18 Avanço Forçado em Combate (2)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2431 palavras 2026-02-08 16:57:18

Como carro-chefe, era inevitável que sofresse os ataques mais intensos. Por isso, nele estavam os cavalos de guerra mais fortes, a melhor proteção, o cocheiro mais experiente e, claro, o maior poder de combate — Chama Ardente e Hortelã.

Mal haviam adentrado a estepe, e os ataques das criaturas já eram incessantes. Na verdade, não era sempre que essas feras atacavam o comboio por vontade própria; muitas vezes, eram perturbadas da paz e reagiam furiosamente. Mas Chama Ardente não sentia pena dos azarados. Em pé sobre o teto da carruagem, balançava a longa espada de dois gumes, partindo ao meio, sem esforço, qualquer criatura que se lançasse à frente.

Hortelã, semi-agachada atrás dele, utilizava flechas comuns, mas em suas mãos, mesmo as mais simples setas transformavam-se em instrumentos de precisão mortal, perfurando até os crânios mais duros das criaturas que avançavam.

Se não se aventurasse pela estepe, jamais se saberia quantas criaturas ali habitavam. Podiam surgir de qualquer lugar, exibindo dentes afiados, dispostas a arriscar a vida por um pedaço de carne fresca. Das árvores, dos arbustos, debaixo das pedras, entre as moitas, nas poças de água — havia até aquelas que, quando o carro-chefe passava, pareciam meros torrões à beira da estrada, mas no instante seguinte saltavam, desmascarando-se, sobre os cavalos das carruagens seguintes.

O comboio avançava em formação de ponta de flecha, com o carro de Chama Ardente à frente, ladeado de veículos fortemente blindados, enquanto no centro seguiam as carruagens de carga, menos protegidas. Aprendizes de cavaleiro, já com habilidade em combate montado, patrulhavam por dentro e fora da formação — recuando para ajudar quando necessário, ou avançando como batedores caso o perigo diminuísse. Os batedores atuais pouco sabiam de equitação e não dispunham de cavalos adequados, restando-lhes atuar como arqueiros sobre as carruagens, enquanto a valiosa tarefa de reconhecimento recaía sobre os aprendizes.

— Mantenham-se atrás do carro-chefe! — gritava Martim de uma das carruagens, logo atrás do líder, comandando o avanço do comboio. — Cuidado com o solo! Não parem de jeito nenhum! Atravessaremos esta área a todo custo!

Aquele trecho abrigava muitos cursos d’água, claro indício de uma grande concentração de criaturas. Embora tentassem contornar o centro da região, não era possível simplesmente mudar o rumo de um comboio em disparada, sendo obrigados a cruzar por entre as feras, o que desestabilizou um pouco a formação.

— Evitem o lodo! Cuidado com as poças! Circulem ao redor! — alertava Martim.

Água em abundância significava muita lama, brejos e criaturas misteriosas escondidas sob as águas!

Uma das carruagens, tentando esquivar-se de um lamaçal, desviou levemente e aproximou-se demais da margem. Subitamente, uma enorme bocarra surgiu das águas e, com dentes afiados, abocanhou a cabeça de um cavalo. O animal caiu em agonia, arrastando outro consigo e lançando a carruagem ao chão. Aquela carruagem estava perdida.

— Maldição! — praguejou Martim, furioso. — Alain! Félix! Recolham os pacotes de marcha deles! Carruagem catorze, corram! Subam em outro carro!

Dois aprendizes giraram os cavalos, recolheram os pacotes das mãos dos jogadores e os levaram para outras carruagens. Os jogadores da catorze, em pânico, largaram as armas pesadas e correram com todas as forças. Eram combatentes de nível superior, explosivos o suficiente para alcançar as demais carruagens a tempo, deixando para trás dois cavalos de guerra a relinchar na boca da criatura.

— Afastem-se da margem! Há criaturas grandes na água! — continuou Martim aos gritos.

Por sorte, o comboio finalmente conseguiu mudar de direção e se afastar daquela zona alagada, e a quantidade de criaturas diminuiu bastante.

O carro-chefe, de Chama Ardente, estava coberto de sangue. Ao cruzar aquela área, passou de preto a vermelho-escuro, um quadro assustador que dava a medida do massacre promovido. No início, Chama Ardente ainda tentava contar o número e os tipos de criaturas que abatia, mas logo se perdeu em movimentos automáticos de brandir e cortar. Calculava que, se transformasse todos aqueles monstros em um banquete, alimentaria metade do Distrito das Nuvens Errantes.

Numa breve trégua entre ataques, Chama Ardente jogou-se no teto da carruagem, deixando a espada de lado. O vigor de um combatente logo fazia efeito — o sangue e fluídos escorriam por seu corpo e, em pouco tempo, estava novamente limpo.

— Há quanto tempo estamos lutando? Já se passaram cinco horas? — perguntou.

Hortelã, já com um novo arco longo — pois o elfo não aguentaria tanto combate intenso —, esticou os dedos e pulsos doloridos e, sentando-se ao lado de Chama Ardente, olhou o tempo e balançou a cabeça.

— Passou pouco de uma hora só.

— Puxa! Pensei que já era hora de comer. Minha energia já está pela metade! — lamentou-se Chama Ardente.

— Logo, logo faremos uma pausa. Em breve será hora de trocar os cavalos; se continuarmos assim, eles cairão de exaustão — consolou-a Hortelã.

— Pois é... Apesar de ter matado tantas criaturas, só consegui pegar alguns cristais mágicos — Chama Ardente abriu a mão, mostrando cinco ou seis cristais longos.

— Não esperava que fosse tão ganancioso! — riu Hortelã, tapando a boca.

— Só acho pena deixar o saque para trás! — resmungou, batendo na testa.

— Os cristais das bestas não valem muito; não chegam nem perto dos de fantasmas. Já fizemos um bom lucro no castelo. Esqueça essas miudezas! — disse Hortelã, com ares de quem nada lhe faltava.

Os cavalos de guerra galopavam sem descanso, atravessando pradarias e colinas, alheios à batalha que os cercava. Existiam apenas para mover seus corpos poderosos, levando a Companhia da Tulipa Negra em velocidade.

— À frente! Alcateia! — gritou subitamente Martim.

Chama Ardente e Hortelã puseram-se de pé, armas em punho.

Parecia um pequeno grupo de lobos, surgindo sorrateiros de um arbusto, cercando o comboio com dentes à mostra. Diante das carruagens em disparada, não hesitaram em saltar nos pescoços dos cavalos, mas os arqueiros a bordo não estavam ali para brincar — derrubaram os lobos famintos em pleno ar. Quando algum mais sortudo conseguia alcançar um cavalo, não conseguia atravessar o colete feito de lona e folhas de palmeira.

Após eliminar o grupo, Martim finalmente ordenou uma pausa para descanso, alimentação, conserto das carruagens danificadas e troca dos cavalos.

— Martim! Tudo limpo à frente! — anunciou um aprendiz, vindo de uma colina.

— Aguentem firme! Vamos descansar naquela elevação! — incentivou Martim em voz alta.

Depois de quase duas horas de combate, todos estavam exaustos. Ao ouvir a ordem de descanso, explodiram em comemoração, acelerando em direção ao monte.

O monte era pequeno, suficiente para cercar com as carruagens, onde podiam comer e beber no centro. Ali perto, um leito de rio seco e, na margem, um pequeno bosque.

Ao ver os jogadores saltarem das carruagens, Martim chamou um aprendiz:

— Alain, troque para um cavalo comum, patrulhe o leito do rio e vigie o bosque do outro lado. Qualquer coisa estranha, avise imediatamente.

Alain assentiu, montou e partiu.