50 Destruição de Provas e Eliminação de Vestígios (2)
— O quê? O que quer dizer com destruir e eliminar vestígios? — Imor olhou para o porão cheio de sombras inquietantes, sentindo o coração acelerar.
— Claro que vamos queimar isso. Já consegui tudo que queria, pra quê manter? Esperar que isso procrie? — O sacerdote revirou os olhos, enquanto abria um galão de gasolina e despejava no interior da gaiola, parecendo um assassino psicopata.
Imor, por sua vez, sentiu-se aliviado.
— Você não pode! — Tônia Wen protestou, querendo impedir — Esta é a primeira interação entre humanos e seres de outra espécie! Deveríamos levar isso para um laboratório bem equipado!
Imor rapidamente a segurou, dizendo: — Wen, calma. Acho melhor ouvirmos o sacerdote.
Tônia Wen olhou para ele, insatisfeita.
Imor continuou explicando: — Já enfrentei muitos desses mortos-vivos. No jogo, não precisava me preocupar com infecção ou com a dificuldade de enfrentá-los, mas conheço bem suas características — não são criaturas que pessoas comuns possam enfrentar! No mundo real, não há prata mística, nem água sagrada; mesmo eu não posso garantir que conseguiria lidar com isso.
— Não é que talvez, é certeza que não consegue! — O sacerdote, após despejar a gasolina, jogou o galão dentro da gaiola e bateu as mãos — Você só lida com isso no jogo. Eu lutei contra essa coisa por quatro, cinco dias. Se não fosse pelas relíquias que meu mestre deixou, talvez tivesse fugido em desespero. Você, sozinho, não teria chance!
Imor deu de ombros para Tônia Wen, confirmando que era verdade.
Tônia Wen livrou-se do fervor científico e refletiu. De fato, era perigoso. E, como ela ainda era pouco influente, entregar esse “exemplar vivo” poderia ser tanto bênção quanto maldição; o meio científico não era tão simples quanto parecia. Se fosse só o sacerdote, não se importaria, mas envolvendo Imor, preferia ser mil vezes cautelosa.
— Recue! — O sacerdote indicou aos dois, e começou a recitar um encantamento.
— Céus e terra, pureza natural, dispersa a imundície, poder dos oito pontos, faz-me puro. Extermina demônios, salva e mata os espectros! Guarda minha morada, dissipa o mal! Vai! — Com a recitação, os talismãs recém-colados começaram a arder, chamas azul-esverdeadas dançando em direção ao morto-vivo.
A criatura percebeu o perigo, instintivamente tentou se esquivar, mas era inútil.
As chamas do talismã tocaram seu corpo, incendiando-o instantaneamente; em segundos, estava todo em chamas!
Sem conseguir mais urrar, abriu a boca num grito silencioso, logo tombando nas chamas de cor estranha.
Só então o sacerdote respirou aliviado.
— Pronto, vou acender a gasolina, subam rápido! — avisou.
Imor e Tônia Wen, vendo magia real pela primeira vez, ficaram boquiabertos. Especialmente Tônia Wen, com o olhar perdido de quem viu sua visão de mundo ruir.
Por favor! Era magia de verdade! Não era efeito especial de filme ou TV! Quem conseguiria manter a calma?
Imor queria assistir ao exorcismo, mas vendo o sacerdote apressá-los, puxou Tônia Wen e voltou à superfície.
O sacerdote não demorou, certificando-se de que o morto-vivo estava completamente destruído, lançou fogo na gaiola. As chamas lambendo a gasolina, rapidamente devoraram tudo.
Ele subiu do porão, fechou a porta, suspirou, como quem se livrou de um peso. Dormir com um monstro debaixo da casa, ninguém consegue descansar!
...
— Sacerdote, você tem certeza que não está brincando comigo? — Imor perguntou, surpreso.
— Que vantagem eu teria em brincar? — o sacerdote respondeu, mal-humorado, tirando seu capacete VRI e acariciando-o com mais devoção que seus amuletos — Não sou tão velho assim, jogar um pouco não faz mal!
— Não é nada, só achei curioso. — Imor sorriu — Mas não é um problema, já vi muitos jogadores da sua idade.
— Não é por diversão ou moda; quero conhecer esse mundo. Com o aumento dos monstros, preciso me familiarizar com o terreno no jogo! — disse o sacerdote — Passei pela chamada inicialização. Quando criaram o “membro ilusório”, a sensação lembra muito quando meu mestre abriu meu terceiro olho. Não tenho muita aptidão, e ele não pôde me ensinar mais antes de partir, mas sinto que posso aprender algo nesse jogo.
Imor então explicou várias noções do jogo ao sacerdote. Embora estivesse há apenas uma semana dentro, sua experiência era valiosa para iniciantes.
O membro ilusório do sacerdote acabou tomando a forma de um grande sapo... mas era melhor que o monstro tentacular do Xuan!
Pelas estimativas, o sapo pesava cerca de 3kg. Já era algo fora do comum para pessoas normais, mas comparado aos que Imor conhecia, ainda era modesto. Ele informou isso ao sacerdote, que aceitou com tranquilidade.
— Só quero conhecer o inimigo, não procuro grandes feitos no jogo!
Após combinarem um encontro futuro na Cidade dos Oito Reinos, Imor levou Tônia Wen para fora do Templo Baoyuan.
...
Sem perceber, o céu já escurecia. A bicicleta descia rapidamente a ladeira, passando por postes de luz, um após o outro.
— Imor, você acha que o mundo vai mudar completamente? — Tônia Wen perguntou.
— Provavelmente sim! — Imor pensou no encantamento do sacerdote, mas balançou a cabeça — Não, na verdade, o mundo nunca foi como parece. Talvez possamos dizer que ele voltará à sua verdadeira face.
— O sacerdote disse que há centenas de anos havia monstros por toda parte... Será verdade? — Tônia Wen apertou o abraço na cintura de Imor — Mesmo que seja, o mundo já mudou! A humanidade mudou também!
Imor afagou sua mão: — Não importa como o mundo mude, eu vou te proteger.
O tom simples tranquilizou Tônia Wen.
— Mesmo que o sacerdote esteja certo, os humanos antigos não foram exterminados; prosperaram até hoje. Não faz sentido que a humanidade moderna seja destruída por monstros, não é? — Imor continuou.
— Sim! — Tônia Wen aninhou a cabeça nas costas de Imor.
— Ah, e nunca tire a pulseira! E o pingente de jade para sua mãe, peça para ela usar sempre!
— Sim! — Tônia Wen, sob a luz intermitente dos postes, observou a pulseira colorida em seu pulso e disse de repente — Eu também quero comprar um VRI e entrar naquele jogo!
— Agora estou no servidor francês, espere até eu voltar ao chinês! — Imor respondeu — Além disso, o exame nacional está chegando. Eu não me preocupo, mas você deve se concentrar. O diretor e os professores te tratam tão bem, é um alívio para eles.
— Sim!