22. A Tulipa Negra (Por favor, continue a recomendar e colecionar!)
Com o fogo intenso cortando a espada cravada no chão, a atmosfera no local tornou-se subitamente estranha. A expressão de Aeróqueno alternava entre pálida e escura, sem saber o que dizer diante daquela situação. Seu companheiro arregalou os olhos e, em seguida, soltou uma risada abafada, observando o cenário com um olhar divertido, depois voltando-se para os membros da guilda. Os jogadores da Guilda Tulipa Negra apoiavam a testa com as mãos, suando frio; Mint, por sua vez, tinha uma expressão peculiar, dividida entre preocupação e uma vontade irreprimível de rir, parecendo bastante desconcertada.
Somente Fogo se mantinha diante de Aeróqueno, com o rosto cheio de confiança.
— Eu digo, você... — Aeróqueno finalmente balançou a cabeça, resignado. — Você realmente não entende nada, não é?
Aeróqueno voltou a assumir sua postura inicial, irradiando uma aura intimidadora que parecia romper os céus. — Originalmente, como era um duelo, não haveria necessidade de matar, mas agora...
No momento em que Aeróqueno falava, um som de cascos galopando ecoou repentinamente. Um grupo de cavaleiros apareceu na entrada, diminuindo a velocidade e parando os cavalos abruptamente.
Vestidos com armaduras padrão, traziam no peito o emblema da Ordem Nacional de Cavaleiros de Javia. O líder, tal como Aeróqueno, usava uma camisa vermelha sob a armadura. Com eles estavam Curien, o líder da Guilda Tulipa Negra, e Eude, o vice-líder, chegando com reforços no momento certo.
— Aeróqueno Camisa Vermelha, que coincidência encontrá-lo aqui — disse o cavaleiro à frente, segurando as rédeas com ambas as mãos, sem descer do cavalo, falando despreocupadamente.
— Mile Camisa Vermelha... — Aeróqueno estreitou os olhos. — Peço que não interrompa o curso do duelo sagrado!
— Ah! — Mile sorriu com um toque de ironia, olhando ao redor antes de saltar do cavalo. — Muito bem, faz tempo que não assisto a um duelo. Deixe que os jovens da Ordem Nacional de Cavaleiros também observem!
Ao comando de Mile, os jogadores que o acompanhavam também desmontaram, enquanto os demais cavaleiros dispersaram seus cavalos, cercando discretamente a área.
— Mile Camisa Vermelha, não entenda mal — o companheiro de Aeróqueno também desceu do cavalo e se aproximou com um sorriso cordial.
— Cypress Camisa Vermelha, vejo que também está aqui — Mile parecia só agora notar sua presença, sorrindo. — Como é? Dois Camisas Vermelhas vieram até aqui apenas para duelar?
— De modo algum! Apenas estou viajando com Aeróqueno Camisa Vermelha, preparando-nos para entrar nos ermos e caçar um escorpião-leão como presente de aniversário para o Marquês de Saya. Foi aí que encontramos um combatente insolente, e Aeróqueno Camisa Vermelha decidiu ensiná-lo uma lição — explicou Cypress, sorrindo.
— Então você sabe que é um combatente — Mile lançou um olhar perscrutador para Aeróqueno. — Pensei que o decreto de neutralidade dos combatentes, promulgado por Sua Majestade, o Grande Líder, já não tivesse efeito sob o Marquês de Saya.
— De forma alguma! Jamais violaríamos o decreto de Sua Majestade! É apenas um teste de habilidades, nada mais! — respondeu Cypress, sorridente.
— Ah? Apenas um teste? — Mile olhou para Cypress com um sorriso enigmático. — O que mais poderia ser? Embora sejamos apenas subordinados do Conde de Saya, também somos cavaleiros de Camisa Vermelha! Não poderíamos infringir a lei, não é?
— Assim é... então — Mile ponderou e, apontando para as espadas quebradas atrás de Fogo, disse com significado oculto — esse jovem combatente não é ruim, cinco espadas quebradas, resta apenas a última, correto?
— Bem... — o sorriso de Cypress vacilou. — Embora pareça assim, na verdade...
— Hum? Há outros detalhes?
— Não! Não há nada! De fato, este combatente, mesmo sob a restrição do poder de Aeróqueno Camisa Vermelha, conseguiu quebrar cinco espadas, mas isso é o limite! — Cypress acompanhava o sorriso, sinalizando com o olhar para Aeróqueno resolver logo a questão.
Aeróqueno, com o rosto fechado, olhou para Mile, depois para Fogo, soltou um longo suspiro e, subitamente, embainhou a espada de cavaleiro. — Chega, Cypress, não nos exponha mais ao ridículo!
— Aeróqueno, você! — Cypress demonstrou ansiedade.
— Seu nome é Fogo, não é? Vou lembrar de você, combatente! — Aeróqueno ignorou Cypress, voltando-se para Fogo. — Da próxima vez, espero que possa morrer de pé!
Num instante, Aeróqueno desapareceu e reapareceu atrás de Fogo, dando-lhe um chute nas nádegas que o lançou ao chão, levantando uma nuvem de poeira.
— Disse que ia chutar sua bunda, então chutei mesmo!
Sem sequer olhar para o Fogo, que gemia e sorria de dor no chão, Aeróqueno dirigiu-se ao próprio cavalo. — Com essas habilidades, sobreviver nos ermos está muito distante. Aprenda como se tornar um verdadeiro guerreiro!
Montou no cavalo e, sem esperar por Cypress, partiu sozinho, deixando Cypress com uma expressão desagradável.
— Ora... — Mile olhou surpreso para Cypress.
— Diante disso, nada mais há a dizer. Até logo! — Cypress girou a capa e foi para seu cavalo, parando ao lado de Curien e seus companheiros. — Guilda Tulipa Negra, vocês estão de parabéns!
Curien rapidamente sorriu cordialmente. — Cavaleiro Cypress, peço desculpas.
Nesse momento, um jogador corpulento se aproximou, apertando as mãos de Cypress, transferindo discretamente uma bolsa para ele.
— Cavaleiro Cypress! É uma honra finalmente conhecê-lo! — O gordo sorridente parecia bastante à vontade ao lado de Cypress, e, num tom que só os dois podiam ouvir, murmurou — Esta noite, no Hotel Cisne Negro, não deixe de comparecer!
Cypress avaliou o peso da bolsa em sua mão e seu humor melhorou visivelmente. — Está bem, você entende do assunto, deixemos isso pra lá — respondeu em voz baixa, montando no cavalo e partindo sem olhar para trás.
Após a partida dos cavaleiros de Saya, os membros da Ordem Nacional de Cavaleiros não demonstraram interesse em permanecer. Na verdade, nunca tiveram muita curiosidade pelos combatentes, estavam ali apenas por conta da relação pessoal com Curien e para incomodar os cavaleiros de Saya durante a patrulha.
— Curien, estou em serviço, não posso ficar mais — Mile não mostrou altivez, talvez por Curien ser um combatente de nível 16, pois na conturbada Terra de Zennia, os poderosos são sempre bem-vindos.
— Até logo, Cavaleiro Mile. Da próxima vez, discutiremos ópera — Curien fez uma reverência.
Após as despedidas, Mile também recebeu uma bolsa delicada, e os cavaleiros partiram satisfeitos.
Restaram apenas os jogadores da Tulipa Negra, sorrindo ao ver que tudo correra bem.
Curien aproximou-se do grupo, contemplando a caravana que triunfara nos ermos, os membros exaustos, abraçando Fogo, Mint e Martin, e então, diante de todos, retirou o chapéu de plumas exuberantes e fez uma reverência.
— Bem-vindos de volta, meus guerreiros!
Os jogadores explodiram em entusiasmo.
— La Tulipe noire! La Tulipe noire! La Tulipe noire! — Os gritos de celebração ecoaram sem fim.