36 O Mau Gosto do Fogo Ardente (Por favor, adicionem aos favoritos e recomendem)
— Fogo Ardente! Onde você foi parar? Esperei por você durante horas! —
Enquanto Fogo Ardente se concentrava nos exercícios do “Reflexo do Céu”, do lado de fora, Mint entediada começou a gritar por ele. Para não atrapalhar o aprendizado do amigo, ela havia ficado no saguão, mas após tanto tempo esperando, sua paciência se esgotara e agora ela o procurava pelos corredores.
Fogo Ardente pensou em responder, mas uma ideia travessa surgiu em sua mente.
...
Mint percorreu o caminho, encontrando ora arenas de treino vazias, ora desconhecidos praticando, o que só aumentava seu mau humor, já que sua paciência não era das melhores.
— Fogo Ardente! Se você não aparecer, vou embora sozinha! — gritou ela, e então viu, no extremo esquerdo da arena, uma silhueta acenando. Era ele, sem dúvida.
Mint acenou de volta e correu ao seu encontro.
— Você demorou demais para aprender essa habilidade! —
Mas, quando estava prestes a chegar perto, a figura diante dela sumiu num estalo, como se tivesse evaporado. Mint ficou boquiaberta, olhando para o vazio onde ele desaparecera, sem compreender o que acontecera. Tremendo, estendeu a mão para frente, mas não tocou nada.
Desorientada, Mint olhou ao redor e viu Fogo Ardente do outro lado, ainda acenando para ela. Aliviada, correu novamente em sua direção, mas ao se aproximar, a figura repetiu o feito anterior, sumindo num estalo.
Mint ficou petrificada, como se tivesse sido atingida por um raio.
— Ah... outra vez... — A situação estranha repetida a deixou apreensiva.
— Ei! O que está fazendo? — Fogo Ardente surgiu silenciosamente atrás dela, batendo em seu ombro com força e falando alto.
— Ah!! — Mint deu um salto, gritou e exclamou: — Você... você... o que é afinal? Como pode ser igualzinho ao Fogo Ardente?
Vendo a reação dela, Fogo Ardente não resistiu e desatou a rir.
Percebendo que havia sido alvo de uma brincadeira, Mint descontou a raiva com uma bela surra no amigo.
— Já basta, já basta! Hahaha! Para de bater! Só queria testar minha nova habilidade!
— Eu vim te procurar e você me assusta desse jeito! — Mint chutou-o diversas vezes, só sossegando quando se sentiu vingada. Então perguntou: — O que era aquilo? Uma técnica de clones? Mas você ainda está no nível 1, e essa técnica nem tem esse efeito!
— É justamente a habilidade que acabei de aprender como arqueiro celeste. Não é incrível? — Fogo Ardente, orgulhoso do novo poder, respondeu: — Chama-se “Reflexo do Céu”. Precisei de muito esforço para dominá-la!
— “Reflexo do Céu”? Nunca ouvi falar disso! — Mint questionou, curiosa.
— Porque é a habilidade inicial do arqueiro celeste. Só quem segue esse caminho pode aprendê-la — explicou uma voz que vinha de perto. Era Trilec, que havia estado espiando do lado de fora e agora entrava tranquilamente.
...
— Falando nisso, se era tão importante, por que me fez gravar a habilidade sozinho? — reclamou Fogo Ardente.
— Hahaha... — Trilec riu sem graça. Não podia admitir sua ignorância diante de um aprendiz.
Após um pigarro, Trilec tentou justificar: — Para trilhar o caminho do arqueiro celeste, é preciso conhecer profundamente suas habilidades. Nada marca mais do que gravar pessoalmente. Bem, já que dominou, os estudos do nível 1 estão encerrados. Vá à guilda dos Escolhidos para elevar seu nível, depois volte!
Fogo Ardente e Mint trocaram olhares, assentiram e saíram do salão dos arqueiros.
...
— Essa sua habilidade... hum... —
— Reflexo do Céu! —
— Isso, Reflexo do Céu! — Mint sorriu. — Em que difere das técnicas normais de clones? Só muda o nível, de 1 para 9?
— Difícil explicar só com palavras — Fogo Ardente coçou a cabeça, abrindo as mãos. — Melhor você experimentar!
— Como assim? Não vai me assustar de novo, né? — Mint inclinou a cabeça, curiosa.
Fogo Ardente sorriu, mas não respondeu. A voz dele veio da esquerda.
— Nunca vi a técnica de clones, mas é uma habilidade de invocação, não é? —
Mint virou-se rapidamente e viu, à esquerda, outro Fogo Ardente idêntico caminhando ao lado. Apesar de já ter presenciado isso, ela olhava ora para um, ora para outro, tentando captar diferenças.
— Reflexo do Céu não é uma habilidade de invocação, nem ilusão. Na verdade, lembra um pouco as habilidades de transformação — disse o Fogo Ardente à esquerda.
— Transformação? Mas você nem mudou nada! — Mint estava confusa.
— Baseio-me no que li e nas minhas ideias. Repito o que está nos livros — disse o Fogo Ardente à direita. Mint virou-se, mas o que continuava falando era o da esquerda, o que a irritou. — Por exemplo, na habilidade “Descida Angelical”, surgem asas no corpo, exigindo que o usuário supere as limitações da mente e aprenda a usar novos membros. O Reflexo do Céu é similar.
— Para mim, o processo é uma divisão do sentido do membro extra. Já estamos habituados a controlar um corpo extra, mas o Reflexo do Céu exige manipular simultaneamente três ou quatro corpos — explicou o Fogo Ardente à direita, dando a Mint a sensação de conversar com várias pessoas.
— Então cada um deles é um novo corpo? Dá conta de controlar todos? — Mint perguntou, intrigada.
— Com alguma prática, é fácil. Depois de dominar membros ilusórios, controlar mais alguns não é difícil! — Desta vez, a voz vinha do alto, do viaduto! Fogo Ardente estava lá, encostado no corrimão, falando em alto e bom som.
— Uau! — Mint arregalou os olhos, admirando a figura idêntica no viaduto, com a boca aberta de espanto.
...
Mint caminhava por um beco estreito, e o viaduto era uma passagem elevada acima do bairro. A menos que desse uma volta ou escalasse, seria impossível para Fogo Ardente aparecer ali. Porém, ele estava lá, despreocupado, sem sinais de esforço.
— Então, qual é o verdadeiro você? — Mint gritou para o Fogo Ardente no viaduto.
Os três sorriram juntos. O do viaduto fez uma reverência brincalhona:
— Então, senhorita Hortelã, tente adivinhar: qual sou eu de verdade?
Mint olhou cada um deles com interesse, os olhos azuis girando sem parar. Todos eram igualmente irritantes!
— Minha aposta é... — Mint tocou o canto dos lábios e lançou um olhar ao da esquerda. — É este aqui!
Enquanto dizia isso, no entanto, sua mão agarrou repentinamente o da direita, tentando se vingar de um susto anterior. Mas, para sua surpresa, ele desapareceu num estalo!
Mint levou um susto, achando que havia estrangulado Fogo Ardente, mas logo os risos vindos da esquerda e de cima a fizeram perceber que fora enganada outra vez.
— Hehehehehe... — Os Fogo Ardente sorriram juntos e disseram: — Não é, senhorita Hortelã!
— Ahhh! Maldito! Estou furiosa! — Mint deu um salto, recuperou o fôlego e atacou o Fogo Ardente da esquerda, cujo sorriso era irritante. — Só pode ser você!
Mas, mais uma vez, a resposta foi um estalo e o desaparecimento da figura sorridente.
Mint pisou duro, apontando para o Fogo Ardente no viaduto, sem conseguir falar de raiva.
— Você... você... como foi parar lá em cima? Aquela estrada nem leva à guilda dos Escolhidos!
Mint já havia passado sob o viaduto, e Fogo Ardente mudou de lado, apoiado no corrimão, sorrindo para ela.
— Não é, senhorita Hortelã — disse Fogo Ardente, agora à frente. Mint virou-se depressa e o viu sair de uma loja de doces, segurando um enorme algodão-doce.
Ao notar o olhar dela, ele fez uma reverência:
— Senhorita Hortelã, estive esperando por você aqui faz tempo!
Mint, com o canto do olho tremendo, olhou para ele e depois para trás. O Fogo Ardente do viaduto fez uma saudação e desapareceu num estalo.
Totalmente enganada! Mint, magoada, chorou de raiva, arrancou o algodão-doce das mãos de Fogo Ardente e começou a devorá-lo, como se estivesse mordendo a própria carne dele, vingando-se das duas brincadeiras que a fizeram de alvo.