A fantasia adentra a realidade (2)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2500 palavras 2026-02-08 16:59:06

Adiante estendia-se um corredor curto, cujas paredes estavam revestidas por selos vermelhos vibrantes. Se alguém olhasse com atenção, perceberia o brilho delicado que pulsava por entre os símbolos.

Logo, Ímper avistou o objetivo. Era uma figura humanoide – se é que poderia ser chamada de criatura – com pele de um cinza-escuro doentio, exalando odor de decomposição. Os olhos eram pálidos e cruéis, fixos nos dois visitantes; a boca escancarada, babando uma saliva repugnante que escorria entre dentes pontiagudos. No lugar do nariz havia apenas dois buracos negros, as orelhas eram longas e afiadas, e as garras das mãos agarravam com força as barras da gaiola. Contudo, a prisão de ferro, coberta de selos, era impenetrável para aquela criatura.

O coração de Ímper encheu-se de horror, incapaz de pronunciar palavra alguma.

Sim, era o tipo mais comum de soldado abissal em “Armas do Mundo Fantástico” – um Carniçal!

“Como... isso é possível...” murmurou Ímper, como num delírio. Ele não conseguia acreditar que via, no mundo real, um monstro saído de um jogo. Como poderia ter esquecido do Carniçal? Lembrava bem: sem água sagrada, mesmo abrindo-lhe o ventre, o Carniçal ainda manteria sua força.

“O que apareceu naquele dia era isso?” Ímper perguntou, pálido, voltando-se para o Mestre Guizhen.

“Sim... e não,” respondeu Guizhen, mergulhando em suas lembranças.

Naquele dia, ao retornar ao quintal, Guizhen foi subitamente envolvido por um vórtice inexplicável. Perdeu a noção de direção, a capacidade de pensar, e até a sensação de existir – movia-se apenas por instinto.

Finalmente, saiu da névoa, caindo ao chão, e recuperou o senso de si próprio. Estava numa sala de um mausoléu subterrâneo, cercada por paredes, com apenas uma saída. Ao olhar para trás, viu uma parede por onde acabara de atravessar.

Ao tocar nos tijolos irregulares, toda a parede ondulou como água, assustando-o a ponto de recuar imediatamente.

Recobrando a calma, decidiu examinar a saída. Do lado de fora, havia um corredor longo, parecendo parte de um subterrâneo instável, que rangia sob seus passos.

Foi então que Guizhen deparou-se com um rosto espectral. Naquele instante, sentiu a morte avançar sobre ele.

Virou-se e fugiu, ouvindo atrás de si um coro de uivos graves. Inúmeros espectros surgiram em perseguição, mergulhando Guizhen em pânico.

Um deles soltou um grito lancinante que fez seus tímpanos doerem; logo sentiu uma força brutal colidir com seu corpo. Por sorte, o pequeno frasco deixado por Mestre Guangyang entrou em ação, explodindo atrás de si e desabando todo o túnel.

Guizhen foi arremessado ao chão pela onda de choque. Sem pensar muito, rastejou de volta à sala inicial. Entretanto, um espectro conseguiu alcançá-lo antes do colapso total, obrigando-o a mergulhar novamente através da parede ondulante e escapar.

Guizhen sabia que um espectro permanecia à espreita, podendo surgir a qualquer momento. Por isso, limpou imediatamente o local e sacou o tesouro legado por seu mestre, enfrentando o monstro. Após dias de luta, conseguiu finalmente aprisioná-lo naquela gaiola, e o estranho vórtice nunca mais reapareceu.

Este foi o relato de Guizhen.

“Não sei que tipo de mundo era aquele... que terrores estariam escondidos lá,” suspirou Guizhen.

“Eu... talvez saiba onde é...” Ímper tirou o telefone e mostrou a ele o bestiário do Carniçal.

“Isso é... um jogo?” Guizhen arregalou os olhos, pegando o aparelho e alternando entre o bestiário e a criatura capturada. “Como... como pode ser? Pensei que tinha caído no submundo, mas... é um jogo? Impossível! Não faz sentido!”

Ímper deu-lhe um tapinha consolador no ombro. Por estar preparado, não se abalou tanto quanto o mestre.

“Talvez... não seja apenas um jogo.”

Perturbado, Guizhen não quis conversar mais; disse que precisava consultar os textos antigos dos fundadores, e pediu que Ímper saísse do quintal.

Ímper olhou para o portão trancado. O surgimento do Carniçal no mundo real indicava que o espectro visto naquele dia tinha noventa por cento de chance de ter saído do jogo. De qualquer modo, era necessário investigar o Mausoléu de Phondú. Assim que resolvesse os assuntos no Castelo de Colônia e obtivesse o mapa de rota para deixar o Reino dos Cavaleiros de Javia, deveria partir o quanto antes. Com esse pensamento, desceu a montanha.

...

À noite, Ímper estava sentado na cama, segurando o VRI, o coração inquieto.

Seria apenas um jogo? Ou um mundo verdadeiro? O que, afinal, era um Escolhido?

Talvez só naquele mundo pudesse encontrar a resposta.

‘Flama online!’

Naquele horário, ainda havia poucos conectados, mas enquanto Flama repunha alimentos, Mint entrou no jogo.

“Ah, Flama! Você já está aqui!” Mint aproximou-se sorrindo, serviu-se de chocolate quente e pegou pão do prato de Flama.

“Ei, por que não pega você mesma?” Flama reclamou, abrindo um sorriso torto.

“Não quero!” Mint resmungou e cutucou-o com o cotovelo. “Então, como foi sua provação ontem?”

Flama contou em detalhes tudo o que viu com o Lobo Prateado, e Mint, tomada pela emoção, exclamou: “Que pessoa lamentável!”

Antes, Flama talvez dissesse que era só um jogo, mas agora não conseguia mais pensar assim; apenas suspirou em silêncio.

...

Após o café da manhã, o primeiro destino era a Guilda dos Espadachins, para treinar e obter o certificado de competência.

“Ei, você não tem outra coisa para fazer?” Flama perguntou, perplexo com a insistência de Mint em acompanhá-lo.

“Por quê? Está me dispensando?” Mint respondeu com um ar irritado, levantando o queixo. “Hum, quero ver como você vai aprender as habilidades! E temos um acordo! Faltam quatro dias!”

“Tudo bem, tudo bem!” Flama aceitou, não por desprezo, mas por temer que o treinamento fosse monótono demais para a inquieta Mint.

Ainda era cedo, poucos jogadores estavam na guilda, mas muitos habitantes locais compareciam. O Mestre Lorin acabara de se levantar, exercitando-se com maestria.

“Mestre Lorin, cheguei,” Flama saudou.

“Ah, você! Vamos começar. Pratique tudo o que aprendeu ontem,” disse Lorin, recolhendo sua espada e orientando Flama.

Após uma hora de treino, Lorin finalmente anunciou:

“Muito bem, você está qualificado. Aqui está seu certificado!”

Flama obteve o último comprovante.

Despedindo-se do mestre, Flama e Mint seguiram juntos para a Guilda dos Guardiões.

“O dia inteiro! E você não aprendeu nenhum talento de guardião!” Mint reclamava, bufando. “Qualquer outro guardião já teria aprendido ‘Sobrevivência do Mais Forte’! Ao menos limpar o primeiro andar da Torre dos Escolhidos seria fácil. Mas você nem sequer dominou uma habilidade!”

“Estou indo aprender agora!” Flama respondeu calmamente. “Além disso, preciso de habilidades para limpar a Torre dos Escolhidos?”

Mint revirou os olhos, esquecendo do poder de combate de Flama. De fato, ele não precisava seguir o caminho convencional dos jogadores comuns. Nesse caso, não haveria mal em experimentar o lendário Guardião Celeste.

Conversando, logo chegaram à Guilda dos Guardiões.