08 Recuperação após a Grande Batalha

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2907 palavras 2026-02-08 16:56:00

Após a celebração, era hora de recolher os despojos da batalha.

No mundo de Armamento Fantástico, os monstros não deixavam cair equipamentos; os cadáveres das criaturas de baixo nível, ocasionalmente, rendiam alguns materiais ao desaparecerem, mas os monstros maiores exigiam um especialista habilidoso para a decomposição. Por isso, em grupos grandes como o Tulipa Negra, além dos combatentes, havia muitos membros dedicados à logística, que agora mostravam toda sua utilidade.

O tio Fernand conduziu um grupo de jogadores não combatentes para se reunir com Curien e seus companheiros, trazendo consigo uma grande quantidade de alimentos, suprimentos e armas de reserva. Ao ver que Língua de Fogo ainda estava ativo e enérgico, aproximou-se e deu-lhe um tapinha no ombro, soltando uma gargalhada.

Assim, os jogadores de combate restauravam suas forças com comida e bebida, trocando suas armas danificadas por novas, ainda impregnadas com o aroma do óleo de manutenção. Diversas poções também eram indispensáveis. Depois de uma batalha extenuante contra o exército do Abismo, todos estavam traumatizados com a situação de escassez, em que até uma garrafa de água sagrada precisava ser dividida. Agora, cada um carregava o dobro de suprimentos em relação ao habitual, sem se incomodar com o peso extra.

Língua de Fogo, por sua vez, recebeu pela primeira vez um kit de campanha e o examinou curioso. O kit podia ser preso à cintura e, à primeira vista, parecia apenas um cinto. Era um pequeno pacote discreto, mas extraordinário: permitia armazenar suprimentos compactos, escondendo seu volume, embora não reduzisse o peso. Com ele, não havia mais preocupação com frascos quebrados ou comida esmagada. Claro, se exagerasse na quantidade, sentiria o verdadeiro peso de um cinto de ouro.

Após preparar seu kit, Língua de Fogo colocou dentro dez frascos de água sagrada e, sem esquecer, pediu uma poção de cura, restaurando seu corpo. Aquele estado instável, em que poderia ser desfigurado a qualquer momento, finalmente desapareceu. Junto com isso, também se foi o poder de Majin Buu.

Armas não faltaram; a espada curta de mithril que Curien lhe emprestara foi mantida sem questionamentos. Agora, precisava escolher uma arma principal e uma de reserva. Na verdade, não havia muito o que escolher: a espada de corte não era popular entre os franceses, então Língua de Fogo ficou livre para usá-la. Os jogadores já haviam testemunhado sua força com uma arma desproporcional ao seu tamanho e não se surpreendiam mais com sua escolha. Para arma de reserva, pegou uma espada longa comum, cruzando-a com a de mithril na cintura.

Também era hora de trocar a armadura; a anterior, leve, estava completamente destruída. Diferente da vida real, no jogo, o corpo tinha uma função automática de limpeza: bastava uma breve purificação com água sagrada para ficar renovado, dispensando banhos. Em pouco tempo, Língua de Fogo estava impecável, vestindo uma armadura leve com o brasão da Tulipa Negra no peito, exibindo-se com vaidade, perambulando pelo acampamento. Ora observava o tio Fernand lidando com os despojos, ora conversava animadamente com os especialistas em ataque.

Enquanto os guerreiros organizavam seu equipamento, os membros de logística estavam ainda mais ocupados. Era deles o trabalho de recolher armas e equipamentos dos jogadores caídos, além de extrair cristais mágicos e materiais especiais dos grandes monstros. Isso exigia habilidades específicas de identificação e decomposição, que não eram comuns. Esses jogadores, no mundo real, eram especialistas em biologia ou medicina, ou mesmo profissionais de abatedouros, cada um com grande competência. Por isso, era raro alguém conseguir atuar como lobo solitário; muitos grupos nem podiam se aventurar no campo aberto. Quando conseguiam caçar, só reconheciam os cristais mágicos, destruindo todos os outros materiais, um negócio claramente deficitário. O crescimento da Tulipa Negra se devia, em grande parte, ao trabalho dos jogadores de logística liderados pelo tio Fernand, aliviando as preocupações dos combatentes.

Aproveitando o momento de descanso, Curien reuniu os integrantes centrais para uma reunião estratégica, com Língua de Fogo ouvindo de perto.

— Muito bem, vamos discutir as próximas ações — disse Curien, batendo as mãos para chamar atenção. — Primeiro, preciso admitir que não ter enviado os exploradores antes nos deixou cercados pelo exército do Abismo, quase levando à extinção do grupo. A culpa é minha. Em segundo lugar, agradeço à bravura de Língua de Fogo; sem ele, todos nós já estaríamos jogando cartas no Salão de Renascença do Castelo de Colônia!

Todos riram e expressaram sua gratidão ao jovem.

— Bem, agora precisamos decidir: avançamos ou descansamos? Gostaria de ouvir as opiniões — continuou Curien.

Eude foi o primeiro a falar:

— Senhores, o tempo é precioso. Cada dia a mais no campo significa mais gastos. Acho que devemos aproveitar a oportunidade para concluir a missão de hoje e conquistar a torre da prisão. Em primeiro lugar, é certo que o exército do Abismo recrutou uma enorme quantidade de cadáveres e zumbis para nos cercar, o que reduz o número deles no castelo, facilitando nossa tarefa. Em segundo lugar, e se amanhã vier outro exército do Abismo? Melhor ocuparmos a torre da prisão e nos defendermos; seja para atacar os andares superiores do castelo ou esperar a chegada de reforços, teremos o controle da situação.

— Mas precisamos considerar: e se o exército do Abismo de hoje era apenas uma parte? Se eles já tomaram o castelo, seguir o plano original pode ser ainda mais desastroso — contrapôs Zorro.

— Se houver mais demônios e monstros, precisamos ocupar a torre antes que eles reajam. Nosso grupo é capaz de enfrentá-los, mas devemos estar em posição vantajosa. Se formos cercados no campo aberto, será outra batalha sangrenta. A torre da prisão é o terreno perfeito para jogadores como nós, certamente poderemos resistir a qualquer ataque — insistiu Eude. — Além disso, o demônio que acabamos de derrotar era um Senhor do Abismo! Não há dúvida de que era o líder deles! Com um inimigo desses morto, por que temer outros demônios?

Eude tinha razão: como Senhor do Abismo, era o soberano absoluto de seu território; exceto pelos sete imperadores do Abismo, não obedecia a ninguém, nem se relacionava com outros líderes, agindo sempre por conta própria. Não importava quão humilhante fosse sua morte, naquele inferno eterno, era um déspota local; com sua queda, o exército que comandava ficava sem liderança, o momento ideal para exterminá-los.

— Concordo com Eude. Mesmo que haja demônios, poderiam ser mais fortes que o Senhor Cavaleiro do Abismo? — disse Mint, lançando um olhar a Língua de Fogo, confiando plenamente em sua força.

Língua de Fogo apenas sorriu amargamente. Ele sabia bem que, para derrotar aquele demônio aterrador, a astúcia e a sorte foram decisivas; se fosse um combate direto, nem dez Tulipas Negras juntos seriam páreo para ele. Mas não iria dizer nada que pudesse abalar o moral dos companheiros.

— Isso mesmo! Apoio o ataque!

— Não, acho que devemos ser cautelosos, não podemos cair novamente numa emboscada do exército do Abismo!

— Eu penso que...

— Ei, não se deixem intimidar...

Os capitães começaram a discutir animadamente.

Curien também hesitava, ponderando as vantagens e desvantagens de cada opção, sem se deixar levar pelo medo, apenas pela busca do melhor resultado. Olhou para Língua de Fogo, que observava com curiosidade ao redor.

— Língua de Fogo, qual é sua opinião? — perguntou Curien.

— Eu? — Língua de Fogo ficou surpreso, coçou a nuca e sorriu. — Para mim, tanto faz. Só que... daqui a pouco mais de uma hora preciso acordar. Não importa o que aconteça, só poderei ajudar em mais uma batalha.

Todos ficaram perplexos, mas logo entenderam: aquele jovem não era francês! Seu horário era diferente de todos, um autêntico vítima do fuso horário.

— Então, já são quase oito horas na China? — Mint perguntou, interessada.

— Oito horas? — Língua de Fogo ficou desconcertado, invejando a rotina dos franceses. — Não, não... Os estudantes chineses têm que estar na leitura matinal às sete e meia; às oito já começaram as aulas — então preciso acordar antes das seis e meia, tomar café e chegar pontualmente à escola.

— Nossa! Os estudantes chineses são mesmo muito sofridos! — Mint balançou a cabeça, incrédula, e os líderes da Tulipa Negra também expressaram seu pesar.

— Muito bem, senhores, vamos aproveitar o tempo e nos preparar para agir! — Curien decidiu, batendo as mãos. — Os exploradores vão à frente; se não houver sinais do exército do Abismo, resolveremos a batalha em uma hora!

— Hurra! — os capitães responderam em coro, iniciando os preparativos para o ataque.