05 Em Nome do Fogo Ardente (2)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 1777 palavras 2026-02-08 16:54:52

No momento, Fogo Ardente estava sendo perseguido por uma matilha de cães, todos ávidos por mordê-lo. Ele tinha certo receio de cães; quando era criança, foi atacado por um deles, e ficou com um trauma. Os cães que encontrou ali, porém, eram muito mais assustadores do que qualquer cão do mundo real. Possuíam escamas pelo corpo, dois chifres despontavam de suas cabeças, e de suas narinas saía um hálito sulfuroso. Suas bocas escancaradas exibiam dentes de aço capazes de esmagar ossos humanos com uma única mordida. Sob as patas, chamas dançavam, e cada passada deixava rastros de fogo-fátuo verdejante. Quem conseguiria manter a calma sendo perseguido por criaturas como essas?

Devem ser os famosos cães infernais, pensou ele.

A súbita reviravolta na batalha o pegou de surpresa.

No início, ele se movimentava à vontade entre os espectros, enfrentando ocasionalmente algum monstro maior, que, com um pouco de esforço, acabava derrotado. O batalhão da Tulipa Negra não sofria pressão alguma.

Pouco depois, surgiram os demônios unicórnios. Estes, embora não tivessem a resistência sobrenatural dos espectros — que não morriam nem quando partidos ao meio —, eram muito mais fortes. Se, por descuido, pegavam sua arma, era fácil ficar cercado por vários deles. Fogo Ardente teve que abandonar ataques amplos e se mover com cautela.

Em seguida, apareceu uma espécie de lagarto repugnante que se agarrava aos pés das pessoas. Mas eram criaturas lentas; não representavam ameaça real para ele e, logo, foram todas cravadas no chão, mortas.

Depois vieram os minotauros. Mal iniciou o combate, Fogo Ardente percebeu que cada um deles era tão forte quanto os gárgulas que enfrentara no dia anterior. Possuíam pele dura, imune a ataques, e força bruta impressionante. A diferença era que os gárgulas eram leves e podiam voar, enquanto os minotauros eram pesados, como tanques, mas surpreendentemente ágeis. Esse contraste traiçoeiro fez com que Fogo Ardente fosse pego desprevenido e recebesse um golpe no ombro esquerdo, quase deslocando-o.

Ele pensava que, ao derrotar três ou quatro gárgulas, completaria o desafio de hoje. Mas, inesperadamente, teve que enfrentar três ou quatro minotauros, todos tão poderosos quanto os gárgulas. Apesar do desânimo, Fogo Ardente aceitou seu destino — afinal, batalhas nunca seguem roteiros, e imprevistos são comuns; não encontrá-los seria sorte, encontrá-los, azar.

A fortuna estava do seu lado: sua espada era de ótima qualidade. Depois de uma luta árdua, conseguiu abater todos os minotauros.

Então, ficou cercado por uma matilha de cães e três grandes demônios.

Os grandes demônios apareceram junto com os minotauros; entretanto, seu papel era de comandantes. Com eles em campo, as criaturas tornaram-se mais inteligentes, a ponto de quase romper a linha de defesa da Tulipa Negra. Felizmente, com os quatro minotauros ocupados por Fogo Ardente, não puderam ampliar seus avanços, e as crises foram resolvidas graças à liderança habilidosa de Eude.

Ao perceber que Fogo Ardente havia eliminado os minotauros, os grandes demônios compreenderam que ele era o maior obstáculo. Se não o derrotassem, nunca conseguiriam concentrar todas as forças para lançar um ataque fatal contra os humanos. Unindo-se, cercaram Fogo Ardente.

Em termos de poder, os grandes demônios superavam os minotauros, mas não por muito — eram rivais à altura. Porém, sua inteligência elevava seu perigo muito além dos minotauros, especialmente atacando em conjunto.

Restava a Fogo Ardente apenas fugir.

Por sorte, os grandes demônios não eram rápidos; dependiam dos cães infernais para cercá-lo e bloquear sua rota. Assim, Fogo Ardente tinha espaço para manobrar. Com todos os grandes demônios focados nele, a Tulipa Negra ficou sob muito menos pressão. Prolongar a batalha era vantagem para os jogadores. Ao menos, era o que parecia.

Os cães infernais, apesar de ameaçadores, eram relativamente fracos — ao menos para alguém do calibre de Fogo Ardente. Ele continuou eliminando os que o perseguiam, causando fúria nos grandes demônios, que só podiam gritar, impotentes.

Vendo que não representavam ameaça real, Fogo Ardente riu alto; a cada cão abatido, exibia seu triunfo.

— Só faltam dois — murmurou, manejando sua espada e calculando —. Está na hora de fingir um erro, quem sabe consigo abater um grande demônio.

Fingindo estar exausto, deixou-se alcançar por dois cães infernais. Matou um com esforço, mas o outro cravou os dentes na sua armadura da perna. Uma vez mordido, o cão não soltava; não importava o quanto ele chutasse ou puxasse, o animal mantinha-se firme. Os grandes demônios não desperdiçaram a oportunidade e avançaram com violência.

Era exatamente o momento que Fogo Ardente esperava! Rolou pelo chão, aproximando-se de um dos grandes demônios. Este, digno de seu papel de comandante, percebeu o perigo e tentou esquivar-se, mas o ataque, calculado há muito tempo, não poderia falhar. A espada, antes arrastada atrás dele, acelerou de repente, atingindo, num ângulo impossível, a boca do demônio. Este só teve tempo de soltar um grito, antes de ser perfurado pela lâmina radiante, que atravessou seu crânio, matando-o instantaneamente.

O que Fogo Ardente não sabia era que os grandes demônios também o vinham estudando há muito tempo!

Justo quando ele não conseguia se levantar, uma língua disparou da moita próxima, enrolando-se firmemente em seu tornozelo e arrastando-o por alguns metros. Sem controle sobre seu corpo, deslizou pela relva acinzentada, incapaz de ajustar sua postura. Atrás dele, dois grandes demônios saltaram com garras à mostra, prontos para abrir-lhe o ventre num instante.