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Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 7141 palavras 2026-02-08 16:53:06

Imor, aluno da Turma 301 da Escola Secundária Yiyun da cidade de Chulong, já atingira o auge possível dos doze anos de educação obrigatória. Imor não possuía grande talento para os estudos; se estivesse numa turma comum, seria apenas um aluno razoável, mas numa turma de excelência, ficava sempre entre os últimos.

A raiz do esforço de Imor era sua amiga de infância, Tong Junwen. Embora esse tipo de dedicação não fosse algo natural para Imor, era impulsionada por ela. Tong Junwen era um verdadeiro prodígio: de caráter firme, vontade inabalável, inteligência quase sobrenatural. Para ela, o conhecimento da educação obrigatória era apenas uma iniciação; sua bagagem intelectual logo transcendeu esse nível. Na verdade, ainda no ensino fundamental, recebeu um convite da Universidade Imperial para ingressar no grupo de jovens talentos, mas, por razões diversas, não quis encerrar tão cedo sua vida colegial. Assim, Imor acabou por sofrer as consequências.

Se não fosse o acompanhamento rigoroso de Tong Junwen, que o instruiu diariamente desde o ingresso no ensino médio, Imor jamais teria se tornado um aluno de destaque. Ele estava satisfeito com sua situação atual: estudar era, para ele, como jogar um jogo, e, mesmo nesse jogo, queria alcançar o máximo de realizações possíveis. Agora, após conquistar o feito de “entrar na turma de excelência do ensino médio de referência”, Imor sentia-se realizado em sua jornada educacional.

Imor não era, no entanto, alguém que sempre seguisse as regras. O mundo tinha suas próprias normas, mas ele era alguém fora delas.

Às margens do rio, havia um parque silencioso, rodeado por árvores, com trilhas ocultas entre arbustos, raramente frequentado. Era quase seu refúgio privado. Imor pendurava-se de cabeça para baixo num galho, executando abdominais de maneira extraordinária, completamente suspenso no ar. Fazer abdominais invertidos talvez fosse possível a alguns, mas nunca com tamanha facilidade.

“...298, 299, 300!” Ao concluir a contagem do dia, Imor saltou do galho com leveza. “Ha!” Golpeou o tronco de uma árvore: a frente permaneceu firme, mas atrás, lascas voaram. Imor possuía uma força fora das regras. Seu treino chamava-se ‘caminho marcial’, diferente das técnicas de combate modernas, focadas em luta; o caminho marcial buscava aprimorar corpo e mente, explorar o potencial humano. Os talentosos progrediam rapidamente, enquanto os medianos mal conseguiam acompanhar. Imor era dotado de um talento surpreendente, mas, numa era de regras rigorosas, o caminho marcial era apenas uma forma de diversão.

Após o exercício, arrumou seus pertences e se preparou para voltar para casa. Como de costume, seria orientado por Tong Junwen nos estudos. No momento em que estava prestes a sair, sentiu um súbito estremecimento no peito.

“O quê?!” Olhou ao redor, percebendo que o ambiente mudara: o parque, antes vibrante, parecia agora envolto em silêncio absoluto, as árvores perderam o colorido. O ar tornou-se viscoso, exalando um odor fétido; a sensação de realidade se diluía. Imor, apreensivo, procurava entender o que estava acontecendo.

Repentinamente, perto de um pavilhão junto à água, o ar se distorceu, e surgiu uma figura com o torso sólido e pernas sem forma, aparecendo no mundo real! Um... fantasma? Imor sentiu o pânico tomar conta. A cabeça era semelhante a um cadáver ressecado, pele e carne coladas ao crânio, a boca sem dentes abria e fechava de maneira assustadora. Vestia um manto adornado com pequenos crânios de bebês, as estampas, horríveis e malignas, ondulavam ao redor do corpo etéreo, numa cena que jamais deveria existir num mundo materialista!

Imor, incrédulo, esfregou os olhos; não era ilusão! O impacto ambiental causado pela aparição tornava impossível ser apenas um delírio. O desconforto e a repulsa eram tão intensos que ele quase vomitou. Era mesmo um fantasma!

Seria a filmagem de um filme? Imor olhou ao redor, mas não viu equipe, câmeras, nem vestígios de montagem ou fios de sustentação. Como poderia, afinal, uma filmagem provocar aquela sensação viscosa e nauseante?

Na trilha vazia à beira do rio, poucas pessoas passavam; apenas uma senhora da limpeza empurrava um carrinho de lixo. O parque, normalmente tranquilo, ganhava um ar de inquietação e terror inexplicáveis.

A senhora! Imor, aflito, tentou impedi-la de se aproximar, mas, ao chegar perto, ela teve todo o sangue e carne sugados instantaneamente, restando apenas ossos caindo ruidosamente ao chão!

“Ah... ah!” Imor arregalou os olhos, tomado pelo terror. Olhou para o espectro, com o corpo trêmulo, sentindo um frio nas costas, incapaz de controlar o tremor. Era realmente um fantasma! Imor nunca fora medroso, mas jamais imaginara que teria de enfrentar tal coisa.

A figura distorcida era difícil de acreditar; o mundo materialista ruía diante dos seus olhos! Então, o espectro emitia uma luz intensa nas mãos, uma cor indescritível, cada vez mais viscosa e sufocante; o espaço entre realidade e vazio tornava-se indistinto, e, por um instante, Imor perdeu até a percepção de si mesmo! Em seguida, o espaço ao redor do fantasma distorceu-se num piscar de olhos e tudo desapareceu. A sensação de realidade retornou, como se nada tivesse ocorrido.

O ar voltou a ser fresco, havia o canto dos insetos e rãs, as árvores dançavam com o vento. Olhando, a senhora da limpeza estava apenas desmaiada à beira do caminho, sem traços de ossos.

Imor, com o pescoço rígido, olhou ao redor, fixando o ponto onde o espectro sumira, incapaz de acreditar no que presenciara. Como materialista convicto, acreditava na existência objetiva do espaço e da matéria, não em fantasmas, pois, segundo essa visão, o espírito não poderia existir sem a matéria. Mas o que ele vira? Seria um fantasma ou um fenômeno natural?

Seu corpo ainda recordava o impacto terrível causado pelo espectro; embora tivesse desaparecido, o tremor persistia, como se tivesse encontrado um inimigo natural. Sentiu-se afastado de tudo, sem espaço, tempo, mente ou memória, apenas o vazio.

Será que realmente existem fantasmas neste mundo?

Imor olhou para o bambuzal, que parecia repleto de sombras à luz do crepúsculo, e fugiu dali, num misto de correria e tropeços.

Ao chegar em casa, Imor tomou um banho imediato, ficou diante do espelho do banheiro, encarando a própria imagem por um bom tempo. Apertou as bochechas, aliviado.

“O que vi hoje foi alucinação, fruto do cansaço destes dias! Não vi nada, nada aconteceu...” Começou a se autoafirmar; após dez minutos, embora ainda sentisse um nó na garganta, já não estava tão assustado.

Secou-se, vestiu-se e saiu do banheiro.

A casa de Imor, ampla, de 150 metros quadrados, era quase sempre vazia. Os pais trabalhavam com arqueologia, raramente presentes. Apesar de ser solitário, ele já estava acostumado; se houvesse mais gente, provavelmente não se adaptaria. Desde os dez anos, os pais passaram a residir no exterior, a empregada cuidou dele até os dezesseis, depois voltou para cuidar dos netos. Nos anos do ensino médio, ele viveu praticamente sozinho, o que colaborou para seu temperamento reservado.

Após um jantar simples, arrumou os livros e seguiu para a casa de Tong Junwen.

Ao recordar o primeiro encontro com Tong Junwen, Imor ainda sentia aquele impacto como se fosse ontem.

Foi no primeiro ano do ensino fundamental.

Tong Junwen era uma menina determinada, o que já se evidenciava aos sete anos. Não gostava de brincadeiras tradicionais das garotas, nem se interessava pelos brinquedos dos meninos, destacando-se no grupo. Após as aulas, enquanto os outros brincavam juntos, ela permanecia séria, sentada, lendo ou desenhando.

Esse comportamento solitário acabava atraindo a atenção dos meninos mal-intencionados.

“Parem!” O pequeno Imor interveio ao ver alguns colegas prestes a atormentar Tong Junwen, lembrando-se dos conselhos da mãe: “Mamãe diz que meninos não devem maltratar meninas!”

Os meninos trocaram olhares, mudaram de posição e cercaram Imor.

“Você gosta de se meter!”

“Qual é sua relação com a feiosa?”

“Você se acha forte?”

Começaram a empurrar Imor de um lado a outro.

“Vocês... maltratar meninas não é coisa de homem!” Apesar do medo, Imor protestou.

“Ah, você é um homem então?”

“Mostre para todos seu lado masculino!”

“Tirem as calças dele! Vamos ver se é homem de verdade!”

As meninas correram, assustadas, a contar para a professora. Os meninos, curiosos, assistiam sem entender direito.

Imor, ao perceber o perigo, tentou resistir, mas era impossível lutar contra três. Suas calças começaram a escorregar.

Nesse momento, a heroína apareceu. Tong Junwen levantou-se, atravessou a sala, pegou os estojos dos três meninos.

“Pum!”, “Pum!”, “Pum!” Os estojos foram lançados diante de seus donos, espalhando lápis, borrachas e réguas pelo chão, deixando todos perplexos.

Os meninos olharam para o chão e, de repente, começaram a chorar.

Para um estudante, nada era mais doloroso do que ver seus materiais jogados pelo chão.

Imor, com lágrimas na face, segurava as calças, sentado no chão, exibindo um pouco do traseiro sujo, com o aspecto de quem fora humilhado. Tong Junwen, de braços cruzados, fitava os quatro meninos com um olhar de desprezo, exalando uma aura de rainha, que quase fez Imor ajoelhar-se.

Foi ali que os destinos de Imor e Tong Junwen se cruzaram.

Desde então, Imor tornou-se o acompanhante da rainha, mantendo-se ao lado dela por dez anos, até hoje.

A casa de Tong Junwen fica a uma rua de distância; Imor já percorrera esse caminho quase diariamente por dez anos, mas hoje estava distraído.

Sentia-se inquieto, não apenas pelo susto da tarde, mas também pelos estudos.

Sempre acreditara não ter talento para estudar; em outras áreas, talvez tivesse confiança, mas na escola, sabia que só estava naquela turma graças ao incentivo de Tong Junwen. Também entendia que nem tudo se alcança apenas com esforço.

Mas um compromisso é um compromisso.

Imor fitou a luz na janela à frente, suspirou e entrou no edifício.

“Boa noite, tia!” Imor saudou a mãe de Tong Junwen, Xi Zina, enquanto trocava os sapatos.

Diferente da filha, Xi Zina era uma mulher de delicadeza exterior e interior, cuja presença transmitia tranquilidade. Para Imor, ela substituíra, em certa medida, a mãe ausente.

“Imor, que bom vê-lo!” Xi Zina sorriu gentilmente. “Já jantou?”

“Já, sim,” respondeu, constrangido. “Tia, será que pode parar de me chamar de ‘Imorzinho’? Já estou quase com dezoito anos!”

Xi Zina, sorrindo com os olhos semicerrados, afagou-lhe a cabeça. “Imorzinho quer crescer logo, não é?”

“Tia...” Imor coçou o nariz, sem saber como lidar com o tratamento infantil.

“Entre, Junwen já está esperando faz tempo!” Xi Zina piscou e sorriu.

Imor respondeu e seguiu para o quarto de Tong Junwen.

Só ali, sentia que sua amiga de infância era realmente uma garota da sua idade.

Tong Junwen não decorava o quarto com acessórios típicos das meninas, mas era fácil reconhecer o ambiente feminino pelo arranjo, cores e objetos.

Comparado ao quarto de Imor, o dela era menor, servindo de dormitório e escritório. Uma parede inteira era ocupada por uma estante repleta de livros que ele jamais conseguiria ler ou entender, abrangendo de ciências naturais a humanidades, com títulos que, isolados, faziam sentido, mas juntos eram incompreensíveis. Sempre que olhava aquela estante, sentia-se insignificante em corpo e espírito.

Tong Junwen gostava do amarelo brilhante, acreditando que ajudava no pensamento. Por isso, o quarto era repleto de objetos amarelos: cama, mosquiteiro, lençol, travesseiro, tapete, cortina, mesa, cadeira, e, sobre tudo, a própria garota. Por algum motivo, ao ver aquele corpo delicado, Imor lembrava-se de um gato.

“Junwen.” Imor fechou suavemente a porta, chamando em voz baixa.

“Imor.” Tong Junwen virou-se, com um leve sorriso.

Vestia pijama, recém-saída do banho, cabelos colados ao pescoço, rosto ruborizado pelo calor.

“Sente-se, espere só um minuto.” Ela apontou para uma cadeira, voltando à leitura.

Imor assentiu, lançou um olhar ao volumoso livro diante dela, cujo título era: “Flutuações durante a inflação: aproximação por rolagem lenta”.

Com o couro cabeludo arrepiado, evitou encarar o livro, tirou os próprios, entre eles “Análise de Exemplos Clássicos de Geometria Analítica no Exame Nacional”, confortando-se: pelo menos o título é longo, não parece tão difícil... No resto da mochila havia “Preparação para o Exame Nacional de Língua Clássica”, “Leitura de Língua Moderna”, “Banco de Questões de Álgebra” e “Nova Geometria para o Exame Nacional”.

Após alguns minutos de leitura apática, com os olhos fixos no papel mas sem absorver nada, Tong Junwen fechou o livro volumoso, devolvendo-o à estante e encerrando o clima de alta inteligência que inquietava Imor.

“Hoje vamos revisar geometria analítica?” Ela ajeitou os cabelos ainda úmidos, sentando-se ao lado de Imor.

“Ah... sim...” Imor escondeu o constrangimento; na verdade, preferia ouvir explicações sobre língua clássica.

“Certo, então. Tem alguma dúvida?”

“Hum, dúvida...” Após os eventos da tarde, sua mente estava confusa; não conseguia lembrar de dúvidas. “Acho que não... pode marcar os pontos principais para mim!” Nas vésperas de provas, Tong Junwen sempre o ajudava a se preparar, sendo tão hábil que conseguia prever quase exatamente o estilo das questões dos professores.

Mas, ao ouvir isso, Tong Junwen parou, largou a caneta e sentou-se com postura solene.

Lá vem sermão, pensou Imor, resignado.

“Imor, você precisa entender: não há conquistas sem esforço. Seu futuro não pode depender só dos outros; ninguém pode pensar por você. É preciso saber o que aprendeu e o que lhe falta. Conhecimento se aprende aos poucos, mas atitude e hábitos, uma vez formados, são difíceis de mudar. Se você nem sequer quer pensar, ainda é você? Onde está o Imor motivado?”

Imor encarou o reflexo nos olhos de Tong Junwen, distorcido, mas incrivelmente nítido, revelando até as emoções mais sutis.

“Mas... tem coisas que eu simplesmente não consigo...” Imor desviou o olhar, não sentindo raiva, apenas uma profunda impotência diante dos estudos.

“Imor, você...” Tong Junwen interrompeu-se, percebendo que talvez tivesse colocado pressão demais; a corda estava esticada ao limite.

A lua iluminava os degraus, o canto dos insetos animava a noite silenciosa.

A porta da casa de Tong Junwen se abriu, a luz forte ofuscando a lua.

“Imorzinho, cuidado no caminho!” Xi Zina sorriu, acenando.

“Está bem, tia!”

“Mãe, vou acompanhar o Imor,” disse Tong Junwen.

Desceram juntos, lado a lado pela relva, em silêncio. A luz da lua envolvia o vestido da jovem, como uma rainha da noite.

“Imor.” Ela parou.

“Hum?” Imor olhou curioso.

“Você já pensou no seu futuro?” Naquele momento, Tong Junwen parecia mais uma garota de dezessete anos.

“Futuro?” Imor estranhou, depois respondeu: “Passar numa boa universidade, esforçar-me para ser parte da elite — não é isso o que sempre se espera?”

Tong Junwen balançou a cabeça: “Esse é o futuro que eu imaginei. Pergunto sobre o seu. Você já pensou? Qual é o seu próprio futuro?”

“Meu próprio...” Imor silenciou. Depois de um tempo, disse: “Eu... não sei.”

Tong Junwen encarou-o por um instante, com expressão de desapontamento e inquietação.

“Imor, desculpa.”

“Hum?”

“Foi culpa minha, por pressionar você a ponto de não ser mais você mesmo.” Ela abaixou a cabeça, mexendo na grama.

“Ah, não é nada.” Imor coçou a cabeça. “Não me incomoda.”

“Mas me incomoda,” ela o olhou nos olhos, “apesar do sermão, quem devia ser repreendida sou eu... sempre forcei você a ser alguém diferente. Fiquei um pouco... arrogante.”

“Não, eu ainda sou eu,” Imor abraçou o corpo delicado de Tong Junwen, afagou-lhe os cabelos, “o ensino médio é nosso, sua escolha, minha escolha, não importa o resto.”

Tong Junwen apoiou o queixo no ombro juvenil de Imor, envolvendo-o pela cintura.

“Só falta um mês...” murmurou.

“Sim,” respondeu ele.

Após um momento de silêncio, ela se afastou um pouco, encarando-o: “Deixe-me ser egoísta só nesse último mês!”

Imor sorriu: “Não só um mês, quanto quiser.”

“Um mês basta.” Ela balançou a cabeça, “Quero que o Imor do futuro seja ele mesmo, não alguém moldado por mim. Sei que esse será o melhor você.”

“Foi você quem me salvou; no fim, só existo por causa de você.” Imor acariciou uma cicatriz secreta na nuca de Tong Junwen, suspirando.

Ela sacudiu a cabeça, impedindo-o de tocar, encostou a testa no peito de Imor.

“Depois do exame nacional, quero ir para a Ilha de Qingshou...”

“Vamos, amanhã eu reservo as passagens.”

“Quero comer muitos frutos do mar...”

“Vamos comer, pescando e cozinhando ao lado dos barcos.”

“Quero nadar, quero mergulhar...”

“Vamos, tudo isso, depois da prova eu te ajudo a escolher o maiô!”

Tong Junwen sorriu suavemente, ficando na ponta dos pés.

“Obrigada!” Dois lábios macios pousaram na face de Imor.

Vendo o perfil animado da amiga, como uma fada, Imor tocou a própria bochecha ainda quente, sentindo o tempo parar.

Era a juventude dos dezessete anos.