Vinte! Duzentos mil moedas de ouro, Eco! (1) Por favor, adicione aos favoritos
A Liga dos Criadores era uma organização frouxa composta por alguns jogadores excêntricos das redondezas de Eloncieu. Não havia regras rígidas, os membros iam e vinham como bem entendiam, mas, a cada mês, era obrigatório apresentar uma nova criação para apreciação coletiva, caso contrário, perderiam facilmente sua condição de membro.
O objetivo da Liga dos Criadores era simples: replicar objetos do mundo real dentro do jogo. "Armas do Mundo Fantástico" era chamado de Segundo Mundo justamente porque o nível de detalhes do universo virtual permitia a reconstrução de leis físicas; graças à existência de poderes extraordinários, aquele mundo, apesar de possuir apenas a tecnologia do período medieval, abrigava regras físicas e químicas mágicas. O exemplo mais marcante era o seguinte: o pó preparado conforme a receita da pólvora negra simplesmente não explodia naquele mundo!
Claro, havia quem questionasse se o jogo sequer havia programado o conceito de explosão ou de pólvora. Tal debate sempre gerava páginas e páginas de discussões no fórum da Liga dos Criadores. De qualquer modo, se os jogadores queriam trazer invenções do mundo real para o virtual, precisavam contar com materiais já existentes ali, como a Luz Sagrada e o Cristal Mágico.
Os membros da Liga dos Criadores eram, assim, um grupo peculiar. Suas invenções eram, em geral, bizarras, mas vez ou outra produziam algo realmente útil—ou melhor, algo de grande impacto em situações específicas, como o pó explosivo de cristal.
Naquele momento, Fogo Ardente estava completamente alheio ao que acontecia com Martin. Sua atenção estava inteiramente voltada para enfrentar o grande lobo maligno e a matilha que o seguia.
— Fogo Ardente! A carruagem vai entrar no desfiladeiro! Precisamos acabar logo com ele! — gritou Hortelã, aflita.
— Entendido! Vou criar uma chance para você, não deixe de acertar com a IA! — respondeu Fogo Ardente, com expressão grave, enquanto embainhava sua espada Mil Cortes e ajustava silenciosamente sua respiração e postura.
O ditado diz: “Lobo tem cabeça de bronze, ossos de ferro e cintura mole.” Mas aquele grande lobo superava em muito as expectativas; seu corpo era ainda mais resistente, e métodos comuns não bastariam para derrotá-lo rapidamente. Era hora de arriscar tudo.
“Duvido que suas vísceras ou seu cérebro sejam feitos de aço!” — pensou Fogo Ardente, enfurecido por ter sido surpreendido antes, e lançou-se sobre a relva.
'Nuvem Dispersa'!
O grande lobo, avançando com um rosnado baixo, foi pego de surpresa: Fogo Ardente atingiu sua pata dianteira com um golpe certeiro, desviando seu ataque. Um lampejo de perplexidade brilhou nos olhos ferozes do animal. E não era tudo!
Aproveitando a força da terra sob seus pés, Fogo Ardente desferiu um segundo golpe com a mão direita em forma de palma.
'Dragão Ascendente'!
Com um impulso do pé direito, sua mão subiu velozmente. Um estrondo: atingiu em cheio o queixo do lobo. A boca aberta do animal se fechou à força, os dentes de aço se chocaram, e o impacto combinado da força de Fogo Ardente e do próprio ataque do lobo deixou até aquela criatura robusta momentaneamente aturdida.
Mas apenas isso não bastaria para abater o grande lobo.
— Senhorita Hortelã! — bradou Fogo Ardente, após o sucesso.
— Estou pronta! — respondeu Hortelã, que já aguardava ansiosamente a oportunidade.
'Deusa da Geada, peço tua força!' — invocou ela em pensamento. A flecha cristalina de gelo emanou um frio ainda mais intenso, disparando como um meteoro!
No instante em que soltou a flecha, ela atingiu em cheio o pescoço do grande lobo!
O animal, prestes a revidar, ficou paralisado. Sentiu o frio congelar sua coluna cervical, seu corpo já não respondia, e cambaleou, quase desabando no chão.
Fogo Ardente não deixou a chance escapar.
Agachou-se rapidamente, passou pelo corpo dianteiro do lobo e desferiu um soco na região da cintura.
'Ruína'!
O lobo, congelado, foi lançado longe pelo impacto, caindo com um grito aflito. Por ora, não conseguiria se levantar. Mas Fogo Ardente não tinha tempo para acabar com ele de vez; o comboio estava prestes a entrar no desfiladeiro, era preciso voltar rapidamente. Sob o olhar de ódio do lobo, Fogo Ardente acelerou, correu até a carruagem, embarcou e logo se afastou.
— Muito bem, Fogo Ardente! — disse Hortelã, abraçando-o ao subir.
— Você também, senhorita Hortelã! — respondeu ele, sorrindo, enquanto voltava ao interior da carruagem, observando o desfiladeiro cada vez mais próximo.
Com a derrota do grande lobo, a ameaça aos veículos da frente diminuiu bastante, permitindo que Fogo Ardente finalmente descansasse um pouco.
A chuva caía ainda mais forte, obrigando as carruagens a diminuir a velocidade. Os casacos de lona prejudicavam o movimento dos cavalos de guerra.
— Joguem fora os casacos! Desamarrem, desamarrem! Ao entrar no desfiladeiro, acelerem imediatamente! — ordenou Martin novamente.
Os cocheiros logo desamarraram os nós, lançando os casacos ao chão, e o comboio disparou um pouco mais rápido.
A primeira carruagem entrou no desfiladeiro.
As carruagens avançavam como trovões, uma após outra, formando uma fila dentro do desfiladeiro. Muitos lobos, que perseguiam os veículos, não conseguiram evitar e se chocaram contra as paredes rochosas, reduzindo ainda mais o número de predadores capazes de acompanhar o comboio. Mas era apenas um alívio momentâneo; o terreno do desfiladeiro favorecia os lobos, e logo eles voltariam a alcançar o grupo. Era preciso agir.
Fogo Ardente percebeu o ambiente escurecer: a carruagem já estava profundamente no desfiladeiro. O céu, já escuro, tornava-se ainda mais sombrio entre os paredões, com apenas uma tênue faixa de luz acima. A chuva era menos intensa ali, mas os trovões continuavam, relâmpagos cortando o céu, explodindo com estrondo, ecoando de modo ainda mais ensurdecedor do que lá fora.
Subiu novamente ao topo da carruagem, atento à ameaça de novos monstros ocultos na escuridão. Em breve, já havia abatido várias cobras e aves de rapina, além de criaturas menores desconhecidas.
Nesse momento, alguns cavaleiros aprendizes, que vinham protegendo a retaguarda, alcançaram o grupo.
— Martin, todos os veículos já estão seguros dentro do desfiladeiro! — anunciou um deles.
— Ótimo! Hector, como está aí?
— Pronto para agir a qualquer momento, chefe!
— Vamos! Deixem que essas criaturas experimentem a primeira rodada! — Martin subiu ao topo do veículo, observando a matilha que se aproximava por trás, e ordenou com ferocidade.
— Entendido! — Hector ativou o mecanismo, pulando apressado para o cavalo de Alain. — Rápido, rápido! Não vamos acabar soterrados nós mesmos!
Alain não precisou de outro aviso; imediatamente esporeou o cavalo, disparando à frente.
— Bum! Bum bum! Bum bum bum! — o som era mais estrondoso que os trovões, sem que se soubesse ao certo quanto pó explosivo de cristal foi detonado. A onda de choque empurrou Hector adiante; felizmente era apenas um jogo, pois na vida real, uma explosão tão próxima poderia deixar qualquer um inconsciente. Além disso, explodir em um espaço estreito amplificava o ruído, e as ondas sonoras causavam danos secundários, deixando as pessoas desnorteadas.
Fogo Ardente, pego de surpresa, levou um susto; seus ouvidos zumbiram com a força da explosão, quase acreditou que o trovão havia destruído o desfiladeiro. Olhou para trás e viu que as demais carruagens estavam igualmente abaladas, com jogadores cambaleando, mas os cavalos, cujos ouvidos haviam sido protegidos previamente, não se assustaram muito e o comboio continuou sua marcha.
Já a matilha sofreu muito mais: a explosão repentina não só causou danos, como deixou a maioria dos lobos aterrorizados, desacelerando a perseguição.
Após algum tempo, a matilha superou os companheiros atordoados, mostrando os dentes e retomando a caça ao comboio.