até três níveis inteiros! Essa penalidade é extremamente pesada e, quanto maior o nível, maior a perda. Por isso, a maioria dos jogadores evita explorar os ermos ou outras regiões corrompidas pelo abismo: o alto risco é proporcional à alta recompensa.

E para recuperar os atributos perdidos, é preciso investir uma grande quantidade de recursos.

Agora, Curien e os jogadores da equipe Doninha morreram nas mãos de uma criatura desconhecida, visivelmente de nível altíssimo. A perda de níveis era inevitável—e uma regressão coletiva é um prejuízo gravíssimo.

A morte total do grupo também resulta em grande perda de materiais.

Quando um jogador cai em combate, sua carcaça se desfaz, deixando para trás todos os equipamentos e itens. Ao renascer, o jogador recebe apenas uma nova carcaça e as roupas fornecidas pelo Templo da Renascença.

Em mortes normais, companheiros da guilda recolhem os itens deixados para trás, mas e se todo o grupo for aniquilado?

É evidente: todos os itens são perdidos. Se o azar bater, os itens desaparecem para sempre.

Foi exatamente isso que aconteceu agora. A equipe Doninha foi dizimada, Curien tombou, e os equipamentos jaziam espalhados pelo chão—até mesmo o Armamento Fantasmagórico estava ali, perdido. Não fosse o incêndio invadindo o salão de festas, essa perda seria insuportável para a guilda Tulipa Negra. Outros equipamentos ainda poderiam ser relevados, mas a perda do Armamento Fantasmagórico enfraqueceria consideravelmente a força da guilda diante de inimigos poderosos.

Agora, com o Armamento Fantasmagórico de Curien recuperado por Incêndio, pode-se dizer que, dentro do infortúnio, houve um lampejo de sorte.

Mas ainda não era hora de baixar a guarda. Afinal, a causa da aniquilação da equipe Doninha permanecia desconhecida. Se Incêndio também fosse incapaz de lidar com a ameaça e acabasse morto, tudo estaria realmente perdido. Qualquer criatura capaz de dizimar a equipe Doninha certamente não seria menos poderosa que um Lorde dos Cavaleiros Abissais. Mesmo com o novo equipamento, enfrentar tal inimigo de frente só teria um desfecho: derrota!

Sem tempo a perder, Incêndio enfiou o dado de combate do Armamento Fantasmagórico de Curien de volta na mochila de campanha; o peso afundava-lhe a cintura e o coração. Era preciso recuar imediatamente!

Incêndio olhou rapidamente ao redor. Um dos lados do salão de festas era todo envidraçado; a luz lívida da lua atravessava o parapeito e se espalhava pelo piso despedaçado. Ele estava no centro de um campo de batalha devastado, sem nenhum sinal de vida, o ambiente pesado como chumbo. O salão, que momentos antes parecia comum, agora exalava perigo por todos os cantos—talvez sob o assoalho, quem sabe atrás das colunas, talvez no teto, ou até… atrás de si!

Incêndio abaixou o corpo, retirando-se lentamente pelo caminho por onde viera, passos leves e silenciosos para não fazer barulho sobre os destroços. Mas não percebeu que, flutuando no ar, uma foice pairava logo atrás de seu pescoço!

Sem som algum, a lâmina cortou o ar, mirando diretamente a cabeça de Incêndio!

No instante decisivo, a poderosa percepção de Incêndio entrou em ação. Num movimento impossível, ele girou o corpo; a foice passou rente ao seu pescoço, por pouco não o decapitando! A reação extrema salvou-lhe a vida—o sangue jorrou, mas ficou apenas com um corte superficial.

Com um impulso das pernas, o efeito de "Leveza" se ativou. Incêndio afastou-se num piscar de olhos do atacante, aterrissando entre destroços de equipamentos. Meio agachado, girou, apoiou uma mão no chão e sacou a Mil Cortes com a outra, finalmente tendo tempo de ver quem quase o decapitara.

A atacante flutuava no ar. Duas faixas de seda caíam de suas longas e torneadas pernas. Vestia um vestido de gala preto, como uma dama da nobreza convidada para aquele banquete. A cintura fina era adornada por uma pedra azul, o busto exposto sem pudor algum, a pele pálida, quase não humana, mas ainda assim lisa e suave. Um sinal de beleza adornava o canto de seus lábios sensuais; penteado elaborado, com alguns fios negros caindo pelas têmporas e repousando sobre a clavícula, acentuando ainda mais sua sedução. Contudo, no coque do cabelo havia um adorno em forma de caveira, tornando sua beleza perigosa e letal.

Ela empunhava uma longa foice enfeitada com uma enorme safira azul, que brilhava com uma luz fantasmagórica. Soltou uma risada cristalina:

— Que rapaz interessante, vem ao meu banquete e quer sair sem sequer se apresentar?

Diante da aparição da atacante, Incêndio relaxou um pouco.

— Perdão, milady, por perturbar seu banquete. Ignorância não é crime. Que tal me deixar ir desta vez?

A mulher sorriu de lábios cerrados:

— Interessante, realmente interessante. Há muito não vejo um humano que não se intimide diante de mim.

Ela pousou no chão, seus saltos altos ecoando enquanto se aproximava, passo a passo.

— Para premiar sua ousadia, permito-lhe dizer seu nome antes de morrer — o sorriso nos lábios, mas os olhos longos brilhavam com um frio aterrador.

O coração de Incêndio pesou, mas nunca foi de perder a pose. Endireitou-se:

— Guerreiro, nome de combate: Incêndio!

— Incêndio, então. — Ela chegou perto, começou a rodeá-lo, rindo como sinos de prata. — Guerreiro? No fim, não passam de pobres criaturas, bestas de combate domesticadas, pobres e insignificantes mortais.

Desde que entrou no jogo, Incêndio ouvira — tanto da guilda Tulipa Negra quanto de Espesso e outros jogadores nacionais — que deveriam se orgulhar do título de guerreiros; que os jogadores estavam acima dos NPCs, seres extraordinários. Mas aquela mulher simplesmente desprezava tal orgulho, zombando abertamente. Embora soubesse que era apenas uma NPC e não valia a pena discutir, Incêndio não se conteve:

— Um dia, nós guerreiros seremos fortes o bastante para destruir seres como você. Não é esse o sentido da sua existência?

— Oh? É isso que pensam? — Ela pareceu surpresa, depois desatou a rir, incapaz de se conter. — Hahahaha... Que engraçado! Os pensamentos dos mortais sempre me divertem.

Ela parou diante de Incêndio, segurando a foice com uma mão, a outra na cintura, um sorriso gélido e desprezivo no rosto:

— Sei que guerreiros veem a morte como libertação, mas, já que você é tão espirituoso, não tenho interesse em brincar com você. Aceite sua morte com serenidade!

Ela ergueu a foice.

— Lembre-se do meu nome: sou a mandatária da Vontade do Abismo, auditora do Abismo, senhora da Morte, a Alma do Abismo — Morrígana!