17 O Retorno ao Lar (1)
Mint ficou com uma expressão extremamente vívida ao ver as propriedades do cubo mágico.
“Espada Pungente de Mendel”
Ao ler o nome do item, Mint quase acreditou que Chama Ardente era a encarnação de Deus.
“Isto...” Mint mal podia acreditar no que via. “Chama Ardente... como você conseguiu... isso... não tinha sido...”
“Pois é, eu a recuperei, senhorita Hortelã.” Chama Ardente sorriu calorosamente, colocando o cubo mágico nas mãos dela.
“Não é de admirar que o capitão tenha exigido que partíssemos imediatamente de volta para o Castelo Colônia, então era por causa disso...” Mint segurava o cubo mágico com as duas mãos, temendo que estivesse sonhando. Curien havia conseguido esse equipamento lendário há muito tempo, e foi justamente por causa da “Espada Pungente de Mendel” que nasceu o grupo Tulipa Negra. Para todos os jogadores do grupo, esse equipamento era símbolo de fé e união. Se realmente o perdessem, seria inimaginável o que aconteceria com a Tulipa Negra.
“Obrigada... Chama Ardente...” Mint não conseguia expressar sua gratidão em palavras; estendeu as mãos e apertou a cabeça de Chama Ardente, bagunçando-lhe os cabelos. Ele sentiu como se fosse sufocar.
“Mas... essa sua armadura, o que é isso?” Mint finalmente notou a armadura branca chamativa de Chama Ardente, percebendo seu valor.
Chama Ardente, orgulhoso, mostrou a ela as propriedades da “Armadura do Milagre”. Mint ficou tão surpresa que ficou insensível.
“De onde veio isso? Não me diga que é da IA? Você... você matou aquele grande demônio??!!”
“Hehe, claro que não! Eu só consegui escapar por pouco!” Chama Ardente coçou a nuca, embaraçado.
Depois que Chama Ardente contou sua história, Mint ficou sem palavras.
“Quando será que a C1 vai me dar um conjunto desses...” Os olhos de Mint brilhavam de desejo. “Você é filho do presidente da C1? Não pode conseguir um para mim também?”
“...” Chama Ardente quase engasgou com a imaginação dela. “Sou apenas um cidadão comum. Quanto ao motivo de terem me dado esse equipamento, talvez a C1 não queira que esse escândalo se espalhe!”
Mint ficou entre a dúvida e a crença.
Em seguida, Chama Ardente continuou contando sobre seu encontro com a Alma do Abismo, Morigana, o que fez Mint sentir-se feliz por sua sorte. Ela já havia presenciado o poder de Morigana, sabia o quão aterrorizante era esse grande demônio. O número de jogadores comuns não fazia diferença; até mesmo os melhores jogadores só conseguiriam resistir alguns instantes. Apesar de Chama Ardente ter contado com o efeito especial recém-adquirido da “Armadura do Milagre”, sua capacidade e coragem foram indispensáveis.
Enquanto conversavam, os dois chegaram ao novo acampamento.
O novo acampamento havia sido estabelecido numa parte oculta do vale. Após se retirarem do castelo, os membros da Tulipa Negra não ousaram permanecer próximos à vila, abandonando rapidamente as defesas que haviam erguido há um ou dois dias. Sabiam que, diante de um demônio tão aterrador, a força humana era inútil; restava apenas torcer para não serem encontrados.
Por sorte, nas cadeias de montanhas próximas, sempre havia um local adequado para se esconder.
O acampamento, apesar de discreto, tinha linhas de vigilância distantes. Era cansativo, mas essencial para a segurança. No caminho, jogadores disfarçados surgiam de todos os cantos para saudá-los: uns nas árvores, outros nos arbustos, outros entre as pedras, e ainda havia um sujeito mais dedicado que respirava com um canudo de junco escondido dentro d’água... Certamente assistiram muitos filmes de kung fu e de ninjas orientais. Chama Ardente respondia a todos. Ele era apenas um membro temporário, “recolhido” pela Tulipa Negra no campo, mas após algumas batalhas, aquele jovem vindo da China já havia conquistado o respeito de todos.
Ao entrar no acampamento, o tio Fernand liderava o grupo de intendência, distribuindo mingau de aveia quente e baguetes crocantes fatiadas com maionese para os jogadores que acabavam de trocar de turno. Ao ver Chama Ardente, Fernand apressou-se em lhe entregar uma generosa pilha de pães, dizendo que, se não fosse suficiente, havia mais. Pelo visto, o apetite de Chama Ardente já era conhecido por Fernand, que não sabia se ria ou chorava, enquanto Mint e os outros riam à vontade.
“Chama Ardente, que bom que você está bem!” Um jogador de armadura pesada o puxou para sentar ao seu lado, dando-lhe um tapinha no ombro. Era Martin, o capitão dos guerreiros de escudo. Eles se haviam conhecido melhor na limpeza da torre da prisão no dia anterior. Após a morte dos principais jogadores, que ressuscitaram no Templo da Reencarnação, Martin era o único capitão remanescente e, assim, assumiu o comando temporário do grupo.
“Ainda bem que você também está bem!” Chama Ardente, já adaptado ao ambiente, tomava mingau de aveia e mordia a baguete, conversando animadamente com todos.
“Só não fui porque sou pesado demais, o capitão teve medo de eu quebrar a cisterna; caso contrário, também teria ido ver o tal demônio de perto!” Martin riu de si mesmo e todos o acompanharam, lamentando não terem visto com os próprios olhos a temida Alma do Abismo, Morigana, elogiada até pelos companheiros mortos.
Ficava claro que os jogadores da Tulipa Negra não haviam sido muito afetados. Para não desanimar a todos, a liderança não divulgou a notícia da perda da “Espada Pungente de Mendel”, preferindo preparar o grupo antes de anunciar, para evitar instabilidade. Felizmente, a atuação de Chama Ardente tranquilizou-os e aliviou o ambiente.
Agora, bastava retornar em segurança ao Castelo Colônia e a Tulipa Negra, longe de sofrer perdas com o fracasso da expedição, ainda poderia fortalecer-se graças ao enorme saque obtido ao derrotar o exército do abismo.
Com a perda quase total das forças mais experientes, Chama Ardente e Mint eram agora a garantia de uma viagem segura de volta.
“No caminho de volta, contaremos com você!” Martin disse solenemente a Chama Ardente.
É curioso pensar que um dos principais grupos da região dependia da proteção de um aventureiro solitário que havia entrado no jogo há poucos dias, mas todos haviam testemunhado a força de Chama Ardente. Mesmo sendo apenas um jogador de nível zero – ainda nem era oficialmente um guerreiro –, ninguém duvidava de sua capacidade.
...
Após saciarem a fome e a sede, os jogadores rapidamente começaram a se mover.
Desmontaram o acampamento e embalaram tudo com presteza, pois sabiam que precisavam retornar ao Castelo Colônia ainda naquele dia. Tinham levado três dias para chegar ali, e não havia tempo a perder.
A quantidade de suprimentos para levar de volta era muito maior que na ida. O exército do abismo deixara uma infinidade de espólios: armaduras destroçadas dos cavaleiros sem cabeça, partes úteis de minotauros e outros grandes monstros, além dos itens extremamente valiosos deixados pelo grande ogro, pelo Anjo da Morte e pelos Senhores Cavaleiros do Abismo; e, claro, diversos núcleos mágicos. O valor total superava em muito o patrimônio anterior da Tulipa Negra. Era imprescindível levar tudo de volta.
Mesmo com grandes mochilas de campanha para transportar carga, cada carroça tinha um limite de peso e não era possível transportar tudo em poucas delas.
Agora era o momento dos domadores brilharem: um a um, invocaram cavalos, montaram novas carroças, e logo uma frota de veículos estava pronta. Serviam tanto para cargas quanto para passageiros.
Com o empacotamento dos suprimentos, o número de carroças aumentava sem parar. Ao final, contaram vinte e quatro veículos de todos os tipos: com cabine, sem teto, puxados por um cavalo, por dois, e até por burros. Esse comboio heterogêneo era até engraçado de se ver, mas poucos grupos conseguiam reunir tantos animais domesticados – a maioria mal tinha uma ou duas carroças.
Os preparativos estavam quase completos. Algumas fortificações, armadilhas e tendas foram deixadas para trás, juntamente com suprimentos desnecessários. Para acelerar o retorno, o jeito era abandonar a maior parte das tralhas e diminuir o peso. Mesmo assim, as rodas de cada carroça afundavam profundamente no solo.
“Vamos partir!” O tio Fernand, ao volante da carroça da frente, gritou com entusiasmo, estalando o chicote. E assim, a caravana começou sua marcha.