18 Marcha forçada em combate (1) (Peço que adicionem aos favoritos)
Duas horas depois, o comboio estava prestes a deixar o vale, com as vastas planícies áridas à vista.
Martin largou as cartas das mãos, levantou-se e gritou em alto e bom som: “Rapazes! Guardem os baralhos, os dados! Desliguem os PDAs! Preparem seus equipamentos, não morram no caminho de volta para casa!”
Ao ouvir Martin, os jogadores, que estavam dispersos, sentados ou de pé de maneira relaxada, apressaram-se em recolher seus brinquedos, equipando novamente as armaduras, armas e mochilas que haviam deixado ao lado das carroças.
Não era culpa deles estarem tão desleixados: os feitiços de banimento ainda funcionavam na estrada de correio, lançados durante a ida, e agora protegendo o trajeto de volta. Nenhum monstro de nível baixo se atrevia a invadir a estrada. Sem sensação de perigo, os jogadores relaxaram; afinal, o objetivo principal era se divertir, ninguém consegue manter disciplina absoluta para sempre.
Mas a tranquilidade terminava ali. Logo deixariam a estrada e atravessariam as planícies.
De carroça em carroça, os “peixes mortos” de repente se endireitaram, transformando-se em elites de combate.
Chama também se levantou, pendurou a sua espada mil vezes afiada na cintura e ajustou a mochila cheia de frascos de poções. A adaga de mithril não havia sido perdida; no último momento, Chama ainda a segurava, mas, após ser quebrada por Moriana, estava inutilizável e foi devolvida ao tio Fernand. Em seu lugar, escolheu uma espada de corte e uma adaga, como arma principal e reserva.
Nas planícies, embora os monstros tivessem alguma influência do Abismo, comparados aos espectros da fortaleza que já haviam sido corrompidos, sua aparência ainda era razoavelmente normal, com fisiologia semelhante à de criaturas vivas. O uso da espada de corte seria muito mais eficaz do que na fortaleza.
Chama terminou de preparar seus equipamentos e não ficou mais dentro da carroça, saltando para o teto e observando a planície. Depois de um tempo, Hortelã também vestiu seu traje de combate, com uma capa élfica esvoaçando ao vento. Nas costas, o arco longo ornamentado e a arma mágica “Comando da Rainha das Geadas” chamavam atenção.
“Parece tudo muito calmo”, comentou Chama, semicerrando os olhos para a planície.
“Só parece”, respondeu Hortelã, retirando o arco, encaixando uma flecha e disparando em direção ao topo de uma árvore próxima à estrada.
Um grito estridente ecoou quando uma criatura, de corpo semelhante a um macaco mas com bico de ave, caiu da árvore, claramente sem chances de sobreviver.
“Um falcão das árvores, uma criatura pequena que ataca cavalos e outros animais de carga”, explicou Hortelã, arqueando as sobrancelhas para Chama, como se se vangloriasse.
Chama coçou a cabeça, admirado com a visão de Hortelã. “Seus olhos são mesmo tão afiados quanto os de uma águia, senhorita Hortelã.”
“Hum-hum!” Hortelã ronronou orgulhosa, como um gato com o rabo erguido. “Você acertou, esta habilidade chama-se Olhos de Falcão.”
“Ah, entendi, essa habilidade é realmente útil!”
“Quando voltar ao Castelo de Colônia, você também poderá aprender habilidades adequadas!” respondeu Hortelã, animada.
“Mas como se aprende essa habilidade? Não vi nenhuma árvore de habilidades ou algo assim!” Chama abriu sua barra de status e percebeu que não havia nenhum registro de habilidades, coçando novamente a cabeça.
“Ha-ha, habilidades não são tão simples assim! Não existe esse negócio de aprender uma habilidade apenas clicando. Não é fácil desse jeito!” Hortelã riu, o peito saltando levemente.
Chama desviou o olhar, constrangido. “Mas nos jogos, as habilidades costumam funcionar dessa forma, não?”
“Para a maioria dos jogadores, ao entrar no jogo nem sabem segurar uma espada, empunhar uma lâmina ou manejar um arco, e acabam acertando o próprio pé. Comparando com jogos antigos, nem sequer conseguem realizar ataques básicos. É preciso aprender tudo, começando por como usar armas, e é por isso que a maioria aprende como primeira habilidade o domínio das armas”, explicou Hortelã com um sorriso.
“Ah, então as habilidades são, na verdade, maneiras de aplicar o poder que o jogador domina, certo?” Chama começava a entender.
“Exatamente! Pode-se dizer isso. A Guilda dos Escolhidos e outras guildas reconhecidas podem elevar seu nível com base em seus atributos físicos. Ao subir de nível, você obtém poderes diferentes, que permitem aprender habilidades diversas, tudo depende da aptidão individual. E as habilidades aprendidas variam conforme a guilda. Por exemplo, com o mesmo poder, na guilda dos arqueiros se aprende disparo concentrado, enquanto na guilda dos pistoleiros aprende-se rajada de tiros”, explicou Hortelã em linhas gerais.
“Entendi, então é diferente dos jogos antigos”, assentiu Chama.
“Porque este é o Segundo Mundo, um mundo real, não existe essa coisa de aprender habilidades com um clique”, disse Hortelã, abrindo as mãos.
Enquanto os dois observavam o terreno e conversavam, os demais jogadores não tinham o mesmo tempo livre. Os jogadores comuns precisavam garantir sua sobrevivência, e isso exigia muito mais preparação. Desta vez, faltavam muitos membros experientes do grupo; os jogadores comuns tinham de se preparar ainda mais.
Primeiro, era recomendável usar armaduras que cobrissem todo o corpo, fossem de ferro ou de couro. Eles não possuíam reflexos como Chama ou Hortelã, não podiam garantir que não seriam atacados. Além disso, em uma carroça em movimento rápido, não era como enfrentar os exércitos do Abismo, onde há um guerreiro com escudo à frente, um atacante lateral do grupo das doninhas e um arqueiro protegendo na retaguarda. Se monstros pulassem na carroça, cada um teria de cuidar de si mesmo.
Em segundo lugar, era importante escolher armas adequadas para bloqueio e paradas. Em marchas forçadas, muitos perigos surgem de ataques repentinos, por isso bloquear rapidamente um ataque de monstro e deixar o contra-ataque para o companheiro aumenta as chances de sobrevivência.
Por fim, os consumíveis deviam estar completos: água benta, antídotos, bandagens para estancar sangue, tudo deveria ser levado em quantidade suficiente. Não era hora de economizar peso pensando em usar medicamentos do companheiro. Muitas vezes, o companheiro mal consegue cuidar de si, quanto mais dos outros.
Esse era o caminho de sobrevivência dos jogadores comuns.
Enquanto todos se ocupavam, o comboio parou na abertura da estrada de correio; dali em diante era a planície, e o inevitável para a Brigada da Tulipa Negra seriam ataques e batalhas contínuas.
Martin saltou da carroça, começando a comandar os jogadores. Carroças comuns não servem para marchas forçadas, era preciso reforçá-las.
Os burrinhos e cavalos de carga foram recolhidos, pois já haviam cumprido sua tarefa. Os domadores de animais invocaram cavalos de guerra mais robustos, alimentando e cuidando deles. Alguns jogadores que atingiram o nível de cavaleiro aprendiz até invocaram suas preciosas montarias, alimentando-as com ração especial, mais cara até do que sua própria comida. Enquanto alimentavam, murmuravam: “Filho! A vida do papai depende de você! Não decepcione o papai, que vive comendo lavagem!”
Chama não pôde deixar de rir, mas além da graça, sentiu inveja: eram verdadeiros cavalos de guerra, totalmente blindados, muito mais imponentes que os comuns.
As carroças também precisavam ser reforçadas. Antes, para poupar força dos cavalos, as armaduras eram carregadas pelos cavalos de carga e burrinhos, mas agora era hora de equipá-las. Após o reforço, as carroças ficaram muito mais ameaçadoras: as janelas foram quase todas cobertas, transformadas em fendas de tiro, e o corpo da carroça foi adornado com espinhos, para garantir que qualquer monstro que tentasse atacar se arrependesse imediatamente. No teto, cercas reforçadas davam à carroça o aspecto de um antigo carro de combate; os atacantes podiam ficar ali usando armas longas.
Todas as carroças eram puxadas por dois cavalos, pois os jogadores ainda não tinham habilidade para conduzir mais. Os cavalos estavam cobertos por armaduras de tecido feitas de lona e folhas de palmeira, oferecendo alguma proteção. As cabeças estavam protegidas por máscaras de ferro, que também bloqueavam a visão dos cavalos, evitando que se assustassem com os monstros.
Logo, todas as carroças estavam modificadas, e o comboio desorganizado transformou-se numa poderosa frota de carros de combate.
Todos se acomodaram dentro das carroças, restando apenas alguns cavaleiros aprendizes patrulhando ao redor.
“Deem aos cavalos a poção de feras!” ordenou Martin do alto do carro de combate.
O grupo de logística segurou as bocas dos cavalos e administrou uma poção amarela. Em pouco tempo, os cavalos de guerra começaram a respirar pesadamente, mordendo o freio, batendo os cascos com força. Nesse estado, eram capazes de puxar as carroças pesadas recém-modificadas.
“Avançar!” O comboio lançou-se nas planícies em torrente, com o estrondo dos cascos ecoando como trovão!