04 Primeira Batalha (1)
Os jogadores do Grupo da Tulipa Negra dominavam as terras áridas por uma razão: sua disciplina e habilidades de combate superavam em muito as de qualquer equipe comum, chegando quase ao nível de um exército. Isso fazia Imar suspeitar que Curien era oriundo das forças armadas francesas.
Vários grupos de combate se dispersaram, vigiando enquanto passavam pelo reservatório de água e avançavam para dentro das muralhas da cidade. Os batedores tomaram a dianteira; todos possuíam habilidades aprimoradas de visão e percepção, capazes de detectar perigos antes dos demais.
Imar desembainhou sua espada de corte e seguiu Curien para dentro do perímetro do castelo.
O castelo ocupava uma vasta extensão. Ao cruzar as muralhas, encontravam-se diante de um grande campo, onde a grama, privada de vida humana por séculos, exalava um negrume sinistro — o resíduo das atividades constantes de espectros e demônios. O solo dentro do castelo se transformava em abismo, a luz do sol era barrada, tornando-se um tom sombrio. Parecia que ali já era outro espaço.
"Água benta!" Eude, o comandante em combate, bradou com voz firme.
Os jogadores, hábeis, retiraram pequenos frascos de suas cinturas e entoaram: "A espada nos dá coragem, o coração é nosso juramento: avançar sem hesitar, exterminar o mal!"
Derramaram uma linha de água benta sobre a lâmina da arma e, em seguida, despejaram todo o conteúdo sobre suas cabeças. Os líquidos não os molharam; após a invocação, irradiavam uma luz suave e cálida, envolvendo os jogadores, tornando suas espadas mais afiadas e armaduras mais sólidas.
Evidentemente, a função principal da água benta era conter a corrosão do abismo e infligir dano maior aos espectros. À medida que dezenas de figuras emanando luz sagrada avançavam, a névoa negra era dissipada, revelando o gramado cinzento. Mas, nas profundezas da bruma escura, criaturas desconhecidas urravam — a água benta e a luz sagrada eram a provocação mais intolerável para elas.
"Ergam os escudos! Formem a linha!" ordenou Eude. Os jogadores, antes dispersos em busca, reuniram-se rapidamente: alguns à frente, retirando seus grandes escudos das costas; outros, mais atrás, empunhando armas de duas mãos. O som de metal colidindo ecoou por todo o campo. Os batedores passaram para a retaguarda, armando arcos e armas de fogo para apoio à distância.
Era a primeira vez que Imar testemunhava um combate em formação; até então, apenas vira cenas assim em filmes ou na televisão. Agora, vivia aquilo; sentia a energia vibrante dos guerreiros e sua adrenalina disparou. Espadas e cavalos, o destino dos homens!
Imar desembainhou sua espada de corte, silencioso, posicionando-se entre os guerreiros da segunda linha.
No negrume agitado, os espectros se aproximavam; já era possível ouvir suas respirações ásperas.
"Urr!" Os espectros romperam a névoa, exibindo dentes afiados e investindo furiosamente.
"Mantenham a formação! Guerreiros de escudo, endureçam! Ataqueiros, eliminem os inimigos!" Eude comandou com calma.
"Ha!" Os guerreiros de escudo ativaram suas habilidades: alguns irradiavam luz terrosa, outros tinham rostos como casca de árvore, outros ainda exibiam braços de cor metálica.
No instante seguinte, os espectros se chocaram contra os guerreiros de escudo! O som de aço chocando-se com carne ressoava por todo lado; alguns espectros escapavam pelas brechas, mas os ataqueiros, com gritos, brandiam armas e abatiam os espectros com golpes precisos.
Imar também já estava em combate; brandiu sua espada de corte e abriu um grande corte no espectro diante dele, quase dividindo-o do ombro à cintura. Mas, surpreendentemente, a lâmina ficou presa no osso do quadril da criatura, que jorrou sangue negro, mas não morreu! Imar ficou momentaneamente perplexo; o espectro, ignorando o ferimento, avançou furioso com a mão intacta e dentes à mostra. Imar hesitou, mas seu treinamento o fez reagir: recuou, abandonou a espada presa, sacou a curta da cintura e, com precisão, cravou-a, unindo a mão e a cabeça do espectro. A lâmina entrou pelo olho; Imar girou com força e, logo, a ferocidade nos olhos se apagou.
Sem tempo para ponderar por que o espectro não morria mesmo ferido mortalmente, Imar puxou sua espada de corte do cadáver e, com um grito, avançou sobre outro espectro.
Dessa vez, Imar aprendeu a lição: não mais golpes amplos, mas ataques precisos — pela boca, pelos olhos, pelo pescoço, qualquer lugar que causasse dano fatal à cabeça, evitando o erro anterior!
Quando Imar já estava confiante, um novo imprevisto ocorreu.
Com o avanço da batalha, espectros mais lentos começaram a chegar, liderados por um monstro revestido de armadura completa, exalando energia negra e mais alto que os guerreiros de escudo da linha de frente. Empunhava um mangual e, com um golpe, lançou dois guerreiros de escudo para trás, abrindo uma brecha por onde mais cadáveres avançaram. Os ataqueiros sentiram a pressão aumentar; um dos monstros blindados rompeu a defesa, colocando vários ataqueiros em perigo imediato.
"Eu cuido disso!" Imar gritou, girando a lâmina para atacar o monstro blindado. Três ou quatro ataqueiros mal conseguiam resistir, mas Imar, sozinho, sustentou todas as investidas, impressionando os companheiros, que, salvos, perceberam o poder do jovem chinês.
O monstro blindado era difícil de enfrentar; mesmo Imar, acostumado a vencer, não conseguia encontrar uma brecha. A armadura era resistente, e ele demonstrava grande habilidade: qualquer parte do corpo podia ser usada para atacar, com armaduras e grevas pontiagudas — se aproximar era um risco enorme.
Imar sentia que finalmente tinha um adversário à altura. Embora sua espada atingisse várias partes da armadura, não surtia efeito: ou era ignorada pela proteção, ou atingia brechas sem resultado. Uma vez, Imar conseguiu perfurar uma fissura na couraça, mas o monstro nem se abalou, revidando com um mangual e obrigando Imar a recuar. Ataques à cabeça também não funcionavam; o monstro era alto e bem defendido, e Imar não conseguia atingi-lo ali.
Após várias tentativas frustradas, Imar começou a se preocupar.
Então, um disparo de arma de fogo soou atrás dele. "Bang!" Um feixe de luz atingiu o ombro do monstro blindado; parecia um ataque fraco, mas teve efeito — o monstro soltou um gemido de dor e hesitou por um instante.
Era a oportunidade! Imar, exultante, girou a espada de corte e atacou a cabeça do monstro. Infelizmente, ele reagiu a tempo, bloqueando com o braço; a espada apenas raspou o capacete, desalinhando-o.
Imar, frustrado, emendou mais golpes, mas sem sucesso.
O monstro blindado, irritado, soltou um rugido abafado sob a armadura e lançou o mangual com força contra Imar, obrigando-o a recuar vários passos e desviar a arma giratória. O monstro exalou fumaça negra pelo capacete, sacou um machado curto da cintura e arremessou-o com violência contra a cabeça de Imar.
Imar poderia apenas desviar, mas percebeu uma chance: o monstro, após perder duas armas consecutivas, estava instável e momentaneamente desarmado! Se ele desviasse o machado, o adversário teria tempo para sacar a espada gigante das costas; mas, se atacasse diretamente... Sem hesitar, Imar esquivou o machado giratório e avançou com a espada contra a cabeça do monstro!
Ting! O monstro blindado cruzou os braços para bloquear o golpe de Imar; antes que pudesse reagir, um grito de dor ecoou atrás. Imar olhou surpreso: era o machado lançado! O monstro não apenas mirou em Imar, mas calculou que, se ele desviasse, o ataque atingiria o atirador que o havia ajudado.
O atirador foi atingido no peito pelo machado, caiu com um grito, estremeceu e se desfez em partículas de luz.
Foi a primeira vez que Imar viu um jogador morrer no jogo.
E a primeira morte na ação do Grupo da Tulipa Negra.
Tudo causado pela impaciência de Imar ao esquivar-se!
Imar sentiu-se tomado pela vergonha e raiva.
"Maldito!" Imar, olhos vermelhos, gritou furiosamente, desferindo um golpe que lançou o capacete negro ao ar.
O monstro blindado, decapitado, não caiu como Imar esperava; da cabeça cortada não jorrou sangue, apenas fumaça negra ondulante, e parecia emitir uma risada zombeteira. Ignorando o capacete caído, o monstro sacou a espada gigante das costas e apontou para Imar.
Seu nome era Cavaleiro Sem Cabeça.