13. Tong Junwen está descontente

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2495 palavras 2026-02-08 16:56:26

Após se despedir de Hou Xuan, que parecia estar bastante abatido, Imo montou em sua bicicleta e voltou para a escola para buscar Tong Junwen.

No caminho, Imo sentiu de repente saudades dos companheiros do jogo. Embora, na verdade, tivessem sido colegas de equipe por menos de oito horas, já sentia que eram aliados em quem podia confiar de olhos fechados. Aos dezessete anos, Imo jamais imaginou que um dia se tornaria um salvador.

Imo sempre praticou artes marciais, mas para quê serviriam? Seu mestre inicial também não sabia, ele próprio tampouco, e ninguém mais poderia lhe dizer. No mundo de hoje, dominado pela tecnologia, aprender técnicas de combate já era coisa de excêntricos; quem se dedicava às artes marciais era ainda mais raro, quase nunca encontrava alguém assim. E, mesmo quando via, o nível deles era muito inferior ao seu. Mais tarde, ele também superou seu próprio mestre, e aí ninguém sabia que caminho seguir adiante.

Depois de anos de treino solitário, Imo, de forma inesperada, encontrou um caminho para as artes marciais dentro do jogo. Era um mundo virtual quase idêntico ao real, onde o corpo digital permitia movimentos impossíveis de serem realizados na vida real. Os limites das artes marciais podiam ser tocados naquele universo; talvez, no futuro, pudesse atingir níveis ainda mais altos. Imo acreditava firmemente nisso.

Pensando nisso, Imo chegou pedalando até o cruzamento e, de repente, parou para olhar ao redor.

Se fosse em frente, voltaria para a escola; subindo, chegaria ao Monte Baofu. Imo lembrou-se do Templo Baoyuan, que estava fechado havia dois dias, e do mestre Daoísta Guizhen, visivelmente perturbado. Olhou as horas — ainda era cedo. Por que não dar uma passada no templo?

Virou o guidão e começou a subir a montanha.

A ladeira era íngreme, diferente da subida suave do outro lado; Imo teve de pedalar em pé. Assim seguiu por dez minutos, até chegar aos degraus do Templo Baoyuan. Prendeu a bicicleta e subiu os degraus.

O templo continuava fechado a visitas. De vez em quando, algum devoto aparecia, mas ao ver os portões lacrados só restava suspirar e ir embora. Sem pessoas, o templo parecia ainda mais sombrio.

Imo bateu duas vezes à porta, sem obter resposta, como já esperava. Só então viu que a porta estava coberta de talismãs estranhos, que flutuavam no alto. Não só ali — olhando para os lados, viu ainda mais talismãs colados ao longo dos muros, provocando calafrios. O som esporádico e agudo de pássaros desconhecidos tornava o ambiente ainda mais sinistro.

Controlando o medo, Imo contornou o muro à procura de uma entrada. De repente, encontrou-se atrás do santuário, do lado de fora do muro, e ao ver o telhado familiar, não pôde evitar gritar:

— Mestre! Está aí? Mestre!

Nada respondeu, apenas o canto dos pássaros ficou mais assustador, tornando o ambiente ainda mais tenebroso!

Imo sentiu um mau pressentimento e, ao decidir ir embora, ouviu uma voz fraca:

— Volte! Venha daqui a três dias!

Imo levou um susto, olhou ao redor e não viu nada nem ninguém. Só o som dos pássaros. Pensou estar ouvindo coisas.

— Pare de enrolar! Vá embora! — Desta vez, a voz foi mais forte. Imo reconheceu o mestre Guizhen. Não sabia como ele produziu aquele som, mas não ficou tão aflito. Parecia que o mestre ainda estava em boa forma, sem necessidade de preocupação. Se disse para voltar em três dias, era melhor ir embora.

Logo desceu a montanha e voltou para a escola buscar Tong Junwen.

...

Dessa vez Imo não se atrasou, mas Tong Junwen ainda comprou uma barra de chocolate, sentou-se na garupa da bicicleta, comeu um pedaço e deu outro na boca de Imo, pedalando devagar para casa.

— Há pouco, aquele tal de Pang da comissão de inglês veio me procurar na biblioteca — comentou ela, alimentando Imo, de repente.

— É? O que ele queria? — Imo respondeu distraído, mas de repente percebeu — Espera, não! Ele é representante de classe, não de inglês!

— É? Então por que se preocupa tanto com tua nota de inglês? — perguntou Tong Junwen, intrigada.

— Ele... — Imo tentou segurar o riso. — Quem sabe, né? O que ele queria afinal?

— Nem prestei muita atenção, ficou falando o tempo todo na mesa ao lado, uma chatice — resmungou ela. — Disse que você nunca responde às perguntas da professora de inglês na aula, que ela fica triste, e que vai te dar aulas de reforço.

Imo fez uma careta meio divertida:

— Que nada, meu inglês é ótimo! Ontem mesmo estava conversando em inglês com uma francesa online.

— Sério? E sobre o quê? — Tong Junwen sabia bem o nível do inglês dele e ficou curiosa.

— De tudo! Água e comida, “Nihao”, tradutor... um monte de coisa! — Imo respondeu honestamente.

— “Nihao” é chinês! — Ela beliscou a barriga dele.

— Mas quando um estrangeiro fala, vira inglês! Em chinês, a pronúncia é bem menos estranha! Parecia que ela dizia “Nima”, achei que estava me xingando! Não sei se queria dizer “Nihaoma” ou “Haonima”! — Imo zombou do sotaque da francesa.

— “Hao” coisa nenhuma! — Ela não conteve o riso e beliscou-o de novo. — Mas, afinal, você precisa dessas aulas do Pang?

— O nome dele é Pang Xiujing! — Imo riu. — Deixa ele pra lá, se acha muito importante, mas não tem nada a ver com isso.

Tong Junwen não se importou muito, mas seus olhos mostravam uma pontinha de desagrado. Claro, não era com Imo.

...

Ao chegarem em casa, a mãe de Xi já havia terminado o jantar: costela ao caldo, cujo aroma irresistível fez Imo não querer parar de comer.

— Mãe, por que sopa de novo hoje? — perguntou Tong Junwen, que não era fã de sopas. Segundo ela, só tinham gordura e nada de nutritivo. Claro, só reclamava na frente de Imo, jamais ousaria fazer isso diante de Xi Zhinai.

— Porque as provas estão chegando! — respondeu a mãe de Xi, sorridente. — Declaro que, até o exame final, será sopa todos os dias! É uma receita especial para dar energia e fortalecer a mente, aprendi só para vocês! Todos os pais estão fazendo para os filhos, não podemos ficar para trás!

Enquanto falava, apertou o punho cheia de entusiasmo.

Tong Junwen revirou os olhos discretamente, enquanto Imo tomava a sopa satisfeito e, sorrateiro, levantava o polegar, recebendo de volta um olhar reprovador de Tong Junwen.

De barriga cheia, chegou a hora do reforço noturno: conversação em inglês, leitura e gramática. Pelo visto, o comportamento de Pang Xiujing fez Tong Junwen entender errado, achando que estavam criticando suas aulas. Imo pensou, resignado.

Duas horas depois, terminou o reforço, despediu-se da mãe de Xi e de Tong Junwen e voltou para casa.

Novo Mundo, aqui vou eu de novo! Ao olhar para o VRI ao lado da cama, Imo sentiu uma excitação inexplicável.

Tomou banho rapidamente, vestiu o pijama folgado, deitou-se confortavelmente, colocou o VRI e posicionou-se para relaxar.

— Carregar! — ordenou em voz alta.

O VRI brilhou em um azul suave, o corpo de Imo estremeceu e ele mergulhou num sono profundo, silencioso.

Conexão Fogo Ardente!